Território MLS
·20 de setembro de 2026
Philadelphia Union sai de 0 a 3, marca quatro gols em nove minutos e vira Sporting Kansas City

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André Luiz marcou duas vezes nos primeiros dez minutos, Sporting abriu 3 a 0, mas o Philadelphia Union reagiu no segundo tempo e venceu por 4 a 3 em Kansas City
O Philadelphia Union protagonizou uma das viradas mais malucas da temporada da MLS neste sábado (19). Depois de sofrer três gols nos primeiros 16 minutos, a equipe de Ryan Richter reagiu no segundo tempo, marcou quatro vezes em apenas nove minutos e venceu o Sporting Kansas City por 4 a 3, no Sporting Park.
André Luiz marcou duas vezes e Wyatt Meyer ampliou ainda no início do primeiro tempo, mas Bruno Damiani, Cavan Sullivan e Milan Iloski buscaram o empate entre os minutos 64 e 68, antes de Zorhan Bassong marcar contra e completar a virada. Com o resultado, o Union chegou a 11 partidas consecutivas sem perder pela MLS, igualando a maior sequência invicta da história do clube, além de conquistar sua quinta vitória seguida.
O Union teve a primeira bola logo no início, em uma falta cobrada por Kai Wagner, mas a defesa do Sporting Kansas City afastou e a sobra deu início ao lance que abriu o placar. André Luiz recebeu pelo lado direito, acelerou para deixar Jovan Lukić para trás, encarou Nathan Harriel, pedalou, levou para dentro e bateu cruzado para fazer 1 a 0 aos cinco minutos.
O brasileiro precisou de apenas mais cinco minutos para marcar novamente. Stephen Afrifa venceu uma disputa com Neil Pierre no meio-campo e a bola chegou a Calvin Harris pelo lado esquerdo, o atacante virou completamente a jogada para André Luiz, que recebeu livre pela direita, cortou para a canhota e bateu de fora da área no canto de Andre Blake. Aos dez minutos, o Sporting já vencia por 2 a 0.
E o começo desastroso do Philadelphia ainda não tinha terminado. Aos 15, André Luiz voltou a receber em velocidade e só não fez o terceiro porque Nathan Harriel conseguiu bloquear a finalização com um carrinho. Na cobrança do escanteio, Emir Karić encontrou Wyatt Meyer, que subiu no meio da defesa e cabeceou para fazer 3 a 0 aos 16 minutos.
Foram três gols antes da metade da primeira etapa para um Union que chegava embalado por dez partidas sem perder e duas goleadas consecutivas por 5 a 0. O Sporting continuou explorando os espaços deixados pela defesa adversária e quase ampliou aos 28, quando André Luiz apareceu novamente pelo lado direito e rolou para Calvin Harris chegar batendo forte, obrigando Andre Blake a fazer uma ótima defesa.
O Philadelphia até teve mais a bola conforme o primeiro tempo avançou, mas sem conseguir produzir chances tão claras. Milan Iloski tentou de fora da área depois de uma tabela com Indiana Vassilev, Cavan Sullivan também arriscou de longe e Kai Wagner chegou batendo após uma sobra dentro da área, mas Stefan Cleveland conseguiu segurar a vantagem sem grandes sustos.
Ryan Richter voltou do intervalo com Quinn Sullivan no lugar de Indiana Vassilev, e a mudança elevou a qualidade do Union. Com menos de dois minutos do segundo tempo, Quinn resolveu finalizar de muito longe, Cleveland conseguiu defender e a bola ainda bateu na trave, o camisa 33 ainda apareceu pro rebote, mas teve a segunda tentativa bloqueada.
A reação demorou até os 64 minutos para aparecer no placar, mas quando começou aconteceu de uma vez. Cavan Sullivan recebeu pelo lado esquerdo, ficou cercado por três marcadores, resolveu partir para cima, atravessou o espaço entre eles, ainda passou por mais um jogador e abriu para Frankie Westfield do outro lado. O lateral bateu forte de fora da área e Bruno Damiani desviou no caminho, diminuindo para 3 a 1. Menos de dois minutos depois, o Union marcou novamente. Depois de uma sequência de passes pelo lado direito, Quinn Sullivan encontrou Danley Jean Jacques atacando o espaço dentro da área, o haitiano rolou para trás e Cavan Sullivan apareceu livre para finalizar e fazer 3 a 2.
O Sporting Kansas City nem conseguiu respirar. Pouco mais de um minuto depois, Wyatt Meyer cabeceou mal, Milan Iloski ficou com a sobra e tentou uma jogada de calcanhar que inicialmente não funcionou, mas Neil Pierre recuperou a posse, Danley acelerou e abriu para Quinn Sullivan. O meia foi para cima da marcação e cruzou de letra para Iloski dentro da área, que brigou pela bola e conseguiu finalizar mesmo praticamente sem ângulo para empatar em 3 a 3 aos 68 minutos.
A virada veio aos 73. Depois de um escanteio afastado mal, Iloski deixou para Kai Wagner cruzar novamente, Neil Pierre ganhou pelo alto e tentou o toque para o meio da área, mas Zorhan Bassong entrou no caminho e acabou desviando contra o próprio gol.
Em nove minutos, o Philadelphia Union saiu de uma derrota por 3 a 0 para uma vantagem de 4 a 3. Depois disso, Richter utilizou o banco para diminuir o ritmo do jogo, colocou jogadores mais experientes em campo e o Union conseguiu administrar os minutos finais sem permitir que o Sporting repetisse o perigo apresentado no primeiro tempo.
Cavan Sullivan: não fez um grande primeiro tempo, assim como todo o Philadelphia Union, mas foi um dos responsáveis por transformar completamente a partida depois do intervalo. No primeiro gol, recebeu pelo lado esquerdo cercado por três marcadores, partiu para cima mesmo assim, conseguiu atravessar a marcação, deixou mais um adversário para trás e abriu para Frankie Westfield finalizar, antes de Bruno Damiani desviar para o gol. Pouco depois, apareceu dentro da área para marcar o segundo e colocar definitivamente o Union de volta no jogo. Cavan chama muita marcação sempre que recebe de frente, mas mesmo cercado consegue carregar, mudar de direção e encontrar espaços que poucos jogadores encontram, e foi exatamente assim que começou a reação em Kansas City.
André Luiz: durante os primeiros 20 minutos, ninguém em campo esteve perto do nível do brasileiro. André Luiz simplesmente venceu Nathan Harriel no um contra um durante todo o início da partida, também conseguiu causar problemas para Kai Wagner e marcou dois belos gols em apenas cinco minutos, além de criar a jogada que terminou no escanteio do terceiro. O problema é que a atuação praticamente terminou junto com o bom momento do Sporting Kansas City. André Luiz terminou a partida com apenas nove passes certos e participou muito pouco depois que o Union começou a controlar o jogo, algo que também aconteceu com Calvin Harris e mostra como os jogadores de lado do Sporting ainda desaparecem demais quando a equipe perde o controle da posse.
Quinn Sullivan: se Cavan terminou como o principal nome da reação, Quinn foi quem mudou o jogo. Entrou no intervalo no lugar de Indiana Vassilev e precisou de menos de dois minutos para finalizar de longe, obrigar Stefan Cleveland a defender e ainda acertar a trave. Depois disso, apareceu pelos dois lados, acelerou as posses, participou da construção do gol de Cavan e criou o empate de Milan Iloski com um cruzamento de letra. Foi uma entrada de muita energia, intensidade e qualidade técnica, exatamente o que faltava ao Union durante o primeiro tempo. Quinn já chegou à seleção principal dos Estados Unidos em 2025 e, mantendo esse nível depois de uma longa recuperação de lesão, volta naturalmente a entrar nessa conversa.
O Philadelphia Union deve ter feito algum tipo de pacto, porque começa a ficar difícil acreditar na quantidade de partidas que essa equipe consegue buscar.
Foi assim contra o New York City, houve momentos parecidos contra o Atlanta United e, contra o Sporting Kansas City, chegou ao extremo. O Union sofreu três gols em 16 minutos fora de casa, foi para o intervalo perdendo por 3 a 0 e, mesmo assim, em nenhum momento do segundo tempo passou a sensação de que a partida tava perdida. Quando saiu o primeiro, o segundo parecia possível, quando saiu o segundo, o empate parecia questão de tempo e quando empatou, o quarto gol quase parecia inevitável.
Só que essa capacidade de reagir não pode esconder um problema que já apareceu em outras partidas: o Philadelphia Union começa jogos mal demais.
Não precisa entrar em campo fazendo dois ou três gols nos primeiros minutos, e crescer ao longo da partida faz parte, mas existe uma diferença entre começar de maneira controlada e começar desligado. Contra o Sporting, foram três gols sofridos antes dos 16 minutos, espaços enormes em transição e André Luiz encontrando situações de um contra um praticamente sempre que o Kansas recuperava a bola. Em algum momento, principalmente pensando em playoffs, o Union vai enfrentar um adversário que não permitirá uma reação dessas.
O segundo tempo, por outro lado, talvez tenha mostrado a maior qualidade dessa equipe atualmente. Ryan Richter colocou Quinn Sullivan, o Union aumentou a velocidade e o Sporting simplesmente deixou de acompanhar. Cavan começou a receber em situações melhores, Danley Jean Jacques passou a atacar os espaços pelo meio, Quinn levava a bola para frente em praticamente toda posse e, quando o primeiro gol saiu, a partida virou uma avalanche.
Foram quatro gols em nove minutos, mas não pareceu uma sequência de acontecimentos aleatórios. O Philadelphia estava empurrando o Sporting cada vez mais para trás, recuperando a bola rápido e atacando novamente antes que o adversário conseguisse respirar. É uma equipe que, quando sente que o jogo virou, consegue transformar poucos minutos em um problema enorme para o adversário.
Do outro lado, a partida também resume bastante a passagem de Raphaël Wicky pela MLS. É um treinador que já mostrou qualidade em outros contextos: levou o Basel às oitavas de final da Champions League, com vitórias sobre Manchester United e Manchester City, e depois conquistou liga e copa com o Young Boys. No Chicago Fire, porém, terminou com 12 vitórias em 51 jogos de temporada regular, e agora volta a encontrar dificuldades em Kansas City.
Fica claro o problema ser a adaptação das ideias em relação ao elenco que encontra. Os times de Wicky querem sair jogando, ter a bola, ocupar o campo adversário e construir desde trás, características que o próprio Sporting destacou quando o contratou. Só que fazer isso com um elenco tecnicamente inferior exige concessões, principalmente numa liga tão física e tão aberta como a MLS.
Contra o Philadelphia isso ficou muito claro. Durante os primeiros minutos, quando havia espaço para André Luiz e Calvin Harris correrem, o Sporting parecia completamente confortável. Quando o Union começou a pressionar mais alto, fechar os corredores e obrigar o Kansas a construir sob pressão, a equipe simplesmente não encontrou resposta. O 3 a 0 virou 4 a 3 em nove minutos e um primeiro tempo excelente terminou em mais uma derrota.
Wicky continua sendo um treinador interessante, mas essa segunda passagem pela MLS está deixando claro que não basta ter uma ideia de jogo interessante se ela exige mais do elenco do que o elenco consegue entregar.
Para o Philadelphia, a história é outra. Dá para criticar o início, mas é fato que o que Ryan Richter construiu depois da Copa do Mundo está caminhando para se tornar algo histórico tanto para o clube, quanto para a liga. O Union agora mostra que não forma apenas jogadores, mas também um treinador de elite.
O Philadelphia Union chegou a 36 pontos e assumiu a sexta colocação da Conferência Leste, ultrapassando o Orlando City após a derrota por 4 a 2 para o New England Revolution. No próximo sábado (26), o Union recebe justamente o Orlando, no Subaru Park, e tenta chegar a 12 jogos sem perder pela MLS, o que estabeleceria a maior sequência invicta da história do clube.
O Sporting Kansas City segue na última colocação geral da MLS, com 18 pontos em 25 jogos, e visita o Houston Dynamo no próximo sábado.







































