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·22 de setembro de 2026
Depois do castigo ao Benfica, qual será o critério para o Dragão?

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·22 de setembro de 2026

Pelo que vejo na imprensa de hoje, o Estádio do Dragão pode vir a enfrentar consequências por causa de uma música infantil que envolve galinhas e também por gestos feitos por um elemento do staff do FC Porto em direção ao banco do Benfica.
E eu pergunto: é isto que é verdadeiramente grave depois de tudo aquilo que aconteceu no Dragão?
Não são as tochas?
Não são os desacatos?
Não é aquilo que aconteceu na zona dos camarotes e que obrigou à intervenção policial?
Não é a denúncia de que uma criança de apenas quatro anos ficou envolvida em incidentes depois de festejar o golo de Alexander Bah?
Sobre este último caso convém deixar uma coisa clara: existe o relato de um familiar da menina, que se identifica inclusivamente como adepto do FC Porto, segundo o qual os desacatos começaram depois de a criança festejar o golo do Benfica. A polícia teve de intervir na zona dos camarotes. Cabe agora às autoridades esclarecer exatamente aquilo que aconteceu e apurar responsabilidades.
Mas não deixa de ser extraordinário que, perante tudo isto, aquilo que aparece em destaque seja uma música ou os gestos de um roupeiro.
Está tudo ao contrário.
Quero saber aquilo que a APCVD tem a dizer sobre tudo o que aconteceu no Estádio do Dragão.
Quero saber quais os incidentes que foram reportados.
Quero saber se houve identificação dos envolvidos.
Quero saber o que consta dos relatórios das forças de segurança.
Quero saber que consequências poderão existir para quem praticou atos de violência e que responsabilidades serão apuradas relativamente à organização do espetáculo.
Porque existe um precedente demasiado recente para ser ignorado.
O Benfica cumpriu esta temporada um jogo à porta fechada na sequência de uma decisão da APCVD relacionada com vários processos, maioritariamente referentes à utilização e arremesso de pirotecnia em cinco jogos da temporada 2022/23.
Portanto, enquanto adepto, tenho todo o direito de perguntar qual será agora o critério.
Não estou a pedir um castigo inventado para o FC Porto.
Estou a pedir coerência.
Se os factos apurados justificarem apenas sanções individuais, que sejam aplicadas aos responsáveis.
Se justificarem responsabilidade do promotor do espetáculo, que seja aplicada a legislação existente.
Se existirem factos com relevância criminal, que sejam tratados pelas autoridades competentes.
Mas não aceito que os acontecimentos verdadeiramente graves desapareçam da discussão enquanto passamos dias a discutir uma música infantil.
A própria APCVD revelou que, apenas no primeiro trimestre de 2026, 99 adeptos ficaram impedidos de entrar em recintos desportivos por decisões da Autoridade. Mais de 60% dessas interdições estavam relacionadas com pirotecnia.
É para isto que existem regras.
É para isto que existem autoridades.
E é também para isto que existem precedentes.
Depois do que aconteceu no Dragão, os adeptos têm o direito de saber aquilo que foi reportado e aquilo que está a ser investigado.
Sobretudo porque as decisões tomadas agora transmitem uma mensagem para todos os estádios portugueses.
A mensagem pode ser a de que determinados comportamentos têm consequências.
Ou pode ser a de que tudo acaba numa multa e rapidamente se passa à frente.
Depois do castigo aplicado ao Benfica, aquilo que peço é muito simples.
O mesmo rigor.
O mesmo critério.
E a mesma vontade de transformar um castigo num exemplo para todos os outros.















