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·20 de abril de 2026

Entre gols, idolatria e moonwalk: a carreira irreverente de Adriano ‘Michael Jackson'

Imagem do artigo:Entre gols, idolatria e moonwalk: a carreira irreverente de Adriano ‘Michael Jackson'

Às vésperas de um duelo inédito entre Palmeiras e Jacuipense na Copa do Brasil, a reportagem de oGol foi buscar um personagem incomum para os dois lados do confronto.

Goleador da Copa do Brasil em 2011 pelo Verdão, Adriano Michael Jackson jogou e trabalha hoje no clube baiano, além de ter a oportunidade de ver seu filho dar seus primeiros passos como profissional no Jacupa. O atacante, em um papo exclusivo conosco, repassou sua carreira e contou da sua expectativa deste reencontro com o Palestra.


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Por quê o Rei do Pop?

Tudo começou em 2009, ainda no America-RJ. Na época, o mundo se despedia do ídolo pop Michael Jackson, e um pedido inusitado veio de onde menos se esperava: da arquibancada.

Um torcedor entregou uma luva ao (à época) jovem atacante e fez o pedido: um gol com direito a tributo ao Rei do Pop. Adriano, meio sem entender o que faria com aquilo, topou o desafio, ainda que surpreso com a ideia.

"Eu fiquei sem acreditar, pensando no que fazer com aquela luva. Mas levei pro jogo, escondi debaixo do calção", relembra.

O resto virou história. Gol marcado, luva colocada e… dancinha improvisada. Nascia ali o “Adriano Michael Jackson”, apelido que o acompanharia por toda a carreira.

A aprovação de um ídolo

Antes das dancinhas, veio a luta. Natural de Valença, na Bahia, Adriano chegou ao Rio de Janeiro em busca de espaço no futebol, e encontrou numa avaliação no America uma oportunidade que mudaria tudo.

Tendo a velocidade como característica, o jogador sempre preferiu atuar pelos lados, mas acabou sendo recuado durante o treino avaliativo. Mesmo jogando fora de posição, Adriano brilhou no momento decisivo do teste.

"No último dia de avaliação, o treinador me colocou como meia-atacante, sendo que minha posição era extremo, gostava de jogar de beirada. Mas eu lembro como se fosse hoje. Mesmo fora de posição, eu me destaquei nos treinamentos e marquei três gols", declara.

E no meio deste episódio, havia um detalhe nada comum: quem acompanhava de perto a avaliação era ninguém menos que Romário, que havia acertado com o America para cumprir uma promessa ao seu saudoso pai (e torcedor ilustre do Mecão), seu Edevair.

"Quando saiu que eu estava aprovado, fiquei muito feliz. Tenho certeza que a influência do baixinho foi fundamental nessa escolha. Por isso sou muito grato a ele. Foi através do Romário que eu fui inserido no futebol", começou por ressaltar.

"Logo depois, eu tive a oportunidade de dividir treinamento com ele, tivemos diversas conversas e chegou a ter um jogo em que eu fui substituído para ele entrar...fiquei muito feliz porque aprendi muito com essa lenda do futebol", complementou.

Volta para casa, artilharia no Palmeiras e resenha com Felipão

Depois da experiência no Rio, onde conquistou o acesso com o Mecão para elite do futebol carioca, o destino tratou de levá-lo de volta para casa. Um intercâmbio envolvendo o America abriu as portas para o retorno ao Bahia, clube onde já havia passado na base.

E o reencontro não poderia ter sido melhor. Com 16 gols em 28 jogos, Adriano foi um dos principais artilheiros do Esquadrão Tricolor em 2010 e contribuiu para que o clube garantisse o acesso à elite do futebol brasileiro ao fim da temporada.

"Fiquei muito feliz de jogar aqui na Bahia, perto dos meus familiares e fui muito feliz. Graças a Deus deu tudo certo. Tivemos a felicidade de subir para Série A e hoje o Bahia tá aí sendo uma potência. Muito feliz em ter dado certo aqui no Bahia também depois de ter passado pela base. Foi especial".

O início de carreira foi tardio, mas depois que estreou como profissional, tudo foi muito rápido na vida de Adriano. Em dois anos, o atacante foi protagonista no America, se destacou pelo Bahia e rapidamente recebeu uma oportunidade de ouro: uma proposta do Palmeiras.

Vestir a camisa alviverde já seria suficiente. Mas Adriano foi além: virou artilheiro da Copa do Brasil em 2011 (artilharia dividida com Alecsandro, Kléber Gladiador, Rafael Coelho e William), caiu nas graças do torcedor e ainda protagonizou uma história digna de resenha de vestiário com o técnico Luiz Felipe Scolari , o Felipão.

"Na véspera de um jogo da Copa do Brasil, a gente estava de resenha no gramado e ele (Felipão) perguntou se eu faria gol. Eu disse que faria três. Ele duvidou e prometeu dançar se eu conseguisse", contou. 

Resultado? Adriano não só cumpriu, como exagerou na dose e marcou quatro vezes na goleada contra o Comercial, do Piauí, em jogo válido pela primeira fase da competição.

"Acontece que chegou no jogo eu fiz um, dois, três, quatro (risos)... Chegou no dia seguinte, já na entrevista, toda aquela resenha, aí os meninos me perguntaram: 'Ué, o Lipão não vai cumprir com a aposta não, é?' E eu disse: 'Eu fiz a minha parte, agora é com ele'. Aí fui perguntar a ele se ele pagaria a aposta, e ele me respondeu: 'Eu disse que dançaria se você fizesse três gols, mas você fez quatro. Então não tem dancinha'", recordou, aos risos.

Da rejeição ao frio à idolatria: as fases de Adriano na Ásia

No meio da realização de um sonho de jogar no Palmeiras, veio a primeira oportunidade de brilhar internacionalmente. Após aceitar a proposta para defender o Dalian Shide, da China, Adriano precisou lidar com o frio intenso e uma rotina completamente diferente.

"Difícil, né? Era a primeira vez que eu estava saindo do Brasil e eu tive que ser forte. Saindo do país e eu ainda fui sozinho. Como cheguei lá no inverno, a minha principal dificuldade lá foi o frio. Isso é muito diferente do Brasil. Tinha dia lá que eu não conseguia sair de casa. Só treinava, jogava e ficava em casa", lamenta.

Entre edredons e improvisos na alimentação (com direito a miojo, pizza e batata frita), Adriano Michael Jackson retornou ao Brasil em 2013 e teve passagens discretas por Bahia e Atlético Goianiense até receber a oportunidade que mudaria a sua vida: a de jogar na Coreia do Sul.

Se a adaptação na China foi difícil, na Coreia tudo mudou. Foi lá que Adriano viveu o melhor momento da carreira, com passagens por clubes como Daejeon, FC Seoul e Jeonbuk, vivendo anos fora da curva em 2014, quando 27 gols em 32 jogos, e em 2016, com 31 gols em 44 partidas.

"Posso dizer que minha carreira começou de fato na Coreia. Vivi meu auge lá. Fui artilheiro diversas vezes, tive destaque na Liga Coreana, fui artilheiro da Champions da Ásia. Com certeza é um país que eu voltaria a morar. Recebo mensagens de coreanos até hoje. Foi um momento especial", relata com carinho.

Filho de peixe... e coração dividido

De volta ao Brasil após a pandemia, Adriano rodou por alguns clubes até se firmar no Jacuipense, onde encontrou algo ainda mais especial: a chance de acompanhar de perto o início da carreira do filho, Adriano Júnior

Há dois anos, Adriano Michael Jackson recebeu o convite para fazer parte da comissão técnica da equipe sub-20 do clube baiano e tem acompanhado de perto a ascensão de Adrianinho, que chegou a Jacuípe na temporada passada para defender as mesmas cores que o pai.

Adrianinho tem 17 anos e, após se destacar na base do clube, recebeu nesta temporada a oportunidade de fazer sua estreia como profissional. Já são seis jogos e dois gols no elenco principal do Leão do Sisal... e consequentemente um pai orgulhoso.

"É gratificante, né? Ver um filho seguindo a profissão do pai. Ainda mais no meu caso, que estou tendo a oportunidade de treinar meu filho, acompanhar a evolução dele. Hoje vejo ele evoluindo muito como profissional e fico na torcida para que ele possa chegar nos lugares que eu cheguei e também nos lugares que eu não cheguei, como na seleção brasileira e outros lugares ainda melhores".

Com Adrianinho na equipe, quis o destino preparar um capítulo ainda mais curioso para vida de Adriano Michael Jackson. Nesta próxima quinta-feira, o Jacupa terá um dos capítulos mais importantes de sua história ao enfrentar o Palmeiras pela quinta fase da Copa do Brasil, justamente o clube onde Adriano deixou sua marca como artilheiro da competição.

Para o confronto, Adriano Michael Jackson, que cravou o Jacuipense como terceira força do futebol baiano, não esconde a ansiedade e nostalgia, mas se mostra dividido com o resultado do jogo. A única torcida certa é pelo bom desempenho (e quem sabe um gol) de seu filho na partida.

"A expectativa tá grande, né? Eu, como ex-atleta do Palmeiras e do Jacuipense, fico muito feliz e estou muito ansioso para esse confronto. Como é a vida, há anos atrás, meu filho estava lá no CT do Palmeiras comigo brincando de bola, e hoje tem a oportunidade de entrar em campo e jogar contra eles...Eu penso o seguinte. Vou estar com as duas bandeiras do lado. Quem ganhar, eu fico feliz, especialmente se o meu filho fizer um gol. Aí vai estar tudo certo (risos)", finaliza com um bom humor de sempre.

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