Fala Galo
·29 de agosto de 2025
Quando a improvisação vira rotina!

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·29 de agosto de 2025
Por: Diego Callegary Foto: Pedro Souza
O Atlético conseguiu transformar em hábito aquilo que deveria ser exceção: a frustração. A cada jogo na Arena MRV, um estádio pensado para ser símbolo de grandeza, o torcedor presencia um futebol desorganizado, previsível e incapaz de traduzir a ambição que o clube insiste em vender. A quarta e breve passagem de Cuca resume o ciclo recente: treinadores que chegam sem convicção, saem sem legado e deixam a sensação de que o Galo se acostumou a girar em falso.
DO AUGE AO DESENCANTO
O triplete de 2021 foi vendido como o marco de uma nova era. Afinal, um time que unia talento, intensidade e competitividade parecia pronto para se consolidar como potência. Mas a empolgação rapidamente deu lugar à dura realidade: eliminações traumáticas, temporadas de pouco brilho e a perda daquilo que sempre distinguiu o Atlético — a capacidade de mobilização. Hoje, em vez de referência, o clube coleciona sinais de estagnação. E sim, Milito, sua passagem segue engasgada.
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A CONSTANTE INCONSTÂNCIA EM CAMPO
Mais grave que os resultados é a absoluta ausência de um modelo minimamente consistente. Houve tempo de sobra: pré-temporada, Estadual e até intertemporada para o Mundial de Clubes. E ainda assim, o que se viu foi um conjunto de escolhas que mais confundem do que organizam.
– Saída de bola sem construção: Everson virou o principal articulador da defesa, mas sua contribuição se resume a lançamentos imprecisos para a lateral. Sem zagueiros que quebrem linhas conduzindo e sem volantes que recuem para organizar, o goleiro acabou escalado como armador — um desvio de função que escancara a falta de engrenagem coletiva.
– Meio-campo ornamental: Alexsander e Franco ilustram bem o problema. Incapazes de oferecer linhas de passe, não dão sustentação defensiva nem aproximam os setores. O espaço entre zaga e ataque vira um corredor livre para adversários explorarem às costas (O primeiro gol do clássico escancarou isso). Em vez de serem o elo que conecta o jogo, transformam-se no vazio que o interrompe.
– Ataque sem coordenação: Hulk é obrigado a atuar de costas, em disputas físicas que o isolam do jogo. No lado esquerdo, Arana e Cuello até tentam formar uma sociedade funcional, mas o lado direito é um deserto criativo. Ali, Dudu, Jr. Santos ou Rony se revezam em atuações tão previsíveis que já se sabe o desfecho: corrida, cruzamento torto e ataque encerrado. É um rodízio ofensivo onde o cardápio é sempre o mesmo — correria sem resultado.
– Elenco incoerente: João Marcelo chegou para não ser utilizado, Isaac permanece sem perspectiva, e o lateral vindo do Palmeiras rapidamente demonstrou por que foi descartado. O banco, em vez de alternativa, é apenas extensão do problema.
O resultado é um time sem repertório, incapaz de variar estratégias ou apresentar soluções dentro da partida. Cada jogo parece um improviso, como se a equipe fosse montada cinco minutos antes do apito inicial.
REFLEXÃO DA GESTÃO
Dentro de campo, desorganização; fora dele, contradição. O Atlético se apresenta como clube moderno, mas a prática revela decisões amadoras. O discurso de profissionalismo contrasta com contratações sem critério, ausência de planejamento e uma gestão que parece mais preocupada em fazer lobby social do que em construir futebol. O problema não é apenas técnico, é cultural: falta convicção, falta coragem e falta quem assuma a responsabilidade também quando o time vai mal.
O QUE FAZER?
Diante do cenário, a solução não pode ser experimental. O Atlético precisa de alguém que entregue ordem e padrão imediatamente. Entre os nomes ventilados, Jorge Sampaoli surge como opção mais lógica. Sim, coleciona defeitos: temperamento difícil, relações desgastantes. Mas também oferece algo que o time perdeu: intensidade, ideia clara de jogo e capacidade de impor identidade em pouco tempo. Para um elenco que hoje vive de improviso, já seria um avanço gigantesco. Mais seguro conviver com os excessos de um técnico pronto do que insistir em apostas que fracassam antes mesmo de amadurecer.
O torcedor atleticano não exige façanhas impossíveis. Quer um time que o represente em campo, que jogue com coragem, organização e energia. O Atlético não pode se reduzir a um laboratório de investidores ou a um brinquedo de bilionário. Precisa resgatar sua essência: um clube que dá orgulho de vestir o preto e branco e gritar Galo.
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