Calciopédia
·08 de setembro de 2026
Erros custaram caro, e a Inter acabou derrotada pelo Real Madrid na Champions League

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Em uma partida que exigia erro zero, a Inter pagou caro por duas falhas individuais e perdeu por 2 a 1 para o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, pela primeira rodada da fase de liga da Champions League. A equipe de Cristian Chivu teve mais volume ofensivo, criou oportunidades e terminou com 21 finalizações, mas viu Mbappé e Valverde transformarem os erros de Jones, Bisseck e Pepo Martínez em gols ainda na etapa inicial. Carlos Augusto descontou no tempo complementar e encerrou um jejum de 59 anos da Inter sem marcar contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu pela principal competição de clubes do continente, mas isso não foi suficiente para evitar a primeira derrota nerazzurra na temporada.
O confronto carregava uma série de reencontros. José Mourinho voltava a enfrentar a Inter, que levou à conquista da Tríplice Coroa, em 2010, e reencontrava Chivu, que esteve sob seu comando naquela equipe vencedora. No ano passado, o português havia dado declarações polêmicas ao afirmar que não via o romeno como treinador suficientemente cacifado para dirigir os nerazzurri, mas os dois trocaram afagos nas entrevistas coletivas que antecederam o duelo. No lado merengue, havia ainda Dumfries, que deixou a Beneamata mediante o pagamento de sua cláusula e apareceu entre os titulares do Real Madrid.
Chivu promoveu algumas alterações importantes na escalação em relação ao time que venceu o Napoli. Pela primeira vez na temporada, Thuram começou como titular e formou o ataque ao lado de Lautaro, com Esposito no banco – apesar de ter acabado de renovar seu contrato. Nas alas, Diouf e Carlos Augusto ocuparam os lados do campo, enquanto Dimarco foi vetado por uma leve entorse no joelho. Akanji, Dimarco e Zielinski foram poupados. Jones recebeu uma oportunidade e Bisseck apareceu no centro da defesa, numa estrutura que pretendia aumentar a circulação da bola e oferecer mais alternativas diante de um Real Madrid desfalcado no setor.
Mourinho respondeu colocando Mbappé centralizado no ataque, ladeado por Vinícius Junior e Brahim Díaz. Alexander-Arnold atuou mais adiantado, no meio-campo, enquanto o ex-nerazzurro Dumfries ocupou a direita. O Real Madrid, porém, não tinha à disposição Bernardo Silva, Camavinga e Güler, todos suspensos. A ausência de peças no setor intermediário contribuiu para que a Inter encontrasse espaços desde os primeiros minutos, sobretudo porque Jones recebeu liberdade para circular por todo o campo e Diouf funcionava praticamente como um homem a mais na construção por dentro.
O plano de Chivu começou a funcionar imediatamente. Aos 3, Thuram aproveitou sobra de passe de Diouf dentro da área e finalizou, mas Courtois estava atento para fechar o primeiro poste e mandar a bola para escanteio. Aos 11, o ala francês cruzou rasteiro pela direita e Huijsen quase desviou contra a própria meta. Dois minutos depois, Lautaro arriscou de fora da área e obrigou o arqueiro adversário a defender uma conclusão central. A Inter tinha posse, trocava passes com qualidade e conseguia sufocar o adversário, mantendo o goleiro madridista ocupado. O domínio, contudo, não se traduziu em vantagem.
Aos 14 minutos, veio o castigo: o Real Madrid abriu o placar justamente a partir de um erro da equipe italiana. Jones recuou uma bola em situação perigosa, Bisseck não conseguiu afastar e ainda errou tecnicamente na tentativa de resolver o lance, entregando a posse a Díaz. O marroquino encontrou Mbappé dentro da área, e o francês não desperdiçou. A Inter reagiu imediatamente, com Çalhanoglu cobrando uma falta da entrada da área e exigindo uma defesa de Courtois em uma finalização forte e central. Aos 20, Bellingham roubou a bola de Barella e Vinícius Júnior invadiu a área, mas Pavard chegou de carrinho e interrompeu a jogada de maneira regular.
A Inter teve uma boa atuação, mas não conseguiu sair na frente do Real Madrid e viu o jogo desmoronar após erros defensivos (Getty)
O segundo golpe veio aos 23 minutos e teve novamente a participação decisiva de um erro individual. Martínez recebeu de Pavard e tentou driblar para escapar da pressão de Valverde ao invés de só afastar a pelota. O uruguaio conseguiu desarmá-lo, e a bola acabou rolando para dentro do gol. Contestado por um início de temporada pouco convincente como herdeiro do posto deixado por Sommer, o goleiro já vê a sombra de Provedel sobre si e a bobagem não ajudou – mais tarde, ele apareceria como intervenções dignas do lugar que ocupa, mas a falha pesa. O contraste entre os aproveitamentos era brutal: as duas finalizações efetivas do Real Madrid haviam produzido dois gols, enquanto a Inter já havia criado e finalizado muito mais, mas não saiu do zero e pagou caro pelos erros.
A equipe espanhola ainda teve uma oportunidade aos 26, quando saiu rapidamente em contra-ataque e Bisseck efetuou carrinho providencial diante de Mbappé. Aos 28, a Inter construiu uma ação prolongada, mas Çalhanoglu perdeu o momento de finalizar dentro da área e Vinícius Júnior roubou a bola. Aos 36, Jones apareceu novamente em condição de arremate e soltou o pé esquerdo dentro da área; a bola bateu no travessão e saiu. Diouf continuava sendo uma das principais válvulas de escape pelo lado direito, enquanto Dumfries, diante de seu antigo clube, tinha uma atuação discreta.
Nos acréscimos do primeiro tempo, o Real Madrid quase ampliou em uma sequência de três finalizações, superando numa tacada só a totalidade de conclusões até aquele momento. Pavard errou na saída de bola, Mbappé arrancou em velocidade e obrigou Martínez a fazer uma boa defesa. O goleiro ainda precisou voar para impedir o rebote de Bellingham, numa intervenção ainda mais difícil. Na última sobra, Valverde recebeu quase colado à linha, já com defensores italianos recompondo, e acertou a trave.
O segundo tempo começou com o Real Madrid sendo mais perigoso. Aos 49, Mbappé ganhou de Diouf na velocidade em uma arrancada e até poderia tentar concluir por cobertura, mas finalizou de posição mais aberta e Martínez defendeu no chão. Um minuto depois, Jones respondeu em tentativa com pouco ângulo e bateu buscando o primeiro poste, porém Courtois fechou o canto. Aos 52, Çalhanoglu cruzou com força e Thuram apareceu na área, mas pegou muito embaixo da bola e colocou por cima do alvo. Aos 54, o turco encontrou Lautaro com um belo passe, só que o argentino não conseguiu dominar a pelota.
Aos 55, Barella encontrou espaço com um passe em profundidade, e Courtois precisou fazer duas defesas consecutivas diante de Lautaro e Jones. O lance, contudo, já estava comprometido por uma posição irregular do capitão nerazzurro. Três minutos depois, foi a vez de o Real responder: Díaz produziu uma boa jogada antes de servir Bellingham com uma cavadinha. O inglês só precisava empurrar para as redes, mas hesitou e parou numa defesa importante de Martínez. Já na casa dos 63, Bastoni avançou até a entrada da área e bateu de canhota, novamente parando em Courtois.
Na reta final da partida, o brasileiro Carlos Augusto chegou a reduzir o prejuízo nerazzurro (Arquivo/Inter)
Mbappé voltou a ameaçar aos 67, depois de receber de Díaz, mas Martínez se colocou à frente e bloqueou a conclusão com o corpo. Não é possível falar em redenção após uma falha tão grave quanto a que resultou no segundo gol madridista, mas o arqueiro soube manter a calma depois disso e produziu uma série de intervenções complicadas. Dois minutos depois de mais uma delas, o Real Madrid construiu uma ação coletiva que terminou com Brahim dentro da área; o marroquino bateu de canhota para fora, embora tivesse a possibilidade de tocar para Vinícius Júnior ou Bellingham, ambos em boas posições. A Inter continuava produzindo situações, mas o placar permanecia desfavorável até que, aos 77 minutos, a equipe visitante finalmente conseguiu romper a barreira.
O gol nasceu de uma jogada pela esquerda construída por Lautaro. O argentino cruzou rasteiro para a área, e Carlos Augusto se antecipou a Dumfries, seu ex-companheiro, para completar para a rede e diminuir o placar. Além de reduzir a diferença no marcador, o gol encerrou um jejum histórico: depois de 59 anos, a Inter voltava a marcar contra o Real Madrid no Bernabéu em uma partida de Champions League; a última vez que o fizera foi ainda nos tempos da Copa dos Campeões, antecessora do formato moderno da competição.
A equipe italiana ganhou novo impulso e passou a buscar o empate, enquanto o adversário precisou administrar a vantagem – e teve sucesso nisso. Tanto é que foi só aos 89 minutos que Mkhitaryan teve a última grande oportunidade nerazzurra. A finalização do armênio, que substituíra Carlos Augusto um pouco antes, desviou no caminho, mas Courtois respondeu de maneira eficiente e evitou que a bola encontrasse a rede.
O placar permaneceu em 2 a 1 até o fim, resultado que não correspondeu ao volume de jogo apresentado pela Inter e expôs sua dificuldade em transformar domínio e ideias bem executadas do plano de jogo em eficiência frente às redes. Por méritos do goleiro adversário, diga-se de passagem. Aliás, em que pese o fato de Martínez ter despertado após sua falha, ficou evidente que um arqueiro em alta, como Courtois, pode desequilibrar um confronto contra um nome ainda em evolução, como é o caso do interista. A Beneamata produziu 21 conclusões contra o adversário e só uma entrou. O Real Madrid castigou o rival em cada uma das falhas graves cometidas, colocando na casinha suas duas primeiras finalizações. Nesse nível competitivo, é necessário trabalhar com “erro zero”. Os italianos não seguiram a normativa e deram dois presentes a um time cascudo.
A Inter vinha de uma virada incrível contra o Napoli e de triunfos em seus três primeiros jogos da temporada. Sofreu sua primeira derrota diante de um adversário de enorme dificuldade, na estreia na Champions League, mas longe de enxergar um cenário de terra arrasada. Na próxima rodada, a equipe de Chivu enfrentará o Club Brugge em Milão, depois de os belgas perderem em casa para o Aston Villa por 3 a 2, e é favorita no duelo nerazzurro. O Real Madrid, por sua vez, irá visitar a Roma.







































