Território MLS
·04 de outubro de 2026
Cavan Sullivan faz história, e Estados Unidos vencem México por 3 a 0 no clássico

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·04 de outubro de 2026

Aos 17 anos, Cavan foi o grande destaque e se tornou o jogador mais jovem da história a marcar pelo USMNT; Julian Hall chegou a três gols em três jogos e Diego Kochen passou zerado em sua primeira partida como titular.
Os Estados Unidos venceram o México por 3 a 0 neste sábado, no State Farm Stadium, em Glendale, chegando à terceira vitória consecutiva nesta Data FIFA. Julian Hall abriu o placar ainda no primeiro tempo, Cavan Sullivan fez história depois do intervalo e Malik Tillman fechou o resultado já na reta final.
O placar foi largo, mas não mostra o que de fato foram os 90 minutos. Como normalmente acontece quando Estados Unidos e México se encontram, foi um jogo bastante físico, com muitas faltas, discussões, cartões e poucas grandes chances. O jogo foi decidido numa terrível noite individual para alguns atletas mexicanos.
E, no meio de tudo isso, um garoto de 17 anos terminou como o grande personagem da noite.
O México começou melhor e teve a primeira boa chegada logo aos três minutos. Luis Romo recebeu no campo de ataque e tentou encontrar Santiago Giménez por cima da defesa. Antonee Robinson conseguiu cortar inicialmente, mas afastou mal e deixou a bola com Roberto Alvarado, que procurou Giménez dentro da área. Auston Trusty apareceu no momento certo para interceptar e impedir a finalização.
A seleção mexicana voltou a assustar aos dez. Romo participou novamente da construção, a bola passou por Santiago Sandoval e retornou para o meio-campista chegando em velocidade. O chute de fora da área saiu forte, mas passou ao lado do gol.
Os Estados Unidos demoraram um pouco mais para entrar ofensivamente na partida. A primeira jogada realmente perigosa veio aos 15, quando Malik Tillman recebeu cercado por vários jogadores e resolveu partir para cima. O meia conseguiu passar pela primeira linha, perdeu um pouco o controle da bola durante a condução, mas ainda encontrou espaço para finalizar. Diego Campillo conseguiu bloquear e mandou para escanteio.
O jogo seguia bastante disputado até que os Estados Unidos encontraram o gol aos 28 minutos.
Alex Freeman recebeu pela direita e encontrou um excelente passe para Gio Reyna atacando o espaço. Reyna ganhou do marcador, chegou à linha de fundo e cruzou rasteiro. Raúl Rangel tentou cortar, mas espalhou a bola justamente para o meio da área, onde Julian Hall apareceu completamente livre para empurrar para o gol.
Era o terceiro gol de Hall em três partidas pela seleção.
O México tentou responder e teve uma oportunidade muito boa ainda antes do intervalo. Luis Romo mandou uma bola perigosa na direção da área, Diego Kochen não conseguiu segurar completamente e Santiago Giménez ficou com a sobra praticamente dentro da pequena área. Desequilibrado, porém, o atacante finalizou para fora e desperdiçou a melhor chance mexicana do primeiro tempo.
Na volta do intervalo, os Estados Unidos conseguiram construir uma de suas melhores jogadas coletivas. Tyler Adams abriu para Freeman, que encontrou Reyna por dentro. De primeira, o meia acionou Tillman, que devolveu de calcanhar para Reyna. O cruzamento rasteiro buscava Hall, mas passou pela área sem que o atacante conseguisse alcançar.
O México continuava vivo e, aos 58 minutos, teve a chance que poderia ter mudado completamente a partida. Após cobrança de falta e um corte incompleto da defesa americana, Roberto Alvarado pegou a sobra de voleio e bateu muito forte. Kochen reagiu rápido e espalmou para escanteio, fazendo a principal defesa de sua primeira partida como titular pelo USMNT.
Poucos minutos depois, veio o momento da noite.
Raúl Rangel saiu bastante de sua área para participar da construção mexicana e tentou um passe curto na saída. Cavan Sullivan antecipou perfeitamente, interceptou e, sem pensar duas vezes, tocou por cobertura de longe. A bola passou por cima do goleiro e entrou no gol vazio.
2 a 0.
Com 17 anos e cinco dias, Cavan se tornou o jogador mais jovem da história da seleção masculina dos Estados Unidos a marcar um gol, superando o recorde que Mathis Albert havia estabelecido apenas quatro dias antes, contra o Chile. O antigo recorde de Albert era de 17 anos e 131 dias.
A partida ficou ainda mais quente pouco depois. Mateo Chávez, que havia entrado no intervalo, se envolveu em uma discussão com Sebastian Berhalter depois de uma falta. Berhalter empurrou o mexicano durante a confusão e recebeu amarelo; Chávez respondeu com um tapa no rosto do meio-campista americano e foi expulso diretamente aos 68 minutos.
Com um jogador a mais, os Estados Unidos passaram a controlar melhor os espaços e encontraram o terceiro aos 85. A pressão alta forçou outro erro mexicano, Diego Campillo não conseguiu dominar a bola e Malik Tillman apareceu para roubar, avançar livre contra Rangel e finalizar para o fundo do gol.
Ainda houve tempo para uma última grande chance. Aos 88, Peyton Miller iniciou a jogada pelo meio e acionou Justin Ellis em velocidade. O atacante foi para cima de Campillo, cortou para os dois lados e conseguiu abrir espaço dentro da área, mas finalizou em cima de Rangel.
O 3 a 0 permaneceu até o apito final.
Cavan Sullivan
O gol histórico naturalmente vai ocupar as manchetes, mas seria injusto resumir a partida de Cavan Sullivan ao lance em que ele aproveitou o erro de Raúl Rangel.
Cavan já fazia uma boa partida antes de marcar. Ainda existe um pouco daquele jogador mais tímido que apareceu durante o primeiro semestre da MLS, segurando mais a bola e participando menos do jogo do que começou a fazer recentemente pelo Philadelphia Union, mas quando resolveu partir para cima mostrou exatamente a qualidade que o colocou nesta seleção.
Foram poucos passes e uma participação ainda pequena na circulação da equipe, mas muito impacto quando recebeu a bola em condições de atacar. Cavan completou três dribles, venceu a maioria dos seus duelos pelo chão e ajudou bastante defensivamente, pressionando e recuperando bolas. O Sofascore lhe deu 8,1, a maior nota da partida, além de escolhê-lo como o melhor jogador em campo.
Aos 17 anos e cinco dias, contra o maior rival dos Estados Unidos, Cavan leu o passe errado de Rangel, interceptou e teve tranquilidade para encobrir o goleiro de longe. Primeiro gol pela seleção principal e, de quebra, o recorde de jogador mais jovem da história do USMNT a marcar.
Tomara que esse gol seja exatamente o que faltava para ele começar a se soltar de verdade com a camisa dos Estados Unidos. A qualidade já apareceu nesses três primeiros jogos. Agora vem a confiança.
Julian Hall
Três jogos. Três gols.
Não existe muito mais o que inventar sobre Julian Hall neste momento. Ele recebeu uma oportunidade nesta Data FIFA e está obrigando Mauricio Pochettino a mudar a discussão sobre a posição.
Hall se tornou apenas o terceiro jogador da história dos Estados Unidos a marcar em cada uma de suas três primeiras partidas pela seleção principal.
Ricardo Pepi e Folarin Balogun obviamente continuam sendo atacantes de altíssimo nível e voltam para a disputa quando estiverem disponíveis, mas Hall já não pode mais ser tratado simplesmente como um jovem que veio completar a convocação. Depois dessa janela, eles vão ter concorrência.
Diego Kochen
Primeira partida como titular pelos Estados Unidos. Segundo jogo pela seleção. Adversário: México. E jogou os 90 minutos.
Pochettino passou a janela inteira distribuindo oportunidades entre os goleiros, mas contra o adversário mais pesado escolheu Kochen e manteve o garoto até o fim. A escolha respondeu bem.
A defesa no voleio de Roberto Alvarado foi especialmente importante porque aconteceu quando ainda estava 1 a 0. Poucos minutos depois, Cavan marcou o segundo e mudou completamente o cenário da partida.
Kochen já vem tendo sequência como titular do Lyngby na primeira divisão dinamarquesa e agora mostrou que também pode entrar de verdade na briga pelo gol da seleção.
Matt Freese continua tendo crédito pelo ciclo anterior, mas não existe cadeira garantida. Tem concorrência.
O 3 a 0 foi grande. O domínio, não.
Foi um Estados Unidos x México muito mais parecido com aquilo que normalmente se espera desse clássico: jogo truncado, físico, com muitas faltas, discussões e poucos espaços. O México teve bons momentos, principalmente no início, e coletivamente não fez uma partida tão ruim quanto o placar sugere.
O problema mexicano esteve muito mais nos erros individuais.
Raúl Rangel falhou diretamente nos dois primeiros gols. No primeiro, rebateu o cruzamento de Gio Reyna para o meio da área e deixou Julian Hall com o gol aberto. No segundo, saiu da área e entregou a bola para Cavan Sullivan encobri-lo.
Santiago Giménez também desperdiçou oportunidades que um centroavante desse nível precisa aproveitar, enquanto Diego Campillo errou no lance que terminou no terceiro gol de Malik Tillman.
E Mateo Chávez conseguiu piorar ainda mais a situação ao perder a cabeça e dar um tapa em Sebastian Berhalter, deixando o México com dez jogadores.
Foram erros demais contra um time com qualidade suficiente para puni-los.
Ao mesmo tempo, existe mérito enorme na forma como os Estados Unidos controlaram o jogo defensivamente. Diego Kochen, Alex Freeman, Chris Richards, Auston Trusty e Antonee Robinson deram uma segurança que não apareceu nas formações experimentais dos dois primeiros amistosos.
Richards e Trusty, principalmente, foram excelentes.
Os dois anteciparam muitas jogadas antes que elas sequer chegassem ao meio-campo. Isso ajuda também a explicar uma partida mais discreta de Tyler Adams e Sebastian Berhalter. Não porque tenham ido mal, mas porque muitas vezes nem precisaram apagar incêndios. A dupla de zaga resolveu antes.
Esse Estados Unidos esteve muito mais próximo da seleção que vimos durante a Copa: menos exposto, menos acelerado o tempo inteiro e muito mais confortável esperando o momento certo para atacar.
E contra um México mexido, isso funcionou.
Márquez não foi com o time reserva, mas a equipe ainda está claramente em processo de testes. Gilberto Mora não pôde jogar, Raúl Jiménez e Julián Quiñones ficaram fora desta convocação, Álvaro Fidalgo entrou apenas no segundo tempo e Jorge Sánchez também começou no banco. Os Estados Unidos, mesmo sem Christian Pulisic e Weston McKennie, apresentaram uma base que já parece muito mais próxima de algo que Pochettino poderia repetir em um jogo competitivo.
E tem um detalhe importante aí: depois do que Julian Hall fez nesta janela, eu já nem colocaria mais a ausência de Pepi ou Balogun como se os Estados Unidos estivessem simplesmente sem o “centroavante titular”. Hall entrou nessa conversa.
Gio Reyna fez uma partida mais discreta. Participou do primeiro gol, é verdade, mas o lance também passa diretamente pela falha de Rangel. Ainda assim, a Data FIFA dele foi boa e provou novamente que Reyna tem espaço nesta seleção.
Reyna foi titular nos três jogos, mesmo em uma convocação construída justamente para testar tantas peças diferentes. Ele justificou continuar sendo convocado, mas isso não significa necessariamente que precisava ter uma vaga praticamente automática no XI durante toda a janela.
Malik Tillman viveu o contrário.
Depois de duas partidas em que ficou abaixo do protagonismo esperado, finalmente colocou a bola debaixo do braço contra o México. E não apenas pelo gol. Foi agressivo conduzindo, criou jogadas, acelerou ataques e mostrou o refinamento que faz dele um dos principais jogadores ofensivos deste grupo quando Pulisic não está.
Existe muita promessa no futebol americano e no futebol mexicano.
Julian Hall é um fenômeno de precocidade. Gilberto Mora já fez coisas absurdas com a seleção mexicana. Neil Pierre é outro jogador com um teto enorme. Todo ano aparecem adolescentes de 15, 16 ou 17 anos tratados como o próximo grande nome.
Mas tem motivo para Cavan Sullivan ter uma expectativa maior, o Manchester City assumiu um compromisso pelo futuro dele quando Cavan tinha apenas 14 anos, em um acordo construído junto ao Philadelphia Union para levá-lo à Inglaterra quando tiver idade para isso. Não foi uma aposta feita depois que ele começou a destruir a MLS. Foi antes.
E desde então ele só vem colocando mais peso naquela aposta.
Neste ano, assumiu a titularidade de um Philadelphia Union que havia chegado ao fundo da Conferência Leste e virou uma das peças centrais de uma arrancada de 12 partidas sem derrota que levou o time novamente à zona dos playoffs.
Em setembro, produziu nove participações em gols em quatro jogos e se tornou, aos 17 anos e dois dias, o Jogador do Mês mais jovem da história da MLS.
Agora, poucos dias depois, foi titular no primeiro Estados Unidos x México da carreira, terminou como melhor jogador em campo e se tornou o americano mais jovem da história a marcar pela seleção principal.
É esse isso que separa a grife da realidade.
Promessa todo país tem.
Cavan Sullivan, aos 17 anos, já está começando a transformar promessa em produção de jogador grande.
Os Estados Unidos encerram a Data FIFA na terça-feira, 6 de outubro, contra o Canadá, no Allianz Field, em Saint Paul, Minnesota. A partida começa às 21h, pelo horário de Brasília.
Será também um confronto entre duas seleções que chegam invictas nesta janela: os Estados Unidos venceram Peru, Chile e México, enquanto o Canadá passou por Chile e Peru sem sofrer gols.







































