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·28 de setembro de 2026

Willian Batista exalta atual geração do Corinthians Sub-20 e relembra nomes revelados pelo clube

Imagem do artigo:Willian Batista exalta atual geração do Corinthians Sub-20 e relembra nomes revelados pelo clube
  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

O técnico Willian Batista destacou o processo de evolução do Corinthians Sub-20 em 2026 e comparou a atual geração com outros grupos que passaram pelas categorias de base alvinegras. Em entrevista ao Lance!, o treinador valorizou a competitividade do elenco, relembrou jogadores revelados pelo clube nos últimos anos e abordou o trabalho realizado para aproximar os jovens da equipe profissional.

A temporada representa uma recuperação para a categoria. O Corinthians voltou à segunda fase do Campeonato Brasileiro Sub-20 depois de três anos e apresenta sua melhor campanha no Campeonato Paulista do período. Em 40 partidas disputadas no ano, a equipe comandada por Willian soma 22 vitórias, oito empates e dez derrotas.


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Foto: Rodrigo Gazzanel / Corinthians

No Estadual, o desempenho é ainda mais expressivo. São 13 vitórias, dois empates e apenas uma derrota em 16 jogos. O Timão sofreu somente três gols, todos como visitante, e encerrou a primeira fase com a melhor defesa da competição.

Para Willian Batista, os resultados estão ligados a um processo que passou pela recuperação da confiança dos atletas e pela construção de um ambiente de maior exigência nos treinamentos. O comandante também citou o respaldo da diretoria e o trabalho desenvolvido ao lado de Claudinei Alves Damiani e Ricardo Drubscky.

“Tivemos alguns pilares que foram fundamentais para essa evolução do nosso trabalho durante a temporada. O primeiro foi a recuperação da autoestima da categoria. Isso foi baseado muito nos valores do clube, o que é o Corinthians, para que a gente conseguisse criar um ambiente no dia a dia de alto nível de exigência e cultura de excelência no treinamento. Isso foi muito pautado em dedicação, empenho, esforço, tudo aquilo que tem no DNA do Corinthians. Acredito que, a partir daí, conseguimos nos desenvolver como equipe, como um time durante a temporada. A partir do momento em que isso acontece, os jogadores passam a ter performance melhor, conseguem produzir mais em relação àquilo que eles são durante os jogos.

Isso foram alguns aspectos fundamentais para a nossa temporada fosse superior em relação aos últimos anos. Conseguimos a classificação no Brasileiro e a própria performance no Paulistão. Temos que ressaltar o respaldo da diretoria, de ter acreditado no que a gente poderia chegar, onde todos nós desenvolvemos juntos, principalmente no pós-Copa São Paulo. Quando Damiani organiza os processos com a gente e nos coloca o que precisamos fazer, as nossas metas durante a temporada, com a ajuda do Ricardo Drubscky, que também está conosco no dia a dia, a gente consegue ir atingindo as metas tanto esportivas de resultado quanto o desenvolvimento de cada atleta também”, disse o técnico.

Willian compara geração atual com equipe de 2022

Os números alcançados em 2026 levaram o treinador a estabelecer um paralelo com a geração de 2022. Aquele grupo contou com nomes que posteriormente chegaram ao profissional do Corinthians ou seguiram suas carreiras em outros mercados, casos de Murillo, Breno Bidon, Kayke, Léo Maná, Tchoca, Ryan, Biro e Arthur Sousa.

Murillo atualmente defende o Nottingham Forest, da Inglaterra, enquanto Breno Bidon integra o elenco principal do Corinthians e chegou à Seleção Brasileira. Kayke também faz parte do grupo profissional alvinegro.

Willian, que naquela temporada estava no América-MG e chegou a enfrentar o Corinthians, vê semelhanças entre os números das duas equipes. Para ele, porém, uma característica específica se destaca no atual elenco: a disposição para competir.

“A geração de 2022 é uma geração bem interessante. Porque, se a gente olha, quase que a equipe toda de 2022 virou. Vingou para o próprio clube ou para outros mercados. Estão tendo sucesso em outros mercados. Nossos números da temporada, em percentual de aproveitamento ou número de vitórias, são até muito semelhantes. E me lembro até que eu enfrentei este em 2022, estando pelo América-MG. É um grande time com o Leo Maná, Murillo, Tchoca, Ryan, Biro, Kayke, Arthur Soares… É um grande time. Comparado até pela questão de aproveitamento, acredito que seja mais interessante. É que a nossa equipe de 2026 tem muita fome de competir.

É um time que entende o peso da camisa. Eles sabem o que estão representando. É aquilo que é a nossa ideia de jogo, de ser um jogo agressivo, um jogo que pressiona o adversário, um jogo que tenha capacidade de ficar com a bola nos momentos necessários para que a gente consiga, todos juntos, se aproximar daquilo que é o grande objetivo coletivo como equipe e, também, individualmente de cada jogador. Estar mais próximo de realizar o sonho de cada um. É legal esse paralelo em relação à equipe de 2022 com a de hoje. Talvez eu pudesse pontuar a grande característica da nossa equipe desse ano, é a vontade de competir que esses jogadores têm, o que é uma coisa que nos deixa muito felizes”, comentou.

Integração com o elenco profissional

O desenvolvimento de jogadores para a equipe principal permanece como uma das prioridades do trabalho na categoria. Na temporada passada, André, Gui Negão e Dieguinho deixaram o Sub-20 e passaram a integrar o profissional. Em 2026, Yago Mello, Iago Machado, Luizinho e Matheus Corrêa também receberam oportunidades no time de cima.

Willian explicou que o trabalho não se restringe aos aspectos técnicos e físicos. Na avaliação do treinador, preparar a mentalidade dos jovens para as exigências encontradas no Corinthians também é fundamental para facilitar a adaptação quando eles forem chamados ao elenco principal.

“A gente fica feliz toda vez que sobe um jogador para a equipe principal. Isso também é um objetivo nosso. Que a gente consiga colocar o maior número de jogadores da equipe profissional e possamos desenvolver os jogadores para que, quando eles subirem, consigam ter rápida adaptação e se sintam bem para poder desenvolver o talento deles. Acredito que o mais importante, além da parte técnica e da parte física, é a mentalidade que o jogador precisa ter para poder estar no Corinthians, para poder servir aqui ao time principal do Corinthians. Quando eles estão em várias competências preparados, estamos mais próximos de servir bem à equipe de cima e o Corinthians ganha retorno esportivo e financeiro com esses jogadores”, explicou.

Apesar da busca por novos talentos para o time principal, o treinador rejeitou a ideia de estabelecer um prazo único para a transição. Para Willian, cada atleta apresenta um processo próprio de amadurecimento e deve ser analisado individualmente.

“Acredito que o mais importante é a gente olhar com individualidade para cada jogador, porque o tempo de cada um é relativo à capacidade do bloco de desenvolvimento. Por isso, nós não podemos fazer comparações: se um transita durante três meses e consegue jogar, se outro demora um ano, outro que demora três anos. Acredito que cada jogador tem uma particularidade, e isso faz com que o tempo de cada um seja único. Por isso, é importante não julgar todos da mesma maneira e não fazer comparativos. Porque aí jogadores que vão transitar com 17 anos e ter alta performance, outros que vão estar no profissional com 17 anos, mas que talvez performem só com 22.

E o mais importante é fazer com que cada um desses jogadores entenda, de maneira tranquila e sem muita ansiedade, que, a partir do momento em que ele trabalha e se dedica no dia a dia, estará mais próximo de aproveitar a oportunidade que terá. O mais importante, mais do que quando vai ser, é ele pensar: ‘como eu vou estar quando for?’. Isso tem a ver com como o jogador se prepara no dia a dia”, comentou.

Treinador destaca papel de família e entorno dos atletas

A formação dos jogadores, na visão de Willian Batista, ultrapassa as horas de trabalho dentro do centro de treinamento. O técnico ponderou que a comissão participa apenas de uma parcela do cotidiano dos jovens e evitou atribuir exclusivamente aos treinadores o mérito pelo desenvolvimento de um atleta.

“O treinador é um pouco difícil. O treinador está numa fração de tempo do jogador. Muito pouco no dia, né? São duas horas durante o dia. O treinador que fala que ele muda a vida do jogador, que ele ajuda o cara, é quase uma utopia, porque, no final, se o treinador consegue minimamente intervir sobre a vida do jogador, ele consegue ajudar o jogador de alguma maneira. Tem mais a ver com o interesse do jogador de transformar e evoluir por meio daquelas informações do treinador do que propriamente com o quanto o treinador conseguiu ajudar, porque, senão, vira uma hipocrisia muito grande. Tem muitos jogadores que precisam de ajuda no dia a dia e não conseguem ser ajudados. A gente acaba falando mais dos que têm sucesso em ajudar e toma o mérito para si. A gente precisa ser um interlocutor, intermediador dessa ajuda. Mas quem aproveita a ajuda é o jogador”, comentou.

Nesse processo, Willian apontou familiares, amigos, empresários e outras pessoas próximas como participantes importantes da formação dos jovens.

“Agora, ele passa a maior parte do tempo com a família dele em casa, ou ele conversa com os amigos, com o empresário. E essa dependência ainda da família, do empresário e das pessoas que cercam o jogador talvez seja a parte mais importante do processo. E essas pessoas jogam muita responsabilidade para cima deles, desenvolvendo o jogador de maneira humana. Quando esse papel deveria ser dividido por todo mundo. Cada um tem uma porcentagem, algo um pouco maior, um pouco menor, um olhar um pouco mais relevante, mas todos são parte de um processo, ou de sucesso ou de insucesso, na vida de cada um desses jovens”, seguiu.

Formação e resultados caminham juntos

Outro ponto abordado pelo comandante foi a relação entre revelar jogadores e conquistar resultados. Willian entende que as duas responsabilidades não precisam ser tratadas como objetivos opostos dentro das categorias de base.

“De maneira muito natural, acredito. Jogador quando chega no Corinthians, o treinador da comissão, todos sabem que é um clube que tem como cântico de música do nosso torcedor ‘Todo-Poderoso’. Sabem o que é preciso ser feito. É entregar vitórias, entregar performance e desempenho. Uma coisa não é contrária à outra. Se você vence mais, se você briga por título, isso significa que você, ao longo do tempo, está desenvolvendo jogadores melhores, jogadores que jogam melhor futebol, que pressionam mais, que defendem melhor, que atacam melhor com bola. Jogadores que fazem as coisas melhores no dia a dia são jogadores que se aproximam coletivamente de poder ganhar título”, justificou.

“Isso é importante porque, se você desenvolve o jogador, você tem um retorno individual de cada um desses atletas, você tem um retorno para a instituição. Isso gera um retorno esportivo para o clube a nível de boas e sólidas campanhas. Uma coisa está muito conectada à outra. Você pode até ganhar hora ou outra, mas acredito que, se você desenvolve bem o jogador, você ganha por mais tempo, com mais consistência e sabendo do porquê está fazendo aquilo. Essa é a grande diferença”, apontou.

Pressão e redes sociais fazem parte do processo

Além da preparação esportiva, o Corinthians precisa administrar a exposição precoce dos jogadores. Willian reconheceu o peso das redes sociais no cotidiano dos atletas e avaliou que a cultura esportiva brasileira aumenta a cobrança por resultados desde as categorias de base.

“Muito complexo, porque hoje a rede social é um alimento para cada um dos seres humanos. A pessoa vai ali olhar aquilo para, de alguma maneira, se satisfazer. Na maioria das vezes, de maneira positiva. Entretanto, quando as coisas não andam bem, esse mesmo alimento é mais negativo do que positivo. O futebol traz essa pressão muito cedo para todos os jogadores, principalmente a relação baseada em vitória. A gente vive num país que valoriza muito quem ganha e não valoriza quem perde. Isso está muito claro. Acho que falar ao contrário disso é quase beirar a hipocrisia. Quando a gente fala que valoriza o desenvolvimento no nosso país como sociedade, não é como nos clubes. A gente está mentindo como sociedade. O Brasil valoriza muito aquele que vence e desvaloriza muito aquele que perde”, lamentou.

O técnico defendeu que os jovens aprendam a administrar esse cenário, sem ignorar uma realidade digital que faz parte do cotidiano deles.

“Acho que, cada vez mais, é importante para o jogador entender que a pressão é um privilégio. Porque ele sonhou com isso, e esse privilégio pode ser olhado com uma perspectiva positiva, em vez de negativa. É tentar fazer com que o alimento ‘rede social’ seja cada vez menor em relação a tudo aquilo que mexe com ele, porque, na era digital em que a gente vive, é impossível abolir algo que é inerente ao dia a dia de cada um deles. Então, não vamos conseguir esconder nenhum deles do que é digital e rede social. É preciso saber como gerir tudo isso a nível de sentimento e maturidade”, completou.

Willian detalha conceitos utilizados no Sub-20

Dentro de campo, um dos conceitos trabalhados pela comissão é a capacidade dos jogadores de interpretar diferentes cenários. Willian citou a construção das jogadas desde o campo defensivo e explicou que a discussão, para ele, deve ir além da escolha entre sair jogando com passes curtos ou utilizar bolas mais longas.

“Acredito que essa parte até de construir desde trás, se ela é vantagem ou não, é uma discussão que deveria, pelo menos no Brasil, já estar vencida, né? Porque, na Europa, não se discute mais se é vantajoso ou não construir desde trás. Lá já tem uma definição do que é vantajoso construir desde trás. O grande ponto da discussão é qual o tipo de ação que vai me dar mais vantagem. Isso é uma construção que supera linhas mais próximas? Se é uma construção que supera linhas mais médias ou se é uma construção que supera linhas mais distantes? Seja com passe curto, médio ou longo, de zagueiro, de goleiro ou de lateral? Isso é ensinar ao jogador capacidade para interpretar essas vantagens. E as variáveis que existem dentro dela, com os jogos, os dias de treinos, acredito que, como treinador e formador, o que eu preciso oferecer para o jogador é capacidade de repertório interpretativo, baseado nesses cenários todos. Acho que esse é o ponto mais importante em relação a toda essa discussão da construção desde trás”, comentou.

“Lembrar sempre que o foco do jogo é fazer gol, e isso tudo acontece para que uma equipe faça gol e evite tomar um gol. Acredito que, quando se tem esses dois pensamentos, todas essas coisas estão um pouco mais próximas de acontecer, não com um fim nelas mesmas, mas como um objetivo muito maior, que é fazer gol e não tomar”, seguiu.

A interpretação também aparece no trabalho com a posse de bola. A intenção é fazer com que os atletas reconheçam qual ação oferece maior vantagem em cada momento da partida.

“A gente tem construído algumas coisas no sub-20 do Corinthians que norteiam muito o nosso dia a dia. Tentamos ensinar o jogador a interpretar qual é a maior vantagem em relação a quando o time tem a bola, tanto para quem vai passar a bola. Qual é a maior vantagem para quem vai passar a bola, quanto para quem vai receber, qual é a maior vantagem para quem vai receber? Então, quando a gente fala em vantagem, a gente pode falar em atacar para frente ou jogar para um lado e tentar fazer uma circulação. Ou até mesmo jogar para trás. Isso tudo dá um apoio, e acredito na evolução da equipe como um todo, nos jogadores que estão dentro do campo, nas interações que existem entre eles, na coordenação coletiva. É um conjunto”, apontou.

“Eles precisam sempre conseguir perceber qual é a maior vantagem, se é progredir, circular ou apoiar, do que jogar para trás em cada instante de jogo? Porque isso é muito variável, e acredito que a equipe fluida faz isso de maneira orgânica, natural, conseguindo explorar as vantagens ofensivas, as desvantagens defensivas que o adversário proporciona para ela. Então, é muito pautado na interpretação, na percepção e no aproveitamento dessas vantagens em relação aos nossos jogadores, para que a gente consiga ter um jogo fluido e atacar o gol do adversário”, completou.

Com a atual geração, o Corinthians tenta conciliar novamente os dois objetivos que marcam o trabalho de formação: competir por títulos e preparar jogadores capazes de chegar ao elenco profissional. Para Willian Batista, a “fome de competir” do grupo de 2026 é uma das características que sustentam esse processo e aproximam a equipe de gerações recentes que deixaram nomes importantes no time principal.

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