Hyoran revela bastidores do rebaixamento no Sport: 'Até hoje me pergunto o que deu errado' | OneFootball

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·22 de janeiro de 2026

Hyoran revela bastidores do rebaixamento no Sport: 'Até hoje me pergunto o que deu errado'

Imagem do artigo:Hyoran revela bastidores do rebaixamento no Sport: 'Até hoje me pergunto o que deu errado'

Hyoran se acostumou a ganhar títulos na carreira. Da conquista do primeiro estadual com a Chapecoense passando pelo título brasileiro no Palmeiras até a tríplice coroa com o Atlético. 2026, porém, foi um ano diferente: o meia acabou rebaixado para a Série B com o Sport. Em entrevista exclusiva para oGol, Hyoran falou sobre a carreira vitoriosa e também sobre o ano de decepções no Recife. 

Do primeiro título nacional, o jogador não esquece os aprendizados com Luiz Felipe Scolari, técnico pentacampeão do mundo. "Quando eu aposentar, vou ter um quadro de uma foto que tirei com o Felipão quando fomos campeões", começou por dizer. 


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"Ser campeão brasileiro não é algo simples. Foi o décimo título brasileiro (do Palmeiras) na época, é algo que está na história. Foi extraordinário participar daquele elenco, um grupo focado nos objetivos. Poder participar disso é o sonho de todo atleta. A gente vê muito jogador que passa por muitos clubes, joga em grandes lugares, mas alcançar títulos que marcam mesmo a carreira é algo difícil. Então sou um cara privilegiado", confessou. 

Sem a minutagem que queria no Palmeiras, Hyoran foi para o Atlético e, depois de bater na trave no Brasileirão com Jorge Sampaoli, acabou campeão da tríplice coroa com Cuca.

"Lembro de um jogo que estávamos jogando na NeoQuímica Arena, a gente estava perdendo, aí o Hulk fez dois gols, viramos o jogo e falei: 'esquece, esse ano vamos buscar o título'. Depois contra o Bahia lá, saímos perdendo, e buscamos a virada. A gente sabia. Sentia o grupo fechado, que as coisas estavam virando. A gente carregava um peso de muitos anos do Atlético sem ganhar um titulo brasileiro. Ao mesmo tempo que a gente tinha essa convicção de que ia conquistar, às vezes a gente ficava receoso pela pressão, a torcida almejava muito. Mas eram extraordinários os jogos no Mineirão lotado. A gente sabia que dificilmente alguém ia tirar o título da gente. 50 anos depois, o Atlético conquistar o Brasileiro... Foi algo que marcou bastante", lembrou. 

Dos companheiros, Hyoran não deixou de destacar a importância de Hulk naquele elenco. "Conquistou tudo o que conquistou, mas não tem vaidade nenhuma. Isso tudo fez a gente ser mais unido. Se um cara desse nível está fazendo isso, a gente tem de fazer. São coisas que vão agregando num grupo", destacou.  

Hyoran jogou no Bragantino por empréstimo, mas o clube não exerceu a opção de compra como o meia desejava. Em 2024, realizou o sonho de jogar no time do pai e de infância, o Internacional. Quando criança, o meia jogou em uma escolinha do Inter em uma cidade próxima de Chapecó, de onde é natural. 

"Foi mais um sonho realizado como profissional. Muitas coisas fora do campo atrapalharam". O jogador ressaltou que a enchente em Porto Alegre naquele ano afastou o time da torcida e fez o grupo atuar muito tempo fora de casa. 

Um ano para esquecer

Emprestado em 2025, viu com bons olhos a oportunidade de jogar no Sport. Viu o time investir pesado no mercado e projetou coisas grandes para a temporada. No fim, acabou em decepção. 

"A gente sonhou grandes coisas ano passado, o Sport apresentou um projeto muito bom. Quem me ligou foi o próprio Pepa, ele contava comigo. A gente abraçou a ideia, foi para lá, porque se montou um elenco muito bom. O Sport planejou e tinha objetivos muito grandes. Mas dentro de campo, as coisas não caminharam da forma que a gente imaginou", começou por dizer.

Hyoran confessou que tentou analisar a campanha em 2025 em diversas óticas, mas não chegou a uma conclusão sobre o que aconteceu para o Leão terminar o Brasileirão com apenas duas vitórias em 38 jogos. 

"Dentro do clube, a gente não conseguia entender, identificar o motivo de ser um ano tão ruim. A gente fazia bons jogos, disputava, brigava, mas no final não ganhava. Se eu te falar que tinha alguma coisa que foi marcante, não tinha. O clube dava estrutura, tinha elenco qualificado, staff qualificado, salário em dia, não faltava nada. Mas foi um ano aonde a gente não consegue explicar o motivo de não ter alcançado nenhum resultado. É um ano que, até hoje, estou buscando entender onde foi que a gente errou. Se me perguntar qual foi o erro, não sei explicar. Foi um ano que machucou bastante, marcou de forma negativa a minha carreira. Vai ficar na história, uma das piores campanhas do Brasileiro. É triste", garantiu. 

O Rubro-Negro apostou em europeus como Sérgio Oliveira, Gonçalo Paciência e João Silva. Hyoran confessou que eles estranharam a quantidade de jogos sem tempo para treinar e as longas viagens. "Eles falavam: 'A gente não consegue fazer as coisas que a gente treina, porque a gente não treina'. Porque na Europa é muito treinado o que fazer no jogo. Aqui é vídeo, conversa".

O meia concordou com uma coisa: faltou planejamento na montagem do elenco. "Eles incharam o grupo de qualidade, agora não sei se na forma que eles imaginaram de jogar. Talvez era um time que tinha que ter mais posse de bola, mas no campeonato a gente teve de marcar mais que jogar. E aí por característica não era um time com tanta força na marcação", analisou.

Hyoran garantiu não ter tido qualquer problema de vaidade ou de conexão no vestiário, e confessou que o psicológico também atrapalhou. "Nosso mental não tinha força para resistir e continuar fazendo o que tinha planejado", resumiu.

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