Central do Timão
·01 de outubro de 2026
Ex-diretor do Corinthians admite envolvimento em tratativas com a Caixa e se posiciona contra a SAFiel

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A negociação envolvendo o Corinthians e a Caixa Econômica Federal para solucionar o débito relacionado à Neo Química Arena ganhou força nos bastidores nas últimas semanas. Em meio às discussões sobre o valor que ainda precisa ser pago pelo clube, Rubens Gomes, conhecido como Rubão, confirmou que vem participando das conversas para tentar aproximar o Timão e o banco estatal.
Conselheiro vitalício e ex-diretor de futebol do Corinthians, Rubão afirmou que integra uma espécie de força-tarefa criada para auxiliar nas tratativas. O dirigente também reconheceu sua proximidade com integrantes do Partido dos Trabalhadores e negou que sua atuação tenha qualquer relação com interesses eleitorais.

Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
“É verdade, estou ajudando. Nós temos uma força-tarefa atuando para auxiliar o Corinthians, com várias pessoas engajadas nesse processo. Tenho relação com o Partido dos Trabalhadores (PT), afinal eu fui de lá. Enfim, estou ajudando para tentar resolver a questão do estádio do Corinthians, e não se trata de uma medida eleitoreira. Eu realmente espero ajudar. Por isso, estou te dizendo que há muitas coisas prestes a acontecer, e espero que se concretizem”, disse em entrevista ao jornalista Márcio Bernardes.
A situação financeira da arena também passou a ser analisada pelo Ministério Público de São Paulo. No começo de setembro, o órgão abriu um procedimento administrativo para apurar o saldo atualizado do financiamento. A iniciativa surgiu após um estudo elaborado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco, que identificou possíveis divergências nos cálculos, sobretudo na aplicação de multas e encargos.
Embora tenha circulado a informação de que o Corinthians já teria abatido o valor originalmente financiado, de aproximadamente R$ 400 milhões, os números apresentados indicam outra realidade. Grande parte dos pagamentos realizados até agora teria sido direcionada para juros e demais obrigações previstas no contrato, sem reduzir de maneira significativa o principal da dívida.
Rubão explicou que o modelo de pagamento adotado durante o período de carência fez com que a amortização efetiva do saldo principal começasse somente mais tarde.
“O Corinthians não quitou o que deve para a Caixa Econômica Federal. Pagou um valor significativo, é verdade, mas não pagou o total da dívida. Isso porque o clube só começou a amortizar o principal para a Caixa no final da gestão passada. Antes disso, durante o período de carência, só se pagavam os juros”, comentou.
As negociações também passaram a envolver interlocutores ligados ao governo federal. Segundo Rubão, a força-tarefa busca encontrar uma alternativa que permita rever condições da operação e retomar discussões que já haviam sido realizadas em períodos anteriores.
“Nós estamos fazendo das tripas coração para isso dar certo. Nós não temos o poder de decisão final, mas tenho certeza de que o presidente Lula se sensibilizou com a situação. Aliás, ele é um grande corinthiano, se sensibilizou com o que está acontecendo e pediu para reverem os termos da negociação. Acredito que teremos novidades em breve, espero que tudo se concretize. A torcida comenta que isso já vinha sendo tratado no final do governo anterior, e é verdade: as partes realmente estavam negociando naquela época. A diferença é que, naquele momento, o acordo acabou não dando certo”, relatou.
Apesar de confirmar a existência das articulações, Rubão preferiu não revelar quem são os outros envolvidos na interlocução entre o Corinthians e a Caixa. De acordo com ele, a cautela tem como objetivo evitar que questões políticas e eleitorais interfiram nas negociações.
“Preferia não citar nomes para não correr o risco de esquecer de ninguém. Na verdade, tenho conversado mais com o pessoal do governo para entender o formato jurídico e institucional que pode ser feito, porque isso envolve uma série de implicações: é um ano eleitoral e político, tanto de um lado quanto do outro. Por isso, não podemos errar a mão em nenhuma etapa. Daí a demora no processo”, disse.
O ex-dirigente também afirmou que o cuidado com o sigilo aumentou justamente por conta do cenário político.
“Como se trata de um ano político, nós estamos conduzindo tudo com muito tato para evitar vazamentos. Na realidade, não era para nada disso ter vindo a público agora. Infelizmente, começaram a sair notícias aqui e ali dizendo que eu estou ajudando. De fato, eu estou ajudando e vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que isso se concretize”, complementou.
Enquanto as conversas avançam, o Corinthians apresentou uma proposta formal à Caixa na última segunda-feira. A ideia do clube envolve os naming rights da Neo Química Arena dentro de uma operação destinada a reduzir ou encerrar o débito. Atualmente, a dívida é estimada em aproximadamente R$ 630 milhões.
Representantes do Corinthians e da instituição financeira já realizaram encontros para discutir a proposta. As tratativas, porém, continuam sem uma definição final.
Outro assunto que movimenta o ambiente político do Corinthians é o projeto SAFiel, que prevê a transformação do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol. Rubão se posicionou contra a iniciativa e questionou a existência de investimentos externos previstos na proposta.
Na avaliação do ex-diretor, o projeto estaria utilizando a força da marca e da torcida corintiana para viabilizar a captação de recursos sem apresentar, segundo ele, um aporte financeiro compatível com a operação.
“Esse negócio da SAFiel é uma enganação. Eles querem trabalhar com o próprio dinheiro do Corinthians; querem uma autorização para arrecadar recursos usando o nome do clube. Precisa dar autorização para alguém arrecadar dinheiro? Isso é conversa para enganar trouxa. E eles não dizem isso; dizem que têm um aporte, mas não têm aporte de coisa nenhuma”, comentou.
Rubão também reforçou que é contrário à transformação do Corinthians em SAF. Para ele, uma eventual solução para os problemas financeiros deveria envolver os diferentes órgãos do clube e a participação dos torcedores nas discussões.
“Totalmente contra (a SAFiel). O Corinthians é um patrimônio histórico, pertence ao torcedor e é o time do povo. O que nós precisamos fazer é alinhar a diretoria, o Conselho Deliberativo, o Cori e a torcida. A torcida tem todo o direito de cobrar, e tem que cobrar mesmo. Só que existem alguns pontos que precisam ser sentados com os torcedores e repassados a eles, porque nem todos têm conhecimento do que realmente está acontecendo nos bastidores”, finalizou.
Paralelamente às críticas de Rubão, o Corinthians já iniciou uma avaliação mais detalhada da proposta apresentada pela SAFiel. Na última quarta-feira, integrantes do projeto estiveram no Parque São Jorge para uma primeira reunião presencial com representantes do clube. O encontro durou aproximadamente quatro horas.
Após a reunião, o vice-presidente Armando Mendonça considerou que houve avanços na conversa, mas apontou dúvidas sobre os aspectos jurídicos da operação. Como consequência, o dirigente preparou uma lista com 105 questionamentos que deverão ser respondidos pelos responsáveis pelo projeto antes de qualquer avanço.
No fim do mês passado, o presidente Osmar Stabile havia declarado que estaria disposto a assinar um documento vinculante caso a SAFiel apresentasse recursos suficientes para quitar a dívida da Neo Química Arena. A medida abriria caminho para a continuidade das negociações.
Pouco depois, os responsáveis pelo projeto encaminharam uma carta ao mandatário corintiano, aceitando a condição apresentada por Stabile. Além de reiterar o compromisso relacionado ao pagamento do estádio, o grupo solicitou uma nova reunião com a diretoria do Corinthians para discutir os próximos passos.







































