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·08 de junho de 2026
Lição para o São Paulo? Flamengo propõe reforma histórica e coloca governança acima de SAF

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Enquanto boa parte do futebol brasileiro debate SAF, recuperação judicial e formas de reduzir dívidas, o Flamengo decidiu atacar um problema que, para muitos especialistas, está na raiz das crises dos clubes: a governança.

O clube carioca protocolou uma proposta de reforma estatutária considerada uma das mais ambiciosas da história do futebol nacional. E o mais interessante é que ela não envolve venda do futebol, privatização ou transformação em SAF. O objetivo é profissionalizar completamente a gestão mantendo o modelo associativo.
A proposta parte de uma premissa simples: o problema do futebol brasileiro não está necessariamente no regime jurídico, mas na forma como os clubes são administrados. Afinal, associações e SAFs já acumularam exemplos de sucesso e fracasso. O que costuma separar os bons projetos dos maus é a qualidade da governança.
Entre as principais mudanças está a extinção das tradicionais vice-presidências amadoras. Em seu lugar surgiria uma Diretoria Profissional, formada por executivos contratados, remunerados, avaliados por desempenho e com dedicação exclusiva ao clube.
Outro ponto importante é a criação de um Conselho Gestor com função semelhante ao Conselho de Administração das grandes empresas. O órgão passaria a definir estratégias, fiscalizar resultados e supervisionar a gestão, sem interferir na operação diária.
A reforma também estabelece critérios técnicos para ocupação dos cargos mais importantes. Experiência comprovada em liderança, gestão empresarial, ambiente acadêmico ou participação em conselhos de administração passa a ser requisito formal para integrar a estrutura decisória.
A transparência é outro pilar do projeto. A proposta prevê divulgação periódica de balancetes, auditorias independentes, relatórios trimestrais de gestão e mecanismos para identificar possíveis conflitos de interesse envolvendo sócios e dirigentes.
Talvez o aspecto mais revolucionário seja a separação entre política e gestão. Profissionais contratados para a administração ficariam proibidos de participar de campanhas eleitorais internas ou apoiar candidatos. Quem faz gestão não faz política; quem faz política não administra o clube.
Para o São Paulo, a discussão é extremamente relevante. O Tricolor vive debates constantes sobre profissionalização, reforma estatutária, separação entre futebol e clube social, governança e até eventuais modelos de SAF. A iniciativa do Flamengo mostra que existe um caminho alternativo: fortalecer os mecanismos de gestão antes mesmo de discutir mudanças no modelo jurídico.
No fim das contas, a principal reflexão deixada pela proposta é clara: SAF não é sinônimo de gestão profissional, assim como associação não é sinônimo de amadorismo. O que determina o sucesso de um clube continua sendo a qualidade de sua governança, a capacidade de fiscalização e a existência de regras que sobrevivam às trocas de dirigentes.
Se aprovada, a reforma pode se tornar uma referência para todo o futebol brasileiro e aumentar a pressão para que outros grandes clubes, inclusive o São Paulo, avancem em mudanças estruturais semelhantes.







































