Central do Timão
·28 de agosto de 2026
Róger Guedes revela contato do Corinthians e explica permanência no futebol do Qatar

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Róger Guedes vive um dos melhores momentos de sua carreira no futebol do Qatar. Aos 29 anos, o atacante renovou recentemente seu vínculo com o Al Rayyan até 2030 e, apesar das especulações sobre um possível retorno ao Brasil, revelou que recebeu uma sondagem do Corinthians durante o período de negociações.
Em entrevista à ESPN, o jogador explicou que o clube alvinegro demonstrou interesse por meio de contatos com seu empresário, Paulo Pitombeira. O Grêmio, onde Róger Guedes atuou nas categorias de base, também apareceu como um dos interessados em sua contratação.

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
“Propostas do Brasil sempre chegam, graças a Deus. Sei que é por tudo que faço dentro de campo e fiz no Brasil. Sempre há clubes que vêm atrás. Lógico que agora renovei com o Al Rayyan por quatro anos, e acho que isso pegou todo mundo de surpresa no Brasil, porque eu entraria no meu último ano de contrato”, afirmou.
Segundo o atacante, o Grêmio foi o clube brasileiro que apresentou um interesse mais forte. Mesmo assim, ele confirmou que houve contato do Corinthians durante o processo.
“A equipe que veio mais forte foi o Grêmio. Sempre temos um contato muito bom, assim como com o Corinthians. O presidente [Stábile] também contatou o Paulo [Pitombeira]. Mas nada de apresentar contrato, nada do tipo. Sempre deixei claro que estou feliz aqui, minha família também está, por isso renovei”, completou.
Róger Guedes explica escolha pelo Al Rayyan
A decisão de permanecer no Qatar está ligada não apenas ao momento profissional, mas também à adaptação do atacante ao país. Desde que chegou ao Al Rayyan, em 2023, Róger Guedes conquistou espaço e passou a ser um dos principais nomes da equipe.
O brasileiro também destacou a relação construída com os torcedores e a receptividade que encontrou desde sua chegada.
“Acho que foi o jeito como fui recebido aqui pelos torcedores. Mesmo com os estádios ainda não sendo tão cheios, eu vim do Corinthians, que lota em todos os jogos, mas acho que foi o carinho deles. O povo catari é muito acolhedor, me sinto em casa desde o primeiro dia. Vim com esse objetivo de jogar e brilhar dentro de campo, ajudando o time com gols e títulos”, explicou.
Na última temporada, o atacante alcançou números expressivos. Foram 36 gols e dez assistências em 40 partidas, além da conquista da Copa do Golfo. Róger Guedes também foi artilheiro da Liga do Qatar pela segunda temporada consecutiva.
“A temporada passada foi a melhor da minha vida até aqui. Foram 36 gols e 10 assistências em 40 jogos. Tem campeonatos aqui que acabam não divulgando os dados, como a QSL, que foi nosso primeiro título. Foi muito bom. Pude conquistar o prêmio de melhor jogador da Copa do Golfo, em que fomos campeões, e fui artilheiro da Liga do Qatar por dois anos seguidos. Para este ano, quero conquistar o título da Liga, que é o objetivo desde o primeiro dia. É o maior objetivo do sheik [Sheikh Al-Qaqa bin Hamad Al Thani] desde que ele assumiu. Eu também quero muito bater a marca de artilheiro de novo, o que seria uma marca grande”, disse.
Atacante pode mudar de posição
A evolução de Róger Guedes no futebol do Qatar também provocou mudanças em sua maneira de atuar. O jogador, que começou a carreira com características mais próximas às de um ponta, passou a ter maior liberdade no setor ofensivo.
Segundo ele, a mudança começou ainda durante sua passagem pelo Atlético-MG, quando passou a atuar mais próximo da área adversária.
“[No Palmeiras] Eu era ponta mesmo, de atacar e defender pelo corredor e fazer o trabalho sujo, vamos dizer assim, para os outros atacantes. Isso mudou no Atlético-MG, com o Thiago Larghi. Ele acabou vendo que eu finalizava muito bem e que, se estivesse perto da área, a chance de fazer gols era muito maior. Acabei sempre jogando mais como ponta esquerda ou segundo atacante. Foi assim na China e depois quando voltei para o Corinthians, com o Sylvinho e outros treinadores”, contou.
No Al Rayyan, o atacante passou a exercer uma função ainda mais livre, aproximando-se da posição de camisa 10. Com a quantidade de gols acumulada nos últimos anos, ele acredita que pode atuar como centroavante no futuro.
“Aqui, no Al Rayyan, já sou mais segundo atacante. Eu me vejo mais como camisa 10, porque busco a bola no pé dos volantes, às vezes até no pé do zagueiro. Então, é um pouco diferente do que eu faria no Brasil. Hoje sou um camisa 10 mais ofensivo. Vejo como principal característica minha esse perfil de segundo atacante, de atacar espaço, mas, se precisar buscar mais a bola, também faço. Digo que hoje jogo mais livre no ataque. Acredito que, daqui para frente, vou ser mais centroavante, até pelo número de gols”, afirmou.
Róger Guedes também ressaltou que nunca gostou de ficar preso a uma função específica dentro de campo.
“Eu nunca gostei de ficar em uma posição só, muito sistemático. Sempre gostei de me movimentar mais e vejo que os treinadores foram entendendo isso”, completou.
Atacante é cotado para defender a seleção do Qatar
Além da permanência no Al Rayyan, Róger Guedes também comentou a possibilidade de defender a seleção do Qatar. O brasileiro ainda precisa cumprir as regras de naturalização para poder representar o país.
De acordo com o atacante, existe interesse da federação, mas nenhuma negociação foi iniciada até o momento. A possibilidade depende também da definição sobre qual legislação será aplicada ao processo de naturalização.
“Pelo pouco que eu sei, eles [Confederação do Qatar] têm essa vontade. Se for tudo possível, sempre falam que a lei pode mudar para três anos, que, a partir deste ano, eu já poderia me naturalizar, ou se vão se basear na lei antiga, que seria somente após cinco anos no país e sem defender outra seleção. Mas nunca conversamos, porque existe esse debate se vale a lei nova ou a lei antiga. Se for a antiga, eu teria que esperar mais um tempo. Entretanto, não houve nenhuma negociação, só especulação”, explicou.
Relação com treinadores portugueses
Durante sua passagem pelo Al Rayyan, Róger Guedes também trabalhou com dois treinadores portugueses que atualmente comandam equipes brasileiras: Leonardo Jardim, no Flamengo, e Artur Jorge, no Cruzeiro.
O atacante destacou a experiência com os dois profissionais, mas revelou uma relação especialmente próxima com Artur Jorge.
“Eu gostei muito de trabalhar com o Jardim. Foi ele quem me trouxe para cá. Ficamos um ano juntos e, infelizmente, perdemos a Liga e uma Copa aqui no Qatar. Mas foi um trabalho muito bom. Ficamos em segundo na Liga, eu concorri ao prêmio de melhor jogador da competição, foi muito bom no geral”, afirmou.
“Mas a minha relação com o Artur foi diferente. Sempre falei que considero ele como um ‘papai’ no futebol para mim. Ele me deu total confiança e liberdade no time, e a comissão dele era fantástica. Acho que, por ele já ter trabalhado no Brasil, sabiam como lidar com o jogador brasileiro, como tratar, a parte tática e tudo isso. Ele gosta muito dessa parte tática, principalmente ofensiva, de jogar mais em cima. Eu, como atacante, gostei muito de jogar com ele nesse sentido”, completou.
O atacante ainda elogiou o trabalho dos dois portugueses no futebol brasileiro.
“Só tenho que agradecer aos dois. Eles acabaram de se enfrentar na Libertadores: o Jardim saiu vitorioso, mas jogaram novamente e o Artur ganhou. Acho que, em pouco tempo, o Artur Jorge mostrou no Cruzeiro o seu trabalho, tirou o time da zona de rebaixamento e colocou entre os quatro primeiros. O Jardim está em um dos maiores times do Brasil, fazendo um ótimo trabalho também”, concluiu.
Róger Guedes ainda mira grandes sonhos
Antes de construir sua trajetória no Qatar, Róger Guedes também teve oportunidades de deixar o Brasil rumo à Europa. O atacante revelou que recebeu propostas oficiais de clubes como Porto, Benfica, Atalanta e CSKA Moscou, mas nenhuma negociação foi concretizada.
O jogador também revelou que tinha o desejo de atuar pela Roma, principalmente pela admiração que cultivava por Francesco Totti, além do sonho de defender o Real Madrid.
“Desde a infância, eu sempre gostei da Roma e do Real Madrid. Sempre imaginei jogar em um dos dois times. No Real, por si só, mas pelo Cristiano Ronaldo também. Na Roma, eu gostava muito do Totti. Então, na infância, eu tinha muita vontade mesmo de jogar na Roma, até me tornar jogador profissional. Eu uso a meia baixa até hoje por causa do Totti, também por causa do Verón, o argentino. Mas nunca tive o prazer de encontrar com ele [Totti]”, contou.
Apesar das oportunidades, Róger Guedes nunca atuou no futebol europeu. Depois de passagens por Criciúma, Palmeiras, Atlético-MG e Corinthians, o atacante construiu sua carreira internacional na China e, posteriormente, no Qatar.
“De propostas oficiais [da Europa], mesmo, teve a do Porto, na época do Galo, que eu acabei não indo para ir para a China, isso em 2018. Se não me engano, teve do Benfica também, quando eu estava no Corinthians, antes de vir para cá (Al Rayyan). Na época (2018), também tive proposta da Rússia, acho que do CSKA Moscow. Em 2016, tive da Atalanta e, no meio de 2017, também. Houve muitas especulações, mas essas foram as oficiais, em que chegaram propostas aos clubes”, revelou.
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