Central do Timão
·14 de agosto de 2026
Raniele revela surpresa com saída de Memphis e valoriza postura do Corinthians na Libertadores

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·14 de agosto de 2026

O Corinthians deixou a Argentina com a decisão das oitavas de final da Conmebol Libertadores em aberto. Na noite da última quinta-feira (13), o Timão empatou por 0 x 0 com o Rosario Central, no Estádio Gigante de Arroyito, pelo jogo de ida da fase eliminatória da competição continental. Com o resultado, a equipe corinthiana precisa de uma vitória simples no confronto de volta para avançar às quartas de final. Em caso de nova igualdade no placar agregado, a classificação será definida nos pênaltis.
Após o apito final, Raniele conversou com a imprensa na zona mista e abordou diferentes assuntos relacionados ao momento do Corinthians. O volante analisou a postura da equipe em Rosário, falou sobre a surpresa do elenco com a não renovação de Memphis Depay, explicou sua função tática ao lado de Allan e comentou a experiência de enfrentar Ángel Di María em um ambiente de Libertadores. Segundo dados do Sofascore, Raniele recebeu nota 7,3 pela atuação diante do Rosario Central.

Fotos: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Ao avaliar o desempenho alvinegro na Argentina, o camisa 14 destacou a entrega coletiva e afirmou que o empate não garante qualquer vantagem definitiva para a partida de volta.
“Eu acho que isso é o que o torcedor cobra da gente. Eu acho que o mínimo que a gente pode fazer é se entregar e correr por essa camisa. A gente sabe que o time do Rosario é um time muito qualificado, tem jogadores como o próprio Di María, de classe mundial, e a gente sabe que qualquer espaço que a gente desse para eles, eles poderiam arrumar uma jogada e fazer um gol. Ressaltar a nossa concentração de toda a equipe, se manteve forte, se manteve lutando. Eu acho que isso foi importante. E o resultado de hoje é importante, estar ciente de que não assegura nada, que vai ser uma guerra na volta e a gente tem que estar preparado para fazer um jogo ainda melhor em nossa casa.”
Surpresa com a saída de Memphis
Raniele também foi questionado sobre como o elenco recebeu a decisão do Corinthians de não renovar o contrato de Memphis Depay. O volante admitiu que o desfecho pegou os jogadores de surpresa, principalmente pelo cenário apresentado anteriormente por integrantes do clube.
“É, como você falou, pelo que a gente conversava com o pessoal, pelo que era passado para a gente, pelas entrevistas que o Diniz e o Marcelo davam, a gente já sabia que estava bem encaminhado e realmente a gente foi pego de surpresa, assim como acredito que todo corintiano, toda a torcida. Então, a gente lamenta porque é um jogador que era muito importante para a gente, foi muito importante.
Esperamos que ele tenha um futuro maravilhoso e, se Deus quiser, um dia ele jogue novamente no Corinthians, que tenha uma passagem vitoriosa. Mas a gente estava focado no jogo, a gente estava focado na nossa viagem, a gente lamenta, óbvio. Para mim e para todos os jogadores era um prazer estar com o Memphis no elenco, mas a gente tinha que se manter focado porque a gente sabia que tinha uma guerra pela frente, e assim como a gente se manteve, como a gente teve um jogo justo, acho que foi importante isso.”
Na sequência, o meio-campista foi perguntado se a condução da negociação e o momento em que a notícia chegou ao grupo provocaram algum desconforto no ambiente interno. Raniele descartou a existência de mal-estar.
“Não, eu não diria mal-estar. Eu acho que todo assunto que envolve o contrato, essa burocracia, tem que ser tratado entre diretoria e jogador, o próprio jogador, diretoria e o estafe do seu jogador. Eu não sei se a diretoria devia estar avisando a gente: ‘ó, estamos renovando’, ‘ó, não estamos renovando’. Não vejo dessa maneira. É lógico que a gente esperava que ele ficasse, um jogador de suma importância, mas eu não sei, acho que não criou mal-estar, não.
Acho que a gente tem que estar focado em fazer o nosso jogo, a gente tem que estar focado dentro de campo, porque, se pelos nossos direitos a gente às vezes reclama e já é visto de uma maneira meio que errada, a gente cobrar o que a gente precisa, imagina se a gente disser que: ‘ah, não, perdemos o jogo porque não renovaram com o jogador’. Acho que vai pegar mal e, de jeito nenhum, acho que não gerou mal-estar, não. Lógico, a gente precisava do Memphis, é um jogador de suma importância, mas isso aí fica a cargo da diretoria, eles sabem o que eles têm que fazer e fica mais a cargo deles realmente.”
Função ao lado de Allan
No aspecto tático, Raniele explicou a movimentação entre ele e Allan durante a saída de bola do Corinthians. Em determinados momentos, o ex-Flamengo recuou para auxiliar a construção, enquanto Raniele ocupou espaços mais à frente. Segundo o volante, entretanto, não existe uma determinação fixa para que um dos dois permaneça sempre mais recuado.
“Em relação a estar jogando com o Allan e estar um pouco mais avançado, isso é muito ocasional. No próprio jogo do Bragantino, a estratégia nossa era a mesma. A gente sabia que o Rosario subia a pressão muito rápido e a gente precisava baixar muito rápido. E, por conveniência, às vezes o Allan estava mais perto da linha de defesa e ele baixava e eu tinha que ocupar o lugar dele, assim como no Bragantino, às vezes eu baixava e ele ocupava ali o centro.
Então, vai mais por conveniência, não é uma regra assim, o Allan que baixa e eu vou jogar mais avançado, não. A gente se entende bem dentro de campo, assim como é com o André ou com o Bidon também. Então, é um jogador de extrema qualidade, ajuda muito na nossa posse de bola, no nosso controle de jogo, e fico feliz de ele estar nesse momento com a camisa do Corinthians, mas é mais ocasional mesmo.”
Raniele celebra experiência de Libertadores
Na mesma resposta, o jogador falou sobre o ambiente encontrado no Gigante de Arroyito e demonstrou entusiasmo por disputar partidas desse tamanho. Raniele destacou a atmosfera criada pela torcida argentina e comparou com o ambiente proporcionado pelos corinthianos nos jogos em casa.
“Em relação à Libertadores, eu me amarro pra caralho em viver experiências na minha vida. Eu gosto pra caralho de, sei lá, eu quero depois contar para os meus netos, contar para os meus filhos o que eu joguei, quero pelo menos falar: ‘eu estive aí’ e tal. E, na hora que eu estava entrando em campo, eu já vi chuva de papel, atmosfera e tal, assim como é na nossa casa também, como a nossa torcida faz uma festa sensacional.
Então, eu amo viver esses momentos e eu estava muito feliz, eu queria aproveitar o jogo, eu acho que eu aproveitei. Lógico, tem muita coisa a melhorar individualmente, coletivamente, mas eu acho que a gente conseguiu fazer uma partida justa. E acho que, pelo menos o que o torcedor cobra, é correr, é se entregar, e a gente fez e levou um resultado importante pra casa.”
Convocação para a Fiel
Com a definição da vaga marcada para a Neo Química Arena, Raniele também falou diretamente sobre o papel da torcida na partida de volta. Para o volante, o ambiente em Itaquera deverá superar o encontrado pelo Corinthians na Argentina.
“Não tem que cobrar, não. Eles sabem a festa que eles fazem, eles sabem o poder que eles têm. A Fiel Torcida, por si só, já sabe criar uma atmosfera no estádio que intimida seu adversário. Então, eu acho que a nossa festa tem que ser maior que a deles aqui ainda, porque é Libertadores, é um jogo importante. A gente espera que seja bem feito, como eles têm feito em todos os jogos em casa.”
Duelo com Ángel Di María
Por fim, Raniele comentou a experiência de dividir o campo com Ángel Di María. O volante ressaltou a qualidade do argentino e explicou que o Corinthians precisou manter atenção especial não apenas atacante mas também em outros nomes ofensivos do Rosario Central.
“Não, no pré-jogo a gente sabia que seria um jogo difícil. Acho que o Rosario, por si só, tem jogadores de muita qualidade. O Campaz é muito rápido, o Copetti protege muito bem a bola, briga muito, e a gente tinha que estar ligado nisso. E lógico que o Di María é um jogador extraclasse, é um cara que pode ficar 90 minutos sem pegar na bola e, em 30 segundos, ele pega e resolve o jogo.
Então, tinha que ter uma atenção maior nele, mas foi trabalhar dessa maneira. Não era só eu, acho que todo mundo, o Bidon, o próprio Bidu ali, que jogou mais daquele lado, conseguiram também neutralizar ele em momentos que a gente precisou. E acho que foi um trabalho bem feito, e fico feliz de estar jogando, de estar em campo com esses jogadores de nível mundial.”
Depois do compromisso pela Libertadores, o Corinthians volta suas atenções ao Campeonato Brasileiro. No próximo domingo (16), às 19h30 (de Brasília), o Timão recebe o Cruzeiro, na Neo Química Arena, pela 23ª rodada da competição nacional. Atualmente, o Corinthians ocupa a sétima colocação, com 32 pontos, fruto de oito vitórias, oito empates e seis derrotas. A equipe soma 24 gols marcados e 20 sofridos.
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