Senol Günes está na história da seleção turca por 2002, mas decepcionou bastante nesta segunda passagem | OneFootball

Senol Günes está na história da seleção turca por 2002, mas decepcionou bastante nesta segunda passagem

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Na lista de maiores treinadores da história do futebol turco, Senol Günes ocupa um lugar privilegiado. Além de seus títulos por clubes, afinal, o ex-goleiro conduziu a seleção ao maior momento de sua história: a terceira colocação na Copa do Mundo de 2002. Quando Günes voltou para comandar a equipe nacional em 2019, 15 anos depois de sua saída, a escolha da federação parecia ótima. O treinador vinha de uma excelente trabalho à frente do Besiktas e tinha em mãos uma geração bastante promissora. Porém, 32 jogos depois, a despedida é amarga. A Turquia foi talvez o maior fiasco da Euro 2020 e sofreu uma das maiores derrotas de sua história nesta Data Fifa, com os 6 a 1 da Holanda. Foi o que encaminhou a demissão.

A história de Günes é bastante ligada ao Trabzonspor. O veterano é considerado o maior ídolo da história do clube. Nos tempos de goleiro, participou de todos os seis títulos já conquistados pela agremiação no Campeonato Turco. Já como treinador, quase repetiu o feito, embora seus maiores títulos na casamata dos grenás se concentrem na Copa da Turquia. De qualquer maneira, é uma lenda tão grande por lá que o próprio estádio do Trabzonspor leva o seu nome.

Günes assumiu a Turquia pela primeira vez em 2000. Vinha credenciado por seu histórico à frente do Trabzonspor durante os anos 1990, para substituir Mustapha Denizli, outra lenda do futebol local que tinha dirigido a boa campanha na Euro 2000. Günes aproveitava especialmente a base formada por Fatih Terim no Galatasaray campeão da Copa da Uefa em 1999/00. E os bons resultados se notaram em campo, não apenas pelo retorno à Copa do Mundo após 48 anos. Os turcos também se mostraram bastante competitivos no Mundial, aproveitaram o caminho sem tantos adversários de peso e alcançaram a terceira colocação, depois de dificultarem para o Brasil na semifinal.

Günes ainda levou a Turquia à semifinal da Copa das Confederações em 2003, antes de falhar na tentativa de classificar a seleção à Euro 2004. Com isso, acabou perdendo o emprego. Sua carreira, a partir de então, se resumiria a clubes. Dirigiu o Trabzonspor, antes de aceitar uma proposta do FC Seoul e depois voltar ao Trabzonspor em 2009. Comandou uma equipe forte que chegou a ser vice-campeã nacional e conquistou a Copa da Turquia. Depois, passaria brevemente pelo Bursaspor, até assumir o Besiktas – sua primeira experiência num clube do trio de ferro de Istambul. O desempenho com as Águias foi excelente, conquistando dois títulos da Süper Lig e acumulando campanhas relevantes nas copas europeias.

Neste momento, Günes parecia o nome certo para a sua segunda passagem pela seleção. A Turquia não se classificou à Copa do Mundo de 2018 e Mircea Lucescu não conseguia conduzir uma renovação. Assim, Günes deu novo impulso aos turcos no início de seu trabalho. A classificação para a Euro 2020 empolgou os torcedores. A equipe derrotou a França e manteve um aproveitamento bastante alto. O sucesso não se repetiu na Liga das Nações, mas o time começou voando as Eliminatórias para a Copa de 2022, amassando a Holanda em casa e a Noruega fora. Isso até a Eurocopa, de fato, acontecer.

Durante o torneio internacional, Günes pareceu perder mão de seu grupo. Jogadores lesionados e fora de ritmo atrapalharam, mas essa explicação está longe de satisfazer. A Turquia chegou credenciada à Euro 2020 como uma possível surpresa e tinha uma defesa reconhecidamente forte, mas acabou sofrendo três derrotas duras. Algumas rusgas se tornaram públicas e os jogadores não indicavam muita confiança no trabalho do treinador. Porém, mesmo com a eliminação precoce, a federação resolveu dar um voto de confiança e manter o técnico em seu cargo. Não adiantou.

Nesta Data Fifa, a Turquia começou decepcionando ao ceder o empate em casa para Montenegro nos minutos finais – quando Günes botou a responsabilidade nos jogadores de clubes do exterior. A vitória sobre Gibraltar não era mais que obrigação e o time chegava ao seu terceiro compromisso encarando a Holanda em Amsterdã. Um empate na Johan Cruyff Arena não seria ruim, mas o que se viu foi um vareio da Oranje para cima dos turcos: golearam por 6 a 1 e botaram os adversários diretos na roda, com uma série de lindos gols. O segundo baque consecutivo de Günes o levou a nocaute.

A Turquia permanece com chances de classificação à Copa. Soma 11 pontos na terceira colocação, dois a menos que Holanda e Noruega. Se parece mais difícil alcançar os holandeses, ainda há o confronto direto com os noruegueses em casa. Até por isso, a mudança acabou sendo feita neste momento, para que não se perca totalmente a mão das possibilidades. Günes, enquanto isso, deixa a equipe com a imagem um pouco manchada. O treinador conseguiu criar esperanças de dias melhores, mas falhou justo nos momentos decisivos. Decepciona pelas ambições que não cumpriu, embora permaneça como uma figura histórica pelo que fez em 2002.

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