Gazeta Esportiva.com
·14 de fevereiro de 2026
MP insere ex-dirigentes de gestões Andrés e Duilio em investigação sobre notas frias no Corinthians

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·14 de fevereiro de 2026

Por Tiago Salazar
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do promotor Cássio Roberto Conserino, determinou o aditamento das investigações no Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que apura supostas irregularidades durante a gestão de Duilio Monteiro Alves como presidente do Corinthians, entre 2021 e 2023. O objetivo do aditamento foi inserir novos investigados e trazer um novo braço às investigações.
Em despacho assinado na última quinta-feira pelo promotor, o MP-SP determinou a inclusão de ex-dirigentes das gestões Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves. Roberto Gavioli, gerente financeiro afastado do Corinthians que também esteve na administração de Andrés, e Wesley Melo, diretor financeiro de Duilio, foram inseridos na apuração.

(Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
De acordo com a investigação da promotoria, a plataforma de operações financeiras do clube funcionava por meio dos mecanismos de reembolso de despesas e solicitação de adiantamentos. A liberação de ambos dependia, necessariamente, das autorizações de Roberto Gavioli e Wesley Melo.
Diante deste cenário, tanto Gavioli como Melo foram convocados a prestar esclarecimentos. O depoimento de ambos foi agendado para o próximo dia 18 de março (quarta-feira). Duilio Monteiro Alves também deve ter a oitiva colhida pelas autoridades, mas ainda não há data marcada para tal.
Os empresários João Clóvis da Paixão e Valeri Maria Pauletti também foram incluídos na investigação sobre as possíveis irregularidades financeiras no Corinthians. O MP-SP justifica a decisão com base nos autos, que indicam que ambos são proprietários de estabelecimentos comerciais, com indícios de que teriam apresentado notas frias e/ou superfaturadas para explicar gastos suspeitos no clube.
Assim como Gavioli e Wesley Melo, os dois empresários também foram convocados a dar seus respectivos depoimentos no próximo dia 4 de março (uma quarta-feira), via videoconferência.
Ainda no despacho, o MP-SP indica supostos adiantamentos que somam cerca de R$ 1,2 milhão. O montante total de R$ 1.278.798,10 teria sido liberado, durante a gestão de Duilio Monteiro Alves, sem nenhum tipo de documentação que justificaria as despesas como sendo do clube.
Foi justamente pelo possível adiantamento deste valor que Roberto Gavioli e Wesley Melo foram inseridos na investigação, uma vez que a solicitação, à época, teve a anuência do departamento financeiro do clube.
O MP-SP ainda requisitou informações ao Corinthians sobre o cargo ocupado por Denílson Grilo, colocado inicialmente como ex-motorista de Duilio. O órgão também requer os períodos de trabalho e os valores salariais, além de ter solicitado diligências, ao Centro de Apoio Operacional à Execução (CAEX-CRIM), em dois locais na Cidade Domitila, zona Sul de São Paulo. Há, ainda, um pedido para localizar Geovani Robson Rodrigues Diniz.
As informações foram inicialmente divulgadas pelo UOL e confirmadas pela Gazeta Esportiva.
Em janeiro de 2026, a Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para investigar um possível desvio de dinheiro e uso de notas fiscais frias durante a última gestão de Duilio Monteiro Alves.
Um suposto relatório de despesas da presidência do Corinthians mostrou que o clube teria bancado gastos pessoais durante o mandato de Duilio. O documento mostra que, entre os dias 26 de setembro e 31 de outubro de 2023, foram realizadas 176 compras, totalizando R$ 86.524,62.
Entre essas possíveis despesas estão: cerveja, cigarro e até tadalafila, remédio para disfunção erétil. As compras, porém, não teriam sido necessariamente realizadas por Duilio. O ex-presidente não reconheceu as faturas e, na ocasião, registrou uma notícia-crime na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade).
Duilio Monteiro Alves, vale lembrar, também é alvo de outra investigação do Ministério Público. Ele foi denunciado por apropriação indébita pelo possível uso indevido de cartões corporativos do Corinthians. O mesmo aconteceu com o ex-presidente Andrés Sanchez. As faturas dos cartões da gestão Augusto Melo, mandatário destituído no ano passado, também vem sendo apuradas.









































