Caboclo quebra o silêncio sobre acusação de assédio que o derrubou na CBF: “Foi uma conduta inadequada da minha parte” | OneFootball

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·13 de agosto de 2026

Caboclo quebra o silêncio sobre acusação de assédio que o derrubou na CBF: “Foi uma conduta inadequada da minha parte”

Imagem do artigo:Caboclo quebra o silêncio sobre acusação de assédio que o derrubou na CBF: “Foi uma conduta inadequada da minha parte”

A corrida eleitoral para a presidência do São Paulo ganhou contornos dramáticos com a oficialização da pré-candidatura de Rogério Caboclo. O dirigente, que comandou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entre 2019 e 2021, não tem como minimizar o impacto de seu nome ante o motivo pelo qual foi afastado do cargo: denúncias de assédio moral e sexual feitas por uma secretária da entidade, com direito a vazamento de áudio pela ‘TV Globo‘.

O escândalo se torna o maior empecilho atual para Caboclo convencer os torcedores são-paulinos de que é, de fato, um nome viável para substituir Harry Massis caso vença o pleito que deve ocorrer no final deste ano.


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Nesta quarta-feira (12), o dirigente quebrou o silêncio sobre o episódio em uma entrevista abrangente ao programa ‘Tricolaços‘ no YouTube. Na sabatina, Caboclo abordou minuciosamente os bastidores judiciais do escândalo que encerrou de forma traumática sua passagem pela entidade máxima do futebol brasileiro. Ao mesmo tempo, buscou convencer a torcida e os conselheiros são-paulinos de que reuniu condições morais e técnicas para assumir o comando do clube.

O histórico do caso CBF e o desfecho na Justiça

Rogério Caboclo foi afastado da presidência da CBF em junho de 2021 pela Comissão de Ética do Futebol Brasileiro, após denúncias apresentadas por funcionárias e diretores da entidade. O episódio culminou em suspensões que o mantiveram fora do futebol por meses.

No campo judicial, porém, os desdobramentos tomaram rumos específicos:

Arquivamentos penais: Denúncias formais de assédio sexual na Justiça comum foram arquivadas pelo Tribunal Regional Federal (TRF-2) e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que entenderam não haver elementos probatórios para a caracterização de crime.

Transação Penal: No caso mais emblemático — que envolveu gravações de áudio vazadas contendo diálogos constrangedores —, o processo criminal foi encerrado sem condenação e sem perda da primariedade, mediante a aceitação de uma Transação Penal ofertada pelo Ministério Público.

As declarações de Caboclo: “Conduta inadequada, mas não assédio”

Durante a entrevista, o dirigente deu sua versão detalhada sobre a resolução do caso e explicou por que aceitou o acordo judicial:

“O processo teve como desfecho uma oferta do Ministério Público para o instituto da Transação Penal, que deduz crimes de menor potencial lesivo. Fui aconselhado pelos meus advogados a aceitar para pôr fim a uma situação desgastante para minha família. Paguei valores equivalentes a R$ 100 mil para entidades de proteção às mulheres e aos animais”, declarou Caboclo.

O ex-presidente da CBF fez questão de classificar seu comportamento como “inadequado”, pelo qual reafirmou pedidos de desculpas públicos, mas rechaçou categoricamente a enquadração de assédio sexual sob a ótica legal.

“Foi uma conduta inadequada da minha parte, pela qual lamentavelmente já pedi desculpas e faço isso cada vez que sou indagado. Mas tenho pareceres de renomados juristas atestando que aquilo não caracterizou assédio sexual, pois nunca houve solicitação de favorecimento sexual, convites para sair ou abuso de poder hierárquico com esse fim”, argumentou.

Caboclo revelou ainda que tentou contato direto para se desculpar pessoalmente com a denunciante, mas diante da recusa, utilizou entrevistas à imprensa para manifestar arrependimento público.

Pressão, álcool e medicamentos

Ao ser questionado sobre rumores a respeito de seu estado psicológico e de um suposto abuso de substâncias na rotina sufocante da CBF, o ex-mandatário negou ter quadro de dependência alcoólica, admitindo apenas o uso inadequado de bebidas associadas a remédios.

“Nunca tive dependência de álcool e tenho acompanhamento médico que comprova isso. O que acontecia era um hábito de degustar vinhos que, em momentos de muita pressão, cheguei a misturar com remédios para dormir. Isso não justifica ou atenua meu comportamento inadequado, que foi fora do padrão da minha vida toda, mas não havia alcoolismo”, frisou.

Retaguarda familiar e alegada evolução pessoal

O dirigente também enfatizou o papel central da esposa, do filho e dos pais para atravessar o desgaste da exposição midiática e apoiar seu retorno ao cenário esportivo.

“Minha mulher não esteve fora do meu lado por nenhum segundo porque sabia da minha índole e de que ali não havia intenção de ferir ninguém. Minha família compreendeu que o São Paulo é minha paixão e apoia minha pré-candidatura”, disse.

Segundo Caboclo, o período longe dos holofotes serviu para um processo de maturação nas relações interpessoais e de escuta ativa: “Ganhei maturidade e empatia. Hoje compreendo muito mais as vulnerabilidades e a realidade individual de cada colaborador com quem trabalho”.

A corrida eleitoral no São Paulo e a rejeição política

A movimentação de Rogério Caboclo ocorre em um momento de acentuada reorganização política no Morumbi. Após o impeachment de Julio Casares no início de 2026 e a transição sob o comando interino de Harry Massis, o clube se prepara para eleger seu novo presidente para o triênio 2027-2029.

Apesar de contar com a articulação de conselheiros influentes — incluindo o apoio público do presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior —, a pré-candidatura de Caboclo enfrenta grande resistência entre torcedores e alas oposicionistas, que consideram o desgaste de sua imagem um risco institucional ao Tricolor.

Ao abordar essa rejeição nas redes e nos bastidores políticos, o dirigente alegou estar preparado emocionalmente para o embate

“Encaro essa pré-candidatura como uma missão. Tenho vida financeira resolvida e não quero nada do clube. Sei da dificuldade e da resistência, mas sei também o que fiz pelo São Paulo nos anos 2000 no departamento financeiro, o que fiz na FPF e na CBF em termos de gestão austera. O São Paulo precisa de uma administração profissional para não ficar estagnado nos próximos anos”, completou.

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