Central do Timão
·20 de agosto de 2026
Presidente e advogado dos Gaviões da Fiel comentam reunião com promotores no Ministério Público

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·20 de agosto de 2026

Na tarde desta quarta-feira (19), torcedores comuns e as principais organizadas do Corinthians – Gaviões da Fiel, Camisa 12, Fiel Macabra, Coringão Choop, Pavilhão Nove e Estopim da Fiel -se reuniram em frente ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para protestar contra o atual momento do clube e pedir uma intervenção judicial no Timão.
Em entrevista à imprensa durante o ato, o advogado dos Gaviões da Fiel, Edson Oliveira comentou sobre o encontro com o órgão e demonstrou otimismo quanto à implementação de uma intervenção judicial no clube. No entanto, afirmou que não foi estabelecido um prazo para a conclusão do inquérito.

Fotos: Reprodução/Central do Timão
“Eles explicaram pra gente que eles estão trabalhando bastante, que existem vários fatos que estão sendo investigados. Por ser um processo em segredo de Justiça, eles não podem abrir determinados detalhes pra gente. Eles prometeram que estão trabalhando, que é a função deles. E a gente tá bastante confiante”, iniciou.
“Não nos deram um prazo, porque não depende deles, mas eles deixaram claro que as investigações vão continuar, vão ser encaminhadas para um juiz, e esse juiz vai decidir, então, se vai nomear um interventor. Não dá pra dizer que daqui a um mês, daqui a seis meses, depende do andamento das investigações.”
“Então, a gente tá confiante de que, muito em breve, a gente vai ter um bom resultado e, se Deus quiser, livrar o Corinthians de todo o mal, né? Eu acho que eles explicaram que isso nunca aconteceu antes, aliás, só aconteceu no Bahia, numa situação específica, em nenhum outro clube. Então, mais uma vez, a torcida do Corinthians tá fazendo história, e a gente acredita que vai dar tudo certo”, completou.
Ele prosseguiu respondendo se tais atos representam um divisor de águas na história do Corinthians: “Quando a gente vê um dirigente no dia de hoje colocar uma camisa daquela com, eu deixei uma dívida só R$ 1,7 bi, parece até que ele tira um sarro da gente aqui. Mas hoje a gente tá bem confiante com o trabalho que eles tão fazendo aqui”, disse.
O inquérito que apura uma possível intervenção judicial no Corinthians foi instaurado em dezembro de 2025. Mesmo não havendo um prazo exato para o final das apurações, a expectativa é que ele ainda se prorrogue por pelo menos mais dois meses. Caso haja um consenso entre os promotores de que uma intervenção judicial é necessária, caberá ao MP-SP solicitar à Justiça que esse processo seja instaurado.
O judiciário, por sua vez, analisará se acata ou não o pedido. Uma possível alternativa também é a celebração de um termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no qual o Corinthians seria responsável por tomar providências apontadas pelos promotores responsáveis pelo caso – Luiz Ambra Neto e André Pascoal.
Além do protesto desta quarta-feira, a torcida corinthiana fará novos atos pacíficos na noite desta quinta-feira (20), a partir das 21h30 (de Brasília), diante do Rosário Central-ARG, na Neo Química Arena, pelo segundo jogo das oitavas de final da Libertadores. Já no próximo sábado (22), os torcedores organizados e comuns se reunirão em frente ao Parque São Jorge, sede social do clube.
O presidente dos Gaviões Alexandre Domênico, o Ale, também falou com os jornalistas e parabenizou a torcida corinthiana pelos atos desta tarde. Em sua resposta, falou sobre os descasos administrativos relacionados ao Corinthians, citando os três transfer bans (impedimento de registrar jogadores) vigentes do clube – sendo dois na Fifa e um na CBF (CNRD – Câmara Nacional de Resolução de Disputas) – que totalizam aproximadamente R$ 22 milhões. Atualmente, a dívida do clube gira em torno de R$ 2,7 bilhões.
“Acho que nós temos que continuar toda essa manifestação Parabenizar todos os corintianos que conseguiram chegar aqui, a gente sabe que é um horário ruim. A gente demonstrou uma força muito grande. Mas a gente está falando mais da demonstração de força do que a Fiel Torcida unida pode fazer. Acho que nós temos que continuar todo o processo. Já está mais do que provado que esse modelo associativo atual não vai pra frente. A gente briga muito em relação à falta de atenção que eles dão”, afirmou Ale.
Eles têm um projeto financeiro na mesa e eles não querem debater isso. Eles não querem debater a reforma do estatuto, que pra nós é uma extrema vergonha. Se eles acreditam tanto nesse modelo associativo, por que eles não debatem as mudanças que vão fazer com que dê novos rumos ao Corinthians? E pra nós aqui é uma situação até confusa pra nós”, completou.
“Então nesse momento aqui o que a gente pede é a união de todos os corinthianos. E todo corinthiano geral, aquele que pode encostar, aquele que não pode, a gente entende. Porque tem pessoas que não têm condições alguma de encostar presencialmente, mas que continuam lutando, lutando pelo Corinthians. A gente jamais pode baixar a cabeça e mostrar pra esses caras que eles estão vencendo essa batalha, que eles não estão vencendo essa batalha. Nós viemos aqui no Ministério Público agir de maneira racional. A gente sabe como é que funciona o modus operandi, às vezes, da emoção do torcedor.”
Ale prosseguiu: “A gente não quer agir dessa maneira. A gente quer que as pessoas lá dentro entendam que estão sendo incomodadas, sim. A gente veio aqui no sinal de esperança. Hoje o Ministério Público simboliza esperança pro torcedor corinthiano.”
“A gente depende muito deles (MP), porque em algumas situações a gente não consegue chegar no Parque São Jorge no âmbito de fiscalização. Tem certas gavetas lá que a gente não consegue entrar. Infelizmente. Quem vai vai nos ajudar? O Ministério Público. Então essa união hoje é muito importante pra que a gente consiga um êxito e dê novos rumos pro nosso Sport Club Corinthians Paulista. Então, a gente tá numa situação alarmante. Chegamos no fundo do poço.“
“A gente fala com os dirigentes, cada um com a sua promessa. Hoje, nós não temos um dinheiro pra pagar transfer ban. Faz com que o Marcelo Paz, que é um grande profissional ou não, a gente não sabe se o Marcelo Paz é um grande profissional ou não, ele possa contratar, ele possa fazer o trabalho dele. Hoje, nós temos um gerente de futebol (Júlio César) que ele virou assessor de imprensa, mano. Isso não é o trabalho dele. Então a gente pede pra que os corinthianos continuem lutando em uma união. A gente não quer que os corinthianos se digladiem.”
“Acho que o pensamento desses caras que estão dentro do Parque São Jorge é que nós, aqui, nós, os corinthianos no geral, ficam se digladiando entre nós. Isso é muito ruim, mano. A gente tem que estar unidos nesse momento. E eu acho que coisas piores podem vir ainda, mas a gente tem que estar de pé. Unidos. Ninguém largar a mão de ninguém nesse momento. Porque a luta é árdua.”
“Sabe por quê? Porque a gente vive aqui dentro da realidade. Não é ideia imediatista a intervenção judicial. Acho que é importante que os corinthianos entendem isso. Que não vai acontecer amanhã, em um mês ou seis meses. Nós não sabemos. Então a gente tem que estar preparado pra tudo. A gente sabe que pode vir um resultado adverso amanhã e pode crescer mais ainda essa onda de intervenção judicial.”
“Mas a gente sabe gente sabe que a justiça não trabalha em cima de pressão. Isso aqui é muito importante, essa comoção popular. E eu falei pra eles lá. Isso aqui vai crescer cada mês mais. Então eles falaram pra nós que vão tentar agilizar, mas eles vão trabalhar em cima de denúncias. Não cabe só a eles, que estão de maneira imparcial. Mas é importante nós aqui, mano, encostar nos protestos. Quem puder encostar. A gente sabe que é difícil.”
“Sábado a gente vai ter um protesto muito grande. A gente tem que colocar ali minimamente 30 mil pessoas, 10 mil pessoas, 15 mil, 100 mil pessoas. As pessoas que estão indignadas de alguma maneira encostar no Parque São Jorge, estar unido. Ninguém larga mão nesse momento.”
“Olha os candidatos que estão vindo pra disputar a eleição do Corinthians, mano. Eu até gosto desse tipo de postagem, que o cara coloca a camisa lá. Deixamos R$ 1,7bi Sim. Mas pagamos a Arena. Que Arena? A Arena não tá nem paga. Não fazem nada em prol do Corinthians, pelo contrário. E todos nós sabemos aqui, inclusive acho que até o Ministério Público sabe o antro de esquema que é aquele lugar (Parque São Jorge). Ali se cavar ali, vai achar esquema, esquema, esquema, esquema.”
“Cabe a nós aqui estarmos unidos. E com muita força. Está mais do que provado que esses caras, eles sentem medo da Fiel Torcida unida. Então a gente tem que continuar assim, certo, rapaziada? E parabéns a todos que vieram aqui. Vamos fazer nossos protestos amanhã. E, sábado, todo mundo no Parque São Jorge. Coloca a sua camisa do Corinthians. Ninguém é mais corinthiano do que ninguém. Nem torcedor organizado, nem torcedor comum. Nós estamos lutando por um bem maior, que é o nosso Sport Club Corinthians Paulista”, finalizou o presidente da organizada.
Confira a nota oficial dos Gaviões da Fiel sobre a manifestação:
TORCIDA COMPARECE AO MP EM MANIFESTAÇÃO FAVORÁVEL À INTERVENÇÃO JUDICIAL
Nesta quarta-feira (19), a Fiel Torcida demonstrou mais uma vez que não irá se omitir diante da grave situação vivida pelo clube. Em um importante ato realizado em frente à sede do Ministério Público de São Paulo, Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra foram recebidos pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal, responsáveis pelas investigações sobre a possível intervenção judicial no Corinthians.
A mobilização representa a voz de 35 milhões de corinthianos que estão cansados de assistir ao Corinthians ser administrado por dirigentes incompetentes, que acumulam erros, enfraquecem a instituição e colocam em risco o futuro de um dos maiores clubes do mundo.
O ato desta quarta-feira foi apenas mais um passo de uma causa que não pertence apenas às torcidas organizadas, mas a toda a Fiel Torcida.
As mobilizações terão sequência nesta quinta-feira, durante a partida contra o Rosario Central. Porém, o momento mais importante acontecerá no próximo sábado.
Convocamos todos os corinthianos, torcedores organizados, torcedores comuns e associados do clube para o grande protesto pacífico que será realizado no sábado, às 10h, em frente ao Parque São Jorge.
É fundamental entender que essa luta é contra aqueles que, há anos, tratam o clube com irresponsabilidade, incompetência e interesses que não representam a vontade da Fiel Torcida.
No sábado, precisamos mostrar que existe apenas um lado: o lado do Corinthians.
A guerra não é entre nós. A luta é pelo Corinthians. Sábado, um só lado, uma só voz.
A Diretoria Gaviões da Fiel Torcida
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