oGol.com.br
·11 de setembro de 2026
Ligas alternativas, título histórico no Japão e desafio na Tailândia: A carreira sem fronteiras de Eduardo Mancha

In partnership with
Yahoo sportsoGol.com.br
·11 de setembro de 2026

Um título histórico no Japão e uma hegemonia defendida no maior campeão tailandês. Aos 30 anos, Eduardo Mancha encontrou no futebol asiático a estabilidade para construir a sua carreira após adquirir experiência em destinos alternativos. O zagueiro atualmente defende o Buriram United, clube mais tradicional da Tailândia, e precisou amadurecer rapidamente no exterior antes de alcançar as principais conquistas do currículo.
Nascido no interior da Bahia, Mancha passou por testes no Bahia e Vitória, antes de completar a sua formação no Ceará. Apesar das passagens nas categorias de base de clubes nordestinos, o jogador, que na época atuava como volante, começou a sua carreira no futebol paulista.
A primeira temporada completa na carreira profissional rendeu ao jogador um salto do Jabaquara, na quarta divisão paulista, para o Módulo 2 do Mineiro com o Guarani. Em entrevista a oGol, Eduardo Mancha contou os bastidores do início de carreira sem glamour no futebol brasileiro.
"Eu não tinha empresário na época e ia ligando e fazendo contato para procurar oportunidades, até que surgiu uma chance no Guarani. Fiquei pouco tempo lá, acabamos sendo eliminados de maneira precoce e encerrei minha primeira passagem. Logo em seguida, eu fui convidado a fazer parte de um projeto do Anderson Talisca, que estava montando um time, mas acabou não dando certo e fiquei novamente desempregado", relembrou.
"Como eu tinha feito um bom campeonato mineiro, apesar dos resultados, liguei para o diretor do Guarani de Minas e pedi uma chance. Ele me falou que o elenco estava fechado e que não precisavam de volantes, apenas de zagueiro e centroavante. Então, eu me ofereci para atuar na defesa, se o treinador gostasse eu ficava, se não eu ia embora. No fim, me adaptei bem por ter uma boa saída de jogo, e fizemos uma grande temporada", completou o zagueiro.
Além de levar o clube mineiro ao título e ao acesso para a elite estadual, Mancha também recebeu um convite para atuar pela primeira vez no exterior, mas em um destino um pouco desconhecido: Malta.
O conjunto de pequenas ilhas no sul da Europa foi a porta de entrada para o zagueiro fora do Brasil. O brasileiro permaneceu por uma temporada no Birkirkara e saiu na janela seguinte para uma nova aventura, desta vez no Oriente Médio. A passagem pelo Irã, defendendo o Machine Sazi, também durou apenas uma temporada, e serviu para ampliar a experiência do zagueiro, antes de vôos mais altos.
"As minhas duas experiências iniciais na Europa foram fundamentais na minha carreira. Eu não falava a língua local, não conhecia muito da cultura, mas corri atrás para me adaptar o mais rápido possível, sem inventar desculpas, sabia que dependia apenas de mim. Aprendi a falar inglês, me adaptei à rotina de cada lugar e fiz tudo o que pude para estar preparado", avaliou o brasileiro.
Apesar da proposta para permanecer no Irã, Mancha optou por um retorno ao futebol europeu para atuar em Portugal. O brasileiro assinou com o Farense, disputando a primeira divisão lusa.
Em busca de estabilidade, mas sem entrar na zona de conforto, o zagueiro permaneceu no clube por duas temporadas e decidiu procurar um novo destino somente quando não encontrou oportunidades de progredir no futebol local. Com o fim do contrato com o Farense, Mancha pediu ao empresário priorizasse propostas do Oriente Médio e, em especial, na Terra do Sol Nascente.
O desejo de atuar no Japão levou o zagueiro para o Ventforet Kofu na J2 League. Mancha encontrou no país asiático todas as virtudes recomendadas por brasileiros que já passaram pelo futebol local.
"Todo mundo fala que o Japão é um país incrível para viver e chegando aqui eu vi que realmente é. A cultura, a segurança, o respeito, tudo é levado muito a sério lá. É um lugar que te faz evoluir como jogador e como pessoa", destacou.
"O nível técnico do futebol também é muito atraente. Às vezes, alguns jogadores chegam no país com status de estrangeiro e não conseguem desempenhar bem por achar que tudo vai ser ao natural, mas não é. Existe uma cobrança sim, mas de forma respeitosa tanto da torcida como dos diretores, e nós como atletas precisamos ter seriedade e profissionalismo para conseguir entregar o que esperam de nós", completou.
Além de qualidade de vida para atuar, Mancha também conquistou no Japão o título mais marcante da sua carreira com um feito inesquecível no futebol local. O brasileiro participou da conquista da maior zebra da história da Copa do Imperador, vencendo a principal competição de mata-mata do país em um clube da segunda divisão nacional.
Em 105 edições da disputa, em apenas duas um clube fora da primeira prateleira japonesa ficou com a taça. Em 2022, o Ventforet Kofu passou por clubes tradicionais pelo caminho, como Kashima Antlers e Sanfrecce Hiroshima, até chegar ao seu primeiro título nacional de expressão.
Na decisão, o clube venceu o Sanfrecce nos pênaltis com uma dose extra de emoção envolvendo o maior ídolo do clube. Hideomi Yamamoto, na época com 42 anos, entrou nos minutos finais da prorrogação e cometeu um pênalti, salvo pelo goleiro Kohei Kawata.
O empate persistido no placar levou a decisão do troféu para as penalidades, onde o goleiro defendeu mais uma cobrança e o veterano Yamamoto se redimiu marcando o gol que garantiu a maior conquista da história do clube.
"Parecia o roteiro de um filme. Fizemos um gol cedo, conseguimos nos defender bem durante toda a partida, mas sofremos um gol no final do segundo tempo. Na prorrogação estávamos bem novamente até aquele pênalti acidental da lenda do clube. Eu sabia que se o nosso goleiro não defendesse seria muito difícil correr atrás. Quando ele pegou, parecia que estava tudo caminhando para nós entrarmos para a história", relembrou Eduardo Mancha.
"Participar de um título desse é a consolidação de um sonho. Levar um clube da segunda divisão para a conquista da maior copa do país e vencendo clubes gigantes da primeira divisão é algo inimaginável. Eu acho que só depois que fui embora eu percebi o tamanho que tudo aquilo representou", completou.
Na passagem mais duradoura da carreira até então, Mancha atuou por quatro temporadas no Ventforet, até trocar o clube da J2 League pelo maior campeão da Tailândia. O brasileiro encerrou a sua jornada pelo clube japonês, mas a lenda, Yamamoto, segue atuando aos 46 anos na sua 25ª temporada consecutiva pela equipe.
Se em Kofu, o título conquistado por Mancha se tornou histórico para o Ventforet, no Buriram, o brasileiro encontrou uma rotina completamente diferente com conquistas em sequência e a pressão pela manutenção da hegemonia.
Foram apenas três meses na Tailândia até o zagueiro comemorar a primeira taça no Buriram United. Maior campeão nacional com 12 títulos, o clube faturou dez dos últimos 13 campeonatos tailandeses, incluindo cinco de maneira consecutiva nesta década.
Mancha destaca a estrutura do clube tailandês que justifica sua soberania no cenário nacional. O brasileiro aceitou o desafio no futebol tailandês pela possibilidade de brigar por títulos e a oportunidade de continuar crescendo na carreira.
"Sempre evitei entrar na minha zona de conforto. Se avalio que não vou conseguir mais crescer naquele mercado, busco um novo desafio. Defender um clube com tanta tradição com o Buriram é um salto importante na minha carreira. Disputar a Liga dos Campeões da Ásia, brigar por títulos e me manter em constante evolução foram fatores decisivos", ressaltou.
Nos últimos anos, a Tailândia se tornou um mercado ainda mais atraente para os jogadores brasileiros. Na temporada passada, 59 brasileiros atuaram na primeira divisão do país, na atual, apenas na primeira rodada, 71 jogadores brasileiros entraram em campo espalhados em 16 clubes.
Para Eduardo Mancha, as semelhanças com o Brasil no clima e a quebra de paradigmas com o país são pilares fundamentais para a chegada em massa dos brasileiros.
"Sempre que falei com jogadores que atuaram aqui tive boas impressões do país, chegando aqui consegui confirmar esta expectativa. A Tailândia é um país muito bonito e tem um clima bastante semelhante ao Brasil", reforçou.


Ao vivo





































