Central do Timão
·16 de setembro de 2026
Ídolo do Corinthians comenta possibilidade do clube voltar à semifinal da Libertadores após 14 anos

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·16 de setembro de 2026

O Corinthians entra em campo nesta quarta-feira para um dos compromissos mais importantes de sua temporada. Diante do Estudiantes, na Neo Química Arena, o Timão define uma vaga nas semifinais da Copa Libertadores, algo que não acontece desde 2012. Naquele ano, a equipe alvinegra conquistou o título inédito da competição com Chicão entre os titulares da defesa.
Em entrevista ao programa Tabelando, do Meu Timão, o ex-zagueiro avaliou o possível peso de tantos anos sem uma presença corinthiana entre os quatro melhores do torneio. Na visão do ídolo, porém, o elenco atual não deveria carregar uma pressão excessiva por conta do longo período sem alcançar essa fase.

Foto: © Daniel Augusto Jr. / Fotoarena
Chicão lembrou que a campanha de 2012 teve justamente o efeito de diminuir uma cobrança histórica que acompanhava o Corinthians. Antes daquele título, o clube ainda não havia conquistado a Libertadores e convivia frequentemente com provocações por esse motivo. Para o ex-jogador, a conquista continental, além do Mundial, mudou esse cenário.
“Eu acho que sobre o peso (de disputar as fases finais da Libertadores), aquele grupo de 2012 conseguiu tirar um pouco, né? Porque não tinha Libertadores ainda, então o clube vivia pressionado porque não tinha, o torcedor corinthiano era zoado porque não tinha Libertadores. Me perguntam qual o título que você prefere, Mundial ou Libertadores. Cara, o Mundial tem o de 2000 lá, a Libertadores não tinha. Então quer dizer que nós conseguimos tirar esse peso do clube”, comentou.
Na sequência, o ex-defensor destacou que existe outro tipo de motivação para o atual elenco: a possibilidade de deixar o próprio nome marcado na história corinthiana. Chicão citou ainda a conquista da Copa do Brasil na temporada passada como um elemento que pode fortalecer a confiança dos jogadores antes de um duelo de tamanha importância.
“Claro que para o atleta, agora, a vontade de entrar na história, de marcar a história no clube, ganhando uma Libertadores… eu não tenho dúvida que esses atletas sonham com isso. Você entra na história do clube. Eu acho que esse grupo também pensa assim, já conquistaram no ano passado a Copa do Brasil, e hoje tem a chance de voltar, depois de algum tempo, para uma semifinal de Libertadores. Tem que ter cabeça boa, um mental forte, eu acho que o principal hoje no futebol é o mental, principalmente jogando contra os argentinos”, ponderou o ex-zagueiro.
O trabalho de Fernando Diniz também esteve entre os assuntos abordados por Chicão. O ex-zagueiro observou que o técnico não abandonou completamente a característica de construir as jogadas desde a defesa, marca de equipes anteriores comandadas pelo treinador, mas ressaltou que Diniz fez ajustes para se adequar às características do elenco corinthiano.
“O Fernando está se adaptando, vez ou outra ele tenta uma saída de bola, e já aconteceu gol assim. Ele ganhou uma Libertadores jogando desse jeito. Mas ele realmente se adaptou ao clube, e ele tem outros métodos de trabalho, não é só a saída. De vez em quando o Hugo Souza também bate um tiro de meta”, pontuou.
Ao analisar os jogadores responsáveis por dar qualidade ao setor ofensivo, Chicão colocou a personalidade como um componente fundamental para partidas decisivas. Memphis Depay, Rodrigo Garro e Breno Bidon foram citados pelo ex-atleta, que também chamou atenção para o aumento da responsabilidade sobre o jovem meio-campista após sua convocação para a Seleção Brasileira.
“Não é só qualidade. Eu acho que tem que ter personalidade também, porque é nos grandes jogos que aparecem os grandes jogadores. É em um jogo desse que você tem que chamar a responsabilidade, segurar a bola. Eu falo de Memphis, que é o pessoal mais do ataque, o próprio Garro, o próprio Bidon, hoje de Seleção Brasileira, a responsabilidade em cima do menino é um pouco maior hoje”, apontou o ex-jogador.
Outro nome destacado foi André Carrillo. Para Chicão, a experiência do peruano exerce uma função relevante na maneira como o Corinthians controla as partidas. O ex-zagueiro também apontou a mudança de posicionamento do meio-campista sob o comando de Diniz como um fator importante para seu desempenho.
“Carrillo é importante hoje também, pela experiência. Não é um cara velocista, mas indica o ritmo do jogo. Vocês podem ver que a maioria das jogadas do Corinthians, hoje, passa pelo pé dele quando ele está em campo. Ele não é mais aquele jogador de jogar de beirada, que vai acompanhar o lateral. O Diniz já identificou e percebeu que ele, por dentro, vai render muito mais”, afirmou.
Memphis Depay também recebeu atenção especial durante a entrevista. Chicão ressaltou as diferentes maneiras pelas quais o atacante pode influenciar diretamente o resultado de uma partida e relembrou um lance decisivo da classificação contra o Rosario Central, pelas oitavas de final da Libertadores.
“Ele pode decidir em uma bola parada, jogada individual, em um passe ou assistência. E precisa chamar responsabilidade por tudo o que foi construído fora de campo. As pessoas que não queriam renovar com o Memphis, agora jogam uma responsabilidade em cima dele que ele tem que decidir o jogo. Mas lembrando: tem 11 jogadores, tem o banco de reserva, tem o treinador, tudo isso foi construído durante a semana. Eu vejo que ele pode decidir numa bola parada assim como foi o dia contra o Rosario. Ele bateu (a falta) em direção ao gol, tocou no Bidon e entrou. Isso é treinamento, de bater em direção ao gol”, explicou.
A situação financeira do elenco também foi abordada. Os salários atrasados foram regularizados antes do confronto, mas Chicão descartou que esse tipo de problema deva servir como justificativa para uma eventual queda de rendimento dentro de campo. Segundo ele, a responsabilidade individual do atleta deve permanecer acima de questões relacionadas à administração do clube.
“Eu acho que não existe isso. Às vezes as pessoas criam algumas situações. Eu acredito que o atleta não pode pensar assim, porque ele tem o nome dele. Se ele deixar de correr, é aquilo que eu falei no começo. Como que ele vai entrar pra história, se não conquistou Libertadores? Eu acredito que tem que tirar de letra isso”, disse o ex-zagueiro.
Já na reta final da conversa, Chicão falou sobre a responsabilidade dos jogadores mais experientes em relação aos atletas mais jovens. Para ele, os líderes do grupo precisam transmitir aos mais novos a dimensão de defender o Corinthians em uma partida desse porte, independentemente de quem esteja ocupando os cargos de comando no clube.
“Acredito que os mais velhos têm que chamar os meninos também ali, que às vezes não são os líderes do grupo e falar, ‘cara, a gente precisa jogar, porque tem 35 milhões aí fora que estão torcendo pela gente’. Independente da diretoria que está no poder, porque a diretoria sai, passa, volta um, entra outro. O mais importante é o nosso nome e representar a instituição. Isso é o mais importante que eu vejo que os atletas vão se dedicar ao máximo”, complementou.
Corinthians e Estudiantes se enfrentam a partir das 21h30 desta quarta-feira, na Neo Química Arena. Como o primeiro encontro terminou empatado por 1 a 1, quem vencer garante a classificação para a próxima fase da Libertadores.







































