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·14 de setembro de 2026

Pochettino inicia ciclo até 2030: o que esperar da nova convocação dos Estados Unidos

Imagem do artigo:Pochettino inicia ciclo até 2030: o que esperar da nova convocação dos Estados Unidos

Mauricio Pochettino anuncia nesta quinta-feira (17) os 26 jogadores dos Estados Unidos para enfrentar Peru, Chile, México e Canadá, na primeira convocação após a Copa do Mundo e no início do ciclo até 2030

A seleção dos Estados Unidos volta a campo pela primeira vez desde a Copa do Mundo em uma Data FIFA diferente de todas as anteriores sob o comando de Mauricio Pochettino. Sem a pressão de fechar um elenco para um Mundial que estava logo à frente, o treinador argentino começa agora um processo de quatro anos e já deixou claro que pretende reabrir o grupo.


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Pochettino definiu o momento como um “fresh start” e afirmou que a lista de 26 jogadores, que será divulgada em 17 de setembro, terá uma mistura entre atletas experientes e jovens que possam fazer parte do caminho até a Copa de 2030. Os Estados Unidos enfrentarão Peru, no dia 26, Chile, no dia 29, México, em 3 de outubro, e Canadá, no dia 6.

A nova Data FIFA, com quatro jogos, oferece muito mais espaço para observações, mudanças de equipe e testes do que uma convencional de dois jogos. A convocação inicial terá 26 jogadores, mas, por se tratar de amistosos, eventuais alterações no elenco durante o período também são possíveis.

Um novo ciclo e mais espaço para os jovens

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A nova geração norte-americana começa a bater à porta da seleção principal no início do ciclo até 2030. Foto: Getty Images

Nos dois primeiros anos de trabalho, Pochettino reduziu suas opções para encontrar rapidamente um grupo visando a Copa do Mundo. Agora, o trabalho é mais paciente. O treinador afirmou que o projeto passa a ser 2030 e que esta primeira janela servirá justamente para começar a integrar jogadores capazes de atravessar todo o próximo ciclo.

Então, a expectativa aumenta para jovens como Cavan Sullivan, Neil Pierre e Frankie Westfield , que vivem grande momento pelo Philadelphia Union, ou Julian Hall e Adri Mehmeti que já se consolidaram entre os jogadores mais utilizados do New York Red Bulls, além de Justin Ellis, do Orlando City, e Cooper Sanchez, do Atlanta United que também estão entre as promessas da MLS que vêm recebendo atenção da comissão técnica.

Mas a seleção principal não é o único foco, Pochettino falou recentemente sobre o trabalho em conjunto com os treinadores das categorias de base para criar uma passagem mais natural até a equipe principal. Ele deixa claro que parte do projeto é ser uma equipe forte na briga pelo ouro olímpico em casa, mostrando que 2028 é um ano crucial para o projeto norte-americano.

Mas uma boa notícia é que não há amistosos anunciados para as seleções masculinas sub-20 ou sub-23 durante esta mesma janela, o que deixa vários desses jogadores disponíveis para serem avaliados diretamente por Pochettino sem retirar peças de um compromisso simultâneo das duas categorias. A equipe sub-23, comandada por Steve Cherundolo, já começa a ser construída pensando em Los Angeles-2028, enquanto a geração sub-20 está classificada para o Mundial de 2027.

O trabalho, portanto, não precisa ser tratado como uma escolha definitiva entre seleção principal e base. Jogadores muito jovens podem passar pelo elenco principal agora e posteriormente retornar ao projeto olímpico ou às seleções de formação.

Goleiros: Freese segue à frente, mas Brady cresce

A posição de goleiro tem dois nomes que parecem largar na frente. Matt Freese, titular durante a Copa do Mundo, continua sendo a principal referência da posição e deve permanecer no grupo neste início de ciclo. Chris Brady, porém, vive uma boa temporada pelo Chicago Fire e fica cada vez mais próximo de receber oportunidades maiores.

Brady já vinha inserido no ambiente da seleção e reforçou sua candidatura com atuações importantes na MLS, incluindo uma grande partida recente contra o Inter Miami. Aos 22 anos, também se encaixa perfeitamente na ideia de um goleiro que pode atravessar todo o ciclo até 2030.

Por fora, ainda aparecem Brian Schwake, destaque do Nashville SC, e Diego Kochen, que pertence ao Barcelona, mas agora está emprestado ao Lyngby e começou a crescer depois de um início mais discreto na Dinamarca. Kochen ainda fica atrás dos outros três na disputa imediata, mas é um dos nomes mais interessantes para acompanhar a longo prazo.

Dest e Robinson lideram as laterais

Na lateral direita, Sergiño Dest e Alex Freeman são as opções mais prováveis. Dest começou a temporada em grande nível pelo PSV, atuando novamente como lateral e acumulando participações em gols, enquanto Freeman inicia sua adaptação ao futebol espanhol depois de ganhar importância com os Estados Unidos durante a Copa.

Freeman, principalmente, passa a ser um dos jogadores mais importantes pensando em 2030. Se conseguir manter minutos na Espanha, dificilmente ficará fora das próximas listas.

A dúvida maior é sobre Joe Scally. O jogador do Borussia Mönchengladbach permanece no pool, mas atravessa um momento menos favorável no clube e pode ser uma das ausências usadas por Pochettino para abrir espaço a uma novidade. Nesse cenário, Frankie Westfield surge como uma opção interessante. O lateral do Philadelphia Union vive ótima temporada e cresceu ainda mais no período pós-Copa, formando uma parceria cada vez mais perigosa com Cavan Sullivan pelo lado direito.

Do outro lado, Antonee Robinson continua sendo o titular natural, mesmo sem começar a temporada em seu melhor nível pelo Fulham. Aos 29 anos, ainda terá papel importante durante todo o próximo ciclo.

O principal concorrente é Max Arfsten, que deixou a MLS para defender o Middlesbrough e já começa a ganhar minutos no futebol inglês. Caleb Wiley, emprestado pelo Chelsea ao Preston North End, também merece atenção, enquanto Peyton Miller aparece mais atrás. Apesar do talento e da versatilidade do jovem do New England Revolution, o fato de estar atuando como um ponta esquerda na temporada pode pesar contra em uma disputa especificamente pela lateral.

Luca Bombino, recém-chegado ao Stoke City, Matthew Dos Santos, do New York Red Bulls, e Kristoffer Lund, hoje no Birmingham, completam uma longa lista de alternativas para a posição.

A zaga indica o tamanho da renovação

Chris Richards segue como o principal nome da defesa e pode ganhar ainda mais importância. O zagueiro já utilizou a braçadeira com Pochettino e é um dos candidatos naturais a assumir de maneira definitiva um papel de liderança neste novo ciclo.

Auston Trusty também deve permanecer depois de conquistar espaço na reta final para a Copa, enquanto Mark McKenzie continua sendo uma opção conhecida, embora não chegue à convocação vivendo sua melhor fase pelo Toulouse.

Uma possível novidade é o retorno de Cameron Carter-Vickers, novamente em bom momento pelo Celtic. O defensor perdeu espaço no ciclo anterior, mas continua jogando em alto nível pelo clube e pode reabrir a disputa.

Outro nome forte é George Campbell. Ex-CF Montréal, o zagueiro se consolidou no West Bromwich Albion, ganhou importância no futebol inglês e já chegou a utilizar a braçadeira pelo clube nesta temporada.

Mas a principal novidade pode estar novamente no Philadelphia. Neil Pierre voltou do empréstimo ao Lyngby e rapidamente se tornou titular de uma das equipes mais fortes da MLS no pós-Copa. Além do impacto defensivo, já soma quatro gols em apenas dez partidas na liga, ficando próximo dos defensores com mais gols em toda a temporada mesmo tendo disputado metade dos jogos, sendo um nome muito forte nas bolas paradas, algo que Pochettino deverá utilizar com Sebastian Berhalter.

A ausência de Noahkai Banks, que não será chamado enquanto avalia seu futuro internacional entre Estados Unidos e Alemanha, abre ainda mais espaço para Pochettino integrar outro zagueiro jovem. Banks certamente seria um dos nomes mais importantes desta discussão caso estivesse disponível.

Justin Che, do New York Red Bulls, corre por fora e oferece uma característica que agrada: atua tanto como zagueiro quanto como lateral-direito.

Meio-campo tem a maior concorrência

Tyler Adams continua praticamente garantido e segue também como um dos principais candidatos à braçadeira. O histórico recente de problemas físicos pode fazer a comissão administrar sua carga ao longo de quatro partidas, abrindo oportunidades para outros se consolidarem. E um dos nomes que tenta se aproveitar disso é Santiago Castañeda, do Paderborn. Nascido nos Estados Unidos e também elegível pela Colômbia, o volante de 21 anos já vinha sendo acompanhado pelas seleções de base americanas e começou a temporada como titular na Alemanha. Uma convocação seria sua primeira oportunidade com a seleção principal e seria uma das maiores surpresas da lista.

Johnny Cardoso e Tanner Tessmann seguem na disputa. Os dois começaram a temporada na reserva e ainda buscam espaço nas suas equipes, esse cenário aumenta ainda mais a possibilidade de Pochettino utilizar a janela para observar uma opção nova como Castañeda.

Mais à frente, Yunus Musah voltou a ganhar espaço no Milan e pode voltar à convocação de Pochettino depois de mais de 1 ano fora. Ainda na Itália, Gianluca Busio vinha fazendo um ótimo início de temporada como capitão do Venezia e talvez fosse uma das grandes novidades, mas sofreu uma lesão muscular às vésperas da convocação e se tornou dúvida.

A grande história da temporada para os Estados Unidos é o Middlesbrough, que conta com alguns selecionáveis para Pochettino em seu elenco.  Aidan Morris surge com força depois de ficar fora da Copa. O meio-campista assumiu a camisa 10 do time e continua sendo uma das peças mais importantes da equipe. Junto com ele está Sebastian Berhalter, que começa este novo ciclo com um peso muito maior depois da boa Copa do Mundo. Antes tratado como uma opção de rotação, Berhalter tem argumentos para disputar diretamente uma vaga entre os titulares.

Na MLS, Adri Mehmeti é outro jogador que merece atenção. Aos 17 anos, já é titular absoluto do New York Red Bulls e se encaixa exatamente no perfil de jovem que Pochettino afirmou estar acompanhando.

Reyna finalmente chega por desempenho, e não apenas pelo nome

Entre os jogadores mais ofensivos do meio, Malik Tillman entra novamente na lista. O início no Bayer Leverkusen ainda não chama atenção, mas sua importância para a seleção cresceu durante o comando de Pochettino e ele começa o próximo ciclo com status maior.

Quem chega bem para essa convocação é Gio Reyna, uma possível convocação não será mais questionada apenas pelo nome ou talento que apresentou anos atrás, Reyna finalmente está jogando regularmente, ganhou minutos no Strasbourg, já marcou na temporada e começa a reconstruir seu espaço também pelo que apresenta no clube.

Brenden Aaronson também chega forte depois de um bom início pelo Leeds e pode ganhar minutos importantes em uma janela de quatro partidas, ainda que seu papel na hierarquia da seleção não necessariamente mude de forma radical.

Duas novidades que correm por fora são Niko Tsakiris e Rokas Pukštas. Tsakiris é mais um jovem que deve ser observado, camisa 10 do San Jose Earthquakes, soma 11 participações em gol na temporada e disputou duas Copas do Mundo sub-20 na sua trajetória pelos Estados Unidos. Pukštas é outro jovem, com apenas 22 anos vinha em grande fase pelo Hajduk Split, decidiu a classificação europeia da equipe antes de ser vendido ao Middlesbrough e agora ainda passa pelo processo de adaptação ao futebol inglês.

O timing da transferência pesa contra Pukštas nesta convocação. Por agora, a melhor opção para seu desenvolvimento seja permanecer no clube ganhando espaço, mas seu desempenho recente na Croácia foi forte o suficiente para mantê-lo na discussão.

Paxten Aaronson, com boa temporada pelo Colorado Rapids, também entra no pool para ser considerado depois de retornar à MLS justamente em busca de protagonismo e de uma nova oportunidade com a seleção.

Cavan Sullivan é a grande novidade

A disputa pelos lados do campo reúne os nomes mais interessantes da lista.

Cavan Sullivan é o principal deles. O jovem do Philadelphia Union chega em fase espetacular, com nove gols e nove assistências na temporada, além de assumir cada vez mais protagonismo em uma equipe que se tornou uma das melhores da MLS depois da Copa. Sua evolução também passa pela capacidade de atuar em diferentes zonas: Cavan não está preso à ponta direita e aparece por dentro, pela esquerda e em funções mais recuadas durante as partidas.

Mas existem alguns boatos em relação ao extracampo. Pochettino falou recentemente sobre a necessidade de jovens jogadores manterem a humildade e evitarem falar como se já tivessem conquistado espaço na seleção. Ele não mencionou Cavan, mas a declaração foi interpretada como um possível recado ao jovem, que anteriormente havia afirmado acreditar que poderia ter ajudado os Estados Unidos contra a Bélgica, isso adiciona uma dúvida que não existiria olhando apenas para o campo.

Outro forte candidato é Zavier Gozo. Depois de se destacar pelo Real Salt Lake, o atacante foi negociado com o Crystal Palace, marcou logo em sua passagem pelo sub-21 e rapidamente começou a receber oportunidades com o elenco principal. Sua capacidade de atuar como ponta, meia pela direita ou ala oferece a Pochettino um perfil semelhante ao de Sergiño Dest.

Timothy Weah não começou a temporada em grande nível pelo Marseille, mas continua jogando e oferece experiência e versatilidade suficientes para permanecer muito vivo na disputa. Cole Campbell, agora no Elversberg, também deve ser observado de perto pela comissão, além de ótimo início, tem bagagem nas seleções de base.

 Alejandro Zendejas, que foi à Copa, vive uma situação mais complicada. O jogador praticamente não atuou depois da Copa e só voltou aos gramados recentemente, o que o deixa longe da lista por agora.

Pulisic continua sendo referência

Pela esquerda, a discussão começa e termina com Christian Pulisic.

O atacante teve um começo de temporada marcado por problemas físicos e uma situação delicada no Milan, mas voltou aos gramados no último fim de semana e já participou de gol. Mesmo com poucos minutos acumulados, continua sendo difícil imaginar uma lista dos Estados Unidos sem seu principal jogador, desde que esteja fisicamente disponível.

Também existe um pano de fundo na relação com Pochettino. O treinador voltou recentemente a criticar a ideia de priorizar descanso pensando na Copa do Mundo, retomando uma discussão que ganhou força depois da decisão de Pulisic de não disputar a Gold Cup de 2025. Pepi lidera uma disputa aberta no comando do ataque

A ausência de Folarin Balogun, que ainda não entrou em campo nesta temporada, muda bastante a hierarquia dos centroavantes. Haji Wright e Patrick Agyemang também estão lesionados e não entram na disputa.

Nesse cenário, Ricardo Pepi passa a ser a opção mais segura. O atacante do PSV soma três gols em sete partidas neste início de temporada e vem recebendo minutos como titular. Não vive necessariamente uma fase espetacular, mas chega em condições muito melhores do que seus principais concorrentes do ciclo anterior.

Para uma segunda opção, a grande novidade é Julian Hall. O jovem do New York Red Bulls soma 12 gols em todas as competições na temporada e apareceu, especialmente antes da Copa, como um dos atacantes americanos mais preparados entre sua geração. O momento recente é pior e Hall atravessa um longo jejum de gols, mas isso não apaga a temporada e nem seu potencial.

Além disso, Hall é dual national e também pode representar a Polônia, algo que naturalmente aumenta a importância de manter contato próximo com o jogador.

Josh Sargent voltou à MLS e recolocou seu nome na discussão com sete gols, incluindo um hat-trick recente. O problema é o histórico sob Pochettino, com quem nunca conseguiu transformar boas temporadas em clube em atuações convincentes pela seleção.

Brian White, por outro lado, continua marcando pelo Vancouver Whitecaps e também merece atenção. Ele já foi utilizado por Pochettino anteriormente e é uma alternativa mais experiente caso o treinador prefira não concentrar todas as opções da posição em jogadores muito jovens.

A primeira pista do caminho até 2030

A convocação de quinta-feira (17) será a primeira indicação real de como Mauricio Pochettino pretende organizar o novo ciclo. Alguns jogadores que estiveram na Copa podem ganhar importância, como Chris Richards, Sebastian Berhalter e Malik Tillman. Outros começam a perder espaço, como Tim Ream, Miles Robinson, Joe Scally. Enquanto jovens como Cavan Sullivan, Neil Pierre, Zavier Gozo, Julian Hall e Santiago Castañeda chegam à porta da seleção. Pochettino já deixou claro que quer ampliar o pool sem transformar o período em um laboratório sem cobrança por resultados. Os Estados Unidos ainda terão competições oficiais, eliminatórias e duas edições da Gold Cup antes de 2030, enquanto a geração mais jovem também terá a Copa do Mundo Sub-20 de 2027 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028 no caminho.

Por isso, os 26 nomes anunciados em 17 de setembro não serão tratados como os jogadores escolhidos para os próximos quatro anos. O mais importante será entender como a reestruturação será sob a liderança de novos jogadores e como os jovens que chegarem vão se entrosar com o núcleo já conhecido por nós. 

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