RTI Esporte
·28 de setembro de 2026
Betinho celebra volta do Juventus-SP à elite paulista: “Vai voltar a ser o Moleque Travesso”

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·28 de setembro de 2026

O Juventus-SP está de volta à elite do futebol paulista. O acesso à Série A1 foi confirmado em abril, diante do Votuporanguense, encerrando uma espera que atravessou 18 anos desde a última participação na primeira divisão, em 2008. O retorno aconteceu justamente na primeira temporada após a transformação do futebol do clube em SAF.
Para Betinho, porém, a volta do Moleque Travesso à elite tem um significado que vai muito além da tabela. Cria da Rua Javari, o ex-jogador conhece por dentro a força do clube e acompanhou com entusiasmo a campanha do acesso.
Hoje técnico do Santo André, ele falou com exclusividade à Agência RTI Esporte sobre o momento do Juventus, as memórias da época em que vestiu a camisa grená e a expectativa para o reencontro com São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos.
“Fiquei muito feliz com a volta do Juventus, torci muito para que isso acontecesse”, conta Betinho. Para ele, o retorno pode recuperar uma característica histórica do clube: revelar jogadores justamente quando enfrenta os maiores times do estado.
“Mais uma vez na elite jogando contra São Paulo, Corinthians, Santos, Palmeiras… e na sua história sempre foi através destes jogos que jogadores se destacaram e foram para outras grandes equipes”, recorda. “O Juventus sempre cresceu contra estas equipes, sempre foi um celeiro neste sentido de revelação.”
Entre tantas lembranças da passagem pelo clube, uma partida ocupa espaço especial na memória. Em um duelo contra o São Paulo, na Rua Javari, o Juventus venceu por 2 a 0 e Betinho marcou um dos gols em jogo válido pelo Campeonato Paulista.
“Foi uma jogada de contra-ataque, o goleiro era o Gilmar, acabei driblando ele e finalizando. A torcida ali lotando a Javari fez esse jogo ser muito especial e está guardado na minha memória”, conta o ex-jogador do Moleque Travesso.
Foi também durante as campanhas de 1986 e 1987 que seu futebol começou a ganhar maior projeção. A formação no Juventus, segundo ele, foi determinante para o jogador que viria depois a defender clubes como Cruzeiro e Palmeiras.
“Minha formação lá foi fundamental para o meu crescimento. Quando chego no profissional, com todos eles já consagrados por seleção e grandes clubes, e depois saio para Cruzeiro e Palmeiras, não senti o peso da camisa. Sem dúvida que fizeram muita diferença na minha vida”, relembrou.
A mudança para o Cruzeiro representou um choque de realidade. No Juventus, Betinho já encontrava boas condições para a formação, com casa de atletas, alimentação e a estrutura da Rua Javari. Mas a realidade do clube mineiro era outra.
“Quando fui para o Cruzeiro, aí sim foi um impacto muito grande com o CT da Raposa, quatro campos, estrutura de vestiário, Departamento Médico… me surpreendeu muito. Nunca tinha vivenciado aquela situação, o que ajudou no meu futebol.”
A passagem pelo Palmeiras também marcou sua evolução. “Foi crescendo pouco a pouco até chegar no que é hoje, que é uma estrutura fantástica.”
Betinho atribui parte importante da carreira às pessoas que encontrou pelo caminho. Borracha, Candinho e Dudu estão entre os nomes que cita com gratidão. O trabalho feito naquela época teve reflexos até na Seleção Brasileira.
“Em 1988 fui convocado para a Seleção Brasileira jogando pelo Juventus e tudo isso aconteceu por influência destas pessoas que passaram na minha vida.”
Betinho acompanhou boa parte da campanha do Juventus na Série A2 e destaca a capacidade de reação da equipe. “Iniciaram a competição com dificuldade e, dentro dela, foram se ajustando, crescendo, trazendo muitas peças. A A2 é muito difícil e equilibrada e o Juventus conseguiu manter esse equilíbrio.”
O acesso veio no mata-mata, quando, como resume o próprio treinador, “é um outro campeonato”. Agora, a exigência será ainda maior. “O nível de exigência numa Série A1 de São Paulo é muito grande, um campeonato de tiro curto com os grandes da Capital, as equipes do interior de muita força.”
Para Betinho, o primeiro objetivo precisa ser claro: “O Juventus precisa ser uma equipe competitiva e o primeiro objetivo, sem dúvida nenhuma, é se manter na A1 do próximo ano.”
E ele acredita que a nova estrutura pode devolver ao clube a capacidade de incomodar os grandes. “Agora, estruturado, vai voltar a fazer grandes jogos e ser o Moleque Travesso, surpreendendo os grandes clubes.”
Por fim, a própria trajetória de Betinho também ganhou novos capítulos. O ex-jogador conta que não planejava inicialmente seguir a carreira de treinador, mas a parceria com Sérgio Soares acabou mudando os rumos.
Hoje, depois de experiências no futebol de base e profissional, o ex-jogador afirma estar preparado para desafios maiores. “Hoje me sinto sim muito capacitado para grandes desafios e busco em cada trabalho os desafios de buscar acessos e títulos e dentro disso crescer.”
A relação com o futebol, porém, continua tendo a mesma essência de quando começou na Javari: ajudar pessoas a evoluir. “Fui um jogador que amava jogar e hoje sou um treinador que amo o que faço, ajudar as pessoas, fazer com que elas evoluam, entender a dificuldade delas.”
Para Betinho, o retorno do Juventus à elite também é o reencontro de um clube com a sua própria história. E, depois de tantos anos, a Rua Javari voltará a receber os grandes do futebol paulista.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal







































