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·31 de janeiro de 2026

Textor cruza o Rubicão. Em campo, Botafogo bielsista supera as expectativas

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Um aporte que, na verdade, era um empréstimo com juros altíssimos. Uma dívida de R$ 1,5 bilhão. Atraso no parcelamento do pagamento de contratações. A promessa de liquidar o transfer ban e ser agressivo no mercado atirada ao vento. Empresários cobrando comissões. Desgastes políticos nos bastidores. A falta de transparência. Discursos contraditórios. John Textor conseguiu queimar a própria imagem com uma fração relevante do botafoguismo. Na última quinta-feira (29), o empresário cruzou, enfim, o Rubicão. Ou seja, chegou a um ponto sem retorno ao tentar vender, na surdina, por debaixo dos panos, Danilo e Montoro a preço de banana para o Nottingham Forest (ING) de Evangelos Marinakis. Uma liminar da Justiça o impediu. O time ficaria sem os dois grandes nomes do elenco e com apenas R$ 50 milhões na operação. Um movimento típico de uma gestão temerária. Aquele planejamento às avessas do início de 2025 soa, aliás, como música perto do tsunami que se avolumou contra o Botafogo nesta semana. Como era bom quando os problemas se limitavam às escalações do Renato Paiva!

Popularidade baixa no Botafogo

Pela primeira vez, o clima no Estádio Nilton Santos não foi favorável ao Godfather. Narcista, Textor, diante da crise financeira, abandonou aquela imagem típica de um político brasileiro pedindo votos em época de eleição. O big boss só havia trocado o pastel pelo churrasquinho de gato do Engenho de Dentro. O magnata se dirigiu, então, rapidamente ao camarote, realizou um pronunciamento aos canais oficiais do clube (fineza não confundir com entrevista) e se esquivou dos jornalistas que o aguardavam na zona mista do Colosso do Subúrbio. Postura típica de quem está nas cordas e sob muita pressão.


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Textor enfrenta resistência entre seus pares no Glorioso – Foto: Vitor Silva/Botafogo

O acionista da ensolarada Flórida evitou, portanto, o contato com a massa alvinegra. Nada de selfies! Ao invés da euforia do “Papai chegou”, o norte-americano ouviu gritos de ordem das tribunas do Nilton Santos e protestos das torcidas organizadas. Além disso, se deparou com uma faixa centralizada na Leste Inferior com um recado claro: o clube é de sua gente! Talvez o botafoguismo tenha percebido que idolatrar dirigentes não condiz com a grandeza do Mais Tradicional. O Botafogo nunca foi um clube sebastianista e tampouco precisa de um salvador. Falta à instituição um outro tipo de liderança para a SAF. Textor parece inviável. Lamentavelmente! Franceses, ingleses e belgas já haviam enviado o alerta.

Gratidão x escravidão

O componente de 2024 será a última muleta do investidor. E, de fato, a gratidão é importante, assim como a honestidade. De março de 2022 a janeiro de 2025, houve avanços no futebol: scout, categorias de base mais qualificadas, times competitivos, as boas instalações do Espaço Lonier, três classificações consecutivas para a Copa Libertadores, além daquele dezembro do ano retrasado. No entanto, hoje o Botafogo expõe a marca de uma forma extremamente negativa e afasta até novos investidores. Os títulos não são salvos-condutos para arroubos autoritários e megalomaníacos. O Glorioso existe antes das taças. Os canecos servem para reforçar o tamanho da Mais Tradicional. E não para torná-lo refém dos interesses de um forasteiro irresponsável.

Parecia aquele Botafogo x Peñarol…

O campo antagonizou com os bastidores. Ou será que eles se completam? Afinal, dizem que o Glorioso se alimenta do caos. A Estrela Solitária brilha, assim, em momentos de escuridão. Botafogo 4 x 0 Cruzeiro lembrou aquele 5 a 0 sobre o Peñarol, em outubro de 2024. Só que golear a Raposa, forte candidata ao título brasileiro, sem o “Quarteto Fantástico”, é mais difícil que atropelar a equipe uruguaia, com todo respeito à história dos aurinegros. A comparação só vai passar batida porque o primeiro embate era válido pela rodada inicial do Brasileirão e o outro por uma semifinal de Copa Libertadores. Nas duas ocasiões, entretanto, o time alvinegro demonstrou um poder de recuperação extraordinário e uma voracidade descomunal para engolir o adversário.

Bielsista 100%

Martín Anselmi não só blindou o vestiário da celeuma administrativa do Botafogo e superou a expectativa. Arrojado, o treinador rosarino mexeu em toda a estrutura do time e encontrou soluções em um elenco curto nestes três primeiros duelos. O lateral-direito joga de zagueiro, o cabeça de área vira líbero, o ala atua como lateral-esquerdo, o ponta ocupa a faixa do centroavante. Uma verdadeira revolução! E estes indícios vanguardistas não surpreendem, afinal, a diretoria trouxe um aprendiz de Marcelo Bielsa para o banco de reservas. Imagina se o técnico argentino tivesse Villalba e Medina à disposição. Maldito transfer ban!

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Danilo e Montoro são jogadores de nível de seleção – Foto: Vitor Silva/Botafogo

O bielsismo é um deleite quando dá certo. Não é à toa que virou uma escola e inspirou grandes treinadores pelo planeta. Pep Guardiola, por exemplo, bebeu na fonte. Mas o estilo do guru rosarino flerta toda hora com o perigo e com a possibilidade de uma tragédia esportiva. A linha alta de marcação de Anselmi deixou a defesa exposta algumas vezes contra o Cruzeiro. Os movimentos precisam estar sincronizados no nível de um balé russo. O time só vai aperfeiçoá-los com o tempo. E a torcida, obviamente, deverá demandar o cardiologista em dia.

Para encerrar, mais elogios ao novo treinador do Mais Tradicional. No Campeonato Carioca, o Botafogo amassou os pequenos com posse de bola. Diante do forte Cruzeiro, a pelota ficou nos pés do adversário. O time alvinegro respondeu com “Velocidade Máxima” após as alterações do treinador. Parecia o filme protagonizado por Keanu Reeves e Sandra Bullock. Um atropelo, graças à leitura de jogo de Anselmi.

*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.

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