MundoBola
·15 de janeiro de 2026
Não é hora de jogar todas as crianças fora com a água do banho

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·15 de janeiro de 2026


Na noite de ontem, pela 1ª rodada do Campeonato Carioca (que acontece logo depois da 5ª rodada do Campeonato Carioca, porque é um torneio especial) o Flamengo perdeu por 2x1 para o Bangu, colocando em campo seu time sub-20, que foi carinhosamente apelidado por parte da crônica esportiva de “Flamengo Kids”.
E ainda que muitas reclamações e críticas estejam sendo feitas sobre o desempenho da equipe, que garantiu a resenha ao sofrer um gol do atacante haitiano Garrinsha, mas não garantiu o resultado, e agora tem um ponto em dois jogos, duas coisas muito importantes precisam ser lembradas nesse começo de temporada em que o Flamengo está disputando a primeira competição do ano com um time de garotos.
A primeira coisa é que não se trata exatamente de uma “opção”, já que não apenas legalmente os atletas do time principal tem seu direito a férias como fisiologicamente a equipe precisa de uma pré-temporada se quiser estar preparada para esse ano. É natural do torcedor se indignar com qualquer derrota, se eu vejo uma criança com camisa do Flamengo tomando gol de uma criança com outra camisa numa pelada de rua fico querendo xingar, mas a realidade é que se alguns tropeços no estadual forem o preço a se pagar por títulos maiores, vale totalmente a pena.
E a segunda coisa é que quando você escala um time sub-20 para jogar contra equipes profissionais, a tendência é que - surpresa - ele se comporte como um time sub-20 que está enfrentando profissionais. Houve instabilidade, falta de objetividade, problemas pra se adaptar a situações de jogo e alguns gols perdidos, nas duas partidas, que se espera jogadores profissionais não percam.
Mas não apenas jogadores profissionais também cometem diversos erros como, vale lembrar, esses garotos, salvo algumas exceções, ainda não eram considerados maduros o bastante para atuar pelo profissional. É compreensível e até esperado que eles encontrem dificuldades para ajustar a intensidade, a concentração e a objetividade que se espera de alguém no time de cima, ainda mais um time com o nível de exigência do Flamengo.
Porém ainda assim foi possível observar que vários dos garotos tem qualidade, seja para amadurecer e participar como peças de reposição no time principal, seja para atuar em outras equipes, como é a situação, por exemplo, de Wallace Yan. O garoto teve altos e baixos, tomou algumas atitudes caóticas e acabou perdendo espaço na disputar por uma vaga no time de Filipe Luís? Sim. Mas é possível negar a qualidade do atleta, que terá mais oportunidades no Bragantino e, com menos pressão, pode vir a se tornar um grande jogador? Com certeza não.
Então ainda que a derrota seja amarga, o resultado dela é bem menos problemático do que alguns podem querer fazer parecer. O Flamengo ainda está vivo no Estadual, segue sua preparação para a temporada e os garotos da base, ainda que não tenham conseguido bons resultados, dominaram as partidas e vem mostrando que existe ali muito potencial para ser aproveitado, seja agora ou no futuro, seja na Gávea ou no mercado de transferências. Se o Carioca existe para experiências, não vamos criticar os garotos e a comissão técnica por experimentar.









































