Mercado do Futebol
·23 de abril de 2026
Dirigente revela dívida de R$ 1,7 bilhão do Atlético e fala sobre projeto da SAF: “A conta é muito difícil de fechar”

In partnership with
Yahoo sportsMercado do Futebol
·23 de abril de 2026

Em meio a uma sequencia pesada de jogos no Brasileirão, Sul-Americana e Copa do Brasil, o Atlético já se prepara para o mercado de transferências que irá se abrir nos próximos meses, com a missão de renovar seu elenco e reforçar setores carentes.
Ao mesmo tempo, o clube segue se organizando nos bastidores e pode ter mudanças drásticas em breve, com relação à investimento e a dívida alvinegra. Em entrevista ao Sports Market Makers, o dirigente Thiago Maia, executivo financeiro do Galo, falou sobre alguns temas importantes do clube.
De acordo com o executivo financeiro do Galo, o clube tem uma dívida líquida de cerca de R$ 1,7 bilhão, sendo aproximadamente R$ 1 bilhão apenas com bancos. Mesmo com o aporte de R$ 500 milhões próximo, o cenário ainda é considerado complexo pela diretoria.
“As dívidas bancárias, entre as dívidas da arena e da SAF, estamos falando de algo na casa de R$ 1 bilhão. Então, estamos falando de juros de R$ 250 milhões ao ano, pelo menos, então machuca demais. Se o Galo fica no zero a zero no operacional, brigando pelo ponto de equilíbrio, não é suficiente para pagar os juros. A dívida acaba aumentando todo ano. O Galo tem um endividamento líquido na casa de R$ 1,7 bilhão, um endividamento extremamente expressivo. Desses R$ 1,7 bilhão, aproximadamente R$ 1 bilhão são dívidas bancárias; na casa de R$ 600 milhões são dívidas bancárias da SAF, todas são avalizadas. Por mais baratas que sejam, por serem avalizadas, elas machucam muito por causa da taxa Selic. A outra, de R$ 400 milhões, é a dívida do estádio; tem o CRI da arena, que está na casa dos R$ 300 milhões. Esse é o principal problema do Galo. Tem aí mais R$ 400 e poucos milhões de dívida tributária, que machuca menos, parcelada de longo prazo, mas com o CDI neste patamar tudo machuca, e o restante é a diferença de contas a pagar e contas a receber, que fica na casa dos R$ 300 milhões. Quando você soma isso tudo, dá R$ 1,7 bilhão. Por mais que operacionalmente o Galo seja uma empresa que pare de pé, daria para caminhar com as próprias pernas, não gera recurso suficiente para pagar o seu endividamento organicamente. Daí a gente vai chegar a uma próxima rodada de aportes. A conta é muito difícil de fechar. O futebol mudou muito de 2021 para cá, seja com entrada das bets, seja com entrada da SAF, seja com novos contratos de televisão. Tem muito dinheiro no mercado, por isso inflacionou demais os salários de jogadores. Então, o Galo está nesta busca do resultado operacional positivo. Esse breakeven que o Galo vem tentando equalizar suas receitas e despesas está muito próximo. O Galo é uma empresa que operacionalmente para de pé. O problema é que ela é uma empresa extremamente alavancada, tem uma dívida que organicamente é quase impagável”.
Além das dívidas bancárias, o clube também lida com compromissos relacionados à Arena MRV de cerca de R$ 300 milhões, parcelamentos tributários de cerca de R$ 400 milhões, aquisição de jogadores e ações na FIFA. A estratégia também do clube, além do aporte, neste momento, é monetizar a Arena MRV para gerar novas receitas.
“O aporte de R$ 500 milhões, que vai ser todo para a dívida, é para reduzir essa dívida bancária que está em torno de R$ 600 milhões para ficar na casa dos R$ 100 milhões. Ainda vai ficar a dívida do CRI da Arena MRV; o cenário é ainda bem desafiador, mas as perspectivas futuras são positivas. Acho que sempre vai ter dívida, faz parte uma empresa ter dívida, mas não pode ter no patamar que o Galo possui. Mas se você pega o endividamento em relação à receita, o Galo vem melhorando ano após ano”.









































