Calciopédia
·01 de setembro de 2026
Em momento mágico, a Roma já soma duas goleadas em apenas duas rodadas da Serie A

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·01 de setembro de 2026

Ainda seria precipitado tirar conclusões definitivas, mas as duas primeiras rodadas já foram suficientes para produzir uma tabela com contrastes bastante acentuados. Nenhum empate aconteceu nesta jornada, deixando sete equipes sem pontuar e outras seis com 100% de aproveitamento. De um lado, decepções como Bologna e Fiorentina; de outro, Roma e Inter puxando a fila da briga pelo scudetto.
Entre os já citados invictos, a Roma chama mais atenção pelo desempenho ofensivo. Com duas goleadas por 4 a 0, sobre Fiorentina e Lecce, a equipe giallorossa chegou a oito gols marcados em duas partidas, sendo cinco deles do fenômeno Malen, artilheiro isolado do campeonato. A Inter também confirmou sua força diante do Cagliari, embora tenha encontrado mais dificuldades porque não conseguiu transformar o seu domínio em uma vitória tranquila. Milan e Juventus, por sua vez, ainda não produziram atuações especialmente brilhantes, mas começaram com a eficiência necessária para permanecer na parte superior da tabela.
Integrando também o grupo dos que só venceram, a Atalanta vem em outro contexto: deixou impressões pouco animadoras nas duas apresentações, apesar das vitórias. Já a Lazio conseguiu afastar a desconfiança pelas indefinições da pré-temporada com duas vitórias por 1 a 0, ambas decididas por Frattesi. Logo abaixo na tabela, o Como, depois de um início com empate com a Udinese, respondeu com um triunfo importante sobre o Napoli na grande partida da rodada, realizada no Diego Armando Maradona. Os azzurri já haviam sido inconsistentes na estreia, embora tenham vencdo, e voltaram a apresentar sinais preocupantes.
Na outra ponta, Bologna e Fiorentina se destacam negativamente no grupo de equipes que mais decepcionaram neste começo de campeonato. O primeiro ainda não encontrou soluções ofensivas e sofreu uma derrota no último lance diante da Atalanta; a segunda, apesar de uma janela de transferências agressiva, acumula duas atuações muito abaixo das expectativas e sofreu um histórico 3 a 0 em casa para o Frosinone justamente no dia de seu centenário. Confira todas essas histórias no resumo da jornada.
Gols e assistências: Malen, Malen (Wesley), Soulé e Mora (Mancini) Tops: Malen e Koné (Roma) Flops: Gaspar e Siebert (Lecce)
A Roma precisou de menos de meia hora para transformar a visita ao Lecce em uma demonstração de superioridade e num recado para suas rivais tanto na briga por vagas na Liga dos Campeões quanto naquela pelo scudetto. Depois dos quatro gols marcados contra a Fiorentina na estreia, a equipe de Gian Piero Gasperini repetiu o placar no Via del Mare, mas desta vez com uma sensação ainda mais acentuada de domínio: estabelecendo um perde-pressiona agressivo, atacando em velocidade, trocando passes rápidos e encontrando espaços por todos os setores, os visitantes resolveram a partida antes dos 25 minutos. O grande protagonista foi Malen, que chegou a 19 tentos em suas primeiras 20 partidas pela Serie A. Só Nordahl e o brasileiro Altafini, grandes ídolos do Milan entre as décadas de 1940 e 1960, tiveram média maior com o mesmo número de jogos.
O roteiro começou a ser construído logo aos 180 segundos, quando Malen aproveitou um erro de Gaspar na saída de bola para abrir o placar. O holandês voltou a marcar 20 minutos depois, recebendo de Wesley após combinação entre Soulé e o brasileiro e superando Falcone com uma cavadinha. Cada vez mais determinante nesse início de campeonato, o atacante deixou também sua marca no terceiro gol, mas como garçom – ou quase. Ele serviu Soulé, que parou no arqueiro na primeira tentativa e aproveitou o rebote para fazer 3 a 0. Antes do intervalo, o próprio centroavante neerlandês ainda teve a oportunidade de completar a tripletta, mas desperdiçou diante do goleiro.
O Lecce de Eusebio Di Francesco começou com uma linha de cinco defensores, mas claramente não conseguiu executar o plano diante da movimentação romana – e também errou demais coletiva e individualmente. As linhas de passe não eram fechadas, e a Roma encontrava espaços inclusive com seus defensores avançando: primeiro Ghilardi, depois Hermoso e Mancini se lançaram ao ataque. O time da casa ainda teve uma oportunidade com Geubbels, lançado cara a cara com Svilar, mas pouco produziu diante de uma equipe que parecia capaz de chegar ao gol sempre que acelerava.
Com a vantagem construída, a Roma transformou o segundo tempo praticamente em uma sessão de controle e criação de oportunidades, muitas delas desperdiçadas por Malen – que, curiosamente, passou a render pouco depois do intervalo. Dybala também perdeu uma chance muito clara e depois tentou o característico chute colocado, que passou perto. Aos 65 minutos, Mora marcou seu primeiro gol na Itália, completando de dentro da pequena um passe de Mancini. O Lecce ainda acertou a trave com Coulibaly, em cobrança de escanteio, e teve uma tentativa de N’Dri que saiu por pouco, mas a partida já estava decidida. Vale destacar que o ala destro Lulli, titular novamente aos 18 anos, teve outra atuação de personalidade, enquanto Koné e Cristante também se destacaram no meio-campo, sendo grandes responsáveis pelo sucesso do perde-pressiona. No fim, Gasperini ainda promoveu a estreia de De Roon, seu pupilo recém-contratado junto à Atalanta.
Gol e assistência: Çalhanoglu (Barella) Tops: Barella e Dimarco (Inter) Flops: Adopo e Mendy (Cagliari)
A Inter controlou praticamente toda a partida na Sardenha, mas não transformou uma atuação dominante em uma vitória categórica e se contentou com um apertado 1 a 0. A superioridade da campeã italiana foi especialmente evidente no primeiro tempo, quando a equipe produziu uma sequência de oportunidades e terminou os 45 minutos com 16 finalizações, cinco delas no alvo, além de 73% de posse. A falta de precisão manteve o Cagliari vivo e permitiu que, no fim, o time da casa ameaçasse chegar a um empate que seria exagerado diante do que havia acontecido no jogo.
Cristian Chivu promoveu mudanças na escalação, com Sucic como titular pela primeira vez na temporada e Pavard ocupando a o lado direito da zaga no lugar de Bisseck. A parceria entre o francês e Luis Henrique, escolhido para atuar aberto pela direita, funcionou especialmente bem, com o brasileiro participando constantemente da construção e encontrando apoio nas progressões do companheiro. Do outro lado, o Cagliari adotou um 4-4-1-1 mais prudente, com Fazzini aberto na meia esquerda e Maldini e Mendy centralizados. O resultado foi uma Inter confortável com a bola e capaz de chegar repetidamente à área adversária.
O gol que abriu o placar resumiu a participação de Çalhanoglu neste início de campeonato. Depois de marcar contra o Monza na estreia, o turco voltou a acertar um chute de fora da área no começo do jogo, desta vez com um arremate mais preciso do que potente, após passe de Barella, que foi novamente vaiado em seu retorno à Sardenha – e respondeu com uma atuação magistral. A partir daí, a Inter acumulou ocasiões sem ampliar. Lautaro, Akanji e Luis Henrique ameaçaram, enquanto Barella viu Rodríguez cortar uma bola que ia para as redes após saída temerária de Caprile. Por sua vez, Dimarco obrigou o goleiro a efetuar uma defesa de alto grau de dificuldade em um belo chute de primeira após cruzamento do camisa 23, endiabrado em sua cidade natal.
A segunda etapa manteve o mesmo desenho, com a Inter criando e desperdiçando. Barella seguiu com atuação particularmente influente na construção das jogadas, mas Lautaro e Esposito não conseguiram aproveitar as bolas recebidas – Caprile surgiu bem para fechar a porta. Fabio Pisacane tentou alterar o panorama com uma tripla substituição, lançando Fadera, Kevin Carlos e Kofler, e o Cagliari finalmente produziu algum perigo: o gambiano obrigou Pepo Martínez a fazer uma defesa em chute colocado. Atuando mais adiantado por orientação de Chivu, o goleiro ainda fez algumas antecipações na partida.
O treinador da Inter também mexeu no time, colocando Thuram, Zielinski e dando espaço para a estreia de Jones, que imediatamente mostrou personalidade ao buscar a bola e tentar finalizar, além de ter batalhado bastante. Stones entrou na defesa no lugar de um Akanji inseguro neste início de temporada, e Bisseck também precisou aparecer no fim para evitar o empate. O alemão entrou no lugar de Luis Henrique e, atuando como zagueiro pela direita, com Pavard adiantado para a ala, colocou a cabeça na trajetória de um perigoso chute de Adopo que tinha endereço certo. Thuram ainda desperdiçou duas grandes oportunidades, mantendo a partida aberta até o último instante. O resultado deu os três pontos para a Beneamata, mas também serve de lembrete para um problema antigo da equipe: matar os jogos cedo é fundamental para não dar sopa para o azar.
Os nerazzurri abriram o placar muito cedo, mas acabaram correndo riscos desnecessários contra o Cagliari (Arquivo/Inter)
Gols e assistências: Højlund (Rrahmani); Baturina (Diao) e Douvikas Tops: Baturina e Milla (Como) Flops: Rrahmani e Anguissa (Napoli)
O Como deixou o estádio Diego Armando Maradona com uma vitória que teve impacto muito superior aos três pontos que lhe rendeu, enquanto o Napoli de Massimiliano Allegri viveu uma grande decepção em sua primeira partida em casa em 2026-27. O time de Cesc Fàbregas assumiu o controle do jogo, encontrou qualidade para explorar a desorganização adversária e mostrou sua personalidade característica por não se limitar a resistir após a vantagem. O 2 a 1 foi construído ainda no primeiro tempo, período do jogo em que a equipe mandante se desfez e ofereceu ao adversário as condições para impor seu futebol e encaminhar o triunfo no confronto direto por vaga na Champions League.
A proposta inicial correspondia ao que se esperava do confronto: o Como comandando a partida e o Napoli tentando encontrar espaço nas transições. As pernas pesadas do envelhecido elenco (com média etária superior a 29 anos, cinco a mais do que a rival) fizeram, porém, com que a equipe napolitana se desorganizasse rapidamente. Aos 17, Olivera demorou na tentativa de acompanhar uma inversão de jogo, Diao o superou no domínio e entrou na área, deixando Baturina em condições de controlar e finalizar girando para abrir o placar. O time partenopeo reagiu e chegou ao empate aos 30, quando Højlund arriscou uma finalização rasteira de fora da área e surpreendeu Butez. A resposta, no entanto, durou apenas quatro minutos.
Foi um erro crasso na saída de bola que recolocou o Como em vantagem. Ou seja, nem só de controle do adversário através da posse viveu o time de Fàbregas. Anguissa passou na fogueira e Rrahmani errou o lado para o qual passar a pelota, chutando-a em Douvikas. O grego aproveitou a falha para marcar o segundo gol diante de Meret. O goleiro ainda evitou um prejuízo maior antes do intervalo, defendendo cabeçadas de Baturina e Paz nos acréscimos.
Allegri tentou mudar o cenário logo no início da segunda etapa, quando o Napoli pressionou mais e chegou a avançar com força pelo lado esquerdo, mas Olivera desperdiçou uma boa chance no centro da área. O treinador mexeu no time trocando seis por meia dúzia, enquanto Fàbregas respondeu com Caqueret e Smolcic nos lugares de Baturina e Yan Couto, tornando sua equipe mais defensiva para sustentar a vantagem. Os partenopei aumentaram o controle territorial e a pressão, mas não conseguiram transformar isso em perigo consistente. No último ataque, até marcaram, mas houve impedimento de Lucca na origem da jogada. Fica evidente que os campanos deveriam se reforçar no mercado, mas isso não aconteceu de forma decisiva até agora… E faltam poucas horas para o encerramento da janela.
Gols e assistências: Ramos (Saelemaekers) e Halhal (contra) Tops: Saelemaekers e Gila (Milan) Flops: Bella-Kotchap e Halhal (Venezia)
O Milan venceu o Venezia por 2 a 0 em uma partida na qual precisou ter cabeça no lugar para lidar com a falta de concretude da intensidade produzida no início e com um período de queda de rendimento. O time de Rúben Amorim começou pressionando alto, recuperando rapidamente a bola e controlando o jogo, mas não conseguiu transformar a superioridade inicial em vantagem. Quando o ritmo caiu, a equipe visitante cresceu, encontrou espaços diante da linha defensiva adiantada e passou a ameaçar. A vitória acabaria sendo construída quando os rossoneri finalmente aproveitaram suas oportunidades e souberam administrar o resultado sem se desorganizar na etapa final.
O começo foi praticamente de sentido único. O Milan pressionava com organização, Modric e Musah fechavam os corredores pelo meio, e o Venezia tinha dificuldade até para atravessar o meio-campo. Ramos, porém, desperdiçou a primeira grande chance aos 12, parando em Stankovic após receber de Chukwueze. Depois dos primeiros 15 minutos, a intensidade rossonera diminuiu, e os lagunari começaram a encontrar caminhos. Aos 24, Yeboah recebeu uma oportunidade enorme depois de um erro de Bartesaghi, mas Pavlovic salvou o Milan. O novo camisa 9 milanista ainda perdeu outras duas chances antes do intervalo, e a defesa mandante passou a apresentar sinais de vulnerabilidade.
Na volta do intervalo, o Venezia foi ainda mais corajoso, avançou suas linhas e colocou o Milan em dificuldade, pois Adams e Yeboah passaram a incomodar com frequência. Do outro lado, a equipe de Amorim chegou a ver Musah acertar a trave em uma confusão na área. O Diavolo precisava recuperar controle e encontrou a resposta no banco: as entradas de Rabiot e Saelemaekers permitiu que o time recuperasse a intensidade, e foi exatamente o belga quem iniciou a jogada do tento inaugural. Em contra-ataque pela esquerda, encontrou Ramos, que mesmo praticamente sem ângulo conseguiu finalizar de canhota e marcar seu primeiro gol pelo Milan em San Siro, aos 60 minutos.
A vantagem mudou novamente o cenário. Em vez de se fechar e oferecer ao Venezia a possibilidade de voltar ao jogo, como muitas vezes fazia na gestão de Allegri, o Milan administrou a partida com mais segurança e esperou o momento para matar o confronto. No fim, Saelemaekers deixou Jashari de frente para o crime, mas o suíço finalizou em cima de Stankovic. A sorte, porém, estava com os rossoneri: a bola bateu em Halhal, pouco reativo, e o gol contra confirmou o triunfo mandante. O resultado não apagou as dificuldades apresentadas durante boa parte da partida, mas premiou uma equipe que, mesmo ainda em construção, teve calma para vencer uma peleja em que poderia ter se complicado depois da perda de intensidade inicial.
No jogão da rodada, o Como dominou o Napoli em plena Campânia (Getty)
Gols e assistências: González e Koopmeiners (Locatelli) Tops: González e Vicario (Juventus) Flops: Konaté e Keita (Parma)
A Juventus precisou de paciência e eficiência para superar um Parma que conseguiu bloquear boa parte de sua produção ofensiva, mas o resultado acabou tendo um significado particular diante do contexto do mercado. González e Koopmeiners, dois jogadores cuja saída vinha sendo cogitada, marcaram os gols que construíram a vitória, enquanto David, também envolvido nesse cenário, começou como titular e terminou a partida sob vaias. Em campo, a equipe de Luciano Spalletti teve 61% de posse, mas passou quase todo o primeiro tempo presa à circulação lenta e à falta de soluções por dentro, terminando os 45 minutos com apenas uma finalização no alvo. O jogo só mudou de direção quando Nico entrou no lugar do criticado David e alterou o ritmo do ataque, abrindo o caminho para uma vitória que até então parecia difícil de construir.
O Parma montou uma estrutura bastante compacta, defendendo com oito jogadores próximos da área e apostando na força física de Touré e nas arrancadas de Keita e Valeri para tentar sair em velocidade. A Juventus encontrou poucas soluções. Os diálogos entre David e Kolo Muani não funcionaram, enquanto Conceição e Boga, os principais responsáveis pelas iniciativas ofensivas, também esbarravam na força física de Delprato, Troilo e Drobnic. Douglas Luiz tentou de fora da área, e a melhor oportunidade veio pouco depois da meia hora, quando Conceição acertou a parte externa da trave. No intervalo, os donos da casa foram vaiados.
A segunda etapa começou com o Parma parecendo mais disposto, mas a Juventus rapidamente retomou o controle territorial. A mudança decisiva veio faltando quase meia hora de partida, quando Spalletti colocou Alajbegovic e González, sacando Boga e David. O argentino precisou de apenas cinco minutos para alterar o cenário a partida: primeiro obrigou Corvi a uma grande defesa em um voleio diagonal, depois acertou a trave em um chute de mais de média distância. No rebote, que ficou em seu pé, finalizou novamente e contou com o desvio de Troilo para finalmente vencer o goleiro do Parma.
A vantagem, porém, não eliminou imediatamente os problemas da Juventus. Logo depois do gol, Romero teve duas oportunidades para empatar, ambas neutralizadas por Vicario em suas primeiras defesas realmente importantes na partida. No fim, a equipe ainda encontrou uma solução em Koopmeiners, que aproveitou um contra-ataque, após erro bobo do garoto Konaté, e marcou com um chute diagonal que lembrou seus tempos de Atalanta. Um roteiro bastante inesperado para uma partida complicada, que deu à Juventus mais tranquilidade antes do confronto com o Milan, que também tem 100% de aproveitamento.
Gols e assistências: Raimondo (Kvernadze), Bracaglia (Calò) e Raimondo (Bracaglia) Tops: Raimondo e Bracaglia (Frosinone) Flops: Dea Gea e Dragusin (Fiorentina)
A Fiorentina transformou um dia que deveria ser de festa em um vexame histórico. O sábado estava reservado à comemoração de seu centenário e, diante de um Frosinone recém-promovido, a expectativa era de um triunfo para deixar para trás a goleada sofrida para a Roma e poder encaminhar as celebrações em paz. A equipe até criou o suficiente para construir um resultado completamente diferente, mas a superioridade ofensiva não encontrou correspondência na defesa, extremamente frágil e permissiva. O 3 a 0, depois da pancada na estreia, deixa a Viola com sete gols sofridos em duas partidas e evidencia um desequilíbrio que não pode ser explicado apenas pela falta de eficiência no ataque.
O primeiro tempo ilustra bem essa contradição. Trajada com uniforme comemorativo, a Fiorentina acertou duas vezes a trave, com Mastantuono e Valdepeñas, teve um gol de Gudmundsson anulado por impedimento e ainda desperdiçou outras duas oportunidades com o camisa 11. Na outra área, o Frosinone foi muito mais eficiente. Aos 26 minutos, o infernal Kvernadze, que deixou Jiménez atarantado durante todo o jogo, teve liberdade para cruzar, Ndour não conseguiu pressioná-lo e Raimondo apareceu completamente livre, depois de Pongracic perder sua marcação. De Gea aceitou a conclusão. Aos 38, Bracaglia, esquecido por Dragusin em uma cobrança de escanteio, ampliou de cabeça. A água já havia caído na taça de chope da Viola.
A fragilidade defensiva permaneceu depois do intervalo, quando se esperava uma reação da Fiorentina. As mudanças promovidas por Fabio Grosso após uma hora de jogo não alteraram o cenário, e o Frosinone encontrou o terceiro gol em meados da etapa final: Bracaglia lançou Raimondo, que dominou com o pé direito e finalizou de esquerda. No lance, Schmid ainda aplicou uma caneta no badalado Oulaï, em uma imagem que sintetizou a impotência da equipe de casa e também o brilhantismo do organizado time de Massimiliano Alvini, que tenta pela primeira vez em sua história não ser rebaixado logo após conquistar o acesso. Mastantuono foi quem mais tentou reagir, mas nem suas iniciativas foram suficientes. A Fiorentina ainda desperdiçou a última oportunidade com Pellegrino, que finalizou para fora. Atta, em atuação apagadíssima, parecia mais um fantasma.
O resultado aumentou a dimensão da crise gigliata neste início de campeonato e ameaça até o cargo do recém-chegado Grosso. A Fiorentina foi uma das equipes que mais se movimentaram no mercado e a necessidade de novas soluções se reforçou de forma evidente, sobretudo no ataque: com Kean encaminhado ao Como, a diretoria já buscou Beto para substituí-lo (talvez não no mesmo nível) e também Gnonto, ideal para o 4-3-3 do técnico. Mais nomes podem chegar. Mais urgente, porém, é resolver a fragilidade coletiva apresentada pela defesa e a falta de proteção no meio-campo. Teremos outro ano frustrante em Florença?
Ramos iniciou sua contagem pelo Milan na vitória sobre o Venezia (Getty)
Gol e assistência: Frattesi (Nuno Tavares) Tops: Frattesi e Nuno Tavares (Lazio) Flops: Marcandalli e Bijlow (Genoa)
A Lazio repetiu o roteiro da estreia: vitória por 1 a 0, mas desta vez com uma atuação que cresceu progressivamente e terminou com a equipe muito mais preocupada em buscar o segundo gol do que em proteger a vantagem. Depois de um início cauteloso, a surpreendente equipe de Gennaro Gattuso passou a pressionar em todo o campo, controlou o Genoa e manteve a iniciativa durante praticamente toda a partida. Novamente encontrando as redes, Frattesi voltou a ser decisivo e aparece como a principal referência desse começo de trabalho, enquanto o adversário produziu pouco e ainda apresentou problemas defensivos.
O jogo começou em ritmo baixo, com as duas equipes esperando mais pelos erros adversários do que criando através da própria construção. A Lazio foi crescendo aos poucos, principalmente pela esquerda, onde Nuno Tavares passou a avançar com frequência. Foi justamente de um cruzamento do português que saiu o gol: Frattesi apareceu de primeira e bateu para superar Bijlow. A partir daí, os donos da casa ganharam campo e confiança. Aos 44 minutos, o lusitanno acertou a parte externa da trave após receber passe do próprio Frattesi, e Zaccagni ainda tentou aproveitar um recuo de Marcandalli, mas o goleiro holandês chegou antes.
Na segunda etapa, a Lazio não recuou para administrar o resultado. Continuou atacando e procurando o segundo gol, embora sem tanta finesse. Nuno Tavares chutou fraco na chance que teve e Cancellieri perdeu outra boa oportunidade. O Genoa de Daniele De Rossi, no Olímpico tão amado pelo treinador, só conseguiu criar uma chance realmente clara aos 79 minutos, quando Meichtry aproveitou um erro de Belahyane e ficou sozinho diante de Mandas, mas desperdiçou de forma surpreendente. No fim, Gattuso ainda promoveu a estreia de Pinamonti, e a equipe conseguiu sustentar a vantagem sem precisar alterar sua postura ofensiva.
Com duas vitórias por 1 a 0 nas duas primeiras rodadas, a Lazio não começava tão bem um campeonato desde 2021-22. O fato chama muita atenção porque Gattuso já sofria críticas desde a pré-temporada e da eliminação precoce na Coppa Italia, e também pela atuação tímida no mercado até meados de agosto. A nota negativa ficou por conta de Rovella, que deixou o campo ainda no primeiro tempo com um problema na panturrilha. Já é o terceiro problema muscular de 2026-27 para os capitolinos.
Gol e assistência: Samardzic (Zalewski) Tops: Carnesecchi e Kossounou (Atalanta) Flops: Skorupski e Piccoli (Bologna)
Apesar dos estilos propositivos associados a Maurizio Sarri e Domenico Tedesco e dos 68 minutos de bola rolando, Atalanta e Bologna fizeram uma partida de pouca qualidade, na qual time visitante teve muito mais capacidade de impor seu jogo – e mesmo assim saiu derrotado. Os rossoblù controlaram a posse, movimentaram a pelota com paciência e encontraram repetidamente os caminhos para atacar, enquanto a Dea teve enorme dificuldade para reproduzir as ideias de seu técnico. No último lance do jogo, contudo, Skorupski jogou no lixo os esforços de sua equipe e engoliu um frango em chute de longa distância de Samardzic, permitindo aos nerazzurri seguirem com 100% de aproveitamento mesmo após duas atuações mequetrefes.
O time de Tedesco começou com a bola e construiu com calma, alternando a circulação paciente com acelerações de Bernardeschi, Alhassane e Cambiaghi. Foi assim que Carnesecchi começou a trabalhar: o último rossoblù citado, formado na base da Atalanta, finalizou aos 8 minutos e depois voltou a exigir atenção do goleiro. A Atalanta tentava acelerar verticalmente, mas produzia pouco. Scamacca teve uma oportunidade aos 43, enquanto o Bologna levou perigo com Ferguson no minuto seguinte, num lance invalidado por impedimento, mas que teve defesaça do arqueiro nerazzurro.
O cenário não mudou na segunda etapa. Cambiaghi acertou a trave logo aos 51 minutos, e a Atalanta continuou sem encontrar seu jogo, levando Sarri a mexer no setor ofensivo. Tedesco também alterou suas peças, mas o Bologna manteve a iniciativa, enquanto a equipe de Bérgamo parecia mais preocupada em sobreviver do que em construir. Carnesecchi voltou a ser decisivo aos 89, defendendo uma finalização de Bernardeschi. Pouco antes, Amondarain havia hesitado em uma jogada que poderia ter resultado em gol para os visitantes.
Quando o empate parecia encaminhado, veio a reviravolta. No último lance do jogo, Samardzic recebeu com espaço e arriscou de fora da área; Heggem acompanhou o sérvio sem conseguir impedir a finalização, e Skorupski ainda colaborou ao falhar feio na tosca tentativa de defesa. Foi a única finalização realmente digna de nota da Atalanta. O suficiente para transformar em vitória uma atuação ainda pior do que a nada convincente diante do Sassuolo, também terminada com vitória em casa. Já o Bologna saiu de Bérgamo com outra derrota nesta Serie A, sem pontos no campeonato e com muitos motivos para se preocupar.
Protagonista improvável: González parecia destinado a deixar Turim, mas jogou e iniciou triunfo sobre o Parma (Arquivo/Juventus FC)
Gols e assistências: Colpani (Mangas) e Varela (Akinsamiro); Piotrowski (Kamara), Kamara e Ekkelenkamp Tops: Kamara e Ekkelenkamp (Udinese) Flops: Thiam e Mout (Monza)
O Monza fez mais para vencer, mas foi a Udinese – com uma dose de sorte – que soube traduzir melhor suas oportunidades em gols. O time de Ivan Juric dominou boa parte da partida, criou desde o início e chegou a merecer o empate pelo esforço, mas pagou caro pela inexperiência e pelas falhas individuais, sobretudo de Mout e do goleiro Thiam. Já a equipe de Kosta Runjaic, mais organizada, marcou três vezes no primeiro tempo e conseguiu resistir à pressão final para sair da Lombardia com uma vitória por 3 a 2.
O início foi todo do Monza. Foe Ondoa obrigou Okoye a trabalhar aos 8 minutos, Colpani quase provocou um gol contra de Ebosse, e Abankwah e o goleiro do Udinese voltaram a evitar que os donos da casa marcassem. Quando parecia mais perto de abrir o placar, o time da casa sofreu o primeiro golpe: aos 32, Mout errou o domínio, os visitantes recuperaram a bola e, depois de uma finalização de Ekkelenkamp rebatida na zaga, Kamara escorou para Piotrowski, que não desperdiçou. O empate veio pouco depois, quando Mangas deixou Colpani sozinho na área e o atacante colocou na casinha.
A igualdade, porém, durou pouco. Perto do intervalo, Kamara arriscou de longe e contou com uma intervenção muito ruim de Thiam para recolocar o Udinese em vantagem. O goleiro foi com o braço mole para a bola e não foi um obstáculo para que ela morresse nas redes. A situação do Monza piorou nos acréscimos: após escanteio e corte da defesa, Ekkelenkamp ficou livre porque Colpani não acompanhou a jogada e fez 3 a 1. A equipe de Runjaic havia sido menos dominante, mas aproveitara praticamente todas as concessões do adversário.
Na volta para o segundo tempo, Unai Gómez finalizou nas mãos de Thiam após passe de Davis. Em busca de reação, Juric então lançou Folorunsho e Akinsanmiro, e foi justamente o segundo quem encontrou Varela aos 63 minutos. Deixado livre por Ebosse, o português cabeceou para fazer 3 a 2 e recolocar os donos da casa no jogo. O Monza partiu para o ataque nos instantes finais, com Mota também chegando perto do empate, mas Okoye apareceu novamente para impedir o terceiro gol. O Monza deixou o campo com a sensação de que seu esforço poderia ter sido recompensado com um empate, enquanto a Udinese celebrou seu primeiro triunfo no campeonato.
Gols e assistências: Volpato (Adzic) e Berardi (Leysen); Comuzzo (Cacciamani) Tops: Volpato e Berardi (Sassuolo) Flops: Simeone e Cömert (Torino)
No duelo entre os emergentes treinadores Alberto Aquilani e Ignazio Abate, o Sassuolo – comandado pelo primeiro dos citados – teve mais qualidade para controlar uma partida equilibrada e encontrou em Berardi a diferença que faltava para transformá-la em vitória. O 2 a 1 sobre o Torino foi construído em um confronto aberto, com oito boas oportunidades distribuídas de maneira bem distribuída, mas no qual o time neroverde conseguiu impor mais claramente sua proposta de posse de bola. Os grenás responderam principalmente em transições, porém perderam força depois do intervalo e terminaram a partida sem muitas ideias para reagir.
Os primeiros 45 minutos foram os mais movimentados. Cinquegrano acertou a trave logo aos 2, Muric defendeu uma conclusão de Adams aos 8, enquanto Laurentié e Vlasic também exigiram boas intervenções dos goleiros. Mascardi ainda salvou o Sassuolo diante de Bowie, e Coco quase marcou de cabeça. O placar foi aberto aos 30, em uma bela jogada: Comuzzo perdeu a bola no meio-campo, Laurentié acelerou, Adzic encontrou Volpato com um toque de calcanhar e o ítalo-australiano finalizou de primeira para fazer 1 a 0. O Torino empatou já nos acréscimos, quando Cacciamani produziu seu primeiro grande lance na temporada e cruzou da esquerda para Comuzzo anotar.
A intensidade caiu na segunda etapa, mas o Sassuolo continuou controlando a bola e procurando construir seus ataques através da circulação. O Torino se defendeu com algum ordenamento e conseguiu manter o jogo equilibrado por boa parte dessa fase do jogo, ao passo que os donos da casa perderam brilho sob o ponto de vista ofensivo. A partida mudou novamente quando Aquilani colocou Berardi em campo. O capitão precisou de apenas seis minutos para fazer a diferença, recebendo a bola e emendando uma finalização de canhota que recolocou os emilianos em vantagem.
Depois do segundo gol, o Sassuolo controlou melhor o campo e ainda criou oportunidades para ampliar, enquanto o Torino não encontrou forças para produzir uma nova reação. A vitória foi a primeira da temporada para a equipe de Aquilani e recompensou uma atuação mais convincente do que a apresentada pelo adversário – corrigindo também a injustiça da estreia, quando os neroverdi foram bem contra a Atalanta. Já o Torino somou sua segunda derrota consecutiva, com quatro gols sofridos nas duas primeiras rodadas, deixando evidente o tamanho do trabalho que Abate ainda tem pela frente. Na próxima jornada, o Toro fará um duelo de desesperados com a Fiorentina.
Vicario (Juventus); Wesley (Roma), Gila (Milan), Bracaglia (Frosinone), Kamara (Udinese); Barella (Inter), Koné (Roma), Baturina (Como); Raimondo (Frosinone), Malen (Roma), Kvernadze (Frosinone). Técnico: Massimiliano Alvini (Frosinone).







































