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Calciopédia

·21 de agosto de 2026

Guia do Campeonato Italiano 2026-27

Imagem do artigo:Guia do Campeonato Italiano 2026-27

Agosto está entrando em sua reta final e, com os últimos dias do mês, chega também o Campeonato Italiano. E isso significa que tem novo guia da Calciopédia na área. A Serie A 2026-27 terá início no sábado, 22, com as partidas entre Inter e Monza e Udinese e Como, e você não vai acompanhar a rodada inaugural da competição sem saber o que esperar de cada time, não é mesmo? Vem com a gente!

A nova temporada começa cercada de incógnitas e com uma sensação de melancolia no mercado. Muitos clubes italianos tiveram mais dificuldades para se movimentar, em grande parte pela necessidade de equilibrar as contas e pela dificuldade de obter receitas e espaço salarial através de refugos. Nesse cenário, a Inter parte na frente como principal candidata ao título. Atual campeã, a equipe nerazzurra perdeu uma peça importante como Denzel Dumfries e promoveu uma renovação significativa em sua defesa, com a saída de alguns veteranos e a chegada de novos nomes, mas preservou uma espinha dorsal muito sólida no meio-campo e no ataque. Mesmo com a troca de treinador em 2025, com a chegada de Cristian Chivu para o lugar de Simone Inzaghi, a força reside na continuidade de uma base que trabalha junta há bastante tempo e que agora tentará alcançar o bicampeonato consecutivo.


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Na temporada passada, a principal adversária da Inter foi o Napoli, mas é mais difícil imaginar os azzurri novamente na mesma condição. O time agora será comandado por Massimiliano Allegri e praticamente não conseguiu se mexer no mercado, em parte porque demorou a resolver saídas necessárias do elenco – e ainda há muitas outras para serem concretizadas. O primeiro acréscimo relevante chegou somente no meio de agosto para tentar sanar os problemas importantes na defesa, que inclusive começará a campanha bastante desfalcada. Assim, o Napoli inicia seu ano de centenário envolto em dúvidas. A equipe partenopea ainda tem condições de competir na parte de cima da tabela, mas parece começar um degrau abaixo da principal concorrente.

O Milan é outra incógnita entre os times que são potenciais candidatos às primeiras posições da Serie A. Agora sob o comando de Rúben Amorim, o Diavolo demorou a definir quais jogadores permaneceriam e quais seriam negociados, o que tende a atrasar o entrosamento do elenco na temporada. A possível saída de Rafael Leão aumenta ainda mais a nebulosidade, enquanto a contratação de Gonçalo Ramos, por uma quantia elevada, emergiu como desesperada tentativa de solucionar um problema ofensivo que foi muito sério na época anterior. Os rossoneri têm potencial para voltarem a brigar no alto da tabela, mas ainda é difícil saber exatamente qual será a sua configuração quando a bola rolar.

A Juventus também chega cercada de questões, embora com sinais mais animadores. A equipe demorou muito para encontrar uma solução definitiva para a sua meta, trazendo apenas nos últimos dias o goleiro Guglielmo Vicario para ocupar o posto de Michele Di Gregorio, que não deslanchou em Turim, e também custou a fechar negócio com Jhon Lucumí para a zaga. Ao mesmo tempo, houve movimentações capazes de elevar o nível da equipe, especialmente com a volta de Randal Kolo Muani, que tomará o lugar de Dusan Vlahovic, e a chegada de Kerim Alajbegovic. Desde a chegada de Luciano Spalletti, a Juventus já vinha apresentando evolução no seu futebol. Agora que o técnico poderá disputar a Serie A após uma pré-temporada completa e novos reforços, os bianconeri entram novamente na disputa por uma vaga na Champions League como objetivo mínimo.

Nessa briga aparece também uma Roma que, apesar da insatisfação constante de Gian Piero Gasperini, conseguiu fazer um mercado interessante e preservou os seus principais jogadores. O ataque ganhou ainda mais opções, com Santiago Castro se juntando a Donyell Malen, e os giallorossi têm condições de competir novamente por uma vaga na Champions League. O mesmo vale para o Como, que fez uma das janelas mais agressivas de toda a Serie A em sua temporada de estreia na maior competição de clubes da Europa. O time melhorou consideravelmente o seu elenco, realizou um esforço econômico importante para manter Nico Paz e buscou reforços como os brasileiros Kaiki Bruno e Yan Couto para reformular as laterais, setor mais frágil da equipe de Cesc Fàbregas. Com novas peças também para o meio-campo e a defesa, os lariani chegam muito mais forte e, motivos, podem até lutar por algo além de um lugar no torneio continental.

Outra equipe que pode subir bastante de patamar é a Fiorentina. A janela violeta também foi extremamente agressiva, com contratações como Franco Mastantuono, Arthur Atta, Radu Dragusin, Viery e Christ Inao Oulaï. Agora com Fabio Grosso no comando, a Viola pretende aproveitar o ano de seu centenário para voltar à Champions League, competição que não disputa desde a temporada 2009-10. A Liga Europa parece um objetivo mais plausível, mas, diante das incertezas de vários concorrentes, não é absurdo imaginar a equipe gigliata lutando por uma vaga entre os quatro primeiros.

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Com percursos diferentes na pré-temporada e objetivos também distintos, Inter e Juventus devem brigar no topo da tabela da Serie A (Getty)

Entre as equipes que chegam sem uma perspectiva tão clara está a Atalanta, que apostou em Maurizio Sarri. O treinador, apesar de sua conhecida preferência por um futebol ofensivo, parece estar em um momento descendente da carreira e terá de responder a uma questão fundamental: até que ponto seu modelo, geralmente focado no 4-3-3, é compatível com um elenco construído para atuar com três zagueiros? A adaptação será determinante para saber se a Dea conseguirá voltar a competir fortemente por vagas europeias. A Lazio também é uma incógnita. Os biancocelestes terão o comando de Gennaro Gattuso, mas enfrenta limitações financeiras e pouco conseguiu fazer no mercado, embora tenha realizado uma boa contratação ao repatriar Davide Frattesi, jogador formado em suas categorias de base. O problema é que a torcida já pressiona bastante a diretoria e a queda precoce na fase preliminar da Coppa Italia, para o Mantova, da segunda divisão, ligou o sinal de alerta muito cedo em Formello.

Por sua vez, o Bologna passou por uma reformulação no ataque depois da saída de Santiago Castro e agora terá Artem Dovbyk e Roberto Piccoli como alternativas para a posição de centroavante, além de um novo treinador, Domenico Tedesco, no lugar de Vincenzo Italiano. Sassuolo e Torino também iniciam novos projetos, com Alberto Aquilani e Ignazio Abate, respectivamente, depois de trabalhos interessantes dos dois treinadores na Serie B. São times que, a princípio, devem mirar a parte intermediária da classificação, mas que possuem condições de surpreender. O mesmo vale para a Udinese, que preservou uma base importante, manteve nomes como Nicolò Zaniolo e Keinan Davis e, apesar da perda de Atta, continua com um elenco capaz de permanecer longe da zona de rebaixamento.

A luta contra a queda, por outro lado, promete ser particularmente intensa. Até mesmo o Genoa, que em condições normais poderia ser colocado no meio da tabela, chega com uma deficiência importante no ataque e pode acabar envolvido na parte de baixo. Cagliari e Parma também são incógnitas, apostando em trabalhos voltados para jogadores jovens com Fabio Pisacane e Carlos Cuesta, respectivamente. Projetos assim podem produzir bons resultados, mas também estão sujeitos a oscilações que, em uma disputa tão equilibrada, podem ser decisivas.

Entre os times que permaneceram na elite, o Lecce aparece como um dos candidatos mais fortes ao rebaixamento. Após a saída do competente diretor esportivo Pantaleo Corvino, o time não conseguiu se reforçar adequadamente. Os salentinos já tinham problemas sérios no ataque e provavelmente terão de se apoiar novamente em sua organização defensiva para tentar sobreviver. Entre os recém-promovidos, há motivos para sonhar com a permanência. O Frosinone se movimentou bem para tentar quebrar o tabu de subir e cair imediatamente, enquanto o Monza retornou à Serie A apenas uma temporada depois de sua queda e conta com um elenco experiente, recheado de jogadores que já conhecem o certame. Além disso, os biancorossi apostaram em Ivan Juric, treinador que teve trabalhos ruins recentemente, embora tenha mostrado ao longo da carreira que pode funcionar justamente em equipes da parte inferior da tabela. Por fim, o Venezia talvez seja o recém-promovido que mais chama atenção pelo mercado. Com um projeto ambicioso e um elenco significativamente reforçado, visa estadia duradoura na principal categoria do futebol local.

A Serie A 2026-27 começará com 18 brasileiros distribuídos em nove clubes. Napoli (David Neres, Giovane e Alisson Santos) e  Juventus, por enquanto, têm a maior colônia, com três atletas do nosso país. Mas, no caso da Juve, Arthur Melo dificilmente permanecerá e Douglas Luiz também pode ser negociado – só Bremer tem certeza que fica em Turim. Como, Fiorentina, Genoa, Inter e Lazio vêm logo atrás, com dois canarinhos cada.

E onde assistir ao Campeonato Italiano? No Brasil, a Serie A continua a ser exibida pelos canais ESPN e pelo Disney+, respectivamente na TV fechada e no streaming. Desde a temporada anterior, o grupo norte-americano sublicenciou os direitos de transmissão para a Cazé TV (YouTube e Amazon Prime), que também segue passando algumas partidas da competição. A novidade fica por conta da negociação com SportyNet. A emissora já exibia a Coppa Italia, a Supercopa Italiana e a Serie B tanto em seu canal linear quanto pelo YouTube, e agora agrega a primeira divisão a seu catálogo.

Outra opção para assistir a jogos da Serie A são sites de casas de apostas, como Bet365, Betano e Betfair. Voltadas para maiores de 18 anos, as plataformas de jogos de azar exigem que o usuário mantenha uma conta ativa com saldo para acompanhar as partidas por vídeo. Como citamos acima, outras competições da Itália estatão na tela da SportyNet. E até mesmo a terceirona pode ser assistida, através do serviço de streaming Fifa+.

A seguir, confira as análises do nosso guia, em ordem alfabética. Você também pode navegar pelo menu abaixo e acessar as projeções de cada equipe.

Análise clube a clube

Atalanta

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Éderson, da Atalanta (Arquivo/Atalanta BC)

Cidade: Bérgamo (Lombardia) Estádio: New Balance Arena (23.439 lugares) Fundação: 1907 Apelidos: Nerazzurri, Dea, Orobici Principais rivais: Brescia, Inter e Milan Participações na Serie A: 66 Títulos: nenhum (melhor desempenho: 3ª colocação) Na última temporada: 7ª posição Objetivo: vaga na Liga Europa Brasileiros no elenco: Éderson Técnico: Maurizio Sarri (1ª temporada) Destaques: Charles De Ketelaere, Éderson e Marco Carnesecchi Fique de olho: Matteo Plaia Principais chegadas: Thomas Kristensen (z, Udinese) e Gianluca Gaetano (m, Cagliari) Principais saídas: Berat Djimsiti (z, Al-Diriyah) e Yunus Musah (m, Milan) Time-base (4-3-3): Carnesecchi; Zappacosta, Scalvini (Kristensen), Kossounou (Kolasinac, Ahanor), Bernasconi; Éderson, De Roon (Gaetano), Pasalic; De Ketelaere, Scamacca (Krstovic), Raspadori (Zalewski).

Depois de terminar a Serie A de 2025-26 apenas na sétima colocação, com vaga na Conference League, a Atalanta começa o novo campeonato cercada de incógnitas e perspectivas menos ambiciosas do que em anos anteriores. A dúvida primordial se refere ao comando: em busca de recuperação de prestígio após solavancos na última campanha pela Lazio, Maurizio Sarri terá de adaptar suas ideias, baseadas no 4-3-3 e em variações com linha defensiva de quatro, a um elenco moldado durante quase uma década para atuar no 3-4-3 ou no 3-4-2-1, sendo que as ideias de Gian Piero Gasperini tiveram continuidade com Ivan Juric e Raffaele Palladino na temporada passada. A mudança de conceito tático poderia ter sido acompanhada de uma revolução no elenco, após a chegada de Cristiano Giuntoli ao cargo de diretor esportivo, mas isso não ocorreu. A Dea teve um mercado bastante discreto, com apenas dois reforços e duas saídas relevantes.

Davide Zappacosta, Raoul Bellanova, Lorenzo Bernasconi e Nicola Zalevski, que devem ser utilizados nas laterais, são jogadores habituados a funções incompatíveis com uma linha de quatro, enquanto Giorgio Scalvini construiu praticamente toda a sua trajetória na zaga como integrante de uma defesa com três homens. O mesmo vale para o garoto Honest Ahanor, e até Thomas Kristensen, contratado junto à Udinese, chega com experiência predominante nesse sistema. Caberá a Sarri encontrar soluções para que essas peças não percam rendimento na adaptação. Marco Carnesecchi, um dos melhores goleiros da última temporada, pode acabar sendo mais exigido nesse contexto. No meio, Éderson permanece como um dos pilares após quase ser negociado com o Manchester United, ao lado do capitão Marten De Roon e do veterano Mario Pasalic. Vindo de passagem sólida pelo Cagliari, Gianluca Gaetano é a única novidade.

Por sua vez, Gianluca Scamacca e Nikola Krstovic devem se alternar como referências no comando do ataque, enquanto são grandes as dúvidas sobre a capacidade de Giacomo Raspadori e Charles De Ketelaere atuarem abertos pelas pontas, como o novo sistema deve exigir. O futebol ofensivo de Sarri tem pontos de contato com a identidade construída pela Atalanta a partir da gestão de Gasperini, mas o treinador terá o grande desafio de encontrar rapidamente soluções para a adaptação tática de suas peças, visando que mantenham a agressividade que marcou a equipe nerazzurra nos últimos anos. O fato é que, assim como na última campanha, quando a Atalanta terminou apenas em sétimo lugar, a escolha do técnico volta a colocar o projeto em risco. Se Juric foi uma aposta questionável diante de seus trabalhos na Roma e no Southampton, Sarri representa uma mudança radical, por jamais ter se valido de uma defesa a três como base em sua longa trajetória e ter, em mãos, um plantel com essas características. Será curioso ver como ele trocará os pneus com o carro andando, vide que os testes de pré-temporada não são suficientes para uma avaliação concreta de seu sucesso na empreitada.

Bologna

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Orsolini, do Bologna (IPA)

Cidade: Bolonha (Emília-Romanha) Estádio: Renato Dall’Ara (36.532 lugares) Fundação: 1909 Apelidos: Rossoblù, Felsinei, Petroniani, Veltri Principais rivais: Fiorentina, Parma e Cesena Participações na Serie A: 80 Títulos: 7 Na última temporada: 8ª posição Objetivo: vaga na Liga Europa Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Domenico Tedesco (1ª temporada) Destaques: Riccardo Orsolini, Lukasz Skourpski e Jonathan Rowe Fique de olho: Luca Lai Principais chegadas: Artem Dovbyk (a, Roma), Roberto Piccoli (a, Fiorentina) e Mikel Amondarain (m, Estudiantes de La Plata) Principais saídas: Santiago Castro (a, Roma), Jhon Lucumí (z, Juventus) e Remo Freuler (m, Olympiacos) Time-base (4-3-3): Skorupski; Zortea (Holm), Vitík (Helland), Heggem, Miranda; Bernardeschi, Moro (Pobega), Ferguson; Orsolini, Dovbyk (Piccoli), Rowe (Cambiaghi).

O Bologna entra na temporada diante do desafio de sustentar o patamar alcançado nos últimos anos, agora sob um comando diferente e com mudanças relevantes no elenco. Depois de biênio com Vincenzo Italiano, responsável pela conquista da Coppa Italia em 2025 e pelo encerramento de um jejum de troféus de primeiro escalão que durou mais de cinco décadas, o time emiliano apostou no ítalo-germânico Domenico Tedesco, que começou sua carreira na Alemanha e jamais havia trabalhado na Itália. Aos 40 anos, o treinador chega com quase uma década de carreira e títulos por Schalke 04, Leipzig e Fenerbahçe, mas também depois de experiências menos convincentes na Bélgica e na Turquia. Sua maior virtude para o novo desafio pode estar justamente na capacidade de adaptação, em contraste com seu antecessor, mais preso às próprias convicções. A tendência é preservar boa parte da estrutura anterior, embora num 4-3-3, no lugar do 4-2-3-1.

A saída de Jhon Lucumí para a Juventus não deve provocar uma ruptura, já que o Bologna tinha alternativas preparadas para a sua venda desde a janela de janeiro, mas o comando de ataque sofreu mudanças mais profundas. Santiago Castro foi negociado com a Roma, enquanto Artem Dovbyk fez o caminho inverso, por empréstimo, com a missão de recuperar o futebol que o levou à artilharia de La Liga pelo Girona e deixar para trás uma passagem irregular pela Cidade Eterna, marcada ainda por problemas físicos no último ano. Roberto Piccoli aparece como alternativa, também em busca de recuperação após uma campanha ruim na Fiorentina, e deve oferecer mais ao elenco do que Thijs Dallinga, emprestado ao Köln. Riccardo Orsolini renovou seu contrato e continua central aos planos, embora na torcida existisse alguma divisão sobre sua permanência e seu nível de motivação, enquanto Jonathan Rowe e Nicolò Cambiaghi podem formar um lado esquerdo particularmente forte. Federico Bernardeschi, utilizado como meia pela direita na pré-temporada, é outra peça capaz de alterar a configuração do ataque, inclusive podendo avançar como alternativa a Orso na ponta.

O Bologna parte como candidato a permanecer na primeira metade da tabela e corre por fora na disputa por uma vaga em torneios continentais, sem que isso possa ser tratado como obrigação – apesar da exigente torcida do clube. A pré-temporada ofereceu indícios de que o time ainda está em processo de adaptação às ideias de Tedesco, especialmente pela nova utilização de Bernardeschi e pela necessidade de encaixar um centroavante de características diferentes das de Castro. O potencial para repetir campanhas positivas existe, mas dependerá sobretudo de Dovbyk reencontrar uma versão próxima daquela exibida no Girona e de o treinador conseguir aproveitar a flexibilidade do elenco sem perder a continuidade que fez os rossoblù se consolidarem no pelotão das equipes mais competitivas da Serie A. Ficar no grupo dos dez primeiros colocados parece um objetivo realista. Mas voltar à Europa exigirá que as apostas feitas pelos felsinei funcionem num nível acima do esperado.

Cagliari

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Deiola, do Cagliari (Arquivo/Cagliari Calcio)

Cidade: Cagliari (Sardenha) Estádio: Unipol Domus (16.416 lugares) Fundação: 1920 Apelidos: Rossoblù, Casteddu, Isolani Principal rival: Torres Participações na Serie A: 46 Títulos: 1 Na última temporada: 14ª posição Objetivo: escapar do rebaixamento Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Fabio Pisacane (2ª temporada) Destaques: Elia Caprile, Yerry Mina e Daniel Maldini Fique de olho: Sebastiano Di Paolo Principais chegadas: Daniel Maldini (mat, Lazio), Kevin Carlos (a, Nice) e Jacopo Fazzini (m, Fiorentina) Principais saídas: Marco Palestra (ld, Chelsea), Michael Folorunsho (m, Napoli) e Gianluca Gaetano (m, Atalanta) Time-base (4-3-2-1): Caprile; Zappa (Zé Pedro), Mina, Rodríguez, Obert; Romano (Deiola), Winks (Prati), Fazzini; Maldini, Adopo; Kevin Carlos (Borrelli).

O Cagliari entra no certame com a mesma aposta em Fabio Pisacane, mas em condições muito menos favoráveis do que aquelas que permitiram ao jovem treinador ratificar o sucesso pela conquista da Coppa Italia da categoria Primavera e conduzir o time à permanência na Serie A em seu ano de estreia como técnico de uma equipe profissional. O trabalho anterior foi marcado pela abertura de espaço para jogadores jovens e por momentos de bom futebol, mas a consolidação do projeto agora terá de enfrentar uma perda significativa de qualidade e experiência. Marco Palestra, eleito o melhor defensor do campeonato na última temporada, deixou o clube após o fim do empréstimo junto à Atalanta e rumou ao Chelsea, enquanto Gianluca Gaetano, Michael Folorunsho, Andrea Belotti, Leonardo Pavoletti, Alberto Dossena, Luca Mazzitelli e Semih Kiliçsoy, que tinham peso no elenco, também não permanecem. A chegada do rodado Harry Winks não parece suficiente para reequilibrar a balança.

Para piorar, Sebastiano Esposito virou um problema: contratado em definitivo junto à Inter, o atacante esperava uma readequação salarial quando o vínculo fosse firmado e entrou em conflito com a diretoria por questões salariais, passando a se recusar a treinar. O caso gerou antipatia da torcida e tornou sua permanência improvável, mas ainda falta achar um comprador. A saída do camisa 94 será particularmente pesada e tão importante quanto a de Palestra, porque ele foi uma das principais referências da campanha de salvação, com sete gols e cinco assistências, e deixa um vazio justamente em um setor no qual o Cagliari não se reforçou de maneira adequada. Kevin Carlos chega do Nice para assumir a referência ofensiva depois de uma temporada em que ficou zerado na Ligue 1 e marcou apenas duas vezes na Liga Europa, tendo o pouco prolífico Gennaro Borrelli como opção. Em apoio aos centroavantes, Daniel Maldini e Jacopo Fazzini aparecem como apostas para recuperar trajetórias que perderam impulso, não como soluções comprovadas para a necessidade de tentos – ainda que exista potencial para isso. Nas últimas horas, o clube sardo ainda viveu um drama envolvendo Yael Trepy, uma das revelações do último certame. O jovem francês se afogou e precisou ser colocado em coma induzido para ser estabilizado.

O Cagliari ainda pode encontrar soluções nas apostas por jovens como Raphael Kofler e Alessandro Romano ou na segurança do goleiro Elia Caprile e do veterano Yerry Mina, mas a margem para erros parece menor do que na temporada passada. A disputa contra o rebaixamento tende a ser muito apertada, e repetir a capacidade de começar bem o campeonato, como em 2025-26, será fundamental para evitar que a pressão sobre Pisacane cresça antes que o novo elenco encontre sua identidade. As contratações têm potencial, mas esses atletas precisam provar que podem assumir responsabilidades maiores dentro de um projeto em que o coletivo deve se sobressair em relação a fatores individuais, até pela escassez de nomes expressivos no plantel. O que dá para antecipar é que os isolani não deverão encontrar vida fácil na Serie A.

Como

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Kaiki Bruno, do Como (Getty)

Cidade: Como (Lombardia) Estádio: Giuseppe Sinigaglia (12.039 lugares) Fundação: 1907 Apelidos: Lariani, Azzurri, Biancoblù, Voltiani Principais rivais: Lecco, Varese, Monza, Atalanta e Brescia Participações na Serie A: 16 Títulos: nenhum (melhor desempenho: 4ª colocação) Na última temporada: 4ª posição Objetivo: vaga na Liga dos Campeões Brasileiros no elenco: Kaiki Bruno e Yan Couto Técnico: Cesc Fàbregas (3ª temporada) Destaques: Nico Paz, Lucas Da Cunha e Martin Baturina Fique de olho: Adrian Lahdo Principais chegadas: Trevoh Chalobah (z, Chelsea), Yan Couto (ld, Borussia Dortmund) e Kaiki Bruno (le, Cruzeiro) Principais saídas: Diego Carlos (z, Fenerbahçe), Sergi Roberto (m, Los Angeles Galaxy) e Mërgim Vojvoda (ld, Udinese) Time-base (4-2-3-1): Butez; Yan Couto, Chalobah, Ramón, Kaiki Bruno; Da Cunha (Caqueret), Perrone (Milla); Rodríguez (Diao), Paz, Baturina; Douvikas.

Já que irá estrear na Champions League, o Como viverá, em 2026-27, a temporada mais importante de sua história. Conquistado antes mesmo do previsto, o salto competitivo dos lariani foi acompanhado por outro mercado agressivo, no qual o time italiano que mais tem investido no último triênio voltou a demonstrar que não pretende tratar a classificação à maior competição de clubes da Europa como um ponto de chegada. A principal operação foi a contratação definitiva de Nico Paz por 60 milhões junto ao Real Madrid, ainda que os espanhóis tenham mantido uma cláusula de recompra. Os investimentos do grupo indonésio que controla a agremiação também permitiram reforçar a defesa e as laterais – os setores com nomes menos badalados da equipe – com Trevoh Chalobah, Yan Couto e Kaiki Bruno, que se juntam ao pilares Jean Butez e Jacobo Rmaón. Contratações também foram feitas para o meio: aportam às margens do lago comasco Luis Milla, segundo principal garçom da última edição de La Liga, e Mattia Liberali, joia revelada pelo Milan que atuava no Catanzaro. Falta ainda um atacante para disputar espaço com Tasos Douvikas, já que Álvaro Morata parece fora do projeto.

A intenção de Cesc Fàbregas permanece clara: preservar uma equipe propositiva, construída para controlar os jogos através da posse de bola. A manutenção da estrutura moldada para isso é exatamente uma das maiores forças do Como. O capitão Lucas Da Cunha segue como referência e distribuidor no meio-campo, ao lado de Nico Paz, Maxence Caqueret e Máximo Perrone, enquanto Martin Baturina, Assane Diao e Jesús Rodríguez oferecem amplitude e poder de fogo a partir das pontas. Os principais desafio do treinador se relacionam com a administração do elenco. O excesso de estrangeiros e de atletas contratados do exterior dificulta a montagem das listas para Serie A e Champions League. No momento, isso obriga o clube a procurar jogadores italianos, ainda que o treinador considere muitos deles caros ou pouco adequados às suas ideias.

A classificação para a Champions League deu ao Como uma injeção de confiança e uma motivação extra para o elenco, que já sabe do que é capaz e teve a confirmação de que o trabalho vem sendo feito corretamente. Essa certeza é uma das armas que os biancoblù terão na campanha de 2026-27. Em que pese essa vantagem, o início da Serie A pode ser um pouco mais complicado pelas três primeiras rodadas fora de casa, por conta das obras de requalificação do Giuseppe Sinigaglia no esforço do clube para tentar sediar partidas da competição europeia em seus próprios domínios. Outro grande desafio será lidar pela primeira vez com três competições ao mesmo tempo, entre Serie A, Coppa Itália e a Liga dos Campeões, o que pode gerar desgaste físico ao longo da temporada. Ainda assim, o Como certamente vai brigar novamente por um lugar no G4 e, dependendo de como conseguir administrar esse calendário, pode até correr por fora na briga pelo título. Não é algo que esteja no horizonte, mas, depois de chegar à elite continental antes do esperado, por que não sonhar um pouco mais?

Fiorentina

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Kean, da Fiorentina (Getty)

Cidade: Florença (Toscana) Estádio: Artemio Franchi (43.325 lugares) Fundação: 1926 Apelidos: Viola, Gigliati Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna Participações na Serie A: 90 Títulos: 2 Na última temporada: 15ª posição Objetivo: vaga na Liga Europa Brasileiros no elenco: Dodô e Viery Técnico: Fabio Grosso (1ª temporada) Destaques: Moise Kean, David de Gea e Albert Gudmundsson Fique de olho: Brando Mazzeo Principais chegadas: Arthur Atta (m, Udinese), Franco Mastantuono (mat, Real Madrid) e Christ Inao Oulaï (m, Trabzonspor) Principais saídas: Roberto Piccoli (a, Bologna), Pietro Comuzzo (z, Torino) e Robin Gosens (le, Schalke 04) Time-base (4-3-2-1): De Gea; Dodô, Dragusin, Pongracic (Viery), Valdepeñas; Fagioli, Oulaï, Mandragora (Ndour); Mastantuono (Gudmundsson), Atta; Kean (Pellegrino).

A Fiorentina chega à temporada do centenário depois de uma campanha inesperadamente pavorosa, na qual passou boa parte da Serie A lutando contra o rebaixamento, e tenta reagir através de uma reformulação profunda. Fabio Paratici está à frente de seu primeiro mercado como diretor esportivo da agremiação e foi extremamente agressivo, liberando espaço no elenco e negociando jogadores que não estavam nos planos para financiar uma ação forte na janela de transferências do verão europeu. A mudança também passa pelo comando, com Fabio Grosso assumindo a barca que Stefano Pioli ia afundar e que Paolo Vanoli salvou. O técnico chega credenciado por um ótimo trabalho no Sassuolo, baseado em futebol propositivo e ideias que parecem combinar com a identidade da Viola. É seu maior desafio como treinador e a oportunidade de consolidar uma carreira que demorou um pouco mais para deslanchar, agora à frente de um plantel que mistura jogadores capazes de entregar desempenho imediato e apostas para o futuro.

A ambição ficou evidente pela chegada de nomes como Arthur Atta, Radu Dragusin, Christ Inao Oulaï e Franco Mastantuono, além de Mateo Pellegrino, um dos melhores centroavantes da Serie A na temporada anterior. Atta, Oulaï e Pellegrino, inclusive, eram disputados por outros clubes e acabaram escolhendo Florença. Já Viery, do Grêmio, e Víctor Valdepenas, do Real Madrid, representam apostas com perspectiva de explosão no futuro e Álex Jiménez e João Mário surgem como valorosas opções para os flancos, combinando certa rodagem e frescor. Ao mesmo tempo, a Fiorentina preservou uma base importante, com nomes como David de Gea, Dodô, Nicolò Fagioli, Rolando Mandragora, Albert Gudmundsson e Moise Kean – o atacante italiano e o lateral brasileiro ainda estão visados no mercado, mas só devem sair em condições que também representem retorno financeiro relevante. Se permanecerem, a Fiorentina segue com um elenco fortíssimo; se saírem, ainda haverá peças de alto nível à disposição dos toscanos e fica a critério dos cartolas a possibilidade de recorrer ao mercado novamente.

Potencial para brigar por competições europeias certamente existe, e até uma disputa por vaga na Champions League, que a Fiorentina não alcança há mais de 15 anos, parece possível se o novo projeto encontrar o encaixe esperado. A equipe reúne ambição, bons jogadores e um treinador cuja proposta combina com aquilo que historicamente se espera da Fiorentina. Além disso, os gigliati terão o centenário como motivação especial para finalmente entregar alegria a uma torcida que tem sofrido demais. O problema é que, mesmo quando a diretoria parece acertar, tudo costuma dar errado em Florença, como se houvesse uma cabeça de bode enterrada no terreno do Artemio Franchi. Mas, se Grosso conseguir fazer esse elenco render e a Viola finalmente tiver um pouco de sorte, por que não pensar até num lugar no maior torneio de clubes do continente?

Frosinone

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Kvernadze, do Frosinone (Ansa)

Cidade: Frosinone (Lácio) Estádio: Benito Stirpe – PSC Arena (16.227 lugares) Fundação: 1912 Apelidos: Canarini, Ciociari, Leoni gialloblù Principal rival: Latina Participações na Serie A: 4 Títulos: nenhum (melhor desempenho: 18ª colocação) Na última temporada: vice-campeão da Serie B; promovido Objetivo: escapar do rebaixamento Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Massimiliano Alvini (2ª temporada) Destaques: Farès Ghedjemis, Romano Schmid e Lorenzo Palmisani Fique de olho: Seydou Fini Principais chegadas: Romano Schmid (mat, Werder Bremen), Florian Grillitsch (v, Braga) e Alessio Zerbin (a, Cremonese) Principais saídas: Riccardo Marchizza (le, Vicenza), Jacopo Gelli (z, Cesena) e Massimo Zilli (a, Cosenza) Time-base (4-2-3-1): Palmisani; A. Oyono, Monterisi, Calvani (Cittadini), Terzic (Bracaglia); Calò (Hasa), Grillitsch (Masini); Ghedjemis, Schmid, Zerbin (Kvernadze); Raimondo.

Como em todas as suas participações anteriores na Serie A, o Frosinone começa a temporada com um único objetivo: permanecer na elite pela primeira vez em sua história. Afinal, foi imediatamente rebaixado nas três ocasiões anteriores. Desta vez, porém, chega em condições mais favoráveis. A aquisição do clube por parte do grupo norte-americano Clara Vista, que também investe no Ipswich, trouxe uma injeção de capital – embora Maurizio Stirpe continue à frente da operação – e permitiu uma atuação ambiciosa no mercado. Os ciociari mantiveram os principais jogadores da campanha do acesso e renovaram vínculo com aqueles que estavam emprestados, como Giorgio Cittadini, Gabriele Calvani, Antonio Raimondo e Seydou Fini. Além disso, acrescentaram nomes de peso, como Romano Schmid e Florian Grillitsch, que atuaram pela Áustria na Copa do Mundo. O primeiro deles, que chegou para vestir a camisa 10, foi um reforço de alto nível, visto que poderia ter despertado interesse de equipes maiores da Itália e da Europa. Massimiliano Alvini também permanece no comando, dando continuidade ao trabalho que levou os gialloblù ao acesso.

A manutenção da base é especialmente importante porque o Frosinone não perdeu nenhum dos principais nomes do time vice-campeão da Serie B – por enquanto, ainda preservou Farès Ghedjemis, artilheiro da campanha, que só será negociado mediante uma boa proposta. O elenco ganhou experiência e alternativas com Patrizio Masini, Alessio Zerbin, Kevin Akpoguma e Aleksa Terzic, além de ainda contar com remanescentes da última participação na Serie A, como Ilario Monterisi, Giorgi Kvernadze, Francesco Gelli e Anthony Oyono. Entre as peças que chamam atenção, destaque ainda para Luis Hasa e Lorenzo Palmisani, goleiro que integra a seleção italiana sub-21 e chegou a ser chamado para a principal durante o período em que Silvio Baldini, técnico dos azzurrini, foi interino da Nazionale.

Sob a premissa de futebol ofensivo mas equilibrado de Alvini, o Frosinone será um franco-atirador e a permanência está longe de representar uma aposta segura. Porém, a distância para os clubes que já estavam na Serie A parece menor do que em outras campanhas. O histórico de três rebaixamentos imediatos funciona ao mesmo tempo como motivação e como um grande obstáculo, porque evidencia o tamanho da tarefa. Ainda assim, a manutenção da base, o investimento recebido e um mercado bem executado permitem imaginar que os canários tenham capacidade para lutar até o fim – tal qual em 2023-24, quando foram rebaixados por uma combinação de resultados que se concretizou somente nos acréscimos da rodada final. Será uma luta de foice no escuro, mas desta vez o feito inédito da permanência aparece como um objetivo mais factível.

Genoa

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Colombo, do Genoa (Getty)

Cidade: Gênova (Ligúria) Estádio: Luigi Ferraris (33.205 lugares) Fundação: 1893 Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo Principal rival: Sampdoria Participações na Serie A: 59 Títulos: 9 Na última temporada: 16ª posição Objetivo: meio da tabela Brasileiros no elenco: Junior Messias e Alexsandro Amorim Técnico: Daniele De Rossi (2ª temporada) Destaques: Johan Vásquez , Morten Frendrup e Lorenzo Colombo Fique de olho: Samuel Wiafe Principais chegadas: Djibril Sow (m, Sevilla), Hamed Traorè (m, Marseille) e Mario Mitaj (le, Al-Ittihad) Principais saídas: Ruslan Malinovskyi (mat, Trabzonspor), Jeff Ekhator (a, Juventus) e Patrizio Masini (m, Frosinone) Time-base (3-4-1-2): Bijlow; Marcandalli, Østigard, Vásquez; Norton-Cuffy, Frendrup, Sow, Ellertsson (Martín); Baldanzi; Vitinha, Colombo.

O Genoa encontrou identidade sólida com Daniele De Rossi na última temporada e, apesar da 16ª posição, conseguiu se salvar com alguma antecedência e sem correr grandes riscos na luta contra o rebaixamento. A missão agora tende a ser um pouco mais complicada, principalmente porque o time perdeu experiência, gols e qualidade com a saída de Ruslan Malinovskyi, além de negociar o garoto Jeff Ekhator, que vinha evoluindo. As saídas relevantes foram poucas e as reposições não alteraram significativamente o patamar do elenco. Djibril Sow, vindo do Sevilla, e Hamed Traoré, de volta ao futebol italiano, são reforços interessantes para o nível dos grifoni. A diretoria também apostou em jovens, como Samuel Wiafe e David Puczka, mas nada disso deve fazer os rossoblù irem além da briga por um lugar de tranquilidade no meio da tabela.

Saber se defender continua sendo o ponto forte do time, com Johan Vásquez e Leo Østigard como pilares e Justin Bijlow como uma opção segura no gol, enquanto Morten Frendrup mantém o equilíbrio do meio-campo. O problema está mais à frente. O Genoa deve continuar concentrando boa parte do jogo pelas alas, com Mikael Ellertsson, Aarón Martín e Brooke Norton-Cuffy, mas falta peso pelo centro. Reemprestado pela Roma, o franzino Tommaso Baldanzi tem técnica e já mostrou qualidade no Empoli e nas seleções de base, porém ainda não conseguiu apresentar regularidade suficiente para receber sozinho a responsabilidade pela criação. Junior Messias poderia ajudar, mas suas questões físicas dificultam uma presença constante. No ataque, Lorenzo Colombo fez uma boa Serie A em 2025-26, mas nunca chegou a 10 gols em uma temporada na carreira, e depositar nele a responsabilidade ofensiva da equipe é uma aposta arriscada.

O Genoa tem elenco para não sofrer, mas a falta de gols pode transformar uma temporada aparentemente controlável em uma luta mais apertada do que o esperado. Os times que chegaram da Serie B reduziram a distância para quem já estava na elite, o que deve tornar a disputa contra o descenso bastante intensa, e uma sequência sem vitórias pode colocar o Grifone no meio dela. Por isso, seria importante buscar até o fim da janela pelo menos um atacante e um meia mais criativo, capazes de acrescentar justamente aquilo que hoje parece faltar aos rossoblù. Se conseguir aumentar sua produção ofensiva sem perder a segurança defensiva construída com De Rossi, a equipe da Ligúria tende a obter uma permanência tranquila. Caso contrário, será preciso abrir o olho.

Inter

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Dimarco, da Inter (Getty)

Cidade: Milão (Lombardia) Estádio: Giuseppe Meazza (75.817 lugares) Fundação: 1908 Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione, Bauscia Principais rivais: Juventus e Milan Participações na Serie A: 95 Títulos: 21 Na última temporada: campeã Objetivo: título Brasileiros no elenco: Carlos Augusto e Luis Henrique Técnico: Cristian Chivu (2ª temporada) Destaques: Lautaro Martínez, Federico Dimarco e Hakan Çalhanoglu Fique de olho: Leonardo Bovio Principais chegadas: Djed Spence (ld, Tottenham), John Stones (z, Manchester City) e Curtis Jones (m, Liverpool) Principais saídas: Denzel Dumfries (ld, Real Madrid), Yann Sommer (g, Club Brugge) e Francesco Acerbi (z, sem clube) Time-base (3-5-2): Martínez; Akanji, Stones (Bisseck), Bastoni; Spence, Barella, Çalhanoglu, Zielinski, Dimarco; Lautaro, Thuram.

Todo ano tem sido a mesma coisa: paira uma sensação de desconfiança em torno da Inter, mas a realidade volta a contrariar o pessimismo, com o aporte pontual de novos atletas a um plantel já estrelado. O elenco segue forte e, depois da dobradinha nacional na última temporada, a equipe novamente larga na frente das principais rivais. O mercado começou com a esperada perda de Denzel Dumfries, que tinha uma cláusula de saída baixa – inserida para que o jogador renovasse seu contrato, em 2024 – e pela frustração com Marco Palestra, Anan Khalaili e Cristian Romero, mas a diretoria conseguiu reorganizar o planejamento sem comprometer o nível do grupo. Djed Spence chegou para ocupar o espaço do holandês, John Stones foi contratado sem custos para reforçar a defesa e Benjamin Pavard retornou a Milão com outra postura. No gol, a efetivação de Josep Martínez como titular sucede a saída de Yann Sommer e Ivan Provedel, adquirido junto à Lazio, aparece como sombra de alto nível. Transações pontuais, mas não as únicas.

Com essas movimentaçòes, a defesa continua sendo a mais forte da Serie A, com Manuel Akanji, Alessandro Bastoni e um Yann Aurel Bisseck em crescimento, além da alternativa de Stones e do próprio Pavard. Se Spence chegou para substituir Dumfries, Cristian Chivu ainda pode comemorar a evolução de Andy Diouf como ala pela direita na pré-temporada, o que lhe oferece uma alternativa interessante – e pode fazer o francês deixar para trás as dificuldades de 2025-26. Já Federico Dimarco, MVP do último campeonato, permanece absoluto pela esquerda. No meio-campo, a saída de Davide Frattesi abriu espaço para a chegada de Curtis Jones, mas a equipe já contava com Nicolò Barella, Hakan Çalhanoglu e Piotr Zielinski, além a experiência de Henrikh Mkhitaryan. Jovens como Petar Sucic e Aleksandar Stankovic, que retornou do Club Brugge, surgem como nomes para rodar o elenco sem queda de nível. O ataque mantém o capitão Lautaro Martínez e sua sintonia com Marcus Thuram, com Francesco Pio Esposito podendo ganhar ainda mais espaço e Ange-Yoan Bonny um pouco mais atrás na hierarquia.

A superioridade da Inter é evidente, mas em outros anos ela também partiu na frente e não conseguiu canalizar essa força para chegar ao scudetto. Desde a virada da década, a equipe sempre esteve entre as três primeiras colocadas e se firmou como a mais forte do cenário local, ganhando cancha com troféus em todas as competições nacionais de primeiro escalão e dois vices da Champions League. Porém, nunca conseguiu o bicampeonato consecutivo da Serie A – torneio que venceu em 2021, 2024 e 2026. Na última campanha, Chivu fez história ao ser o primeiro estreante a conquistar a dobradinha local pelos nerazzurri e pode aumentar seu prestígio na parte azul e preta de Milão se encerrar o jejum de títulos seguidos do certame que persiste desde 2010, ano em que a gigante foi pentacampeã. Assim, a consolidação do domínio na Itália será o principal objetivo da Beneamata em 2026-27, ainda que uma participação relevante na Liga dos Campeões também esteja no horizonte.

Juventus

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Yildiz, da Juventus (Getty)

Cidade: Turim (Piemonte) Estádio: Allianz Stadium (41.689 lugares) Fundação: 1897 Apelidos: Bianconeri, Zebras e Velha Senhora Principais rivais: Inter, Torino e Milan Participações na Serie A: 94 Títulos: 36 Na última temporada: 6ª posição Objetivo: vaga na Liga dos Campeões Brasileiros no elenco: Bremer, Douglas Luiz e Arthur Melo Técnico: Luciano Spalletti (2ª temporada) Destaques: Kenan Yildiz, Bremer e Manuel Locatelli Fique de olho: Adin Licina Principais chegadas: Randal Kolo Muani (a, Tottenham), Kerim Alajbegovic (mat, Bayer Leverkusen) e Guglielmo Vicario (g, Tottenham) Principais saídas: Dusan Vlahovic (a, Besiktas), Loïs Openda (a, Lyon) e Filip Kostic (m, PSV Eindhoven) Time-base (4-2-3-1): Vicario; Kalulu (Çelik), Bremer, Lucumí (Kelly), Cambiaso; Locatelli, McKennie (Thuram); Conceição, Alajbegovic, Yildiz; Kolo Muani.

A Juventus terminou a última temporada frustrada depois de deixar escapar a vaga na Champions League nas duas últimas rodadas, mas parte novamente com condições de brigar pelo retorno ao principal torneio continental. Luciano Spalletti continua no comando e carrega uma pressão incomum em sua carreira: desde que conseguiu pela primeira vez classificar uma equipe para a Liga dos Campeões, com a Udinese em 2005, só uma vez havia terminado uma campanha sem alcançar esse objetivo, em 2009. A mancha no currículo voltou a aparecer em 2026 e a repetição do fracasso seria difícil de imaginar para um treinador acostumado a esse desfecho. A Europa League será uma frente adicional, mas não deve ser tratada como distração, pois também representa uma oportunidade de título internacional, algo que os bianconeri não conquistam desde 1996, e é um caminho alternativo para o grande palco europeu.

Spalletti e a diretoria nem sempre parecem comungar dos mesmos planos e, também por conta dessas divergências, o mercado demorou um pouco para ter suas primeiras movimentações. Entretanto, acabou produzindo reforços importantes. Guglielmo Vicario chegou para tentar resolver o problema na meta bianconera, enquanto Randal Kolo Muani foi repatriado depois de bons seis meses em Turim, em 2025, e surge como uma aposta mais segura para a camisa 9 do que as feitas na derradeira temporada. Na defesa, Jhon Lucumí deve formar a dupla titular com Bremer, e Zeki Çelik acrescenta versatilidade para o flanco direito, onde deve revezar com Pierre Kalulu. A saída de Dusan Vlahovic, que não renovou e foi para o Besiktas, é a principal baixa de um elenco que ainda precisa ser enxugado, ainda que o sérvio tivesse íntima relação com as lesões em sua passagem por Turim.

A Velha Senhora tem bastante qualidade da intermediária para frente, sobretudo pelas possibilidades oferecidas por Kenan Yildiz, a grande estrela do projeto, além do recém-chegado Kerim Alajbegovic, de Francisco Conceição, Jérémie Boga e Eden Zhegrova, que pode funcionar quase como um reforço caso consiga finalmente ter continuidade e se livrar da pubalgia. No meio-campo, Manuel Locatelli, Weston McKennie e Khéphren Thuram dão alternativas de características diferentes. O problema é que a equipe ainda precisa encontrar um encaixe para tantas peças e resolver algumas situações de mercado, com Jonathan David entre os jogadores que podem sair, unindo-se ao já defenestrado Loïs Openda e ao encaminhado Michele Di Gregorio. Essas indefinições tornam o início da temporada mais delicado, sobretudo porque muitos concorrentes parecem mais coesos no momento. Mas, para a Juventus, mais importante do que começar bem será encontrar as soluções certas a tempo de terminar o ano satisfeita.

Lazio

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Zaccagni, da Lazio (Getty)

Cidade: Roma (Lácio) Estádio: Olímpico (70.634 lugares) Fundação: 1900 Apelidos: Capitolinos, Biancocelesti, Biancazzurri, Aquile, Aquilotti Principal rival: Roma Participações na Serie A: 84 Títulos: 2 Na última temporada: 9ª posição Objetivo: vaga na Liga Europa Brasileiros no elenco: Filipe Bordon e Ricardo Bordon Técnico: Gennaro Gattuso (1ª temporada) Destaques: Mattia Zaccagni, Kenneth Taylor e Gustav Isaksen Fique de olho: Filipe Bordon Principais chegadas: Davide Frattesi (m, Inter), Alfonso Pedraza (le, Villarreal) e Danilho Doekhi (z, Union Berlim) Principais saídas: Mario Gila (z, Milan), Ivan Provedel (g, Inter) e Pedro (a, sem clube) Time-base (4-2-3-1): Mandas (Motta); Marusic (Lazzari), Doekhi, Provstgaard (Romagnoli), Nuno Tavares (Pedraza); Rovella (Cataldi), Taylor; Isaksen, Frattesi, Zaccagni; Ratkov (Dia, Cancellieri).

Fora de competições europeias por duas temporadas consecutivas, a Lazio vive o pior momento da gestão de Claudio Lotito, iniciada em 2004, e não dá sinais claros de que a situação vá mudar rapidamente. A escolha de Gennaro Gattuso para o comando pouco empolga: o treinador chega depois de não conseguir levar a Itália à Copa do Mundo e sem trabalhos que façam a escolha parecer acertada ou que gerem qualquer empolgação na torcida. Fora de campo, a situação também é complicada, com as organizadas celestes em greve e mantendo os protestos contra o presidente, enquanto restrições fiscais e falta de liquidez limitam a capacidade de investimento do clube. O mercado, por isso, foi feito sobretudo com jogadores livres, como Alfonso Pedraza e Danilho Doekh, além de retornos de empréstimo, como o de Christos Mandas. A exceção foi Davide Frattesi, contratado junto à Inter para tentar recuperar na Lazio, equipe em que desenvolveu parte de sua formação como juvenil, o prestígio perdido em Milão.

O problema é que a Lazio também perdeu referências importantes sem encontrar substitutos à altura. Solucionador de problemas, o veterano Pedro deixou o clube, enquanto Mario Gila e Ivan Provedel também não permanecerão; o goleiro, embora tivesse perdido a titularidade depois de uma lesão, ainda agregava muita experiência nos bastidores. Alessio Romagnoli pode ser outra baixa, e faltando pouco para começar o campeonato existem dúvidas sobre jogadores que, em tese, deveriam assumir responsabilidades maiores. Nuno Tavares sofreu com lesões em 2025-26 e pode perder espaço para Pedraza, Nicolò Rovella também teve uma temporada marcada por problemas físicos e Mattia Zaccagni ficou muito abaixo do padrão esperado. No ataque, falta um centroavante capaz de garantir gols, já que Petar Ratkov não encaixou e deve começar como titular, à frente de um Boulaye Dia em decadência e de Matteo Cancellieri, que está longe de ser goleador. Kenneth Taylor e Gustav Isaksen aparecem entre os poucos jogadores que realmente vêm de desempenho positivo, o que ajuda a dimensionar a falta de referências.

A Lazio ainda coloca o retorno às competições europeias como um objetivo, mas a perspectiva é muito pior. E a eliminação precoce na Coppa Italia, para o Mantova, da segundona, já na estreia dos aquilotti no torneio, deixou isso mais do que evidente – e colocou a batata de Gattuso no forno. Hoje, a equipe capitolina está muito mais preocupada em olhar para baixo do que para cima. Para evitar um terceiro ano consecutivo fora dos torneios continentais, Gattuso terá de surpreender e tirar mais do elenco do que ele vem mostrando ser capaz de oferecer. Será um ano complicadíssimo para os romanos, e a tendência é vermos um time mais preocupado em não cair e ficar no meio da tabela do que pensar em desfilar pelos grandes palcos da Europa em 2027-28.

Lecce

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Gallo e Tiago Gabriel, do Lecce (Arquivo/Palermo FC)

Cidade: Lecce (Apúlia) Estádio: Via del Mare – Ettore Giardiniero (31.461 lugares) Fundação: 1908 Apelidos: Giallorossi, Salentini, Lupi Principal rival: Bari Participações na Serie A: 21 Títulos: nenhum (melhor desempenho: 9ª colocação) Na última temporada: 17ª posição Objetivo: escapar do rebaixamento Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Eusebio Di Francesco (2ª temporada) Destaques: Wladimiro Falcone, Tiago Gabriel e Kialonda Gaspar Fique de olho: Hjate Laerke Principais chegadas: Willem Geubbels (a, Paris FC), Mohamed Kaba (v, Nantes) e Youssef Maleh (m, Cremonese) Principais saídas: Francesco Camarda (a, Milan), Ylber Ramadani (v, Çorum) e Walid Cheddira (a, Napoli) Time-base (4-3-3): Falcone; Danilo Veiga, Tiago Gabriel, Gaspar, Gallo; Coulibaly, Ngom, Berisha (Gandelman); N’Dri (Pierotti), Stulic, Geubbels.

Depois de encerrar seu vínculo com Pantaleo Corvino, diretor esportivo que durante anos foi responsável por uma política de mercado criativa e baseada em jovens com potencial de valorização, o Lecce começa 2026-27 em apuros. A saída do cartola, ainda que já conhecida meses antes, parece ter deixado o clube sem um plano alternativo: faltando pouco para o encerramento da janela, a movimentação foi mínima, com Marco Bleve voltando à Apúlia para ser goleiro reserva e Willem Geubbels como única contratação realmente planejada para ter um papel no time. Mohamed Kaba e Youssef Maleh retornaram de empréstimo, mas sequer têm permanência assegurada. A equipe ainda perdeu nomes como Walid Cheddira, Riccardo Sottil e Francesco Camarda, além do capitão Ylber Ramadani, e não deve mais ter Lameck Banda, que força uma transferência para o futebol líbio. Eusebio Di Francesco segue no comando depois de ter interrompido uma sequência de rebaixamentos consecutivos em sua carreira, mas o prognóstico para este ano não é nada bom.

O principal problema está no ataque, setor que há anos produz pouco e que novamente chega sem soluções convincentes, mas num nível ainda mais preocupante. O Lecce, que vem apresentando números ofensivos muito tímidos desde que retornou à elite, em 2022-23, teve o terceiro pior ataque da última Serie A e seguirá com o bastante contestado Nikola Stulic no comando do ataque, tendo como sombra o francês Geubbels – outro que não tem perfil de goleador, ainda que tenda a atuar mais aberto, no lugar que já foi de Banda. A perda de peças no setor agrava uma deficiência que o inexpressivo mercado não conseguiu corrigir. A defesa, em contrapartida, oferece alguma esperança, sobretudo pela presença de Wladimiro Falcone, um dos goleiros mais seguros da categoria e principal referência individual do grupo, além dos zagueiros Tiago Gabriel e Kialonda Gaspar. Será a partir dessa solidez que os salentinos tentarão compensar suas limitações.

No momento, o clube apuliano aposta na capacidade de alguns jogadores recrutados na era Corvino desabrocharem, algo que já fazia parte da lógica do antigo diretor, e que outros que já se consolidaram ganhem ainda mais protagonismo. O problema é que confiar nesse processo de maturação parece insuficiente para um time que começa a campanha com tantas lacunas e poucas soluções imediatas – ademais, pressionado pelos reforços feitos por seus oponentes. Di Francesco terá de extrair o máximo de um grupo limitado e, principalmente, fazer a defesa sustentar partidas em que o ataque dificilmente oferecerá muitas alegrias aos giallorossi. O Lecce pode até encontrar respostas ao longo da campanha, mas, no papel, tem o plantel mais modesto do campeonato e, portanto, é um dos candidatos mais fortes ao rebaixamento. A equipe do salto da Bota terá de contrariar muitas previsões para escapar do descenso novamente.

Milan

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Modric, do Milan (Getty)

Cidade: Milão (Lombardia) Estádio: Giuseppe Meazza (75.817 lugares) Fundação: 1899 Apelidos: Rossoneri, Diavolo, Casciavìt Principais rivais: Inter e Juventus Participações na Serie A: 93 Títulos: 19 Na última temporada: 5ª posição Objetivo: vaga na Liga dos Campeões Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Rúben Amorim (1ª temporada) Destaques: Luka Modric, Mike Maignan e Adrien Rabiot Fique de olho: Christian Comotto Principais chegadas: Gonçalo Ramos (a, Paris Saint-Germain), Mario Gila (z, Lazio) e Diego Moreira (m, Strasbourg) Principais saídas: Niclas Füllkrug (a, Werder Bremen), Zachary Athekame (ld, Lyon) e David Odogu (z, Toulouse) Time-base (3-4-2-1): Maignan; Gila, Gabbia, Pavlovic; Saelemaekers, Modric, Rabiot, Moreira (Bartesaghi); Pulisic, Rafael Leão; Ramos.

O Milan inicia mais uma temporada influenciado por uma sequência de decisões difícil de compreender. Após a demissão de Igli Tare, que teve apenas um ano como diretor esportivo, a gestão de Gerry Cardinale demorou para dar o próximo passo,. optou por não preencher a função e deixou a condução do mercado principalmente nas mãos do poderoso agente português Jorge Mendes, que já tinha relação mais próxima com a diretoria por representar Sérgio Conceição, comandante rossonero em 2025. O empresário passou a participar diretamente de negociações importantes, como as de Gonçalo Ramos e Diego Moreira, seus representados. O cenário de indefinição contribuiu para uma janela confusa e também retardou a escolha do substituto de Massimiliano Allegri, que acabou sendo Rúben Amorim, anunciado depois de sondagens de outros nomes. O técnico lusitano, por sua vez, quis observar praticamente todo o elenco durante a pré-temporada antes de decidir quem permaneceria em seus planos, prolongando ainda mais a conusão. O resultado é um time que mudou pouco em relação ao grupo que fracassou na última campanha e que chega sem transmitir a segurança necessária para pensar em título. O retorno à Champions League aparece como objetivo mais realista, mas nem mesmo essa missão parece simples, já que seus adversários estão mais organizados.

O elenco ainda tem qualidade para uma campanha competitiva, sobretudo pela permanência de Mike Maignan, Strahinja Pavlovic, Matteo Gabbia, Adrien Rabiot, Christian Pulisic e, principalmente, Luka Modric, que renovou seu contrato e segue como referência técnica e de liderança. A questão é que essa base não foi acompanhada por uma reformulação capaz de corrigir as deficiências expostas anteriormente. Mesmo com pouco tempo de casa, Christopher Nkunku e Pervis Estupiñán – este, agenciado por Mendes – já devem sair por não estarem nos planos de Amorim, enquanto Fikayo Tomori e Samuele Ricci também são candidatos deixar o clube. Rafael Leão permanece cercado por dúvidas sobre sua continuidade, e uma eventual negociação seria importante para financiar novas movimentações. Além, claro, de fazer com que um jogador desmotivado e que parece já ter atingido o teto abra espaço para novas apostas.

A propósito, o maior desafio de Amorim será mudar um ambiente que exala desmotivação e pouca responsabilização no Milan. O clube dá sinais de confusão e de falta de preparo para competir, e o comportamento errático da diretoria não incentiva os jogadores a sentirem que precisam entregar mais. A queda brusca no fim da última campanha pode ser interpretado como um bom exemplo disso: mesmo tendo permanecido no G4 em 34 das 38 rodadas, o Milan jogou no lixo a vaga na Champions League na reta final da Serie A. Hoje, o grupo rossonero parece ter perdido parte da confiança no projeto da RedBird e o novo treinador será responsável por tentar mudar essa dinâmica, contando com a ajuda de veteranos como Modric e de outras peças mais cascudas. É difícil, porém, ter êxito nessa missão, já que o mau exemplo vem de cima. Diante disso tudo, o Diavolo corre o risco de prolongar seu período de entressafra por mais um ano.

Monza

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Varela e Cutrone, do Monza (Getty)

Cidade: Monza (Lombardia) Estádio: Brianteo (17.102 lugares) Fundação: 1912 Apelidos: Brianzoli, Biancorossi, Bagai Principal rival: Como Participações na Serie A: 4 Títulos: nenhum (melhor desempenho: 11ª colocação) Na última temporada: 3ª posição na Serie B; promovido após playoffs Objetivo: escapar do rebaixamento Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Ivan Juric (1ª temporada) Destaques: Matteo Pessina, Dany Mota e Andrea Colpani Fique de olho: Adam Bakoune Principais chegadas: Ebenezer Akinsanmiro (m, Pisa), Gustavo Varela (a, Gil Vicente) e Ricardo Mangas (le, Sporting) Principais saídas: Pedro Obiang (m, encerrou carreira), Hernani (m, Palermo) e Paulo Azzi (le, Modena) Time-base (3-4-2-1): Thiam; Birindelli, Lucchesi, Carboni; Bakoune (Ciurria), Akinsamiro, Pessina, Mangas; Colpani, Mota; Cutrone (Varela).

O Monza foi rebaixado para a Serie B em 2025 de maneira inesperada, considerando a qualidade do elenco, mas conseguiu retornar imediatamente à elite justamente por preservar boa parte daquele grupo durante a campanha de acesso. Isso aumenta a expectativa em torno dos biancorossi, que não precisam partir tão abaixo de adversários que permaneceram na divisão – ainda que o mercado tenha sido discreto. Já desvinculado da família Berlusconi e sob administração norte-americana desde meados de 2025-26, o clube buscou sobretudo jovens, como Eddy Kouadio na Fiorentina e Ebenezer Akinsanmiro, emprestado pela Inter após passagem pelo Pisa, além de olhar com atenção para o mercado português. As perdas dos brasileiros Hernani e Paulo Azzi, importantes no acesso, não desmontaram o grupo, que ainda conta com nomes experientes como Patrick Cutrone, Dany Mota, Andrea Colpani e o capitão Matteo Pessina. A missão será aproveitar essa continuidade para evitar um novo descenso imediato.

A grande incógnita reside no comando de Ivan Juric, contratado depois de trabalhos ruins por Roma, Southampton e Atalanta. Demitido pelas equipes italianas e rebaixado com o Southampton, o croata chegou ao Monza depois de uma sequência que colocou em dúvida sua capacidade como treinador. Mas a escolha não é completamente desprovida de lógica. O ex-volante já mostrou, sobretudo por Verona e Torino, que consegue fazer times de meio para baixo da tabela renderem acima do que se poderia esperar, e é justamente essa versão do seu trabalho que o Monza espera reencontrar. O desafio será separar esse histórico positivo das experiências recentes, especialmente depois de ter amargado uma queda com sete rodadas de antecedência na Premier League, à frente exatamente de um time que deveria fazer aflorar seu know-how. Como qualquer agremiação que briga pela permanência não pode se dar ao luxo de errar na escolha do comando, a aposta carrega risco considerável.

O time biancorosso terá como trunfo a experiência de jogadores que já conhecem a Serie A e poderão dar sustentação a uma formação que não deverá depender de grandes mudanças para competir. Falta, contudo, um goleador: não há no elenco um atacante capaz de garantir uma produção ofensiva elevada, e Juric também não costuma construir equipes a partir de um futebol especialmente voltado para a busca de gols. A tendência, portanto, é que o Monza atue de maneira mais equilibrada e contida, se preocupando antes de tudo em não sofrer e em manter os jogos sob controle. Para um candidato à permanência, essa pode ser uma fórmula razoável, mas exigirá eficiência quando surgirem as poucas oportunidades de decidir partidas. É nesse equilíbrio entre a experiência disponível e a limitação ofensiva que os bagai terão de encontrar o caminho para permanecer na elite.

Napoli

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Højlund, do Napoli (Arquivo/SSC Napoli)

Cidade: Nápoles (Campânia) Estádio: Diego Armando Maradona (54.726 lugares) Fundação: 1926 Apelidos: Azzurri, Partenopei Principais rivais: Juventus, Verona, Inter e Milan Participações na Serie A: 81 Títulos: 4 Na última temporada: vice-campeão Objetivo: título Brasileiros no elenco: David Neres, Giovane e Alisson Santos Técnico: Massimiliano Allegri (1ª temporada) Destaques: Scott McTominay, Kevin De Bruyne e Rasmus Højlund Fique de olho: Christian Garofalo Principais chegadas: Benoît Badiashile (z, Chelsea), Costantino Favasuli (ld, Catanzaro) e Luca Marianucci (z, Torino) Principais saídas: Romelu Lukaku (a, Fenerbahçe), Miguel Gutiérrez (le, Bayer Leverkusen) e Juan Jesus (z, sem clube) Time-base (4-3-3): Meret (Milinkovic-Savic); Di Lorenzo, Rrahmani (Beukema), Badiashile (Buongiorno), Spinazzola; Anguissa, Lobotka, McTominay; De Bruyne (Politano, David Neres), Højlund, Alisson Santos.

O Napoli inicia a temporada do seu centenário como uma incógnita, apesar de ter sido campeão há dois anos e vice na última Serie A. Antonio Conte deixou o comando e Massimiliano Allegri assumiu um time que pouco mudou, mas que terá de se adaptar a suas ideias de jogo. O treinador retornou ao clube em que militou como atleta no fim da década de 1990 após uma passagem ruim pela Juventus e um trabalho pouco convincente no Milan, encerrado com a perda da vaga na Champions League, e deverá manter o pragmatismo que vem sendo sua grande assinatura. O famoso “allegrismo”, baseado na ideia de ganhar por um nariz, como nas corridas de cavalos, será novamente sua marca – e num clube cuja torcida está acostumada ao futebol vistoso e à história de Diego Maradona, isso pode não cair tão bem. Muitos torcedores azzurri já reclamavam do estilo do antecessor mesmo quando ele entregava resultados.

De cara, este já parece ser o maior desafio de Allegri: fazer seu pragmatismo conviver com uma torcida que valoriza um futebol mais vistoso. O treinador precisará encontrar um ponto de equilíbrio entre aquilo que acredita ser necessário para vencer e o que o torcedor espera ver em uma temporada tão simbólica quanto a do centenário. A experiência do técnico e a memória recente de um elenco campeão podem ajudar a aplacar alguns conflitos, mas também carregam o potencial de ser justamente a faísca que inicia um incêndio. Afinal, um profissional vitorioso com um plantel recheado de atletas que faturaram títulos há pouco tempo deveria ser a combinação necessária para o sucesso. Mas e se o destino não for esse? A nova gestão ainda precisará conquistar a confiança do povo de Nápoles, o que não é fácil. Com três competições pela frente e um grupo que ainda passa por ajustes, o time terá de mostrar que será capaz de disputar o scudetto até o fim, ainda que a Inter pareça em vantagem neste momento.

Até porque, vamos combinar, o mercado do Napoli demorou a ser destravado. A dificuldade para liberar jogadores e reduzir a folha salarial limitou os investimentos, que seguem em compasso de espera enquanto o elenco ainda precisa ser enxugado. Miguel Gutiérrez e Romelu Lukaku estão entre as saídas, enquanto Benoît Badiashile e Costantino Favasuli chegaram apenas na reta final da janela. No campo, Allegri testou diferentes sistemas durante a pré-temporada, alternando entre linhas de quatro e de três defensores, e ainda perdeu Sam Beukema e Alessandro Buongiorno por lesão. Há também indefinições envolvendo Kevin De Bruyne e André-Frank Zambo Anguissa, que podem deixar o clube caso apareçam ofertas vantajosas. No fim das contas, Amir Rrahmani e Giovanni Di Lorenzo sustentarão uma defesa que ainda busca sua melhor configuração, enquanto Scott McTominay e Rasmus Højlund aparecem como referências do meio para frente. Não é um cenário condizente com um favorito ao título, mas a base que permaneceu e a qualidade individual ainda devem ser suficientes para colocar os partenopei novamente na briga por uma vaga na Champions League.

Parma

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Bernabé, do Parma (Getty)

Cidade: Parma (Emília-Romanha) Estádio: Ennio Tardini (22.352 lugares) Fundação: 1913 Apelidos: Gialloblù, Crociati e Ducali Principais rivais: Bologna e Reggiana Participações na Serie A: 30 Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 2ª colocação) Na última temporada: 13ª posição Objetivo: escapar do rebaixamento Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Carlos Cuesta (2ª temporada) Destaques: Enrico Delprato, Adrián Bernabé e Mandela Keita Fique de olho: Simone Lontani Principais chegadas: David Romero (a, Tigre), El Bilal Touré (a, Besiktas) e Giovanni Daffara (g, Avellino) Principais saídas: Zion Suzuki (g, Aston Villa), Mateo Pellegrino (a, Fiorentina) e Alessandro Circati (z, Benfica) Time-base (3-5-2): Daffara (Corvi); Delprato, Valenti, Troilo; Britschgi, Keita (Sørensen), Nicolussi Caviglia, Bernabé, Valeri; Romero, Touré.

O Parma se notabilizou na última temporada por ter o time mais jovem da Serie A e, justamente por isso, surpreendeu pela solidez defensiva que lhe permitiu escapar do rebaixamento sem depender de um futebol particularmente vistoso. A juventude costuma trazer oscilações, erros de posicionamento e menos preocupações na retaguarda, mas os crociati inverteram essa lógica e devem mantê-la em 2026-27. Sob as ordens de Carlos Cuesta, o segundo técnico mais novo da história do Campeonato Italiano, o projeto permanece baseado na formação e valorização de atletas, mas agora com novos obstáculos, por conta das perdas de algumas referências importantes. Mateo Pellegrino, seu principal atacante, foi embora, assim como Zion Suzuki, pilar da equipe no gol, além de Alessandro Circati, Gabriel Strefezza e Nahuel Estévez. A resposta veio novamente com apostas, como Simone Lontani, que deixou a base do Milan e já estreou com dois gols na Coppa Italia, e Giovanni Daffara, goleiro da seleção italiana sub-21 contratado para disputar a posição com Edoardo Corvi. Dentre os contratados, o mais velho é El Bilal Touré, que ainda completará 25 anos.

As referências que deixaram o grupo, evidentemente, são motivos de preocupação para Cuesta. Afinal, Pellegrino garantia uma produção ofensiva que não parece simples de repor, e David Romero e Touré terão de assumir imediatamente essa responsabilidade em um time que já não se destacava por marcar muitos gols. Na defesa, a saída de Circati também abriu uma lacuna, embora o capitão Enrico Delprato e Mariano Troilo formem uma base confiável – nesse sentido, talvez os garotos Ludovico Varali e Djibril Diallo, campeões europeus com a seleção sub-17 da Itália, ganhem espaço. Sascha Britschgi e Emanuele Valeri oferecem alternativas pelos lados, com o recém-chegado Ousmane Diallo, da sub-19 espanhola, podendo ser ainda mais agudo nos flancos. No meio, a presença de Adrian Bernabé, Mandela Keita e Hans Nicolussi Caviglia mantém um setor capaz de dar equilíbrio e circulação à equipe, enquanto o criativo Benjamin Cremaschi, adquirido em 2025, pode vir a ser mais utilizado.

A luta pela permanência tende a ser novamente o destino do Parma, e o principal desafio será preservar a consistência defensiva enquanto encontra uma maneira de produzir mais na frente. Os gols precisam aparecer e essa será a senha para que a equipe gialloblù não sofra mais do que o necessário em uma briga contra o rebaixamento que promete ser apertada. Cuesta terá de mostrar capacidade para adaptar o time às perdas sem abrir mão da identidade que funcionou na última campanha, até porque o elenco continua oferecendo boas perspectivas de desenvolvimento. Se os substitutos responderem e os jovens que terão sua oportunidade na Emília-Romanha derem o salto esperado, o time crociato poderá consolidar sua permanência com a mesma tranquilidade de 2025-26.

Roma

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Wesley, da Roma (Getty)

Cidade: Roma (Lácio) Estádio: Olímpico (70.634 lugares) Fundação: 1927 Apelidos: Capitolinos, Giallorossi, Lupi, A Maggica Principais rivais: Lazio e Juventus Participações na Serie A: 94 Títulos: 3 Na última temporada: 3ª posição Objetivo: vaga na Liga dos Campeões Brasileiros no elenco: Wesley Técnico: Gian Piero Gasperini (2ª temporada) Destaques: Donyell Malen, Mile Svilar e Wesley Fique de olho: Antonio Arena Principais chegadas: Santiago Castro (a, Bologna), Nahuel Molina (ld, Atlético de Madrid) e Rodrigo Mora (mat, Porto) Principais saídas: Zeki Çelik (ld, Juventus), Artem Dovbyk (a, Bologna) e Stephan El Shaarawy (mat, sem clube) Time-base (3-4-2-1): Svilar; Mancini, Ndicka, Hermoso (Koulierakis); Molina, Koné, Cristante (El Aynaoui), Wesley; Dybala (Mora), Soulé (Pisilli, Pellegrini); Malen (Castro).

A Roma inicia a segunda temporada sob o comando de Gian Piero Gasperini com um objetivo claro: conquistar novamente uma vaga na Champions League, algo que o treinador já conseguiu na campanha anterior ao conduzir os giallorossi a uma das três primeiras posições da Serie A pela primeira vez desde 2017-18. A tendência é de evolução de um trabalho que, como mostrou a trajetória do técnico no Genoa e na Atalanta, costuma ganhar força com o tempo. O elenco também sofreu poucas perdas relevantes: Zeki Çelik foi para a Juventus, enquanto as demais saídas foram de atletas que não estavam nos planos do treinador. Em contrapartida, chegaram reforços para ampliar as possibilidades do sistema, como Nahuel Molina, que oferecerá pela ala direita o mesmo peso ofensivo de Wesley na esquerda, e Santiago Castro, que permite até a utilização de uma dupla de centroavantes, e Rodrigo Mora, que atuará um pouco atrás dos atacantes. Com Donyell Malen em grande fase na reta final da última campanha, a Loba ganhou ainda mais alternativas para um setor ofensivo que já contava com Paulo Dybala, Matías Soulé e outras peças de qualidade.

A força da Roma também passa por um meio-campo que ganhou opções capazes de elevar o nível do time. Manu Koné e Neil El Aynaoui chegam à temporada valorizados pelas atuações na Copa do Mundo. Bryan Cristante continua importante pela disciplina tática e pela capacidade de atuar em diferentes funções, enquanto Niccolò Pisilli segue como opção importante. A defesa continuará sendo um ponto alto do time. Até porque mantém Mile Svilar, um dos melhores goleiros da competição, e segue com Gianluca Mancini, Evan Ndicka e Mario Hermoso, com Daniele Ghilardi entre as alternativas ao lado do reforço Konstantinos Koulierakis, integrante de uma ascendente geração grega.

A Roma não parte como concorrente direta da Inter pelo título, até porque sua história mostra que o clube costuma “romar” quando as expectativas aumentam. Esse objetivo precisaria ser amadurecido ao longo do ano. No momento, podemos dizer que o salto em nível de organização e identidade futebolística obtido por Gasperini na última temporada, somado à perspectiva de evolução, coloca os giallorossi pelo menos numa condição favorável na disputa pelo G4, à frente de Juventus e Milan e no mesmo patamar de Como e Napoli. A participação na Champions League será um teste físico e mental para um grupo que precisará lidar com três frentes sem perder rendimento no campeonato, mas também servirá para medir do que é feita essa equipe. De qualquer forma, as bases para repetir a campanha de 2025-26 estão postas e s presença entre os primeiros colocados parece bem encaminhada se o trabalho não tiver intercorrências.

Sassuolo

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Matic, do Sassuolo (Getty)

Cidade: Sassuolo (Emília-Romanha) Estádio: Mapei Stadium – Città del Tricolore (21.525 lugares) Fundação: 1920 Apelidos: Neroverdi, Sasòl Principal rival: Modena Participações na Serie A: 13 Títulos: nenhum (melhor desempenho: 6ª colocação) Na última temporada: 11ª posição Objetivo: meio da tabela Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Alberto Aquilani (1ª temporada) Destaques: Domenico Berardi, Andrea Pinamonti e Armand Laurienté Fique de olho: Darryl Bakola Principais chegadas: Vasilije Adzic (mat, Juventus), Benjamín Domínguez (a, Bologna) e Rafael Obrador (le, Torino) Principais saídas: Tarik Muharemovic (z, Leeds), Ulisses Garcia (le, Marseille) e M’Bala Nzola (a, Fiorentina) Time-base (4-3-3): Muric (Turati); Walukiewicz, Idzes, Candé, Obrador (Doig); Thorstvedt, Matic, Adzic (Koné); Berardi, Pinamonti (Bowie), Laurienté.

Depois do ótimo retorno à Serie A sob o comando de Fabio Grosso, o Sassuolo terá de reconstruir parte do projeto sem alterar sua ambição de permanecer no meio da tabela. Substituto do tetracampeão mundial, Alberto Aquilani assumiu o comando após bons trabalhos na Serie B, o último deles no Catanzaro, que chegou à final dos playoffs de acesso, e deve manter o 4-3-3 como base. A principal mudança fora de campo também foi (e será) importante: Giovanni Carnevali deixou o cargo de diretor-geral após mais de uma década como principal gestor do clube, e o ex-atacante Francesco Palmieri, seu antigo subordinado, assumiu a função de diretor esportivo. No elenco, a perda mais relevante foi Tarik Muharemovic, negociado com o Leeds, enquanto Rafael Obrador chegou para a lateral esquerda. Benjamín Domingues, Vasilije Adzic e Kieron Bowie também ampliaram as alternativas de um grupo que preservou seus principais pilares.

A reconstrução, porém, ainda não terminou. A saída de Muharemovic deixou uma lacuna na zaga, e Fali Candé não parece suficiente para oferecer a segurança necessária ao lado de Jay Idzes. Outros setores também estão cercados por indefinições, já que Ismaël Koné está lesionado e Kristian Thorstvedt pode ser negociado, enquanto o centroavante Andrea Pinamonti, alvo da Lazio, até pediu para ser cedido. Se isso acontecer, Bowie surge como alternativa depois de uma boa segunda metade de 2025-26 pelo Verona – o que representaria uma aposta dos neroverdi. Domenico Berardi continua sendo a grande referência técnica e simbólica, com Armand Laurienté como seu principal parceiro no tridente de ataque. Hoje, outro pilar do time seria Nemanja Matic, que acrescenta técnica, fisicalidade e experiência ao setor central. Cristian Volpato também vem em evolução depois de uma boa participação pela Austrália na Copa do Mundo, e o Sassuolo terá de continuar desenvolvendo jogadores ao redor de nomes que já conhecem bem a elite. Outro que pode vir a crescer em 2026-27 é Darryl Bakola, vindo do Olympique de Marseille na campanha passada.

O cenário aponta para uma campanha relativamente tranquila, sem que o Sassuolo precise se envolver diretamente na luta contra o rebaixamento. A experiência de Berardi, Laurienté e Matic oferece uma base capaz de sustentar o time permitindo a Aquilani encaixar as poucas novas peças ao mesmo tempo em que a diretoria trabalha para que as lacunas que ainda precisam ser preenchidas deixe o plantel mais equilibrado. A expectativa, como habitualmente ocorre com os neroverdi, é vermos uma equipe de meio de tabela, com margem para testar jovens e encontrar novos protagonistas, sem abandonar a identidade ofensiva construída ao longo dos últimos anos.

Torino

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Simeone, do Torino (Getty)

Cidade: Turim (Piemonte) Estádio: Olímpico Grande Torino (28.177 lugares) Fundação: 1906 Apelidos: Toro, Granata Principal rival: Juventus Participações na Serie A: 83 Títulos: 7 Na última temporada: 12ª posição Objetivo: meio da tabela Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Ignazio Abate (1ª temporada) Destaques: Giovanni Simeone, Duván Zapata e Nikola Vlasic Fique de olho: Alessio Cacciamani Principais chegadas: Pietro Comuzzo (z, Fiorentina), Eray Cömert (z, Valencia) e Alessio Cacciamani (mat, Juve Stabia) Principais saídas: Valentino Lazaro (ld, Al-Ain), Guillermo Maripán (z, Internacional) e Rafael Obrador (le, Sassuolo) Time-base (3-4-2-1): Paleari; Comuzzo, Ismajli, Cömert (Coco); Pedersen, Fitz-Jim, Ilkhan (Anjorin), Cacciamani; Vlasic, Casadei (Adams); Simeone (Zapata).

Em 2026-27, o Torino parte novamente para uma campanha de meio de tabela. Um cenário que já se tornou habitual para a torcida: longe o suficiente da zona de rebaixamento para não viver sobressaltos, mas também sem elementos de destaque que permitam sonhar com uma vaga europeia. A novidade está no comando, com Ignazio Abate, jogador do clube em 2008-09, assumindo após um bom trabalho na Juve Stabia, equipe que levou aos playoffs de acesso à elite e na qual ajudou a desenvolver jogadores jovens. A exemplo do selecionável sub-21 italiano Alessio Cacciamani, que voltou ao Piemonte para jogar, ainda que siga na mira da Roma e possa ser negociado se uma boa proposta aparecer. Em termos de ideias, o técnico não deve romper com o que vinha sendo feito: o desenho tático sofrerá poucas alterações. Até porque o elenco, em linhas gerais, conservou características semelhantes às do último ano.

Além da incógnita sobre a permanência de Cacciamani, Abate encontrará outras questões em aberto. No gol, por exemplo: protagonista de altos e baixos, Alberto Paleari não transmite a segurança necessária para uma temporada completa e Franco Israel, que chegara para ser titular em 2025-26, não goza da confiança do corpo técnico e da torcida grená. A propósito, a defesa passou por uma renovação com Pietro Comuzzo e Eray Cömert ocupando o espaço deixado por nomes como Guillermo Maripán, atualmente no Internacional. No meio, Cesare Casadei oferece presença física e chegada à área, enquanto Nikola Vlasic é o principal articulador do setor e terá Gaetano Oristanio como sombra. Na frente, Giovanni Simeone é o candidato a começar jogando, com o capitão Duván Zapata surgindo como alternativa, mas ambos precisarão estar fisicamente bem para oferecer uma produção ofensiva consistente.

Envolto em mais do mesmo e sem transformação profunda, o Torino aposta em Abate sobretudo numa tentativa de renovar o trabalho por meio da valorização de jovens. Muito pouco para a história do Toro, que na gestão de Urbano Cairo não irá dispor das condições necessárias para mudar de patamar e reencontrar seu espaço no grupo de principais forças do futebol italiano. Até lá, o time será apenas um degrau da caminhada esportiva de treinadores e atletas que buscam ascender na carreira.

Udinese

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Zaniolo, da Udinese (Ansa)

Cidade: Údine (Friul-Veneza Júlia) Estádio: Friuli – Bluenergy Stadium (25.132 lugares) Fundação: 1896 Apelidos: Bianconeri, Friulani e Zebrette Principais rivais: Triestina, Verona e Venezia Participações na Serie A: 54 Títulos: nenhum (melhor desempenho: vice-campeã) Na última temporada: 10ª posição Objetivo: meio da tabela Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Kosta Runjaic (3ª temporada) Destaques: Oumar Solet, Nicolò Zaniolo e Keinan Davis Fique de olho: Abdoulaye Camara Principais chegadas: Giorgi Chakvetadze (mat, Watford), Unai Gómez (mat, Athletic Bilbao) e Mërgim Vojvoda (ld, Como) Principais saídas: Arthur Atta (m, Fiorentina), Thomas Kristensen (z, Atalanta) e Kingsley Ehizibue (ld, sem clube) Time-base (3-4-2-1): Okoye; Bertola, Kabasele, Solet; Zanoli (Vojvoda), Ekkelenkamp (Miller), Karlström (Piotrowski), Kamara; Zaniolo, Gómez (Chakvetadze); Davis.

No terceiro ano de trabalho de Kosta Runjaic, a Udinese deve repetir o destino das outras duas campanhas e entregar um bom desempenho, mas nada que vá além de uma posição no meio da tabela. O técnico alemão chegou a citar o sonho de classificação para uma competição europeia, mas a concorrência torna esse objetivo difícil e é mais justo alinhar expectativas com a torcida: os friulanos tentarão terminar o Campeonato Italiano entre os 10 primeiros.

Para a campanha que marca os 130 anos de fundação do clube, o elenco sofreu poucas alterações, embora tenha perdido dois nomes importantes: Thomas Kristensen e Arthur Atta, em especial o francês, que havia se firmado não só entre os principais jogadores da equipe e também já figurava no rol dos meias mais cobiçados da liga. A não renovação com Kingsley Ehizibue chamou atenção, mas Mërgim Vojvoda chegou para assumir um lugar a ala direita, em rodízio com Alessandro Zanoli, enquanto Giorgi Chakvetadze e Unai Gómez agregam qualidade ao meio-campo.

A manutenção de peças importantes será uma das chaves para mais um ano tranquilo, no qual os friulanos serão pedras no sapato de adversários mais fortes, sobretudo em casa. Oumar Solet permaneceu para liderar a defesa, Jurgen Ekkelenkamp seguirá como elo entre os setores e o trombador Keinan Davis continuará como principal referência ofensiva de um ataque que deixou para trás as dúvidas da última campanha. A Udinese também concretizou a aquisição em definitivo de Nicolò Zaniolo, que logo depois chegou a se desentender com a diretoria durante a pré-temporada por questões salariais – posteriormente, chegaram a um acordo sobre o aumento e o camisa 10 selou as pazes com o clube. A presença do meia-atacante no plantel também representa um ganho relevante, já que ele atraía o interesse de outros times e sua continuidade não era dada como certa. Por fim, as voltas de empréstimo de nomes como Sandi Lovric, Saba Goglichidze, Matteo Palma e Enzo Ebosse ainda ampliaram as opções de Runjaic numa temporada que deve ser de sombra e água fresca em Údine.

Venezia

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Sagrado e Adams, do Venezia (LaPresse/imago)

Cidade: Veneza (Vêneto) Estádio: Pier Luigi Penzo (12.048 lugares) Fundação: 1907 Apelidos: Arancioneroverdi, Lagunari, Leoni Alati Principais rivais: Vicenza, Verona e Padova Participações na Serie A: 15 Títulos: nenhum (melhor desempenho: 3ª colocação) Na última temporada: campeão da Serie B; promovido Objetivo: escapar do rebaixamento Brasileiros no elenco: nenhum Técnico: Giovanni Stroppa (2ª temporada) Destaques: Filip Stankovic, John Yeboah e Gianluca Busio Fique de olho: Kornel Lisman Principais chegadas: Akor Adams (a, Sevilla), Thierry Correia (ld, Valencia) e Redouane Halhal (z, Mechelen) Principais saídas: Issa Doumbia (m, Sporting), Michael Svoboda (z, Brighton) e Seid Korac (z, Verona) Time-base (3-5-2): Stankovic; Schingtienne (Moreno), Bella-Kotchap, Halhal; Correia, Kike Pérez (Sohm), Basic, Busio, Hainaut; Yeboah (Rrahmani), Adams (Adorante).

O Venezia retorna à Serie A com uma perspectiva diferente das duas últimas aparições na elite, em 2021-22 e 2024-25, quando caiu imediatamente. Hoje, projeta algo maior. Campeão da Serie B, o clube passou, na reta final da trajetória que culminou no título, por uma mudança societária que elevou as ambições: o ex-presidente Duncan Niederauer vendeu parte de suas cotas por 100 milhões de euros e permaneceu como sócio minoritário, abrindo espaço para o grupo liderado por Tim Leiweke assumir o controle e empossar Francesca Bodie como a primeira mulher a presidir o clube. O novo investimento veio acompanhado de uma postura mais agressiva no futebol, rompendo com a distância que existia entre o forte trabalho de marca desenvolvido pelos arancioneroverdi, sobretudo através de seus uniformes, e o nível dos investimentos no elenco. Agora os lagunari poderão se vestir bem e jogar bem ao mesmo tempo.

O aporte financeiro dos novos mandatários impactou na quantidade de reforços capazes de elevar o patamar do elenco. Para ilustrar essa mudança, o Venezia terá até dois goleiros que poderiam fardar pelo menos em times de meio de tabela, já que o ótimo Filip Stankovic ganhou a companhia de Lorenzo Montipò. Nesta janela, chegaram ainda vários outros atletas de bom nível, como Simon Sohm, Redouane Halhal, Matías Moreno, Thierry Correia, Armel Bella-Kotchap, Toma Basic, Albion Rrahmani e Akor Adams, grande responsável pela permanência de Sevilla em La Liga. Em contrapartida, o capitão Michael Svoboda foi para o Brighton, e Issa Doumbia seguiu para o Sporting, ao passo que Andrea Adorante, melhor jogador e vice-artilheiro da última Serie B, pode perder espaço justamente diante da concorrência criada pelas contratações. Vale destacar que Gianluca Busio, John Yeboah, Kike Pérez e o já citado Stankovic permanecem como referências.

O grande ponto de interrogação está em Giovanni Stroppa, que conquistou seu quarto acesso à Serie A, mas jamais conseguiu transformar uma promoção em trabalho consistente na elite – cercado de desconfianças sobre sua capacidade no máximo nível, muitas vezes nem permaneceu no comando dos times que levou ao grande palco italiano. Agora, pela primeira vez, terá à disposição um elenco mais robusto para tentar quebrar esse padrão. Se o Venezia pode se diferenciar de outros recém-promovidos por ter recursos para competir de verdade pela salvezza. A combinação entre a rodagem de nomes que já passaram por grandes ligadas e o talento de algumas peças dá ao conjunto margem para produzir mais do que o esperado quando o atítulo da segundona foi conquistado. Se o treinador finalmente desabrochar na categoria e conseguir traduzir essa qualidade em resultados, os leões alados poderão ser uma das surpresas do campeonato.

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