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·22 de janeiro de 2026
Entre reformulação e realidade: as causas do fim do casamento entre Casemiro e United

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A decisão de Casemiro de deixar o Manchester United ao término da temporada europeia representa o encontro de dois movimentos que caminham na mesma direção: a redefinição estratégica do clube e a reavaliação do momento de carreira do jogador.
Mesmo com a possibilidade contratual de estender o vínculo por mais um ano, a opção foi por encerrar um ciclo que, embora tenha tido conquistas, nunca atingiu plenamente as expectativas criadas no momento da contratação.
O United atravessa um processo profundo de reformulação estrutural e esportiva. A nova filosofia adotada pela diretoria passa por reduzir custos, rejuvenescer o elenco e evitar a dependência de jogadores veteranos com salários elevados, especialmente em um contexto de reconstrução e busca por sustentabilidade financeira.
Casemiro, aos 33 anos e dono de um dos maiores vencimentos do elenco, se tornou um símbolo de uma era que o clube entende não ser mais viável manter.
Contratado em 2022 após anos absolutamente vitoriosos no Real Madrid, Casemiro chegou a Old Trafford com o status de líder imediato e a missão de transformar o meio-campo de uma equipe que sofria com instabilidade e falta de competitividade.
Em um primeiro momento, o impacto foi claro, principalmente pela experiência, leitura de jogo e capacidade de decisão em momentos-chave. No entanto, com o passar das temporadas, o desempenho oscilou, refletindo tanto as dificuldades coletivas do United quanto a exigência física e tática do futebol inglês.
A irregularidade do time, as constantes trocas de comando técnico e a ausência de um projeto esportivo sólido também pesaram no desgaste da relação entre ambos.
Casemiro passou a conviver com altos e baixos, alternando atuações decisivas com partidas em que teve dificuldades de acompanhar a intensidade da Premier League. Isso acabou enfraquecendo o papel central que se esperava dele e acelerou o entendimento (entre as duas partes) de que o encaixe entre jogador e projeto já não era o ideal.
Ainda assim, os números e conquistas mostram que a passagem não foi irrelevante. Em 146 jogos até aqui, Casemiro marcou 21 gols, deu 12 assistências e venceu a Copa da Liga Inglesa e a Copa da Inglaterra, troféus levantados em um período recente marcado por escassez de conquistas no clube. O legado, portanto, é misto: impacto inicial, liderança, taças, mas também frustração diante de expectativas maiores.
Do lado do jogador, a decisão também envolve planejamento de carreira. Apesar do fim do vínculo com o United, Casemiro não projeta um retorno imediato ao futebol brasileiro.
A prioridade é permanecer na Europa, onde acredita ainda ter condições de competir em alto nível, seja em um contexto menos físico ou em uma liga que valorize mais sua leitura de jogo, posicionamento e experiência.
Assim, o encerramento do ciclo surge como uma escolha racional para ambas as partes. O United segue seu processo de renovação e ajuste financeiro, enquanto Casemiro busca um novo ambiente para prolongar sua carreira no mais alto patamar possível, longe da ideia de encerramento precoce ou retorno por conveniência. É menos uma ruptura e mais o reconhecimento de que o projeto, como foi concebido, chegou ao seu limite.







































