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·06 de agosto de 2026
O Palmeiras não tem dois times: tem um time e um banco de luxo

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Repare em quem ganhou o jogo de domingo. Flaco López entrou e marcou, Vitor Roque e Felipe Anderson entraram e deram fôlego, Arthur saiu do banco e participou do terceiro gol. Nesta quarta-feira, em Cuiabá, os quatro começaram jogando. O Palmeiras levou 2 a 1 em 43 minutos de um Fortaleza que tinha sido atropelado três dias antes.
Não é coincidência e não é falta de qualidade. É o que este elenco é: um time titular sólido e um banco excelente para mudar partida em andamento — que não é a mesma coisa que um segundo time capaz de construir uma do zero.
Quem entra aos 25 do segundo tempo pega um adversário gasto, um jogo com o desenho já definido e a obrigação de fazer uma coisa só. Quem começa precisa montar o jogo: achar o tempo da linha defensiva, decidir quando sair jogando e quando chutar pra frente, aguentar 20 minutos em que nada funciona sem entrar em pânico. São habilidades diferentes, e a segunda leva mais tempo para aparecer.
Riquelme é o exemplo mais claro da noite. Promovido a titular, durou 45 minutos. Não porque jogou mal a ponto de merecer punição — porque a função exigia dele algo que ele ainda não tem repertório para entregar. Vitor Roque, que na ida entrou para ampliar a vantagem, também não passou dos 54 minutos. Foram substituições de correção, não de desgaste físico.
É por isso que a tripla troca aos 54 minutos é o lance mais importante da partida, e nem sequer é um lance. Abel Ferreira tirou Riquelme, Vitor Roque e Lucas Evangelista e colocou Jhon Arias, Andreas Pereira e Ramón Sosa. Nenhum treinador mexe em três posições antes da hora de jogo porque gostou do que viu. Ele desmontou o time que ele mesmo tinha escalado sem esperar dez minutos da etapa final.
Seis minutos depois, Murilo empatou. A eliminatória nunca esteve em risco de verdade, mas a partida virou no instante em que os titulares entraram — e não no instante em que o time reserva se ajeitou sozinho.
Flaco López marcou nos dois jogos, entrando no primeiro e começando no segundo. É o único do grupo que passou no teste nas duas funções, e não por acaso é também o mais rodado deles. Profundidade de elenco não se conta somando nomes contratados: conta-se por quantos jogadores aguentam começar um jogo difícil. O Palmeiras tem uns onze ou doze assim. Do décimo terceiro em diante, é aposta — boa aposta, às vezes, mas aposta.
Alguém vai lembrar, com razão, que o time entrou em campo sem cinco lesionados e um poupado. É verdade, e é justamente o ponto: quando a lista de desfalques cresce, o Palmeiras não perde titulares, perde a possibilidade de usar o banco como banco. Foi o que aconteceu em Cuiabá.
Nesta quarta o erro saiu de graça. Havia cinco gols de colchão, o Palmeiras podia perder por dois e ainda assim viajar, e ninguém vai lembrar deste 3 a 2 daqui a um mês. Nas quartas, cujo adversário só sai em novo sorteio da CBF, não vai existir almofada nenhuma — e o chaveamento fechado até a final significa que o próximo tropeço tem preço integral.
Minha leitura é que Abel já sabia disso antes de escalar, e escalou assim mesmo porque precisava saber com quantos podia contar. Descobriu. A resposta é menos animadora do que o 5 a 3 no agregado sugere, e é bom que tenha vindo agora, num jogo em que errar não eliminava ninguém.







































