Portal dos Dragões
·23 de setembro de 2026
Mora, o bicampeonato para o FC Porto e as “despedidas difíceis”: “Precisava de um novo desafio”

In partnership with
Yahoo sportsPortal dos Dragões
·23 de setembro de 2026

Concentrado com a Seleção Nacional de Sub-21 para três jogos de qualificação para o Europeu da categoria, Rodrigo Mora falou das ambições da equipa orientada por Luís Freire e da mudança do FC Porto para a Roma. Entre o desejo de garantir o apuramento, a adaptação ao futebol italiano e uma despedida carregada de emoção, deixou também votos pelo bicampeonato portista. Sobre a decisão de partir, garantiu: “Sem dúvida, sabia que precisava de um novo desafio na minha vida.”
Em declarações ao Canal 11, Rodrigo Mora revisitou uma mudança que encerrou uma ligação de dez anos ao FC Porto e o levou para uma cultura diferente. O jogador não escondeu o peso da despedida, mas apresentou a transferência como o passo necessário para continuar a crescer. Pelo meio, há um presente dividido entre a afirmação na Roma e os objetivos imediatos dos Sub-21.
Na seleção orientada por Luís Freire, Mora encontrou um grupo determinado a resolver desde já a qualificação. O horizonte é claro e inclui uma ambição que Portugal ainda não concretizou neste escalão.
“É uma grande equipa. Queremos garantir a qualificação já nestes três jogos.”, afirmou. “Portugal nunca venceu um Europeu de Sub-21 e queremos muito”.
A mensagem não se fica pela confiança na qualidade da equipa. Há urgência competitiva e a vontade de transformar os próximos três encontros num passo decisivo rumo ao Europeu.
A mudança para a Roma obrigou-o a deixar a cidade onde viveu durante 19 anos e a entrar num contexto novo. Mora reconheceu a diferença cultural, mas mostrou-se satisfeito com a escolha e entusiasmado com o ambiente que encontrou.
“Foram 19 anos a viver no Porto, 10 anos a jogar no FC Porto. Fui para uma cultura diferente, mas estou feliz e acho que vai ser uma boa mudança para mim.”, explicou. “O peso de jogar no Olímpico de Roma? É um ambiente especial e dá muita vontade de marcar”.
A adaptação ganhou também uma referência especial no balneário: Dybala, jogador que Mora via quando era criança e que agora tem ao lado nos treinos e nos jogos.
“Via-o em criança e agora poder treinar e jogar ao lado dele… É muito bom vê-lo e é uma pessoa muito humilde e ajudou-me muito nestes primeiros tempos. Sou grato por jogar ao lado dele”.
O fascínio inicial não apaga a exigência da mudança, mas ajuda a torná-la mais natural. Nas palavras de Mora, a admiração por Dybala passou da distância para uma convivência marcada pela humildade e pelo apoio.
Se o presente está em Roma, o FC Porto continua a ocupar um lugar central no discurso do jogador. A despedida foi difícil, depois de uma década de azul e branco, e a ideia de casa permanece intacta.
“As despedidas nunca são fáceis. Foi difícil para mim porque foi muito tempo… foi a minha casa e acho que será sempre a minha casa.”, reconheceu. “Foi difícil, mas sei que todos os ciclos se fecham e podem abrir-se mais tarde. O mais importante é que saio de coração cheio, saio como campeão, e acho que isso é o mais importante. Serei sempre mais um portista a apoiar desde Itália, sei que está a correr bem, que continue assim, e que venha o bicampeonato”.
A saída, contudo, não foi apresentada como uma rutura. Mora enquadrou-a como o fecho de um ciclo que poderá voltar a abrir-se e como uma decisão tomada em busca de um novo estímulo competitivo.
“Sem dúvida, sabia que precisava de um novo desafio na minha vida. Sou muito grato por todos estes anos, mas era o que eu queria e um novo desafio numa liga tão competitiva como a italiana, creio que vai ser bom para mim”.
Fica uma despedida de coração cheio, com o título conquistado e a ligação emocional preservada. À distância, Mora assume-se como mais um portista e deixa um desejo inequívoco: que o FC Porto mantenha o rumo e alcance o bicampeonato.
Na Roma, o foco está colocado no presente e na construção de uma época consistente. A estreia na Champions representou um passo importante, mas o jogador quer acrescentar títulos e minutos ao novo capítulo da carreira.
“No futebol, muda tudo muito rápido e, no presente, só quero ter uma boa época na Roma. Estreei-me na Champions, foi um passo importante para mim, nunca tinha jogado, e espero vencer títulos na Roma e jogar o máximo possível”.
Sobre a possibilidade de conquistar um título logo no primeiro ano, Mora recusou qualquer precipitação. A boa fase não elimina a instabilidade de um campeonato que descreve como muito competitivo.
“Estamos numa boa fase, mas [a Serie A] é um campeonato muito competitivo.”, analisou. “Isto pode mudar muito rápido e temos de estar sempre focados. Estamos no caminho certo”.
O discurso combina ambição e prudência: há confiança no percurso, mas também consciência de que tudo pode mudar depressa. Por isso, o objetivo imediato passa por manter o foco e consolidar espaço na Roma.
A Seleção A permanece como outro dos grandes sonhos. Depois de duas convocatórias e de uma presença condicionada por lesão, Mora prefere avançar sem atalhos.
“É o sonho de toda a gente, já fui convocado duas vezes e fui lá uma – tinha-me lesionado. Todos temos o sonho, mas, passo a passo, é continuar a trabalhar e vai surgir o dia”.
A ambição está assumida, mas não transformada em ansiedade. Mora entrega o futuro ao trabalho diário e mantém a mesma linha que atravessa todo o discurso: crescer passo a passo, sem perder de vista os grandes objetivos.























