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·24 de setembro de 2026
O Berço da Civilização Ocidental que hoje é uma fábrica de craques: precisamos falar da Grécia

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Berço da Civilização Ocidental, a Grécia deu ao mundo a democracia, o dom da oratória e sustentáculos políticos e sociais que nos definem até hoje. Foi lá também que as artes se transformaram, e os esportes iniciaram uma tradição que se tornaria secular com os Jogos Olímpicos. Agora, o país que tanto ofereceu ao mundo apresenta uma geração de craques singular, que promete dar o que falar nos próximos anos.
Ao longo dos anos, chamar de "geração de ouro" um grupo promissor de jogadores provou ser mais um estigma do que um sinal de bons auspícios. Longe de nós aqui desejarmos nada além do sucesso de quem almeja grandes coisas na carreira. Mas precisamos falar da "geração de ouro" da Grécia, que será colocada à prova em um novo patamar a partir desta semana.
Sem disputar uma Copa do Mundo desde 2014, a Grécia não empolga tanto o torcedor desde o time de Zagorakis, Katsouranis, Charisteas, Karagounis e companhia, que conquistou a Europa em 2004 em cima de Portugal.
Em março do ano passado, uma atuação sublime de Giannis Konstantelias e a participação decisiva de Karetsas e Tzolis fizeram a Grécia bater a Escócia, em Glasgow, e conseguir, pela primeira vez na história, o acesso para a chave principal da Liga das Nações. Os gregos estão no grupo 2, com Alemanha, Holanda e Sérvia.
Apesar da dificuldade dos rivais, o novo ciclo, visando a Copa do Mundo de 2030, começa com esperança na Grécia. Não apenas por poder competir com as grandes potências do continente, mas pelo poder de fogo de seu ataque e pela geração que desponta com protagonismo nas principais ligas da Europa.
Se Konstantelias se recupera de uma ruptura do ligamento cruzado e só vai aparecer mais para frente nas convocações, o técnico Ivan Jovanovic tem nomes de peso em sua primeira convocação para o novo ciclo. A começar por um trio presente na eleição do Golden Boy.
Christos Mouzakitis faturou o Golden Boy na votação popular na temporada passada após uma campanha segura pelo Olympiacos. Meia de apenas 19 anos, natural de Atenas, Mouzakitis participou da "promoção" grega na Nations League e já soma 11 jogos com a seleção principal.
De um sucesso precoce no futebol grego, Mouzakitis é uma das apostas do recém-promovido para a Premier League, Hull City. O grego chegou já no final da janela, por 15 milhões de euros, e estreou contra o Sunderland, na Copa da Liga.
Outro nomeado é Konstantinos Karetsas, e aí está um dos nomes mais habilidosos da geração. Karetsas se destacou pelas assistências na última temporada belga: foram 15 pelo Genk. O suficiente para o jovem dar o salto para a Bundesliga.
Se juntou ao seu compatriota Konstantelias no Signal Iduna Park e, apesar de também ter se lesionado, já se recuperou e apareceu na lista de Jovanovic. O adolescente, de 18 anos, já soma 10 jogos, 3 gols e 1 assistência pela Grécia e é visto como mais uma joia que o Dortmund busca lapidar na sua "máquina de talentos".
O terceiro nome é Kostoulas, que foi uma das figuras na Premier League no fim de semana, com gol e assistência contra o Arsenal. Atacante de 19 anos, Kostoulas já soma 4 gols e 2 assistências em 8 partidas na temporada e é um dos protagonistas das Seagulls.
Comprado temproada passada junto ao Olympiacos, Kostoulas ainda busca seus primeiros gols com a seleção grega, e certamente encontrará neste ciclo rumo a Copa de 2030. O atacante é um dos nomes do forte ataque grego.
Outro nome ofensivo da "geração de ouro" grega no Campeonato Inglês é Christos Tzolis. Líder em participações em gols na Liga Belga pelo Club Brugge, com incríveis 29 assistências, Tzolis custou 40 milhões de euros ao Arsenal. E o valor parece uma bagatela...
O grego teve um grande início de temporada nos Gunners, já soma quatro assistências ganhou espaço entre os titulares. Apesar de ainda ter 24 anos, já soma 34 jogos, 9 gols e 3 assistências pela seleção grega.
Além de jovens meias e pontas de muita habilidade e que entregam assistências, a seleção grega tem muita força ofensiva em atacantes capazes de entregar muitos gols. A começar por seu camisa 9: Vangelis Pavlidis é um dos principais artilheiros do futebol europeu nesse início de temporada.
Mais experiente que os nomes até aqui citados, e já com mais de 50 jogos pela seleção grega, Pavlidis foi o primeiro a atingir dígitos duplos de gols na temporada europeia e soma, até aqui, 14 gols em 13 jogos pelo Benfica. Nas últimas três temporadas, ele marcou pelo menos 30 tentos (em cada uma).
Com os mesmos 27 anos, aparece como opção Tasos Douvikas. O atacante marcou 14 gols na histórica campanha que colocou o Como na Liga dos Campeões e participou, com gol, da estreia com goleada, em cima do Leipzig.
Ioannidis, de 26 anos, não conseguiu repetir a temporada de 23 gols e 10 assistências pelo Panathinaikos em Portugal e tem muito menos destaque que Pavlidis em Lisboa, mas ainda assim é uma terceira opção interessante no comando de ataque.
Na defesa, a Grécia conta com nomes mais experientes, apesar de ter um jovem defensor de apenas 22 anos: Koulierakis. Defensor canhoto, ganhou projeção na Bundesliga pelo Wolfsburg e foi negociado com a Roma, onde ainda busca espaço.
Konstantinos Tzolakis, de 23 anos, é uma aposta para a renovação no gol. O jogador tem 23 anos e, depois de duas temporadas de destaque no Olympiacos, foi negociado com o Hull City, já sendo titular na Premier League.
A titularidade na meta, entretanto, segue com Odysseas Vlachodimos, que vai para sua segunda temporada em La Liga e é titular do Sevilla. Vlachodimos conseguiu destaque em Portugal pelo Benfica e atuou ainda por Nottingham Forest e Newcastle na Premier League.
Na linha de zaga, Kostas Mavropanos também atua no alto nível há algum tempo. Revelado pelo Arsenal, o zagueiro já jogou na Bundesliga e atualmente está no West Ham, com um começo de temporada artilheiro: são 4 gols em 9 partidas, o último no dérbi do fim de semana contra o Millwall.
Kostas Tsimikas, lateral esquerdo já com 30 anos, joga também na Inglaterra, mas na elite. O defensor atua pelo Liverpool desde 2020, com uma breve passagem na temporada passada por empréstimo com a Roma.
Vagiannidis (25), o lateral do outro lado, conseguiu sete assistências temporada passada pelo Sporting, mas vive um início de temporada mais tímido em Portugal, com apenas quatro jogos e algumas partidas no banco sem entrar.
Se o time de 2004 teve como base destaques já mais experientes, a atual seleção grega tem uma base jovem muito forte. E ainda conta com novas promessas na fila, ainda com esperanças de fazer parte deste ciclo.
Nas Eliminatórias para a Eurocopa sub-21, a Grécia divide a liderança do grupo com a Alemanha, com direito a vitória sobre os alemães fora de casa. Stéfanos Tzímas (20) e Charalampos Kostoulas (19), atacantes do Brighton, são destaques ao lado de Koutsias, que começou a temporada com 5 gols em 7 jogos pelo Famalicão, em Portugal, e também ambiciona a seleção principal. Kontouris, do Panathinaikos, é visto como um meia de muito potencial, embora ainda sem estar pronto para o mais alto nível.
A presença de jovens promissores não é uma mera sorte geracional. A Federação Grega lançou nos últimos anos o projeto Anagennisi, que significa renascimento. A iniciativa redesenhou o futebol de formação no país, focando em crianças e jovens de 6 a 14 anos.
Foi traçada uma "Identidade Grega Unificada" para pautar o desenvolvimento do talento em clubes amadores e profissionais. Ela indica diretrizes, desde a proibição do uso da cabeça em grupos mais jovens até a forma como a equipe deve construir o jogo desde a defesa com passes curtos, sem chutão dos goleiros, visando um jogo apoiado.
A cartilha, que segundo a federação local já chegou a 95% das regiões do país, estimula o uso das fintas e dribles, reforça a criação de triângulos de passe e redefine a participação do goleiro, mais protagonista no processo ofensivo.
A federação ainda ampliou seu escopo na busca por novos talentos, estruturando uma metodologia para o mapeamento de novas promessas. Para que tudo funcione, são enviados coordenadores regionais e treinadores para observar o dia a dia de clubes locais.
Não à toa, a palavra que se repete quando falamos da "geração de ouro" da Grécia é "talento". Ao longo dos anos, isso nunca faltou para o lugar que é o berço da nossa civilização ocidental.







































