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·13 de fevereiro de 2026

Com nova chance na Seleção, Nogueira celebra: "agora sim é o momento mais feliz da minha vida.”

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Uma quinta-feira marcou a vida de Nogueira pela primeira vez. Em entrevista ao site da CBF, no dia 27 de novembro, Maria Clara Nogueira de Sousa, ou simplesmente Nogueira, não escondeu a emoção ao estrear em um amistoso contra a Argentina. Sem hesitar, classificou aquele como “o melhor dia da sua vida”.

Meses depois, numa quarta-feira tratou de reescrever essa história. No último dia 11, a meio-campista fez sua estreia oficial com a camisa da Seleção Brasileira Sub-20 e não poderia ter sido de forma mais marcante. Titular, marcou dois gols na vitória sobre o Peru por 6 a zero e saiu de campo com uma nova certeza: o dia mais feliz já não era mais aquele amistoso.


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“Com os dois gols, uma partida oficial, tem como não ser mais feliz. A gente foi para a Granja, ficamos duas semanas, que foi muito incrível. Treinei muito bem, estava muito tranquila comigo mesma. Cheguei aqui, consegui me ambientar muito rápido por conta da Granja, que eu já tinha convivência com a Camila e as meninas. Estreei ontem e agora sim é o momento mais feliz da minha vida.”

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Nogueira durante preparação para o Sul-Americano da Seleção Brasileira Sub-20 no CARFEM em Ypané, ParaguaiCréditos: Staff Images / CBF

Resiliência e oportunidade

Antes desse dia tão importante em sua carreira, houve espera e uma dose de resiliência. Nogueira chegou a ser convocada pela técnica Camilla Orlando entre as 30 atletas que participaram do período de treinos na Granja Comary, mas acabou fora da lista final para o Sul-Americano.

O sonho parecia adiado até surgir uma nova chance. Após o corte de Júlia Martins, desconvocada por conta de uma entorse no joelho esquerdo, a meio-campista foi chamada para vaga e soube aproveitar oportunidade. A estreia carregava ansiedade "boa", mas também confiança.

“Eu estava muito tranquila, com uma ansiedade boa. A felicidade de estar ali jogando pela Seleção me deixou muito confortável. Fiz uma oração antes do jogo, pedindo para Deus me abençoar. Pedi que eu pudesse fazer gol, porque estava há muito tempo sem marcar. Como ia começar de titular, pedi e graças a Deus saiu o gol.”

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Nogueira em momento de oração durante partida contra o Peru pela terceira rodada do Sul-Americano Sub-20 (CRÉDITOS: STAFF IMAGES / CBF)

Natural de Garça, pequena cidade do interior paulista com pouco mais de 40 mil habitantes, Nogueira começou sua trajetória num projeto social e não imaginava que seu destino seria Seleção Brasileira. “Comecei num projeto com 5 anos de idade, minha família sempre me apoiou...até minha mãe jogava bola.”

Os primeiros passos foram em escolinhas com meninos. Aos nove anos, migrou para o futsal feminino do Sejel Esportes, onde permaneceu até os 13. Depois, encarou o campo e uma decisão que mudaria seu destino: fazer teste na Ferroviária. O convite apareceu nas redes sociais, visto pela mãe. "Eu fui com minha mãe e a gente não sabia o que ia acontecer lá. Tinha muita menina, era um dia muito frio. Eu estava confiante que ia passar e consegui. Passei com 13 anos e fui alojar com 14. Desde então, são quatro anos de Ferroviária.”

A primeira convocação para a Seleção veio ainda na categoria Sub-17, em um período de treinos em Bragança Paulista. “Eu estava realizando um sonho. Era algo muito novo para mim e a experiência foi muito boa.”

A irmã que nasceu de uma promessa

Se dentro de campo os gols marcam capítulos importantes da carreira, fora dele o nascimento da irmã caçula é o mais especial. Nogueira conta que insistia muito para que a mãe tivesse mais uma filha. “De tanto eu pedir uma irmã, teve um jogo do Paulista em que minha mãe falou que, se eu fizesse dois gols, ela me 'arrumaria' uma irmãzinha. Fui para o jogo, fiz dois gols e fiz uma comemoração pedindo minha irmã e aconteceu. Eu que escolhi o nome, Manuela.”

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Superstição: para “chamar” a irmã que tanto desejava, Nogueira fez até a icônica comemoração de Bebeto na Copa de 94Créditos: Arquivo Pessoal

Nogueira buscou inspiração para comemorar os gols em um dos gestos mais icônicos da história do futebol brasileiro. Ela embalou os braços simulando um bebê, celebração eternizada por Bebeto na Copa do Mundo de 1994, quando homenageou o filho recém-nascido após marcar contra Holanda.

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Com moral após a atuação de destaque, Nogueira agora volta suas atenções para um dos maiores desafios da competição. O Brasil encara a Argentina nesta sexta-feira, às 18h (de Brasília), no Estádio Luís Alfonso Giagni. Para a atacante, o torneio tem sido marcado pela intensidade. “Acho que todos os times, não só o Brasil, têm muita raça e muita vontade. Você percebe muito confronto, essa é a principal característica.”

Sobre o clássico, ela demonstra respeito, mas também competitividade. “A expectativa é muito grande. A Argentina tem feito uma campanha excelente. São muito físicas, fortes e rápidas. Existe muita rivalidade.”

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