Papo na Colina
·02 de outubro de 2026
Contrato da SAF do Vasco: veja o que prevê o acordo com a empresa de Marcos Lamacchia

In partnership with
Yahoo sportsPapo na Colina
·02 de outubro de 2026

A venda da SAF do Vasco entrou na reta final. Na última sexta-feira (25), a Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia, venceu o leilão e teve sua proposta homologada. Agora, o próximo passo será dado na terça-feira (6), quando o Conselho Deliberativo vota se aprova ou não o negócio.
Para que os conselheiros saibam exatamente o que estará em votação, a equipe de Lamacchia enviou no início da semana o memorando de entendimento (MoU) com as bases financeiras e operacionais da proposta. O Papo na Colina explica, ponto a ponto, o que o documento prevê.
Se o negócio passar pelo Conselho e, depois, pelos sócios em Assembleia Geral Extraordinária, a Almirante ficará com 90% das ações da SAF, e Marcos Lamacchia se tornará o novo dono do futebol vascaíno. Os outros 10% continuam com o clube associativo, na forma de ações classe A.
Tudo o que é ligado ao futebol vai para a nova SAF: jogadores, comissão técnica, contratos comerciais, patrocínios, direito de uso do CT e a propriedade intelectual da modalidade.
+ Campeão da Libertadores pelo Botafogo se oferece ao Vasco em live: “Quem não vai querer fazer parte?
Ativos e dívidas: a nova SAF assume todos os ativos esportivos e também todas as dívidas da atual SAF Vasco.
São Januário: a SAF terá o uso do estádio em todos os jogos do futebol profissional como mandante, com prioridade absoluta e exclusividade, até 31 de dezembro de 2030.
Governança: a SAF será administrada por conselho de administração, diretoria e conselho fiscal. O clube social, como acionista minoritário, terá direito a voto afirmativo nas matérias reservadas por lei.
Sem lucro e sem venda de ações por 10 anos: Lamacchia não poderá vender novas ações da SAF durante uma década, e a SAF também fica proibida de distribuir dividendos no mesmo período. Na prática, o dinheiro gerado precisa ficar no clube.
Proteção contra calote: se Lamacchia deixar de pagar um dos cinco aportes obrigatórios, o Vasco terá uma procuração para executar a dívida, cobrando tanto a Almirante Participações quanto o próprio empresário.
O coração financeiro do acordo é o aporte mínimo de R$ 500 milhões exclusivamente para o futebol até 2030. O memorando é claro: esse dinheiro não pode ser usado para pagar dívidas nem para cumprir outras obrigações da nova SAF.
Segundo o edital da venda, o valor será pago em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, corrigidas pelo INPC, entre 2026 e 2030.
Além do aporte no futebol, o contrato estabelece uma série de compromissos:
Dívidas fiscais e extraconcursais: a SAF deverá pagar as obrigações tributárias, previdenciárias e extraconcursais, seguindo os prazos dos parcelamentos e acordos já firmados.
CT e base: investimento de R$ 120 milhões ao longo de 10 anos no CT do profissional e de R$ 30 milhões em dois anos na infraestrutura das categorias de base. A compra de eventuais terrenos não entra nessa conta.
Incentivos fiscais: a SAF se compromete a estruturar projetos de incentivo fiscal em favor do clube social, em valor total de até R$ 150 milhões, captados de forma progressiva ao longo de 10 anos.
Aportes extras sem diluir o Vasco: se a SAF ficar sem dinheiro para honrar a dívida da Recuperação Judicial, os débitos tributários e extraconcursais, o fluxo de caixa ou os investimentos em infraestrutura, Lamacchia terá de fazer novos aportes. E isso não aumenta a participação dele nem reduz a fatia do clube associativo.
Aluguel de São Januário: a Almirante pagará R$ 3 milhões por ano ao clube social pelo uso do estádio. Em caso de obras, o valor cai para R$ 2 milhões.
Os R$ 120 milhões previstos para o CT já têm destino. Em agosto, representantes do clube e de Lamacchia se reuniram com o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, para tratar da obra, que será feita no endereço atual do CT Moacyr Barbosa. O arquiteto contratado é Renato Malki, responsável pelo novo CT do Red Bull Bragantino.
A negociação está sob análise da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), que apura um possível conflito de interesses. O motivo é que Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. O Flamengo chegou a acionar a agência para tentar impedir a venda.
Ainda assim, todas as partes envolvidas entendem que a Anresf não deve impedir o negócio. O cenário mais provável é a definição de restrições até o fim do mandato de Leila no Palmeiras, em dezembro de 2027.
+ Siga as redes sociais do Papo na Colina: Thread, Bluesky, Twitter, Facebook, Instagram, Youtube, Tiktok e Google News.
O calendário da novela da SAF está assim:
1. Leilão vencido pela Almirante e proposta homologada (concluído em 25 de setembro).
2. Votação no Conselho Deliberativo (terça-feira, 6 de outubro). A sessão também vai discutir uma mudança no estatuto, que hoje exige participação mínima de 20% do clube associativo na SAF.
3. Votação dos sócios em Assembleia Geral Extraordinária.
4. Conclusão do negócio e transferência do controle para Lamacchia.
+ Siga as redes sociais do Papo na Colina: Thread, Bluesky, Twitter, Facebook, Instagram, Youtube, Tiktok e Google News.
Ao vivo


Ao vivo





































