MundoBola Flamengo
·30 de novembro de 2025
É impossível desmarcar o seu encontro com o destino

In partnership with
Yahoo sportsMundoBola Flamengo
·30 de novembro de 2025


Muito se discutiu na última semana sobre quem poderia ser o herói rubro-negro nessa Libertadores. Numa visão mais sensata e ponderada, apareciam os nomes mais prováveis, como Arrascaeta, que vive ano artilheiro, ou Bruno Henrique, em ótima fase. Talvez Jorginho, o cobrador oficial de pênaltis da equipe, já que uma final disputada como essa poderia sim ser decidida em um vacilo da zaga adversária.
E claro, existiam as teorias mais ousadas, as que acreditavam no famoso “herói improvável”. Um Samuel Lino que vinha em má fase mas decidiria a partida pra fazer valer aqueles 22 milhões de euros. Um Pulgar, o volante sem medo de matar ou de morrer, aparecendo de surpresa dentro da área. Até mesmo um Juninho Xereca, o atacante que caiu nas graças da torcida mais pelo meme que pelo desempenho, mas que vinha entrando no decorrer das partidas e tentando buscar seu espaço.
Mas quis o destino que o herói improvável fosse um zagueiro, normalmente reserva, que só assumiu a titularidade nessa reta final da temporada porque o titular, bem mais querido pela torcida, agravou uma lesão ao jogar no sacrifício. E esse defensor reserva fugiu da marcação na cobrança de escanteio, apareceu sozinho na área, e cabeceou sem chance para o goleiro adversário, definindo o placar que garantiu a quarta Libertadores do Flamengo.
O que torna tudo isso diferente, e o que dá a dimensão do que é o Flamengo hoje, é o fato de que esse zagueiro reserva não é um moleque da base, não é um jogador que chegou pra compor elenco, não é um refugo de campeonato europeu de segunda linha. O nosso “zagueiro reserva”, o nosso “herói improvável”, é nada menos que Danilo, ex-Real Madrid, Manchester City e Juventus, jogador de seleção brasileira com duas Copas do Mundo nas costas. E reserva no Flamengo.
Porque esse é o tamanho que o Flamengo tem hoje. Não saímos de “Libertadores qualquer dia tamo aí” pra favoritos ao torneio todo ano por nada. Não nos tornamos a equipe brasileira com mais conquistas no maior torneio continental por sorte. Não vamos disputar mais uma vez um Mundial porque a Xuxa sorteou a nossa cartinha. O Flamengo, após décadas tentando negar a própria vocação, finalmente se tornou o clube que muita gente temia que ele se tornasse e o que a torcida rubro-negra sempre soube que ele poderia ser.
E neste sábado a equipe rubro-negra, que até 2019 só tinha uma Libertadores, conquistou sua quarta. Uma conquista que veio através de craques já históricos como Bruno Henrique e Arrascaeta, de atletas que estão construindo uma história e subindo de patamar no clube, como Léo Pereira e Pulgar, mas também de jogadores com um imenso currículo e que decidiram escrever no Flamengo mais um capítulo vitorioso, como Alex Sandro e Danilo.
Mas que também vem através de Filipe Luís, um dos maiores exemplos dessa mudança de patamar da equipe rubro-negra, que mistura paixão, qualidade e uma compreensão quase espiritual do que é o Flamengo. Um lateral de seleção, mas de alma rubro-negra, que veio pra Gávea não apenas encerrar a carreira como jogador, mas também iniciar outra como treinador, o que poderia ter feito em qualquer outro clube, mas optou por favor, da maneira mais brilhante possível, no clube que ama.
Então a conquista deste sábado é não apenas importante por si só, mas ela representa mais um capítulo da trajetória do Flamengo, um clube gigante, na sua busca por ser cada vez maior. Se antes tínhamos uma Libertadores, hoje temos quatro, e queremos ter cinco, seis, sete, oito. Se hoje temos oito títulos Brasileiros, na quarta vamos jogar pelo nono. Se hoje temos um mundial, mês que vem voltamos a lutar pelo segundo. Porque quando você é gigante como somos, imensos como podemos ser, não faz sentido querer ter menos do que tudo.









































