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·26 de agosto de 2026

Base aliada de Massis anuncia voto contra reforma estatutária e aumenta tensão política no São Paulo

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Grupos que apoiam o presidente Harry Massis decidiram rejeitar as mudanças propostas no Estatuto; votação acontece nesta quarta-feira e coloca ainda mais pressão sobre a disputa política do clube

A crise política do São Paulo FC ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira. Os grupos que integram a base de apoio ao presidente Harry Massis anunciaram que votarão contra a reforma estatutária que será analisada pelo Conselho Deliberativo do clube.

O posicionamento surpreende pelo peso político das correntes envolvidas e joga ainda mais combustível na disputa interna do Tricolor. A votação acontece em meio a um momento extremamente delicado dentro e fora de campo, com o clube pressionado pelos resultados no Campeonato Brasileiro e pela crescente cobrança da torcida.

A decisão também ocorre depois de grupos de torcedores se mobilizarem contra a reforma e convocarem manifestações no Morumbis.

Base de Massis diz que reforma deve ficar para a próxima gestão

Em comunicado conjunto, Participação Tricolor, Legião Tricolor, Sempre Tricolor, Vanguarda Tricolor e Somos São Paulo afirmaram que não consideram adequado votar mudanças dessa dimensão durante a atual administração.

Os grupos ressaltam que não são necessariamente contrários à realização de uma reforma no Estatuto, mas defendem que a discussão seja transferida para a próxima gestão.

O principal argumento é o prazo considerado insuficiente para que os conselheiros possam analisar todas as alterações propostas.

Na prática, porém, o movimento possui forte impacto político, principalmente porque a reforma será votada às vésperas de um novo ciclo eleitoral no São Paulo.

Reforma coloca política do São Paulo em ebulição

A proposta prevê 54 alterações no Estatuto, divididas em 11 blocos temáticos. Um 12º bloco trata exclusivamente de uma disposição transitória relacionada à realização de um estudo de viabilidade para uma eventual SAF ou sociedade empresária.

A intenção da comissão responsável pela reforma é permitir que os conselheiros votem individualmente em cada bloco, sem a necessidade de aprovar ou rejeitar o pacote completo.

Segundo o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, a divisão busca tornar a votação mais objetiva e evitar que a rejeição de um determinado ponto impeça a análise dos demais.

O que muda com a reforma estatutária?

Entre as principais alterações está a reformulação do Conselho de Administração.

A proposta prevê que o órgão passe a ter nove integrantes:

  • três conselheiros;
  • um representante do Conselho Consultivo;
  • cinco membros independentes.

Atualmente, o Conselho de Administração é composto pelo presidente, vice-presidente, três conselheiros, um integrante do Conselho Consultivo e três independentes indicados pelo presidente.

Outra mudança importante é que o presidente do São Paulo deixaria de ocupar automaticamente a presidência do Conselho de Administração. O cargo seria definido por votação entre os nove integrantes do colegiado.

A proposta também prevê mudanças na estrutura de compliance, que passaria a responder diretamente ao Conselho de Administração.

Transparência e fiscalização também estão no centro da proposta

A reforma estabelece novas atribuições para os órgãos de fiscalização e governança do clube.

O Conselho de Administração teria acesso obrigatório, em prazo de até sete dias, aos contratos envolvendo jogadores, comissão técnica e intermediários do futebol.

Também ficaria responsável pela elaboração da proposta orçamentária e pelo planejamento estratégico do São Paulo para períodos de três a cinco anos.

Já o Conselho Fiscal ganharia poderes ampliados para solicitar documentos, informações e esclarecimentos diretamente à diretoria executiva e ao Conselho de Administração.

A proposta ainda determina que pelo menos um integrante do Conselho Fiscal tenha formação em Ciências Contábeis e registro profissional regular.

Reforma prevê punições mais duras para dirigentes

Outro ponto relevante envolve a responsabilização de dirigentes e conselheiros.

O texto estabelece mecanismos de punição para situações como:

  • utilização de recursos do clube em benefício próprio;
  • obtenção de vantagens indevidas;
  • contratação de empresas ligadas a familiares ou dirigentes;
  • descumprimento de prazos estatutários;
  • antecipação irregular de receitas;
  • sonegação de impostos;
  • falta de transparência na prestação de contas;
  • omissão de informações relevantes aos associados;
  • falta de comunicação sobre irregularidades de gestões anteriores.

Também está prevista uma alteração relacionada ao quórum necessário para eventual destituição do presidente.

Votação desta quarta-feira pode ter impacto eleitoral

Embora a reforma só possa entrar em vigor após aprovação do Conselho Deliberativo e posterior análise em Assembleia Geral, o debate ganhou uma dimensão política muito maior.

A proposta será colocada em votação justamente em um momento de forte movimentação nos bastidores do São Paulo.

De um lado, grupos ligados à situação de Harry Massis agora se posicionam contra a reforma. De outro, setores da oposição e torcidas organizadas também questionam pontos do projeto e acusam o Conselho de tentar promover mudanças com interesses políticos.

A tendência é que a reunião desta quarta-feira seja marcada por forte disputa entre os diferentes grupos do Conselho Deliberativo.

E há um detalhe importante: caso aprovada nas instâncias necessárias, a reforma só produziria efeitos a partir do próximo ano, já durante a nova gestão.

A política do São Paulo ferve justamente quando o futebol está em crise

O cenário cria uma combinação explosiva para o Tricolor.

Enquanto o time enfrenta uma sequência negativa no Brasileirão e convive com protestos da torcida, o Conselho Deliberativo trava uma batalha sobre o futuro da estrutura política e administrativa do clube.

O anúncio da própria base de Massis de que votará contra a reforma mostra que a discussão deixou de ser apenas jurídica ou administrativa e passou a ocupar o centro da disputa política do São Paulo.

Com eleições no horizonte, cada voto no Conselho ganha peso — e a reunião desta quarta-feira promete ser apenas mais um capítulo de uma disputa que deve se intensificar nos próximos meses.

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