Central do Timão
·01 de outubro de 2026
SAFiel encerra tratativas com atual diretoria do Corinthians, mas mantém projeto para futuras gestões

In partnership with
Yahoo sportsCentral do Timão
·01 de outubro de 2026

As conversas entre a atual diretoria do Corinthians e os responsáveis pela SAFiel chegaram ao fim. Os idealizadores do projeto consideram que não há mais condições para avançar nas tratativas durante a gestão do presidente Osmar Stabile, principalmente diante da falta de comunicação nas últimas semanas e da proximidade da eleição marcada para novembro.
A posição foi apresentada pelos empresários Carlos Teixeira e Eduardo Salusse, dois dos responsáveis pela iniciativa, em entrevista ao Meu Timão. Apesar de considerarem encerrado o diálogo com a administração atual, eles afirmam que o projeto de transformação do futebol corinthiano em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) continuará sendo defendido dentro do clube.

Foto: Gabriel Oliveira
“Sendo muito franco, o que passa pela nossa cabeça hoje? Primeiro, uma constatação: nesta legislatura, com a atual diretoria do clube, o projeto não avança mais. Para nós, isso já é uma página virada e uma realidade dada”, afirmou Carlos Teixeira.
Eduardo Salusse adotou um tom menos definitivo sobre uma eventual retomada ainda nesta gestão, mas apontou que esse cenário é considerado improvável. Segundo o empresário, o grupo não recebeu a resposta necessária para continuar as negociações.
“Não é uma conclusão definitiva, mas diria que esse é o cenário mais provável — até pela falta de comunicação entre a diretoria e o nosso grupo nas últimas três ou quatro semanas, e pelo fato de o mandato já estar no fim. Não nos parece que este período seja frutífero para dar sequência ao que precisava ser feito. Tivemos uma oportunidade concreta de avançar, mas, infelizmente, não vimos do lado do clube a devolutiva mínima necessária para seguirmos em frente. Portanto, com tão pouco tempo até a eleição, é muito improvável que haja uma mudança repentina. Mas, se por acaso acontecer, nós estamos preparados.”
Reunião no Parque São Jorge marcou tentativa de aproximação
A relação entre as partes teve um momento importante em 26 de agosto, quando integrantes da SAFiel e representantes do Corinthians se reuniram oficialmente para discutir o projeto. O encontro no Parque São Jorge durou cerca de quatro horas e contou com questionamentos técnicos sobre a proposta apresentada pelo grupo.
Carlos Teixeira afirmou que, ao final da reunião, os responsáveis pelo projeto receberam aproximadamente 200 perguntas do clube. Segundo ele, Osmar Stabile também solicitou que as discussões seguintes fossem conduzidas de maneira reservada.
“No dia 26 de agosto, se não me engano, nós passamos quase cinco horas reunidos com o clube. Estavam presentes o presidente Osmar Stabile, o vice-presidente Armando Mendonça, o doutor Romeu Tuma (presidente do Conselho Deliberativo), o doutor Miguel Marques (presidente do Conselho de Orientação) e outros diretores. Foi um encontro extenso e exaustivo. Ao final, recebemos cerca de 200 perguntas do clube, acompanhadas de um pedido expresso do presidente Osmar: que as conversas dali em diante entre o Corinthians e a SAFiel não ocorressem pela imprensa. Ele deixou isso muito claro naquela sala.”
Pouco depois, a situação da Neo Química Arena passou a ocupar o centro das discussões. Stabile declarou publicamente que assinaria o documento vinculante caso a SAFiel viabilizasse a quitação da dívida do estádio. Em resposta, os idealizadores enviaram uma carta se comprometendo a estruturar a obtenção antecipada dos recursos, desde que houvesse formalização prévia do acordo e autorização para conduzir as tratativas com a Caixa Econômica Federal.
SAFiel relata ausência de resposta da presidência
De acordo com Carlos Teixeira, o grupo aceitou publicamente a condição apresentada pelo presidente e posteriormente procurou formalizar os procedimentos necessários.
“Ele nos pegou de surpresa, mas nos reunimos, avaliamos o cenário com muita responsabilidade e, no final do dia, confirmamos que aceitávamos o desafio. Antes de publicar a nota oficial, liguei para ele e disse: ‘Presidente, estamos aceitando a sua proposta. Vamos fazer um post para deixar isso claro a todos, já que o senhor fez um desafio público’.”
Depois da manifestação, os responsáveis enviaram um e-mail ao Corinthians e também buscaram protocolar formalmente a documentação. Segundo Teixeira, a presidência não voltou a procurar diretamente o grupo.
“Em seguida, enviamos um e-mail ao clube ratificando a aceitação e detalhando as providências operacionais necessárias para que a quitação pudesse ser concluída. Como não tivemos retorno ao e-mail, enviamos uma correspondência registrada para protocolar o recebimento no clube. Desde então, não houve mais nenhum contato direto conosco.”
Teixeira também contestou a possibilidade de realizar o pagamento relacionado à Arena antes da assinatura de um instrumento contratual com o Corinthians.
“O único retorno do presidente Osmar veio novamente pela imprensa, quando declarou: ‘Eles têm que pagar primeiro a Arena. Depois, nós vamos fazer o contrato.’ Mandei uma mensagem direta para ele: ‘Osmar, essa condição é inaceitável. Não existe qualquer lógica financeira, empresarial ou jurídica em realizar um pagamento desse montante sem antes ter um contrato assinado com o clube.’ Além disso, vale destacar que o presidente não tem autonomia estatutária individual para assinar uma proposta vinculante como prometeu. A impressão clara que ficou é que aquilo foi um gesto puramente político, sem intenção real de construir um acordo.”
A avaliação sobre a intenção da presidência representa a interpretação dos responsáveis pela SAFiel. Eduardo Salusse acrescentou que Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, e Miguel Marques, presidente do Conselho de Orientação (Cori), acusaram o recebimento da documentação enviada pelo grupo.
Fim das conversas não significa encerramento da SAFiel
Apesar de considerar esgotada a possibilidade de acordo com a atual diretoria, o grupo pretende continuar defendendo a proposta no Corinthians.
Salusse argumenta que uma eventual decisão definitiva sobre o modelo deveria passar pelos associados do clube. A implementação de uma SAF, de qualquer maneira, dependeria de uma série de procedimentos internos e regulatórios, não apenas de um acordo com a Diretoria Executiva.
“Não foi o dono do Corinthians que não quis nos receber. Foi alguém que está temporariamente na presidência. O legítimo titular do direito soberano de deliberar é o sócio do clube. Já disse em outras oportunidades que, no dia em que o sócio, reunido em Assembleia Geral, disser: ‘tchau, SAFiel, nós não temos mais interesse’, o nosso papel estará encerrado. Até que isso aconteça, entendo que essa resistência é ilegítima, porque não cabe a quem exerce um mandato transitório — e que, portanto, tem um dever fiduciário com quem o elegeu — fazer esse tipo de filtro autoritário.”
Assim, a decisão anunciada agora encerra as tratativas com a administração de Osmar Stabile, e não o projeto como um todo. Os responsáveis pretendem continuar trabalhando para que a proposta seja discutida dentro do Corinthians.
Projeto prevê captação bilionária
A primeira proposta formal da SAFiel foi apresentada à presidência em 2 de junho. O planejamento prevê uma captação inicial de R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de alcançar R$ 3 bilhões.
Segundo o projeto, os recursos seriam direcionados principalmente ao pagamento das dívidas relacionadas ao futebol, investimentos esportivos e em infraestrutura, implantação de mecanismos de governança e fortalecimento do clube social.
O modelo apresentado também prevê participação financeira de torcedores, com aportes a partir de R$ 250 e limites de participação por CPF. Investidores externos poderiam adquirir ações sem direito a voto para complementar a captação, caso necessário.
A proposta ainda estabelece mecanismos para preservar nome, escudo, cores e outros elementos da identidade do Corinthians.
Para que o projeto efetivamente saia do papel, entretanto, ainda seriam necessárias diversas etapas, incluindo análises independentes, due diligence, avaliação do clube, procedimentos regulatórios e aprovação pelos órgãos estatutários. A etapa final prevista pelo grupo inclui uma Assembleia Geral dos associados para deliberar sobre a transformação.
Com as conversas interrompidas com a atual diretoria, o futuro da SAFiel passa a depender dos próximos movimentos políticos e institucionais do Corinthians, que terá eleição presidencial em 28 de novembro.







































