Papo na Colina
·02 de outubro de 2026
Justiça suspende ação do Vasco pelo Maracanã contra o Boca

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A batalha do Vasco para enfrentar o Boca Juniors no Maracanã ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira (2). A juíza da 2ª Vara Cível da Comarca da Capital decidiu suspender o processo movido pelo clube contra a Fla-Flu Serviços S.A., administradora do estádio. Mas, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, a decisão não encerra a disputa.
O ponto central é este: o pedido de liminar do Vasco não foi julgado, nem negado.
Segundo a decisão, a juíza reconheceu que já existe outra ação, hoje com recurso no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), discutindo exatamente a disponibilização do Maracanã para Vasco x Boca.
Trata-se de uma ação popular movida por um associado. Nesse processo, a juíza Georgia Vasconcellos, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital, indeferiu o pedido de liminar na última terça-feira (29).
Para evitar decisões conflitantes sobre o mesmo tema, a magistrada da 2ª Vara Cível optou por suspender o processo do Vasco. Curiosamente, ela também reconheceu que as duas ações têm fundamentos jurídicos distintos.
A decisão estabelece um rito em duas etapas:
1. A Fla-Flu Serviços terá 48 horas para se manifestar sobre o pedido de liminar do Vasco.
2. Depois disso, o processo ficará suspenso por 20 dias.
Existe uma possibilidade importante no horizonte. Se o TJ-RJ determinar que a 2ª Vara Cível analise o pedido do Vasco, a questão poderá voltar a ser apreciada. Ou seja, a liminar segue viva, e o desfecho depende agora também do tribunal.
O problema é o calendário. O jogo contra o Boca está marcado para 20 de outubro, pela semifinal da Copa Sul-Americana. Além disso, a Conmebol exige a definição e a comunicação oficial do estádio até o dia 5 de outubro. Ou seja, uma suspensão de 20 dias ultrapassa com folga o prazo da entidade, e isso aumenta a pressão por uma resposta rápida do TJ-RJ.
O Vasco entrou na Justiça depois que o consórcio negou o pedido, na segunda-feira (28), alegando más condições do gramado e uma sequência de jogos no estádio.
O argumento vascaíno vai além da preferência por um estádio maior. O regulamento da Conmebol exige estádio com capacidade mínima de 30 mil pessoas a partir das semifinais. Na ação, o clube afirma que São Januário não atende a esse requisito.
O Vasco também cita um Memorando de Entendimentos firmado em 2025, que previa o uso do Maracanã em partidas de competições da CBF, FIFA ou Conmebol. Segundo o clube, o documento exigia que qualquer negativa fosse fundamentada em critérios técnicos e operacionais.
Na petição, o clube pede a liberação imediata do estádio, igualdade nas condições dadas aos rivais e multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.
O presidente Pedrinho tem a seu favor o parecer da Polícia Militar do Rio, que considera o Maracanã o local mais adequado para o jogo. A Conmebol e a Ferj também apoiam o uso do estádio pelo Vasco.
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Não é a primeira vez que o Vasco esbarra no consórcio neste ano. Este foi o terceiro veto da Fla-Flu a pedidos vascaínos em 2026. Antes, a concessionária já tinha barrado os jogos contra Vitória e Palmeiras, pela Copa do Brasil.
A disputa pelo Maracanã continua, e o Vasco agora corre contra o tempo.
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