Calciopédia
·04 de setembro de 2026
Inter, Napoli, Juventus, Milan, Roma e Atalanta protagonizarão jogaços na 3ª rodada da Serie A

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A terceira rodada da Serie A não vai economizar em termos de emoção. O fim de semana coloca algumas das principais forças do campeonato frente a frente, com três confrontos de grande peso e dois clássicos nacionais, envolvendo as quatro maiores torcidas da Itália. Será também a primeira jornada disputada após o fechamento da janela de transferências, o que significa que os times finalmente entram em campo com seus elencos definidos para a temporada. Mas algumas equipes não foram capazes de preencher todas as suas lacunas.
O principal encontro será no sábado, envolvendo a Inter e o Napoli, respectivamente a campeã e o vice da última temporada. A equipe de Milão venceu as duas primeiras partidas e mantém 100% de aproveitamento, enquanto o time da Campânia chega cercado por dúvidas após um início abaixo das expectativas e duas atuações pouco convincentes sob o comando de Massimiliano Allegri. O mercado tímido e a média de idade avançada do elenco geram um ambiente de pouca confiança da torcida azzurra, ao passo que a Beneamata trabalha para manter a sua hegemonia nacional e terá seu primeiro grande teste logo cedo.
Também no sábado, Roma e Atalanta se enfrentam em um duelo que reúne duas equipes com 100% de aproveitamento, mas com trajetórias diferentes. A Loba, treinada pelo ex-nerazzurro Gian Piero Gasperini, chega embalada por duas goleadas e por uma expectativa elevada depois de uma janela de transferências movimentada, enquanto a Dea ainda não apresentou um futebol capaz de afastar todas as interrogações. Ex-Lazio, Maurizio Sarri volta ao Olímpico em busca de uma melhor performance contra a antiga rival e espera que as contratações realizadas na reta final do mercado possam ajudá-lo nisso.
No domingo, o clássico entre Juventus e Milan completa o arco de grandes partidas da rodada. As duas equipes também venceram seus compromissos iniciais e chegam ao confronto com 100% de aproveitamento, mas ainda carregam questões a serem respondidas. A Velha Senhora passou por uma reformulação no ataque e busca integrar suas novas peças, enquanto o Diavolo inicia um novo trabalho sob o comando de Rúben Amorim e ainda procura consolidar sua proposta de jogo. Logo abaixo desses confrontos de maior projeção, Fiorentina e Torino – derrotados nas duas partidas anteriores – fazem um encontro de grande urgência muito cedo, pois já há contestações mesmo diante de janelas movimentadas no mercado. Por fim, Parma e Monza, Frosinone e Venezia e Cagliari e Lecce protagonizam três embates vitais para a luta contra o rebaixamento. Confira a prévia da jornada.
Inter x Napoli
O histórico entre Inter e Napoli é amplamente favorável aos nerazzurri, mas os últimos anos trataram de equilibrar uma relação que durante muito tempo teve outro desenho. A Beneamata é a segunda equipe que mais venceu (72 vezes) e que mais marcou contra os napolitanos na Serie A (229 gols), atrás apenas da Juventus nos dois quesitos, mas não consegue derrotar o adversário há cinco partidas pelo campeonato, que está a apenas um compromisso de igualar sua maior sequência invicta contra a rival na era dos três pontos, estabelecida entre maio de 2013 e novembro de 2015. E a sequência recente ganha ainda mais peso quando o confronto acontece em San Siro, onde os três últimos encontros terminaram empatados e onde o time partenopeo não vence desde abril de 2017. Com esse cenário de pano de fundo, irão se contrapor o futebol propositivo de Cristian Chivu e a abordagem cautelosa de Massimiliano Allegri.
Os números ofensivos da Inter chamam atenção no geral e no confronto com os azzurri. A Beneamata teve o melhor ataque da temporada passada, manteve o poderio na largada atual e já marcou cinco vezes nas duas primeiras jornadas. Além disso, depois de passar quatro partidas consecutivas sem marcar contra os campanos entre 2016 e 2018, a Inter balançou as redes em cada um dos 16 encontros seguintes, ficando a um jogo de estabelecer a maior sequência da história da Serie A diante do Napoli – Bologna e Juventus também chegaram a 16, entre 1935 e 1942 e de 1986 a 1993, respectivamente.
Em seus domínios, a Inter tem uma vantagem histórica bastante relevante. O Napoli perdeu 51 de suas 80 visitas à Beneamata no campeonato, além de ter sofrido 148 gols nesses compromissos – números que fazem dos nerazzurri o adversário mais difícil para os partenopei longe de casa em toda a competição. Ainda assim, os três encontros mais recentes no Giuseppe Meazza terminaram empatados, algo inédito na história do confronto. Por outro lado, a equipe de Milão está invicta há nove jogos como mandante contra o rival, com cinco vitórias e quatro igualdades. O último triunfo napolitano em Milão aconteceu em abril de 2017.
A equipe hoje treinada Chivu também busca uma largada que não consegue desde 2023-24: três vitórias nas três primeiras rodadas da Serie A. Caso marque pelo menos mais um gol diante do Napoli, poderá alcançar seis tentos nesse recorte inicial pela oitava temporada consecutiva. Com duas bolas nas redes, Çalhanoglu aparece como um dos personagens centrais desse início de certame. O turco, a propósito, participou de seis gols em nove confrontos de campeonato contra os azzurri com a camisa interista – marcou cinco –, após não ter contribuído com um sequer nos cinco encontros anteriores pelo Milan. Como já balançou o barbante nas duas primeiras jornadas, o camisa 20 busca ainda se tornar o primeiro meio-campista da Beneamata a marcar nas três jornadas iniciais de um Italiano na era dos três pontos, iniciada em 1994.
Do outro lado, Højlund chega ao duelo depois de participar de cinco gols nas últimas cinco partidas de campeonato, com três bolas na rede e duas assistências, igualando em apenas cinco aparições o número de participações que havia conseguido nas 18 partidas anteriores. Mas a Inter é, ao lado de Torino e Sassuolo, uma das três equipes contra as quais o atacante ainda não participou de nenhum tento na Serie A. Diante da baixa produção ofensiva do Napoli, o dinamarquês deve ter tarefa inglória no sábado.
Prováveis escalações
Inter: Martínez; Pavard, Bisseck, Bastoni; Diouf, Barella, Çalhanoglu, Zielinski, Dimarco; Esposito, Lautaro.
Napoli: Meret; Di Lorenzo, Rrahmani, Marín, Spinazzola; Anguissa, Lobotka, De Bruyne; Politano, Højlund, Alisson Santos.
Roma x Atalanta
Roma e Atalanta construíram nos últimos tempos uma relação de confronto bastante favorável aos bergamascos. A Atalanta está invicta nas oito partidas mais recentes pela Serie A, com seis vitórias e dois empates, sua maior sequência sem derrota diante dos giallorossi na competição. O retrospecto no Olímpico também mudou radicalmente: depois de oito triunfos consecutivos da Loba entre 2005 e 2014, os donos da casa venceram apenas um dos 12 compromissos seguintes, empatando seis e perdendo cinco, sem repetir o mesmo resultado em duas ocasiões consecutivas nesse intervalo – o compromisso mais recente terminou igualado.
O encontro ainda reúne dois dos treinadores mais influentes do futebol italiano nas décadas de 2010 e 2020. Ambos associados a propostas ofensivas, mas em momentos particulares de suas trajetórias – um deles buscando seu primeiro scudetto e o outro tentando provar que não está na descendente. Gian Piero Gasperini volta a enfrentar a Atalanta depois de nove anos à frente da equipe, que comandou até 2025, enquanto Maurizio Sarri reencontra a Roma no comando dos bergamascos depois de duas passagens pela Lazio, onde também desenvolveu seu último trabalho.
Ambas as equipes chegam com 100% de aproveitamento, mas a maneira como construíram esse início ajuda a explicar por que o confronto desperta expectativas tão diferentes. A Roma venceu suas duas primeiras partidas por 4 a 0 e entrou para uma lista extremamente restrita da história da Serie A: somente Inter, em 1933, e Napoli, em 2020, haviam começado uma edição do certame com pelo menos oito gols marcados e nenhum sofrido nas duas jornadas inaugurais. Caso mantenha a produção ofensiva, a Loba poderá alcançar um patamar que não é visto desde a Juventus de 1983-84, última a registrar pelo menos nove tentos sem sofrer nenhum depois de três compromissos. Os giallorossi também esperam vencer seus dois primeiros jogos no Olímpico, o que não ocorre há quatro anos.
A Atalanta também venceu seus dois jogos, ambos em casa, e chega à Cidade Eterna sem ter apresentado um futebol particularmente convincente. Os números ajudam a revelar uma diferença importante entre o desempenho das duas equipes. Os nerazzurri têm jogado com linha de quatro na defesa, mas com plantel montado para retaguardas com três peças e alas atuando nas laterais. Isso desembocou em vulnerabilidade: os orobici permitiram 38 finalizações nesta Serie A, marca inferior apenas às 45 do Frosinone e às 44 do Cagliari. Já a Roma, dominante com seu perde-pressiona, sofreu somente 16, menos apenas que as 15 da Juventus e empatada com o Bologna nesse quesito.
A equipe de Bérgamo busca três vitórias nas três primeiras jornadas, feito alcançado somente em 2020-21, justamente quando era treinada por Gasperini. Para Sarri, a marca também seria excepcional, pois ele só conseguiu iniciar uma Serie A com três triunfos em 2017-18, pelo Napoli. No campo individual, vale destacar que De Roon – que acabou de trocar a Atalanta pela Roma – chegou a 270 partidas do campeonato sob o comando de Gasperini. Quando o recorte é número de aparições sob o comando do mesmo técnico, esse número é inferior apenas às 292 de Scirea com Giovanni Trapattoni e às 277 de Blason com Nereo Rocco. Malen, por sua vez, soma 19 gols nos primeiros 20 jogos de sua trajetória na Serie A; apenas Nordahl e o brasileiro Altafini, pelo Milan, chegaram aos 20 com essa mesma quantidade de compromissos. Entre os jogadores da Loba, Manfredini foi o mais rápido a atingir a marca, com 20 em 26. Aliás, só o argentino balançou mais vezes a rede do que o holandês numa reta inicial do Italiano: em 1960, o fez em seis ocasiões em duas jornadas; o camisa 14 giallorosso conseguiu “só” cinco.
Kolo Muani ainda não deslanchou em sua segunda passagem pela Juventus e, contra o Milan, já terá a sombra de Woltemade (Getty)
Juventus x Milan
Juventus e Milan protagonizam um dos grandes clássicos do futebol italiano, reunindo dois dos clubes mais tradicionais e duas das três maiores torcidas do país. Bianconeri e rossoneri venceram suas duas primeiras partidas, contra Frosinone e Parma de um lado, Torino e Venezia do outro, e podem manter os 100% de aproveitamento, deixando, de lambuja, o rival para trás. O histórico recente, porém, aponta para um confronto de muitos empates e poucos gols: quatro dos cinco encontros anteriores terminaram em 0 a 0, incluindo os dois últimos, e a Vecchia Signora não foi vazada nas seis derradeiras pelejas contra o Diavolo pelo campeonato.
A sequência defensiva da Juventus é especialmente significativa diante de um adversário que também tem encontrado dificuldades para marcar nesse confronto. Os bianconeri podem registrar três clean sheets nas três primeiras jornadas pela segunda vez nos últimos 10 anos, repetindo o feito de 2024-25, quando sofreram o primeiro gol apenas na sétima rodada. O Milan, por sua vez, nunca passou por uma sequência maior sem marcar contra uma mesma equipe na história da Serie A do que a atual, de seis jogos diante da Juve. Ao mesmo tempo, o retrospecto em Turim tem sido bom para os rossoneri, que só foram derrotados em apenas uma das seis últimas visitas, com quatro partidas sem serem vazados. E isso ocorreu depois de nove derrotas consecutivas para a Vecchia Signora.
Nas primeiras rodadas, a Juventus encontrou dificuldades em encontrar soluções contra defesas fechadas, o que gerou críticas a Kolo Muani, que vive o início de sua segunda passagem por Turim – ao mesmo tempo, o francês ganhou a sombra de Woltemade na reta final do mercado e precisa de respostas para não perder a titularidade. Até agora, nenhuma equipe tentou mais finalizações de fora da área nas duas primeiras rodadas do que a Velha Senhora, com 18, mesma marca do Sassuolo. González representa uma alternativa particularmente interessante nesse cenário: o argentino retornou do empréstimo ao Atlético de Madrid com a expectativa de não permanecer no Piemonte, mas ficou. Entrou de maneira surpreendente diante do Parma e marcou o gol que iniciou a vitória por 2 a 0. O tento nasceu justamente de duas finalizações de longa distância – a primeira na trave e a segunda aproveitando o rebote. Depois de participar de três tentos em quatro partidas como mandante contra o Milan na Serie A, anotando um e fornecendo duas assistências, ele pode ainda marcar em duas jornadas consecutivas pela primeira vez desde junho de 2024, quando defendia a Fiorentina.
Do outro lado, Rúben Amorim tenta transmitir suas ideias a um time que teve um início positivo em resultados, mas ainda apresenta um elenco pouco equilibrado, com excesso de opções em alguns setores e carências em outros. A saída de Rafael Leão e de outros jogadores que estavam fora dos planos do treinador reduziu parte do ambiente de tensão, mas Tomori, outro nome que poderia deixar o clube, permaneceu. O português, portanto, ainda precisa administrar um grupo em reorganização e uma relação que não costuma ser simples. Ao mesmo tempo, busca transformar o bom começo em algo mais consistente. Aliás, o lusitano pode se tornar apenas o quarto técnico da história a ganhar os três primeiros jogos de Serie A à frente do clube, repetindo os feitos de Mario Sperone, em 1952, Giuseppe Viani, em 1956, e Luigi Bonizzoni, em 1958.
Já Luciano Spalletti tenta conduzir a Juventus a três vitórias nas três primeiras rodadas pelo segundo campeonato consecutivo, algo que a equipe só conseguiu uma vez com dois treinadores diferentes em temporadas seguidas – Giovanni Trapattoni em 1985-86 e Rino Marchesi em 1986-87. No Milan, Rabiot, ex-Juventus, também pode escrever uma marca inédita caso balance a rede: depois de marcar e dar uma assistência na última visita do campeonato, contra o Torino, pode ser o primeiro jogador não italiano a marcar no clássico com as duas camisas. Vale destacar que, nos últimos 10 anos, Bonucci e Locatelli, atual capitão bianconero, alcançaram o feito.
Sexta, 4/9, 15h45 Genoa x Como
Sábado, 5/9, 10h Fiorentina x Torino
Domingo, 6/9, 10h Frosinone x Venezia Parma x Monza
Domingo, 6/9, 13h Bologna x Sassuolo
Segunda, 7/9, 13h30 Cagliari x Lecce
Segunda, 7/9, 15h45 Udinese x Lazio







































