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·02 de setembro de 2026

Diretor cultural do Corinthians detalha exposição sobre os 100 anos do Parque São Jorge

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

O aniversário de 116 anos do Corinthians, celebrado na última terça-feira (1º), também abriu espaço para resgatar outro capítulo centenário da história alvinegra. Em entrevista à Rádio Craque Neto, Rafael Castilho, diretor cultural do clube e responsável pela exposição “Parque São Jorge 100 anos”, apresentou detalhes da mostra preparada no Memorial Corinthians e destacou a importância da sede social na construção e no desenvolvimento do Timão.

Em 2026, completa-se um século desde a aquisição do terreno do Parque São Jorge pelo Corinthians. Para marcar a data, o clube reuniu registros históricos que mostram diferentes períodos da sede, desde a configuração original da região às construções que, ao longo das décadas, passaram a fazer parte do cotidiano dos corinthianos.


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Foto: Reprodução / Instagram: Rádio Craque Neto

Ao apresentar a exposição, Rafael iniciou destacando o significado do aniversário do clube e a origem popular do Corinthians.

Para a gente é uma alegria, porque hoje é considerado como se fosse um Natal corintiano, né? Primeiro de setembro, estamos fazendo 116 anos, é uma data muito especial e eu acho que o corintiano celebra muito, né? Na noite de ontem, eu vi várias imagens pela cidade da torcida celebrando, soltando fogos, celebrando o milagre que é o Corinthians, né? Porque o Corinthians é o único grande clube da história que não foi formado por uma empresa, por um patriarca, por uma universidade, foi formado por um coletivo de trabalhadores, né? Então, o fato de a gente chegar a 116 anos com essa história de vitória é uma história de resistência e algo para se celebrar.”

Exposição relembra um século de Parque São Jorge

O Parque São Jorge passou a integrar a história corinthiana em 1926. Na visão do diretor cultural, a sede teve papel fundamental para que o clube pudesse crescer esportiva e financeiramente durante diferentes períodos de sua trajetória.

A exposição montada no Memorial busca justamente contar essa história por meio de fotografias, plantas e outros registros. Rafael também convidou os torcedores a conhecerem o material.

“Aqui no Memorial Corinthians, eu estou convidando todo mundo da Rádio Craque Neto para visitar o Memorial do Corinthians, né? Nós tomamos a iniciativa, neste ano dos 116 anos, de contar a história do Parque São Jorge também, porque este ano a gente celebra 100 anos que o Corinthians adquiriu o terreno aqui do Parque São Jorge. Então, nós preparamos aqui uma exposição, que eu acho que está muito bonita, com imagens históricas do Parque São Jorge, né? A gente fala hoje que o Corinthians tem 116 anos, mas, por muitas e muitas décadas, foi esse clube que foi responsável por tornar possível o sonho do Corinthians, né? Todo o financiamento, a capacidade de investimento do clube, as vitórias do futebol se deveram muito a esse parque aqui, né?”

Além da ligação com o futebol, Rafael ressaltou a importância social da sede para a Zona Leste de São Paulo. Segundo ele, o espaço passou a oferecer possibilidades de lazer e convivência em uma região que, quando o Corinthians chegou ao local, ainda estava distante do desenvolvimento urbano que apresenta atualmente.

“O Parque São Jorge é algo que é muito importante para o corintiano, para a cidade de São Paulo, porque nós estamos numa região leste, né, que hoje é das mais populosas da cidade, mas ela é uma região afastada quando o Corinthians veio para cá. Então, o Parque São Jorge tem um papel muito importante para o Corinthians, para quem aqui conviveu, para quem viveu aqui nesse clube, e também para a cidade, né, como papel de recreação. É um clube popular, dos mais populares da cidade, né, e que tornou possível para muitas pessoas terem acesso à recreação, ao lazer, né?”

Planta original mostra como era a região em 1926

Entre os materiais presentes na exposição está a planta original da primeira área adquirida pelo Corinthians em 1926. O documento permite observar diferenças significativas em relação ao atual Parque São Jorge, inclusive no percurso do Rio Tietê.

Ao mostrar o registro, Rafael explicou também a origem do nome da sede corinthiana e a relação do terreno com seus antigos proprietários.

“Estamos com a exposição mostrando algumas coisas do nosso amado clube, né? É um clube popular, como eu disse, que até hoje tem um papel de popularização do Corinthians, né? Aqui vocês vão ver a planta original do Parque São Jorge, da primeira gleba, a primeira parte que nós adquirimos, em 1926. Você vê que o rio era um rio que não era esse rio retificado que a gente conhece hoje, né? Era um rio que fazia curvas. O Corinthians era um clube de praia, né? E aqui, onde já está o estádio da Fazendinha hoje, o Alfredo Schürig, você vê que tinha até um espaço previsto para plantação.”

O diretor cultural prosseguiu explicando como surgiu a denominação Parque São Jorge.

“O Corinthians adquiriu esse terreno do Parque São Jorge de dois libaneses, o Najib Salem e o Assad Abdallah, né? Era uma fazenda que se chamava Fazenda São Jorge, por isso que veio o nome de Parque São Jorge. E ele se dava justamente porque, você vê aqui, que bonitinho que era o rio, ele não era essa coisa reta, né? Ele vinha e abraçava o clube. E essa curva do rio lembrava, para eles, a Baía de São Jorge, no Líbano. Por isso que eles deram esse nome de Fazenda São Jorge, que tem tudo a ver ali com a nossa história de luta, né, do nosso santo padroeiro.”

Rio Tietê, remo e Fazendinha aparecem na mostra

Os registros históricos também mostram a relação que o Corinthians e seus associados mantiveram com o Rio Tietê. Antes da transformação da região e da degradação do rio, o local era utilizado para atividades de lazer e modalidades esportivas.

O remo, inclusive, ocupa espaço na exposição por sua participação na trajetória do clube. Rafael também citou outros pontos históricos do Parque São Jorge, como a antiga arquibancada de madeira da Fazendinha e a Torre, posteriormente ligada ao período da Democracia Corinthiana.

“E aqui nós temos várias outras imagens. Olha, 1920, como era aqui essa parte quando o Corinthians foi formado. Essa aqui é a esquina da Rua São Jorge com a Dona Elisabeth Rubiano. Deixa eu ver se eu tenho outras imagens aqui para vocês. Olha como era o papel do Rio Tietê no lazer, né? As pessoas vinham para a praia, brincar no rio. Como era bonito um rio limpo, né, um rio com a mata ciliar preservada, e a importância que o remo tem na história do Corinthians.”

“Tem outras imagens do remo, a Torre, onde está o Bar da Torre, que depois veio a se tornar um lugar importante para a Democracia Corinthiana, que é onde os jogadores se encontravam, tomavam a cervejinha deles e tinham ideias e inspiração. A nossa antiga arquibancada, que era tão linda, né? Arquibancada de madeira, estilo inglês. O nosso estádio da Fazendinha, o Corinthians fez muitos jogos aqui. Depois, claro, a Fazendinha foi ficando pequena, né? O estádio Alfredo Schürig foi ficando pequeno para o tamanho da nossa torcida.”

Exposição reúne diferentes símbolos da sede corinthiana

A mostra não se limita ao estádio e ao futebol. Outros espaços e símbolos que fazem parte da memória do Parque São Jorge também aparecem no acervo apresentado aos visitantes.

Entre eles estão o busto de Neco, primeiro grande ídolo da história corinthiana, a tradicional Biquinha, a Fonte São Jorge, o arco de entrada, o parque aquático, o ginásio e a capela.

“Convido vocês para virem para cá. Nossos jogadores antigos, a inauguração da estátua, o primeiro busto que a gente teve aqui é o busto do Neco, né, do nosso primeiro ídolo, e aqui foi a inauguração do busto. A nossa Biquinha, a Fonte São Jorge. No tema de 116 anos, acho que quem esteve na Arena Corinthians viu, tem o slogan, né, ‘A fonte da nossa loucura’, faz a valorização, a menção à nossa Biquinha de São Jorge, né? Olha o planejamento desse arco que vocês conhecem hoje quando chegam no Parque São Jorge.”

Ao falar sobre o parque aquático, Rafael relembrou uma época em que o acesso ao litoral era mais difícil para parte da população e, por isso, os clubes sociais assumiam uma função relevante como opção de lazer.

“O parque aquático, que também vai fazer 100 anos, e o papel que ele teve. Hoje, as pessoas, ninguém nem fala ‘eu estou viajando para o Guarujá, estou viajando para Santos’, né? A pessoa fala ‘estou indo para a praia’. Mas, antigamente, era muito difícil você ter acesso para chegar num litoral, para chegar na praia, né? Então, o clube tinha um papel de lazer mesmo, muito importante. Ser sócio de um clube era importante, né? As pessoas se divertindo aqui na piscina, a construção do nosso ginásio, a construção da nossa capelinha. Quando a gente chega no clube hoje, vocês veem a nossa capelinha, né, e o nosso ginásio.”

Diretor relaciona preservação da memória ao futuro do Corinthians

No encerramento, o diretor cultural mencionou ainda a tradicional sirene do Parque São Jorge, utilizada para celebrar jogadores, e relacionou a preservação da memória do Corinthians aos desafios administrativos que o clube terá pela frente.

Para Rafael, conhecer a própria trajetória é parte necessária do processo de pensar o futuro da instituição.

“Ou seja, é uma história de amor que a gente tem por esse clube, né? Passando aqui a sirene, que tocaram para vários jogadores, inclusive para o Neto, quando esteve aqui, que tem um busto também hoje no clube. Então, é uma história de amor que a gente tem por esse clube, né, e um desafio para os próximos anos de modernizar, de aperfeiçoar a gestão e valorizar a nossa cultura, porque quem não sabe de onde veio, quem não valoriza a própria história não pode pensar num futuro melhor. Para você pensar num futuro melhor, você tem que saber de onde você veio e valorizar a própria história.”

A exposição dedicada aos 100 anos do Parque São Jorge está instalada no Memorial Corinthians e integra as ações voltadas à preservação da memória alvinegra no ano em que o clube completa 116 anos de fundação.

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