Intervenção no Corinthians: o que os promotores explicaram sobre prazos, provas e próximos passos | OneFootball

Intervenção no Corinthians: o que os promotores explicaram sobre prazos, provas e próximos passos | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Central do Timão

Central do Timão

·19 de agosto de 2026

Intervenção no Corinthians: o que os promotores explicaram sobre prazos, provas e próximos passos

Imagem do artigo:Intervenção no Corinthians: o que os promotores explicaram sobre prazos, provas e próximos passos

Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

Centenas de torcedores do Corinthians se reuniram na tarde desta quarta-feira (19) em frente à sede do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para pressionar pela adoção de uma intervenção judicial no clube. A manifestação foi organizada por torcidas como Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra, e incluiu uma reunião entre lideranças dessas agremiações e os promotores responsáveis pelo inquérito civil que apura a situação do Timão.

Em entrevista coletiva após o encontro, os promotores André Pascoal e Luiz Ambra afirmaram que a investigação ainda está em estágio inicial e que não há previsão de prazo para uma eventual ação judicial. Os representantes do MP-SP também destacaram o caráter técnico da apuração e evitaram fazer prognósticos sobre o desfecho do caso.


Vídeos OneFootball


Imagem do artigo:Intervenção no Corinthians: o que os promotores explicaram sobre prazos, provas e próximos passos

Promotores do MP-SP conversaram com a imprensa nesta quarta-feira — Foto: Reprodução

Segundo os promotores, a manifestação e a conversa com as torcidas não alteram o rumo técnico do inquérito, mas têm papel relevante na transparência do processo.

Eu acredito que efeito prático para a investigação não interferiu, na nossa avaliação, na forma como nós estamos apreciando, mas acho que a transparência é importante num caso como esse”, afirmou um dos promotores. Eles destacaram que o Ministério Público está aberto a receber demandas de todos os cidadãos e que a presença da torcida reforça a dimensão social do caso.

Questionados sobre a possibilidade de o inquérito ser concluído antes das eleições do Corinthians, os promotores foram taxativos: “Não há possibilidade de a gente fazer qualquer juízo de valor com relação a essa situação. A nossa atuação não tem o menor caráter político.” Segundo eles, a apuração é “absolutamente técnica” e pode, ou não, resultar em ação judicial.

Não há nem a certeza de que haverá essa ação, isso depende de toda a nossa apuração e também não há certeza quanto ao momento”, destacou Luiz Ambra.

A investigação na esfera cível, conduzida pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, foi autorizada pelo Conselho Superior do MP-SP e, conforme os promotores, está no início.

Efetivamente, a gente está no início da investigação ainda, mas estamos colhendo bastante provas e estamos desempenhando bastante para instruir o mais rápido possível esse inquérito”, disse André Pascoal. Ele lembrou que o pleito civil ficou suspenso até que houvesse aval do órgão colegiado para a continuidade das apurações.

Sobre a possibilidade de as provas já obtidas serem suficientes para uma conclusão, os promotores afirmaram que ainda não é possível divulgar o que foi apurado.

Não é possível, no presente momento, a gente reportar o que nós temos de apuração. Se já tivesse concluído, certamente nós já teríamos nos manifestado, fosse para um lado, fosse para o outro. Então, a nossa apuração ainda não foi concluída. Então, a gente não pode fazer esse juízo de valor e não pode divulgar o que a gente já apurou de informações”, disseram.

Os promotores explicaram que existem duas frentes de investigação distintas. A primeira, criminal, é conduzida pelo promotor Cássio Conserino e tem objeto mais delimitado. A segunda, na esfera cível, trata o Corinthians como patrimônio histórico-cultural e tem caráter mais amplo. Eles justificaram a atuação do MP pela dimensão e pela relevância nacional e internacional do clube, que o tornam parte do patrimônio cultural do estado.

Sobre a colaboração do clube, os promotores disseram que, até o momento, o Corinthians tem prestado as informações solicitadas. Uma das diligências realizadas foi a oitiva do presidente Osmar Stabile, acompanhado do diretor jurídico do clube e de advogado.

O Corinthians se prontificou a prestar todas as informações que nós solicitarmos. Até o presente momento, tem se mostrado colaborativo, porém, é o começo da apuração.” Eles informaram que novos documentos foram solicitados entre ontem e hoje e que ainda não houve tempo para avaliar se o fluxo de entrega será adequado. O procedimento tramita em sigilo, e os promotores não detalharam o conteúdo dos pedidos, limitando-se a mencionar “cópias de alguns expedientes que tramitam lá”.

A ansiedade da torcida foi um dos pontos principais da conversa com os líderes. Os promotores reconheceram a expectativa, mas defenderam cautela na colheita de provas.

A gente tem que agir, por outro lado, com muita cautela na colheita de provas, até para, caso nós entremos com uma ação, para que ela esteja bem fundamentada, com um bom substrato probatório”, afirmou André Pascoal. A preocupação é evitar uma ação frágil e garantir que, se houver intervenção, ela seja sustentada por evidências sólidas.

Perguntados sobre a comparação com a intervenção judicial no Bahia, que teria durado cerca de dois anos, os promotores evitaram fazer projeções.

É difícil a gente fazer qualquer tipo de prognóstico. É um outro estado, as justiças caminham em passos diferentes, entendimentos diferentes”, disseram. Eles explicaram que há etapas distintas: primeiro, a investigação do Ministério Público; depois, se houver ação, a decisão do Poder Judiciário. Somente após eventual decisão judicial é que um interventor é nomeado. “O juiz delimita os móveis de intervenção e aí a bola passa para o interventor que é nomeado.”

Os promotores também fizeram questão de esclarecer que a intervenção judicial não é uma punição. “Na realidade, é um procedimento que busca tutelar os interesses do clube, resguardar os interesses do clube. Então, se eventualmente, a gente não sabe se vai chegar lá, mas chegando-se a uma intervenção judicial, a ideia é tomar providências para que o clube possa regularizar os pontos que não estiverem de acordo e voltar a seguir por suas próprias pernas”, pontuou Luiz Ambra.

Os representantes do MP disseram que a reunião com as lideranças das torcidas organizadas foi uma conversa de transparência, voltada a esclarecer o funcionamento da intervenção judicial e a evitar falsas expectativas sobre o resultado da investigação.

Foi uma conversa justamente para explicar como funciona a intervenção. Há uma preocupação muito grande por parte dos dirigentes das organizadas de passarem para as pessoas um panorama adequado para o que está ocorrendo, sem criar uma falsa expectativa, e isso é muito importante”, disseram. Eles reiteraram que existem “razões que justificam essa investigação”, mas que não é possível antecipar o desfecho.

Os promotores também comentaram o papel da manifestação popular dos torcedores. Para eles, esse tipo de iniciativa funciona como “um termômetro muito interessante” para verificar o impacto social do caso e reforçar a legitimidade da atuação do Ministério Público. No entanto, ressaltaram que isso não se confunde com o conjunto de provas necessário para justificar eventual intervenção.

Sem dúvida, isso é muito importante, principalmente para frisar a nossa legitimidade, para demonstrar que nós podemos fazer essa investigação, para mostrar que isso interessa a um número gigantesco de pessoas. Mas, com relação à questão de provas, quanto à existência ou não dos fatos, à justificativa ou não para intervenção, são coisas separadas.”

Por fim, os promotores afirmaram que seguem atentos às informações que surgem diariamente sobre o clube, seja por redes sociais ou por provocações formais. “Todas essas situações que chegam para a gente, elas acabam sendo objeto de apuração”, disseram. A expectativa deles é de que a investigação avance com rigor técnico, sem prazos artificiais e sem antecipação de juízo sobre o mérito.

Veja mais:

Torcedores do Corinthians fazem ato no MP-SP e pedem intervenção judicial no clube

Saiba mais sobre o veículo