Central do Timão
·02 de setembro de 2026
Diretoria do Corinthians adia para setembro entrega da revisão do orçamento de 2026

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O Corinthians não cumprirá a previsão anteriormente informada de apresentar, até agosto, a revisão de seu orçamento para 2026. A diretoria alvinegra decidiu postergar a entrega do documento para setembro. A informação foi divulgada pelo portal Meu Timão.
A expectativa de que a nova peça orçamentária seria disponibilizada no mês passado havia sido informada em julho. Na ocasião, o departamento financeiro foi procurado pela reportagem após a publicação de uma matéria que apontava o descumprimento, por parte da atual administração, do prazo previsto no Estatuto do Corinthians para a atualização do orçamento.

Foto: José Manoel Idalgo/ Agência Corinthians
A regra está estabelecida no artigo 120 do Estatuto, que determina a revisão da peça orçamentária na metade do exercício, ou seja, até o encerramento de junho. O dispositivo prevê a renovação da projeção financeira para os seis meses seguintes, mantendo sempre um horizonte de planejamento de 12 meses, além da necessidade de uma nova apreciação pelo Conselho Deliberativo.
Art. 120- Cada orçamento compreenderá a receita e a despesas para o período de 12 (doze) meses. Parágrafo Único: A execução do orçamento, desde a sua vigência por aprovação do CD, será fiscalizada pelo CORI, pelas comissões do CD e pelo Conselho Fiscal trimestralmente, a partir de balancetes apurados e, anualmente, com base no balanço auditado. Adicionalmente, o orçamento deverá ser revisto na metade do ano e projetado por mais 6 meses. Assim, a cada 6 meses renova-se o horizonte de 12 (doze) meses de planejamento e submete-se o orçamento revisto a nova aprovação do CD.
Nos bastidores do Parque São Jorge, a apresentação dessa revisão vem sendo aguardada com atenção crescente. O cenário financeiro do clube se deteriorou ao longo do primeiro semestre, conforme indicam os balancetes mensais divulgados no período.
Em junho, por exemplo, o Corinthians acumulava um déficit de R$ 246 milhões. O valor ficou 78% acima da projeção para aquele momento do ano e contrasta diretamente com a previsão de R$ 12 milhões de superávit para 2026, estabelecida no orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo em dezembro do ano anterior.
Em um novo contato do departamento financeiro do clube com o portal Meu Timão foi informado de que a revisão não foi concluída dentro do prazo anteriormente indicado porque a área concentrou seus trabalhos na preparação e apresentação dos balancetes mensais. O material foi levado ao Conselho de Orientação (Cori) em reunião realizada nesta segunda-feira.
Com essa etapa concluída, o setor financeiro voltou a estabelecer uma nova previsão: a entrega da revisão orçamentária deverá ocorrer ao longo de setembro.
O atraso deste ano, no entanto, está longe de representar uma situação isolada na história recente do Corinthians. Um levantamento sobre o comportamento das administrações alvinegras desde 2020 mostrou que, em nenhum dos exercícios analisados, a revisão orçamentária foi entregue dentro do período determinado pelo Estatuto.
Em 2020, último ano do segundo mandato de Andrés Sanchez, o planejamento financeiro do clube foi impactado pela paralisação do futebol durante a pandemia da Covid-19. O orçamento original havia sido apresentado em dezembro de 2019 e passou por uma primeira revisão, feita dois meses depois, com projeções mais favoráveis.
Apesar disso, uma nova atualização só foi realizada em setembro daquele ano, quando o Conselho de Orientação recebeu e aprovou os números revisados.
Nos três exercícios seguintes, já sob a gestão de Duilio Monteiro Alves, o padrão de atraso se manteve. Em 2021, a versão atualizada do orçamento só chegou ao Conselho Deliberativo em outubro e foi aprovada no dia 20 daquele mês.
No ano seguinte, em 2022, a diretoria finalizou a revisão apenas no início de setembro. A situação mais extrema, porém, ocorreu em 2023, quando o orçamento só foi reavaliado em dezembro, praticamente no encerramento do exercício.
A demora naquele caso gerou observações tanto do Cori quanto do Conselho Fiscal (CF) nos pareceres relacionados ao balanço, elaborados no ano seguinte.
Durante a gestão de Augusto Melo, responsável por apenas um exercício completo, em 2024, o cenário foi ainda mais problemático. A única revisão orçamentária daquele ano aconteceu em março, sob o argumento de que o planejamento inicial havia sido elaborado pela administração anterior. Depois disso, não houve uma nova atualização do documento.
Em 2025, ano que teve a cassação de Augusto Melo e a chegada de Osmar Stabile à presidência, inicialmente de forma provisória em maio e, posteriormente, em definitivo em agosto, o orçamento voltou a passar por revisão.
Ainda assim, o histórico de atrasos permaneceu. O Conselho Deliberativo só aprovou os números atualizados no início de outubro, novamente fora do período estabelecido pelo Estatuto.
Em julho, o portal procurou os atuais presidentes dos três principais órgãos internos do Corinthians para ouvir suas posições sobre o atraso na revisão orçamentária. Os três reconheceram que o prazo previsto no Estatuto não havia sido respeitado, embora tenham adotado interpretações diferentes sobre a conduta da diretoria.
Presidente do Conselho Fiscal, Haroldo Dantas confirmou que o período para a apresentação do orçamento revisado havia terminado em junho. Ao mesmo tempo, destacou que o descumprimento desse calendário se tornou recorrente nas últimas administrações.
Como exemplo, mencionou a situação de 2023, quando a revisão foi entregue somente depois de o grupo político responsável pela gestão de Duilio perder as eleições. Dantas também avaliou que, caso a atual diretoria realmente apresentasse o documento em agosto, estaria se “diferenciando positivamente” das anteriores e “quebrando um forte paradigma”.
Miguel Marques, presidente do Cori, também reconheceu que a ausência da revisão até o dia 30 de junho representa um descumprimento das normas estatutárias. Questionado sobre uma eventual atuação do órgão diante da situação, afirmou que analisaria o caso e cobraria da administração a apresentação do documento.
Já Romeu Tuma Júnior, que preside o Conselho Deliberativo, defendeu que os prazos previstos pelo Estatuto precisam ser seguidos “com rigor”. Segundo ele, situações excepcionais podem permitir alguma flexibilização, mas ressaltou que essa não deve ser a regra.
Tuma lembrou que autorizou a apresentação fora do prazo em 2025 após um pedido da diretoria, levando em consideração a instabilidade institucional provocada pela mudança de gestão no decorrer daquele ano. Ainda assim, classificou esse tipo de situação como algo não recomendável e afirmou que poderá analisar o caso dentro do Conselho Deliberativo caso seja formalmente provocado sobre o tema.







































