Central do Timão
·26 de setembro de 2026
Julia Passero avalia primeiro ano no Sub-20 do Corinthians e destaca importância do trabalho na base

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À frente do Corinthians Feminino Sub-20 desde fevereiro, Julia Passero vive em 2026 sua primeira temporada no comando da categoria e conduz as Brabinhas para os últimos desafios do calendário. Campeã brasileira Sub-17 pelo clube no ano passado, a treinadora analisou a mudança de faixa etária, defendeu a valorização dos profissionais que trabalham na formação e falou sobre os desafios que envolvem o desenvolvimento das jovens atletas. As declarações foram dadas em entrevista ao Meu Timão.
Julia Passero assumiu o Sub-20 após a saída de Bia Vaz, que deixou o Corinthians para integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira Feminina Sub-15. A mudança colocou a treinadora diante de jogadoras que vivem uma etapa diferente da formação, próxima da transição definitiva para o futebol profissional.

Foto: Edu Andrade/Staff Images/CBF
Para a comandante alvinegra, entretanto, assumir uma categoria acima não deve ser necessariamente interpretado como uma promoção. Ju destacou principalmente a responsabilidade de trabalhar com atletas que estão deixando a adolescência e começam a lidar com decisões importantes sobre a continuidade da carreira.
“Eu vejo como um desafio. A gente costuma, no esporte brasileiro e mundial, entender a subida de categoria como uma promoção. Eu não vejo assim, eu vejo como um desafio e que, na verdade, você acaba sendo exemplo para as outras categorias. Na minha carreira, eu fui treinadora do Sub-20 em todos os clubes que eu passei. Então, a nível de relação com a idade, que são atletas mais velhas, saindo da adolescência e indo para a fase adulta, uma fase muito duvidosa delas na qual a gente já passou por isso. O desafio delas de ‘poxa, e agora, e o ano que vem? Eu vou ter um ano de categoria de base, o que vou fazer com 21 anos?’. Então é um papel fundamental. Eu vejo como fator positivo e, ao mesmo tempo, bem desafiador”, relatou.
Ju Passero defende valorização de treinadores na base
O desempenho do Corinthians Sub-20 durante a temporada também colocou o nome de Ju Passero em evidência entre parte da torcida. Em meio às críticas recebidas por Emily Lima durante determinados momentos do ano, torcedores chegaram a pedir que a treinadora das Brabinhas assumisse o elenco profissional.
Os números ajudam a explicar o destaque do trabalho. Em 19 partidas disputadas pelo Sub-20 em 2026, a equipe comandada por Ju soma 14 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, alcançando 80,70% de aproveitamento.
Apesar da repercussão, a treinadora reforçou que não enxerga bons resultados nas categorias inferiores como uma obrigação de avançar imediatamente ao profissional. Para ela, a formação também precisa contar com técnicos qualificados em todas as faixas etárias, respeitando as diferentes etapas do desenvolvimento.
“Eu atuo na categoria de base. Como eu falei, a gente tem essa ideia de achar que, quando o profissional está tendo resultados positivos, ele tem que subir de categoria. Eu não acho isso, acho que a gente tem uma visão ainda muito deturpada disso. Tem que ter treinadores bons no Sub-13, no Sub-15, no Sub-17 e no Sub-20. Eu acredito também que é um processo natural da minha formação. Eu acho que ela não precisa ser atropelada, acho que tem as fases certas, momentos certos.
A gente sempre vai achar, ‘pô, não estou preparada’, até algum momento chegar a oportunidade. Então, eu, com certeza, vou dar o meu melhor onde eu estiver no Corinthians. Tenho ambições profissionais, com certeza, como todo mundo tem. Mas, hoje, estou muito feliz na categoria Sub-20, quero contribuir ainda muito para as atletas e a minha missão é fazê-las conseguirem chegar no profissional”, disse.
A fala também evidencia uma das funções assumidas pela treinadora no atual trabalho. Mais do que os resultados das competições, Ju Passero coloca a chegada das atletas ao elenco principal como parte central de sua missão no Sub-20.
O Corinthians já possui exemplos recentes dessa trajetória. Jogadoras como Jhonson e Duda Mineira passaram pelas categorias de base alvinegras antes de conquistarem espaço entre as Brabas.
Repetição de adversários vira desafio na formação
Outro ponto abordado por Ju Passero foi o calendário das categorias de base. Na avaliação da treinadora, a formação das jogadoras também passa pela possibilidade de enfrentar adversários diferentes ao longo da temporada, algo que ainda encontra limitações no cenário nacional.
O exemplo utilizado pela comandante foi o Red Bull Bragantino. Corinthians e equipe de Bragança Paulista se enfrentaram na primeira fase do Campeonato Paulista Sub-20, voltarão a medir forças nas quartas de final e ainda foram sorteados no mesmo grupo da Copinha Feminina.
Com isso, a repetição do confronto pode chegar a seis partidas durante a temporada.
“Eu vejo que a categoria de formação é importante para que a gente diversifique os confrontos. E, infelizmente, ainda a CBF não tem essa diversidade de confrontos. Consequentemente, a gente acaba regionalizando os confrontos. A gente vai, praticamente, para um sexto confronto contra o Red Bull Bragantino. A gente enfrentou elas na fase de grupos do Paulista, tem o mata-mata e, agora, um jogo garantido também, que é da Copinha. Tem os dois lados da moeda. Tanto para o lado ruim que, para as atletas, a gente já sabe como elas jogam, já sabe os confrontos, e também para os treinadores, que já se conhecem, já entendem um pouco mais o estilo do jogo”, explicou.
Se a falta de variedade pode limitar algumas experiências, Ju também identifica uma oportunidade de desenvolvimento nesse cenário. O conhecimento acumulado entre os adversários aumenta a necessidade de buscar novas soluções dentro de campo, já que características individuais e coletivas passam a ser conhecidas pelos dois lados.
“Ao mesmo tempo é desafiador, porque você vai ter que fazer algo diferente. Você não vai poder fazer mais o mesmo porque está bem mapeada. Já sabem que, de repente, uma atleta do Corinthians vai cortar para a direita, então vai ter que fazer uma jogada diferente. Então, eu acho que tem sempre os dois lados da moeda, e eu acho que vai ser um tanto quanto interessante também, porque elas acabam criando rivalidade interna.
A gente teve uma primeira fase muito bacana do Paulista, de muito crescimento da equipe, e que, como a gente fala no termo nosso, as equipes vêm mordidas para uma revanche. Então eu acho que isso motiva elas, com certeza, e estar representando o Corinthians numa competição que a visibilidade é enorme, é motivador”, concluiu.
Corinthians terá Paulista e Copinha na reta final de 2026
Ju Passero agora direciona o trabalho para os últimos compromissos das Brabinhas na temporada. O primeiro desafio será justamente diante do Red Bull Bragantino, pelas quartas de final do Campeonato Paulista Feminino Sub-20.
O jogo de ida está marcado para 17 de outubro, no Estádio Benito Agnelo Castellano. Uma semana depois, no dia 24, o Corinthians recebe a equipe de Bragança Paulista na Fazendinha para definir quem avança no Estadual.
Depois, as atenções se voltam para a quarta edição da Copinha Feminina, prevista para acontecer entre novembro e dezembro. O Corinthians foi sorteado no Grupo B, denominado Copan, ao lado de Red Bull Bragantino, Atlético-MG e Ação-MT.
A sequência encerra um ano de mudanças para Ju Passero, que iniciou 2026 após conquistar o Brasileiro Feminino Sub-17 e passou a trabalhar com a última categoria antes do futebol profissional. Entre resultados, desenvolvimento individual e decisões sobre o futuro das atletas, a treinadora coloca a formação como ponto central de seu primeiro ano à frente do Sub-20 alvinegro.







































