Portal dos Dragões
·02 de outubro de 2026
Samu sem medo da concorrência de André Silva e Gimenez: “Tenho muito a aprender com eles e isso vai tornar-me melhor”

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Quase oito meses depois de ter sofrido uma rotura de ligamentos no joelho direito, Samu regressou aos relvados no clássico entre FC Porto e Benfica, no Estádio do Dragão. Em entrevista ao jornal espanhol Marca, o ponta de lança falou da concorrência de André Silva e Santiago Gimenez, da confiança de Francesco Farioli e da exigência de representar os dragões. Sem recear a luta por um lugar, garantiu: “O mais importante é ajudar a equipa”.
O regresso à competição abriu um novo capítulo para Samu Aghehowa, agora confrontado com uma concorrência interna diferente daquela que encontrou antes da lesão. Aos 22 anos, o avançado espanhol encara esse desafio como uma oportunidade de crescimento, sem perder de vista a força colectiva que identifica no FC Porto.
Sobre a disputa por um lugar no ataque, Samu afastou qualquer ideia de desconforto. Pelo contrário, valorizou a qualidade e a experiência de André Silva e Santiago Gimenez, colocando a decisão final nas mãos do treinador.
“O nosso plantel é super completo e isso exige muito de nós os três nos treinos e nos jogos. Estou muito feliz por ter o André Silva e o Santiago Gimenez na equipa. Aprendemos muito uns com os outros.”, referiu. “Eu sou o mais jovem dos três, tenho muito para aprender com eles e isso vai tornar-me melhor jogador. A competição exige muito mais de nós no dia a dia e, no final, o mister é que decide quem joga. O mais importante é ajudar a equipa”
A mensagem não é de confronto, mas de evolução. Samu aceita a concorrência como parte da exigência diária e transforma-a num estímulo para regressar mais forte.
Essa disponibilidade para colocar o colectivo acima das ambições individuais prolonga-se na leitura que faz do balneário. Para o espanhol, a união é o principal segredo de um grupo que se vê como uma família.
“O nosso segredo é sermos uma equipa. É disso que mais gosto neste grupo. Somos uma família e lutamos uns pelos outros. Está tudo a correr bem. O ano passado foi incrível. Voltámos a ganhar o campeonato três anos depois.”, sublinhou. “Com a chegada do mister Farioli, passámos a respirar outro ar e a verdade é que este ano também começámos bem, a ganhar todos os jogos nas competições internas. Estamos muito felizes, mas sabemos que este é apenas o início de uma caminhada muito longa. Temos de manter os pés bem assentes no chão e perceber que o nosso limite somos nós próprios. A nossa ambição é ganhar todos os jogos, mesmo que sejam amigáveis. É isso que faz com que este clube seja grande. Estamos muito felizes e confiantes em relação ao futuro.”
O discurso junta confiança e prudência: há satisfação pelo caminho percorrido, mas também a noção de que nada está concluído. A ambição, para Samu, nasce precisamente desse equilíbrio entre a força do grupo e a obrigação de continuar a ganhar.
O longo processo de recuperação trouxe dias difíceis e custou-lhe também a presença no Mundial’2026. Entre os agradecimentos ao staff, aos colegas e à família, o avançado reservou palavras especiais para Francesco Farioli, atual treinador do FC Porto.
“Devo tudo ao mister Farioli. Ele sempre confiou em mim, desde o primeiro dia, mas desde a lesão que ainda confiou mais. Transmitiu-me muita confiança, encorajou-me e ajudou-me em tudo o que precisava. Tudo isso foi muito importante para mim.”, explicou. “Não sabia se ele ia continuar a contar comigo depois da lesão, mas ele deu-me esse voto de confiança, disse-me que contava comigo e mostrou-me o quão importante sou para ele. Sinto-me muito grato. Nem todos os treinadores agem assim.”
Mais do que apoio técnico, Samu encontrou no treinador uma segurança decisiva durante a incerteza provocada pela lesão. A confiança de Farioli surge, no seu relato, como um dos pilares emocionais do regresso.
Feliz no FC Porto e com a ambição de voltar à seleção espanhola, o avançado não esconde a dimensão da exigência que sente na cidade. A pressão existe, mas é entendida como parte da responsabilidade de defender o emblema portista.
“Quando os adeptos me encontram na rua, a primeira coisa que me dizem é que tenho de ganhar. É este o ambiente que se vive aqui.”, descreveu. “Sentimos muita pressão, mas é uma pressão positiva, porque temos de honrar este emblema. Só pensamos em ganhar. O apoio dos adeptos é muito importante, porque sem eles seria muito mais difícil”
A relação com os adeptos acrescenta peso, mas também impulso. Samu aceita essa cobrança como expressão da cultura competitiva de um clube que definiu como “um clube de topo a nível mundial”.
Foi precisamente diante dos adeptos, no clássico com o Benfica, que o espanhol voltou a competir. O momento não estava inicialmente previsto, mas a evolução nas semanas anteriores e a alta médica permitiram antecipar o regresso.
“Foi um caminho muito longo, mas graças a Deus já chegou ao fim. No final, correu tudo bem. Voltar num jogo tão importante para o Clube, para a cidade e para toda a equipa foi muito especial. Nunca me vou esquecer da forma como fui recebido pelos adeptos. Conseguimos ganhar o jogo e no final correu tudo bem. Foi tudo como sonhei.”, recordou. “Foi inexplicável. A forma como os adeptos me receberam foi incrível e eu nunca vou esquecer. Não estava previsto voltar nesse jogo. Foi um momento muito feliz para mim e para a minha família. Tivemos de gerir a lesão passo a passo. Achava que só ia voltar depois da paragem para as seleções, mas comecei a sentir-me bem nas semanas anteriores e os médicos deram-me alta. Correu ainda melhor do que esperava.”
Depois de uma recuperação feita passo a passo, o reencontro com o relvado ganhou uma carga que ultrapassou a dimensão desportiva. Samu regressou num palco especial, sentiu o apoio das bancadas e encontrou no clássico o desfecho que tinha imaginado para uma espera longa.







































