Central do Timão
·21 de fevereiro de 2026
Em manifestação à Ética, Citadini defende direito à crítica e aponta “inanição administrativa” no Corinthians

In partnership with
Yahoo sportsCentral do Timão
·21 de fevereiro de 2026

O conselheiro vitalício Antônio Roque Citadini, candidato à presidência do Corinthians no pleito indireto que elegeu Osmar Stabile para um mandato tampão até o fim deste ano, apresentou sua defesa à Comissão de Ética e Disciplina do clube, no procedimento preliminar instaurado para apurar suas declarações em uma live no YouTube, conforme revelado pela Central do Timão.
Durante a transmissão ao vivo, Citadini declarou que estaria em curso no Corinthians um “acordão para abafar tudo”. A afirmação ocorreu no contexto do debate sobre a celeridade e as providências adotadas pelo Conselho Deliberativo do clube nas investigações internas envolvendo os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves.

Foto: Reprodução/TCE-SP
A declaração de Citadini provocou reação interna no Corinthians, e a Comissão de Ética e Disciplina abriu procedimento preliminar. O conselheiro recebeu prazo de cinco dias úteis para prestar esclarecimentos, sob risco de avanço para processo disciplinar em caso de acusações sem fundamentação.
Na defesa, datada da última quarta-feira (18), o conselheiro sustenta que suas declarações decorreram do “legítimo exercício da liberdade de expressão e de crítica política”, afastando qualquer interpretação de que teria formulado acusações pessoais ou imputações de natureza criminal. Citadini afirma que a expressão “acordão para abafar tudo” foi utilizada em sentido metafórico, como diagnóstico político acerca do ambiente institucional do clube, e não como alegação de conluio ilegal ou clandestino.
O conselheiro argumenta que o próprio despacho preliminar reconhece a legitimidade do debate político interno e das manifestações críticas sobre a condução administrativa e disciplinar do Corinthians. Nesse contexto, defende que a instauração do procedimento, acompanhada da advertência sobre eventual responsabilização disciplinar, produziria efeito inibidor (“chilling effect”) sobre o livre debate entre conselheiros, associados e torcedores, desestimulando a crítica e a fiscalização interna.
Ao desenvolver sua linha de defesa, Citadini invoca princípios constitucionais relacionados à liberdade de expressão e aos direitos da personalidade, e destaca que o direito de manifestação, embora não absoluto, somente encontra limites em situações que envolvam, por exemplo, discurso de ódio, difamação ou incitação à violência – hipóteses que, segundo ele, não se verificariam no caso concreto.
Uso do termo “acordão” e resultado eleitoral como elemento objetivo
Citadini esclarece que a palavra “acordão” deve ser compreendida como figura de linguagem voltada a descrever, em sua visão, uma dinâmica política interna marcada por alinhamentos majoritários que resultariam em “inanição administrativa”, “estagnação decisória” e “ausência de responsabilização efetiva”. O conselheiro enfatiza que não pretendeu apontar indivíduos específicos, mas sim criticar um estado de coisas institucional.
“A palavra ‘acordão’, utilizada pelo Conselheiro, deve ser compreendida no contexto de uma crítica política ampla, descrevendo uma percepção generalizada de alinhamento de forças políticas que converge para um resultado específico: a inércia administrativa e a ausência de responsabilização. Não se trata de uma imputação criminal ou de um arranjo secreto e ilegal no sentido estrito, mas de uma metáfora para descrever um estado de coisas que se manifesta em decisões, ou na ausência delas, dentro do clube“, diz trecho do documento de nove páginas, ao qual a Central do Timão teve acesso.
Entre os fundamentos apresentados, o conselheiro menciona o resultado do recente pleito indireto no Conselho Deliberativo, no qual Osmar Stabile foi eleito para mandato tampão. Citadini sustenta que a votação expressiva (199 votos em um colégio de cerca de 264 conselheiros) representaria indicativo de uma articulação política prévia capaz de reduzir o espaço de pluralidade e contraditório. Na peça, o resultado é citado como elemento “objetivo e incontestável” que, em sua interpretação, reforçaria a percepção de hegemonia e alinhamento político.
“Essa votação esmagadora, praticamente monolítica, desbanca qualquer argumento de pluralidade ou debate democrático. No universo político, proporções como essa representam exatamente o que se convencionou chamar de “acordo” ou, mais precisamente, de “acordão”: uma união artificial de forças que neutraliza por completo a oposição, esvazia o contraditório e transforma o órgão deliberativo numa simples chancela formal dos interesses de poucos.”
“Esse ‘acordão’ não é um fantasma, mas um tumor visível que se traduz na paralisia (ou ‘stagnação’) para implementar mudanças, na covardia diante das crises, na omissão vergonhosa e no abafamento sistemático de qualquer pauta que ameace o conforto dos acomodados“, diz outro trecho.
Fatos apontados como contexto das críticas
A defesa também contextualiza a declaração a partir de episódios que, segundo Citadini, ilustrariam a alegada morosidade ou insuficiência de respostas institucionais:
Uso indevido de cartões corporativos: o conselheiro afirma que denúncias formuladas desde 2025 permanecem inconclusas nos órgãos internos, contrastando, em sua avaliação, com desdobramentos externos já adotados pelo Ministério Público de São Paulo. Argumenta que a demora alimentaria a percepção de leniência e seletividade.
Caso REAG / Fundo Arena: Citadini critica o que classifica como inércia administrativa diante de investigações e repercussões reputacionais envolvendo a empresa gestora, mencionando impactos à imagem do clube e a demora em medidas de transição ou distrato.
Desvio de materiais: o conselheiro aponta a existência de auditoria interna e relatório extenso, cujo resultado prático, segundo ele, teria sido limitado. Sustenta que a ausência de responsabilizações mais amplas reforçaria o sentimento de impunidade.
Quanto à expressão “abafar tudo”, Citadini afirma que se refere a uma postura institucional de “ocultação, protelação ou minimização” de temas sensíveis, abrangendo não apenas casos específicos, mas também o que denomina “falta de proatividade” para reformas estruturais, melhoria da imagem institucional e atuação mais incisiva dos órgãos de fiscalização.
“Ao mesmo tempo, os órgãos que teriam a função de fiscalizar, coibir irregularidades e zelar pela ética e transparência da instituição permanecem, na visão do Conselheiro, inertes. Esta inércia não apenas agrava os problemas, mas também alimenta a percepção de que há um “acordão” implícito ou explícito para evitar confrontos e para manter o status quo, mesmo que em detrimento da saúde e da imagem do clube“, afirma o conselheiro, que também solicita à Comissão de Ética que reflita sobre o impacto das alegações que recaem sobre o clube e sobre a responsabilidade de todos os conselheiros de manifestar tais preocupações.
“A tentativa de cercear a manifestação de opinião, mesmo que crítica, pode ser interpretada como uma forma de silenciar vozes que buscam aprimorar a gestão e a transparência do Corinthians, corroborando, assim, a própria tese de que há um esforço para ‘abafar’ assuntos incômodos“, completa.
Ao final, o conselheiro reitera que suas manifestações constituem opinião política legítima e crítica institucional, sem imputação de má-fé individual. Defende que o fortalecimento do Corinthians depende da preservação do debate franco, da liberdade de expressão e da atuação independente dos mecanismos de controle interno. Citadini reafirma, ainda, seu compromisso com o clube e solicita que suas declarações sejam analisadas sob a ótica do pluralismo e da dinâmica democrática associativa.
Veja mais:

Viva a história e a tradição corinthiana no Parque São Jorge. Clique AQUI e garanta sua vaga!









































