Ídolo não se mede com bola no pé, promessa ou marketing, mas com postura! O caso Arias expõe uma ferida antiga no Fluminense | OneFootball

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·06 de fevereiro de 2026

Ídolo não se mede com bola no pé, promessa ou marketing, mas com postura! O caso Arias expõe uma ferida antiga no Fluminense

Imagem do artigo:Ídolo não se mede com bola no pé, promessa ou marketing, mas com postura! O caso Arias expõe uma ferida antiga no Fluminense

O Fluminense sempre foi um clube movido por símbolos. Ídolos, lideranças, jogadores que representam mais do que números. Mas justamente por isso, o debate sobre o que é ser ídolo precisa ser feito com seriedade, e o caso Jhon Arias escancara uma confusão que o tricolor insiste em alimentar há anos.

Ídolo não é quem joga bem por um período. Não é quem levanta taça apenas. Ídolo é quem entende o peso da camisa que veste, quem respeita o clube mesmo quando não está mais nele, quem mede palavras, atitudes e decisões. E, principalmente, quem não vende discurso emocional enquanto toma decisões friamente calculadas.


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Arias foi um grande jogador no Fluminense. Disso ninguém discute. Foi decisivo, foi protagonista, brilhou em momentos históricos, teve atuação de nível mundial no Super Mundial de Clubes. Mas idolatria não se sustenta só com performance. Ela exige coerência.

E é justamente aí que tudo desmorona.

Na despedida do Fluminense, Arias afirmou publicamente que, se voltasse ao Brasil, jogaria apenas no Fluminense. Ninguém botou uma arma na cabeça dele. Não foi resposta atravessada, não foi frase arrancada. Foi uma declaração consciente, direta, emocional, feita para a torcida. Seis meses depois, ele assina com o Palmeiras.

Não é o dinheiro em si que revolta. Futebol é mercado, jogador é profissional. O problema é o discurso falso, a promessa vazia, a tentativa de manter uma imagem enquanto o plano já estava traçado.

Porque o plano sempre existiu.

Desde 2024, Arias já deixava claro o desejo de sair. Forçou a saída em momentos delicados, inclusive quando o Fluminense brigava contra o rebaixamento. O clube, ainda assim, renovou contrato e vendeu a renovação como “o maior reforço da temporada”. Um discurso que ajudou a sustentar o ambiente naquele momento, embora hoje revele o quanto a relação entre discurso e planejamento acabou se mostrando frágil.

Na prática, a renovação já previa uma cláusula que permitia a venda imediata caso surgisse uma “boa proposta” da Europa. E essa proposta foi de 17 milhões de euros para defender o Wolverhampton, um clube de baixo escalão da Premier League, hoje rebaixado, onde Arias ficou seis meses.

Esse era o tal sonho europeu.

O Fluminense virou trampolim. Deu vitrine, deu Mundial, deu projeção internacional. Arias foi, jogou pouco, viu o risco esportivo crescer, o salário cair pela metade e a Copa do Mundo ameaçada. Aí, quando o projeto deixou de ser confortável, voltou. Mas não voltou para quem o projetou. Voltou para quem pagou mais.

O Palmeiras desembolsou 25 milhões de euros. O Fluminense chegou a 20 milhões, esticando a corda até o limite do planejamento financeiro. Ir além significaria comprometer orçamento, fluxo de caixa e temporada inteira. E mesmo que igualasse, teria que cobrir parcelamento. A tal cláusula de prioridade? Inútil diante de quem nada em dinheiro. Não serviu para coisa nenhuma.

E aqui entra outro debate fundamental, o Fluminense fez certo em não entrar nesse leilão.

Em 2025, o clube viveu um dos piores anos recentes em termos de centroavantes. Em 2026, John Kennedy começou bem, é verdade, mas o elenco ainda carece de um fazedor de gols confiável e de um zagueiro de nível alto. Investir 20 milhões de euros em um jogador que já havia mostrado disposição para sair, que não oferecia segurança emocional nem esportiva, seria repetir erros antigos.

O futebol moderno cobra planejamento, não nostalgia.

E o contraste com Nino deixa isso ainda mais claro. Nino saiu, foi capitão da Libertadores, nunca prometeu voltar, nunca usou discurso emocional barato. Sempre foi transparente. Hoje, apalavrado com o Fluminense para o meio do ano, representa exatamente o que se espera de um ídolo, respeito ao clube, à torcida e à própria história.

A história de Arias lembra, inevitavelmente, o caso Pedro, mas cada um dentro da sua própria medida. O Fluminense, naquela ocasião, negou a venda ao Flamengo, negociou o centroavante com a Europa e, poucos meses depois, viu o jogador retornar diretamente ao maior rival, sem sequer ter tido espaço ou sequência fora do país. No caso de Arias, há nuances importantes, ele teve tempo, jogou, apareceu e ainda assim decidiu voltar. Houve, inclusive, uma proposta do Flamengo na casa dos 22 milhões de euros, com pagamento em apenas duas parcelas, retrato escancarado do poder de compra no futebol brasileiro, que o Wolverhampton sinalizou aceitar, mas que foi recusada pelo próprio jogador, que disse não querer atuar no maior rival do Fluminense. Aqui, Arias foi mais homem do que Pedro. Ainda assim, a escolha final foi retornar ao Brasil para outro clube que hoje é, sim, um rival do Fluminense. Não na mesma prateleira histórica do Flamengo, mas um adversário direto, com confrontos recentes, disputas duras e projetos antagônicos. O caminho muda de forma, mas o desfecho é parecido, o Fluminense mais uma vez vê um ex-protagonista dar a volta longa para, no fim, reaparecer do outro lado do balcão.

Não se trata de ódio. Trata-se de maturidade. Idolatria não é automática, não é eterna e não sobrevive à incoerência. O Fluminense precisa aprender a parar de romantizar jogadores que sempre deixaram claro que o sonho nunca foi o clube.

E a torcida, por sua vez, precisa entender, amar o Fluminense é diferente de amar quem passa por ele. Ídolos de verdade não precisam prometer nada. Eles simplesmente não traem o que representam.

Arias fez sua escolha. O Fluminense, corretamente, fez a sua ao não comprometer o futuro por quem já tinha ido embora, mesmo antes de sair.

E que essa história sirva de lição. Porque camisa pesa. Palavra pesa. E ídolo, quando é de verdade, sabe disso.

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