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·30 de janeiro de 2026

Oitava audiência de Reforma do Estatuto do Corinthians debate funcionamento dos órgãos de fiscalização

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  1. Por Henrique Vigliotti | Redação da Central do Timão

No início da noite desta quinta-feira (29), o Conselho Deliberativo do Corinthians realizou a oitava audiência pública do ciclo de debates sobre a Reforma do Estatuto do clube, com foco na composição, no funcionamento e nos processos de votação e faltas do Conselho Fiscal e também do Conselho de Orientação (Cori).

Realizada no anfiteatro do Parque São Jorge, a reunião transcorreu mais uma vez sem a presença de membros oficialmente empossados da Diretoria Executiva do Corinthians e sem transmissão pela Corinthians TV. O encontro reuniu cerca de 30 pessoas, contou com a participação de nove oradores e teve duração de pouco mais de duas horas.


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Foto: Henrique Vigliotti/ Central do Timão

Fernando de Souza, representante do Coletivo Voz Corinthiana, iniciou sua fala defendendo que o Conselho de Orientação seja composto por membros eleitos em assembleia geral dos associados. Segundo ele, qualquer sócio interessado em integrar o Cori não deve exercer funções em outros órgãos do clube, como Conselho Fiscal, Conselho Deliberativo ou diretorias atuais ou anteriores, estendendo essa restrição a parentes. Além disso, destacou a importância de exigir formação superior, por entender que se trata de um cargo técnico.

O Coletivo Voz Corinthiana também solicitou a extinção dos membros natos do Cori, apresentando uma proposta alternativa em que apenas o presidente do Conselho Deliberativo manteria esse direito, excluindo os presidentes da Diretoria Executiva, com o objetivo de evitar conflitos de interesse, já que um ex-presidente não poderia fiscalizar decisões tomadas durante sua própria gestão. O grupo ainda defendeu que todas as atas do Cori sejam publicadas oficialmente no Portal de Transparência, permitindo que a torcida tenha acesso aos temas debatidos e à lista de participantes dos encontros do órgão.

Felipe Ezabella, conselheiro trienal e membro do Cori, afirmou inicialmente que pretendia defender o modelo atual de eleição do Cori e do Conselho Fiscal, mas disse ter ficado em dúvida após a proposta apresentada pelo Coletivo Voz Corinthiana, sugerindo que a questão seja discutida pela Comissão de Reforma do Estatuto. Ezabella questionou o artigo 90, inciso 6, que impede membros de diretorias anteriores de integrar o Cori ou o Conselho Fiscal, ressaltando a importância de contar com a experiência dessas pessoas e seu potencial de contribuição para o órgão.

Sobre os membros natos, Ezabella defendeu que a nova restrição se aplique apenas aos presidentes das últimas três diretorias, permitindo que outros ex-presidentes possam manter o cargo, incluindo os presidentes do Conselho Deliberativo. O conselheiro também propôs a retirada do direito dos membros natos de convocar reuniões em caráter emergencial.

Ezabella também sugeriu que o artigo que determina que todos os contratos com prazo superior ao mandato da diretoria sejam discutidos no Cori seja alterado, estabelecendo um limite de valor, já que o órgão se reúne, em regra, apenas uma vez por mês. O presidente do CD Romeu Tuma Jr. solicitou um aparte para esclarecer que é necessário definir um rol de contratos que passem pelo Conselho, argumentando que, em sua visão, gestões anteriores se aproveitaram do Cori ser um órgão com número reduzido de participantes, tornando mais fácil aprovar decisões da diretoria em exercício.

Ainda sobre o tema, Tuma citou exemplos de negociações e contratos que foram submetidos ao Cori e ao Conselho Deliberativo com determinados termos, mas posteriormente sofreram alterações. Ele também mencionou questionamentos nos bastidores sobre um possível conflito de interesses entre o Corinthians e a LFU, devido à presença do executivo de futebol Marcelo Paz, que é presidente do grupo de direitos de transmissão com o qual o clube mantém contrato.

O terceiro orador foi Roberson de Medeiros, ex-presidente da Comissão de Ética e Disciplina na gestão de Augusto Melo e ex-presidente do Cori na gestão de Andrés Sanchez, quando orientou a reprovação das contas do então presidente. Conhecido como Dunga no Parque São Jorge, ele defendeu principalmente a extinção dos membros natos, propondo que o último presidente não possa ser eleito nem integrar nenhum desses órgãos. Dunga também criticou a postura de alguns membros, que, segundo ele, só comparecem quando o assunto é considerado de grande relevância.

Em pedido de aparte, Tuma destacou a necessidade de maior transparência nas atas do Cori, apontando que as registradas atualmente são pouco detalhadas. Ele também defendeu que qualquer membro do Conselho Deliberativo presente às reuniões do Cori tenha a obrigação de prestar contas ao próprio Conselho.

Em seguida, falou Vinícius Cascone, conselheiro trienal e ex-diretor jurídico do clube, que apresentou uma proposta inédita durante a reunião: incluir o ex-diretor financeiro da última gestão como membro do Cori, para que ele possa explicar decisões passadas, compartilhar detalhes de sua experiência e orientar o órgão de forma mais ampla. Em aparte, Fernando de Souza, que havia se manifestado inicialmente, defendeu que, caso os membros natos sejam mantidos, eles não tenham direito a voto.

Miguel Marques e Silva, atual presidente do Cori, pediu a palavra e destacou que o órgão vem orientando a gestão de Osmar Stabile, assim como fez na gestão de Augusto Melo, mas, segundo ele, “o resultado está aí”. Em aparte ao associado Cyrillo Cavalheiro Neto, Romeu Tuma ressaltou que os Conselhos Deliberativo, Fiscal e o Cori funcionaram adequadamente nas últimas três gestões, afirmando que os três últimos presidentes teriam sido afastados ou sancionados caso não fossem as ações individuais de quem presidia os órgãos na época.

Em sua fala, Cyrillo defendeu que o Cori tenha poder de avaliação sobre todos os contratos cujo prazo ultrapasse a duração da gestão, independentemente do tipo de contrato, com exceção daqueles relacionados a atletas. Segundo ele, contratos de serviços, direitos de transmissão ou patrocínios que excedam o mandato deveriam ser analisados obrigatoriamente pelo órgão.

Hicham Said Abbas, do Coletivo Família Corinthians, sugeriu a inclusão de membros independentes nos órgãos fiscalizadores, com dois representantes de empresas externas participando das reuniões e das atividades de orientação e fiscalização, trazendo uma perspectiva mais profissional. Ele também defendeu que os contratos de atletas e da comissão técnica deveriam ser analisados pelo Cori e pelo Conselho Fiscal antes de serem aprovados.

Após a fala de Hicham, Tuma explicou como serão definidos os critérios do texto de votação e informou que a última audiência pública possivelmente será restrita aos conselheiros deliberativos, sem a presença de pessoas externas. Segundo ele, a medida visa preservar o calendário previamente definido e evitar que conselheiros tentem impedir a votação, como ocorreu no final de 2025.

Tuma ainda informou que o texto do projeto deverá ser disponibilizado possivelmente antes do Carnaval, garantindo acesso público e total conhecimento sobre os pontos que serão votados na Reforma do Estatuto. Ele explicou que está definindo a data de convocação oficial da Assembleia Geral dos associados, que, estatutariamente, deve ocorrer com 30 dias de antecedência, mas que busca evitar brechas para que conselheiros ou associados tentem impedir a votação.

O presidente do Conselho Deliberativo afirmou também que está empenhado para que a votação do estatuto seja concluída até o final de março, embora já considere a possibilidade de estender para a primeira semana de abril, mês em que ocorre a votação de aprovação ou não das contas de 2025, a fim de evitar nulidades processuais.

Paulo Roberto Bastos Pedro, atual secretário do Cori, criticou o órgão por considerá-lo “inchado”, mas, mesmo assim, defendeu a presença e manutenção de membros natos, propondo que a avaliação seja feita caso a caso, com base no critério de “boa-fé”, para definir quais ex-presidentes merecem ocupar o cargo. Ele também se posicionou contra a exigência de formação acadêmica restrita a determinadas áreas para integrar o órgão, argumentando que a comprovação de experiência em gestão empresarial seria suficiente. Em seguida, abordou a pressão política a que os membros dos conselhos estão sujeitos em função de suas atuações, ressaltando que tais pressões são inerentes ao cargo. Paulo Pedro defendeu, por fim, a necessidade de pacificação nos debates finais do clube em torno do anteprojeto.

Caetano Blandini, conselheiro trienal e membro do Cori, lembrou que, na transição da gestão Duilio Monteiro Alves para Augusto Melo, Duilio assinou confissões de dívida que, na visão de Blandini, deveriam ter sido submetidas ao Cori. Em aparte, Tuma classificou como “vergonhoso” o caso da E&Y, no qual o clube contratou a auditoria, depois desistiu do serviço e até hoje não apresentou resultados ao Conselho.

O presidente do CD acrescentou que os valores gastos nessa auditoria poderiam ter sido usados, por exemplo, para realizar contratações, e questionou a atuação da diretoria tanto nesse caso quanto na situação de 2024, quando Matheuzinho treinou sem contrato, considerando ambas as condutas vergonhosas.

Tuma também afirmou que o Cori é obrigado a fiscalizar qualquer negócio envolvendo a venda ou contratação de jogadores do Corinthians acima de 40 mil salários mínimos, que deve obrigatoriamente passar pelo Conselho de Orientação. Caetano Blandini e o presidente do Cori ressaltaram que têm feito cobranças nesse sentido, mas nem sempre são atendidos, especialmente em casos de vendas ou aquisições realizadas nos últimos momentos das janelas de transferências, quando, por uma regra não escrita, o Cori abre mão da necessidade de autorização formal.

Caetano Blandini voltou a citar o estatuto ao solicitar que o artigo que prevê a entrega de documentação ou contratos “em prazo razoável” seja alterado, sugerindo que seja definido um prazo pré-determinado para cumprimento dessas solicitações.

O conselheiro Haroldo Dantas, presidente do Conselho Fiscal, foi o próximo a se manifestar. Ele questionou as motivações por trás dos debates sobre a reforma do estatuto e afirmou que considera os órgãos de fiscalização do clube em pleno funcionamento. Em seguida, passou a palavra ao representante Cláudio Senise, que questionou o baixo número de membros do Conselho Fiscal, atualmente formado por três pessoas, com previsão de aumento para cinco no anteprojeto. Ele afirmou que o órgão conduziu um levantamento sobre o funcionamento dessa área em outros clubes e grandes empresas, visando subsidiar a elaboração de propostas para o anteprojeto de abril de 2024.

Senise lamentou que diversas sugestões não tenham sido incorporadas pela comissão e alertou para o que considera um excesso de atribuições conferidas ao Conselho Fiscal pelo texto vigente. Ele também relatou problemas durante a aprovação das contas do ex-presidente Duilio Monteiro Alves, lembrando que o atual Conselho Fiscal assumiu em 1º de fevereiro de 2024 e teve apenas sete dias para avaliar as contas, cujo prazo final era 8 de fevereiro. Senise sugeriu que, a partir de agora, o novo prazo seja de ao menos 60 dias.

O conselheiro ainda endossou propostas previamente discutidas sobre a ampliação dos requisitos de formação para integrar o Conselho Fiscal e sugeriu a criação de um repositório de atas, destinado a armazenar os documentos com decisões anteriores do órgão e defendeu que os membros eleitos do CF só assumam seus mandatos após a análise das contas do último ano da diretoria pela composição anterior do órgão.

Proximas audiências

Na próxima segunda-feira (2), será realizada a nona audiência pública, com pautas voltadas para a diretoria, incluindo governança, integridade e responsabilização; finanças, abrangendo receitas, despesas, limites e controles; e regulamentos e regimentos internos. Interessados em participar precisam realizar inscrição antecipada pelo e-mail estatuto@sccorinthians.com.br, com prazo limite de até três horas antes do início de cada sessão. 

Após a realização das 11 audiências públicas previstas, a Comissão de Reforma do Estatuto consolidará as contribuições recebidas para elaborar a versão final do texto, que será submetida à votação do Conselho Deliberativo e, posteriormente, encaminhada à Assembleia Geral dos associados, prevista para o final de março ou início de abril.

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