Papo na Colina
·02 de julho de 2026
“Paralisia institucional sem precedentes”, dispara o Vasco ao acionar a Justiça contra a intervenção na SAF

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·02 de julho de 2026

O Vasco da Gama protocolou nesta quarta-feira, dia 1º de julho de 2026, um pedido formal para que o Poder Judiciário revogue integralmente a decisão que determinou a intervenção na SAF e restabeleça de imediato a estrutura original de governança corporativa. Conforme apurado pelo jornalista João Guerra no portal ge, a diretoria associativa argumenta na manifestação técnica que a medida liminar produziu um efeito prático totalmente contrário ao pretendido pelos tribunais, provocando uma verdadeira “paralisia institucional sem precedentes” nos bastidores de São Januário.
A peça jurídica detalha o esvaziamento operacional sofrido pelo Conselho de Administração da empresa de futebol após o afastamento de três membros indicados pela associação. De acordo com o documento enviado à comarca do Rio de Janeiro, a saída compulsória de Pedro Paulo de Oliveira, o Pedrinho, além de Christiano Borges Stockler Campos e Felipe Passos Elias, deixou o colegiado com apenas um integrante em exercício, inviabilizando qualquer quórum mínimo para deliberações legítimas e impedindo o clube de indicar substitutos por conta das restrições impostas pela própria liminar vigente.
A defesa do clube carioca sustenta de forma veemente que a instabilidade gerada nos tribunais amarrou as mãos do departamento esportivo e comprometeu negociações cruciais justamente no período de abertura da janela internacional de transferências. O texto protocolado destaca que a falta de segurança jurídica fez o clube andar casas para trás no mercado da bola, resultando na perda do acerto com o treinador português Franclim Carvalho e no travamento dos trâmites burocráticos para anunciar o volante colombiano Nelson Deossa, do Real Betis, embora a diretoria já tenha agido rápido para encaminhar a contratação de Fernando Seabra para a comissão técnica.
O departamento jurídico cruz-maltino também exige que o Tribunal de Justiça suprima de vez a condicionante que obriga a anuência da 777 Carioca para qualquer eventual alienação do controle acionário do futebol. Para os advogados da agremiação, existe uma contradição técnica flagrante em subordinar a venda dos ativos à autorização da companhia norte-americana, uma vez que os direitos políticos da empresa estrangeira seguem suspensos por ordem judicial transitada em julgado. O pedido cita o próprio relatório da ex-interventora judicial Samantha Mendes Longo — que renunciou ao posto nesta semana —, reforçando que a venda para um novo investidor de peso é o desejo comum e urgente de funcionários, atletas, sócios e torcedores.
A estratégia de defesa do Gigante da Colina incluiu ainda uma contestação formal sobre a legitimidade da representação legal dos antigos parceiros americanos no processo. Os defensores vascaínos solicitaram que o juízo determine que os representantes comprovem de forma documental e detalhada quais são os reais poderes de representação de Mark Shapiro, que assina a procuração juntada aos autos pelas bancas estrangeiras, alegando insuficiência de provas nos papéis apresentados até aqui.
Com amparo nos artigos do Código de Processo Civil e da Lei de Recuperação Judicial, a meta do Vasco é sensibilizar o magistrado para que o comando da SAF retorne às mãos da gestão eleita nos próximos dias. A cúpula associativa entende que a pacificação nos tribunais é o pilar obrigatório para que as tratativas de R$ 2 bilhões com o comprador Marcos Faria Lamacchia avancem sem novas barreiras políticas e tirem o elenco da incômoda 17ª colocação da tabela de classificação do Campeonato Brasileiro.

Pedrinho e Marcos Lamacchia; crescem as negociações pela Vasco SAF – Foto: Reprodução
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