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·22 de setembro de 2026
Lembra dele? Ex-São Paulo do meme “não sei o que aconteceu” vira camisa 10 no Japão

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Poucos memes do futebol brasileiro resistiram tão bem ao tempo quanto a frase atrapalhada de um jovem atacante do São Paulo em 2015. Onze anos depois de viralizar por um motivo completamente alheio ao próprio futebol, João Paulo construiu uma carreira sólida longe dos holofotes do Brasil — e hoje veste a camisa 10 de um clube da primeira divisão japonesa.
Em 2015, ainda no Sub-20 do São Paulo, João Paulo concedeu uma entrevista após a eliminação do Tricolor para o Corinthians na Copa São Paulo de Futebol Júnior que se tornaria, sem que ele imaginasse, um dos memes mais duradouros do futebol nacional. Ao ser questionado sobre um lance específico do jogo, o jovem atacante respondeu, visivelmente sem graça: “Não sei o que aconteceu, mas se aconteceu não tô sabendo.”
A frase, repleta de uma lógica confusa que a tornou instantaneamente compartilhável, acompanhou o jogador por mais de uma década, ressurgindo em redes sociais sempre que seu nome voltava a ser mencionado — inclusive anos depois, quando ele se atrapalhou em outra entrevista, já defendendo o Oeste.
Cria das categorias de base de Cotia, João Paulo nunca conseguiu emplacar como opção regular no time profissional do São Paulo, sendo emprestado ao longo do processo de formação a clubes como Bahia e Criciúma. A trajetória seguiu por um caminho de bastante circulação: depois de passagens por Ceará, Oeste e Guarani, o atacante aventurou-se ainda mais longe, defendendo o Ho Chi Minh City, do Vietnã, em 2021.
De volta ao Brasil, teve uma passagem pelo Desportivo Brasil antes de rumar à Europa, onde defendeu o Oliveirense, em Portugal. Foi de lá que embarcou para o Japão — destino que, diferentemente das paradas anteriores, finalmente lhe trouxe a estabilidade que sua carreira buscava desde a saída do São Paulo.
Desde 2024, João Paulo defende o Yokohama F. Marinos, um dos clubes tradicionais da J League, a primeira divisão do futebol japonês — e não apenas conquistou espaço no time, como se tornou dono da camisa 10, número historicamente reservado aos jogadores de maior criatividade e protagonismo dentro de campo.
Os números comprovam a boa fase: são 67 jogos disputados e 14 gols marcados pelo clube japonês, incluindo um gol registrado já no último fim de semana, que reforça o bom momento do atacante longe do Brasil.
O contraste entre o rapaz que se atrapalhou diante das câmeras em 2015 e o jogador consolidado que hoje comanda o ataque de um clube da elite japonesa é, para boa parte da torcida são-paulina, motivo de simpatia mais do que de chacota. A trajetória de João Paulo se junta a uma lista cada vez maior de ex-jogadores das categorias de base do São Paulo que encontraram, fora do Brasil, o protagonismo que não tiveram no Morumbi — um lembrete de que nem sempre o caminho até o sucesso passa pelos holofotes do futebol nacional.
