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·25 de setembro de 2026

São Paulo aprova imposição e proibição de publicidade de bets em eventos esportivos

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A Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta quarta-feira, 23 de setembro, em primeiro turno, o Projeto de Lei 560/2025, que proíbe a publicidade de empresas de apostas esportivas e jogos de azar online em eventos esportivos na capital.

A proposta é do vereador João Jorge, do MDB, e tem coautoria de outros parlamentares. A votação foi simbólica, sem registro nominal no painel eletrônico. O texto ainda precisa ser aprovado em segundo turno antes de seguir para análise do prefeito.

Caso seja sancionada, a medida poderá afetar clubes, organizadores de eventos, arenas, empresas de mídia e patrocinadores que atuam na cidade de São Paulo.

O que o projeto proíbe

O texto veta a publicidade direta ou indireta de empresas de apostas esportivas e de jogos de azar online em eventos realizados no município.

A proibição vale para eventos:

  • Públicos ou privados.
  • Profissionais ou amadores.
  • Com ou sem fins lucrativos.
  • Organizados por entidades públicas ou privadas.
  • Realizados em espaços públicos ou particulares.

O projeto considera publicidade a exposição de marcas, nomes, símbolos, mensagens promocionais ou qualquer referência comercial às empresas de apostas, por meios físicos ou digitais.

Locais atingidos

A proposta alcança diferentes espaços utilizados para eventos esportivos.

Entre eles estão:

  • Estádios.
  • Arenas.
  • Ginásios.
  • Quadras.
  • Campos esportivos.
  • Espaços públicos municipais.
  • Locais privados que recebam competições.
  • Ônibus e veículos do transporte coletivo.
  • Áreas públicas sob administração ou permissão da Prefeitura.

Placas, faixas, painéis, busdoor, outbus e backbus estão entre os formatos de publicidade que poderão ser proibidos.

Multa pode chegar a R$ 50 mil

O projeto prevê multa de R$ 50 mil por infração.

Também estão previstas outras penalidades:

  • Suspensão da licença de funcionamento por até 30 dias.
  • Proibição de realizar eventos esportivos na cidade por até dois anos em caso de reincidência.
  • Destinação dos valores arrecadados para campanhas de prevenção à ludopatia.
  • Investimento em ações de esporte educativo.

Empresas e organizações teriam 90 dias para se adaptar às novas regras depois da publicação da lei, caso o texto seja aprovado definitivamente e sancionado.

Projeto ainda não virou lei

A aprovação desta quarta-feira ocorreu apenas em primeiro turno.

O texto ainda precisa passar por:

  • Eventual audiência pública.
  • Análise das propostas de alteração.
  • Segunda votação no plenário.
  • Sanção ou veto do prefeito.
  • Regulamentação da Prefeitura, se for sancionado.

Até que todas essas etapas sejam concluídas, a publicidade de bets continua permitida conforme as normas atualmente em vigor.

A Câmara deverá ouvir representantes de famílias endividadas, clubes de futebol, empresas de apostas e outros setores antes da votação definitiva.

Impacto nos clubes de São Paulo

Se virar lei, a medida poderá afetar diretamente os principais clubes da capital.

São Paulo, Corinthians e Palmeiras mantêm ou já mantiveram contratos comerciais com empresas do setor de apostas. A proibição poderá atingir:

  • Patrocínios máster.
  • Placas no estádio.
  • Painéis de entrevistas.
  • Publicidade nos uniformes.
  • Conteúdo patrocinado em redes sociais.
  • Ações comerciais em dias de jogos.
  • Publicidade em eventos esportivos.

O alcance exato sobre patrocínios nos uniformes dependerá da interpretação final do texto e da regulamentação.

Impacto para o São Paulo

O São Paulo poderá ser um dos clubes mais afetados caso a lei seja aprovada.

O Tricolor terá dois eventos importantes no MorumBIS no início de outubro: o jogo contra o Santos, pelo Brasileirão, em 2 de outubro, e a final do Campeonato Brasileiro Feminino contra o Corinthians, no dia seguinte.

Se a norma já estiver em vigor, qualquer publicidade de bets nesses eventos poderá ser proibida.

Além do estádio, contratos comerciais vinculados a propriedades do clube também poderão precisar de revisão jurídica.

Justificativa do projeto

O autor afirma que o objetivo é reduzir os impactos sociais e econômicos provocados pelas apostas online.

A justificativa cita dados sobre o perfil dos apostadores e aponta que grande parte deles pertence a famílias com renda mensal de até três salários mínimos.

O texto também menciona estimativas sobre o volume movimentado pelo setor e argumenta que parte dos recursos destinados às apostas deixa de circular no comércio e em outras atividades econômicas.

A proposta ainda destaca a necessidade de proteger crianças e adolescentes e preservar a integridade das competições esportivas.

Campanhas educativas

Além de proibir anúncios, o projeto determina que a Prefeitura promova campanhas educativas sobre os riscos das apostas esportivas e dos jogos online.

As ações deverão alcançar:

  • Escolas municipais.
  • Redes sociais.
  • Canais oficiais da Prefeitura.
  • Eventos esportivos.
  • Atividades culturais.
  • Programações educacionais.
  • Materiais impressos.

O objetivo é conscientizar a população sobre a ludopatia, termo usado para descrever o vício em jogos e apostas.

Argumentos citados na proposta

A justificativa do projeto menciona estimativas de crescimento do mercado de apostas no Brasil.

Entre os números citados estão:

  • Cerca de R$ 50 bilhões movimentados em 2023.
  • Aproximadamente R$ 240 bilhões em 2024.
  • Estimativa de R$ 30 bilhões mensais em apostas no primeiro trimestre de 2025.
  • Projeção anual próxima de R$ 400 bilhões.
  • Mais de R$ 100 bilhões que teriam deixado de circular no varejo em 2024, segundo a Apas.

Esses valores aparecem na justificativa legislativa e são utilizados para defender maior controle sobre a publicidade do setor.

Debate sobre competência e impacto

A proposta deve gerar debate entre clubes, empresas de apostas, organizadores e especialistas em direito esportivo.

Os defensores afirmam que o município pode regulamentar a publicidade em eventos realizados em seu território.

As empresas do setor e entidades ligadas a jogos e loterias, por outro lado, podem questionar o alcance da lei e seus efeitos sobre contratos já assinados.

O projeto aprovado em primeiro turno ainda poderá sofrer mudanças durante a tramitação.

Situação do projeto

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