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Território MLS

·04 de abril de 2025

Três décadas de evolução: os 30 anos da MLS e a consolidação do futebol nos Estados Unidos

Imagem do artigo:Três décadas de evolução: os 30 anos da MLS e a consolidação do futebol nos Estados Unidos

Em 17 de abril de 1996, a bola rolava pela primeira vez na história da Major League Soccer (MLS). Com a promessa de construir uma liga de futebol competitiva, estável e popular nos Estados Unidos, o campeonato nascia em meio a incertezas e ceticismo, apenas dois anos após o país sediar a Copa do Mundo de 1994.


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Trinta anos depois, a MLS é uma liga em franca ascensão, com um número crescente de clubes, estádios modernos, torcidas engajadas e grandes nomes do futebol mundial desfilando pelos gramados norte-americanos.

Neste especial, revisitamos os marcos históricos da competição, analisamos o crescimento do esporte no país, destacamos o impacto da chegada de grandes estrelas — como David Beckham e Lionel Messi — e discutimos os desafios e as perspectivas para o futuro da liga.


As origens e o desafio de fincar raízes no solo americano

O futebol nunca foi o esporte mais popular nos Estados Unidos. Em um país onde o futebol americano, o beisebol, o basquete e o hóquei sempre dominaram a atenção do público e da mídia, a tarefa de popularizar o “soccer” era desafiadora. No entanto, a FIFA colocou como condição para a realização da Copa do Mundo de 1994 no país a criação de uma liga profissional permanente.

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Assim nasceu a MLS, com apenas 10 times na temporada inaugural, entre eles D.C. United, LA Galaxy, New York/New Jersey MetroStars (hoje New York Red Bulls) e Colorado Rapids. O campeonato começou com um formato experimental — incluindo partidas decididas nos pênaltis em caso de empate — e com jogadores ainda em desenvolvimento ou já em final de carreira. O público era modesto, os estádios pouco adaptados ao futebol, e a estrutura administrativa engatinhava.

Nos primeiros anos, a sobrevivência foi o principal objetivo. A MLS enfrentou sérias dificuldades financeiras no final dos anos 90 e início dos anos 2000, com clubes sendo dissolvidos e prejuízos acumulados. Foi preciso resiliência, investimento estratégico e ajustes no modelo de negócios para manter a liga viva.


O ponto de virada: a chegada de David Beckham

Em 2007, a Major League Soccer deu um passo ousado e transformador. O astro inglês David Beckham, então com 31 anos, trocou o Real Madrid pelo Los Angeles Galaxy, assinando um contrato milionário com duração de cinco anos. Para viabilizar a contratação, a MLS criou a chamada “Regra do Jogador Designado”, permitindo que cada time contratasse até três atletas com salários acima do teto salarial imposto pela liga.

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A chegada de Beckham mudou o status da MLS no cenário internacional. A cobertura da mídia aumentou, o público nos estádios cresceu e outros jogadores renomados passaram a considerar os Estados Unidos como destino viável: Thierry Henry, Kaká, Andrea Pirlo, Frank Lampard, Steven Gerrard e Zlatan Ibrahimović são apenas alguns dos nomes que desembarcaram na liga nos anos seguintes.

Além disso, Beckham se tornou coproprietário do Inter Miami anos depois, tornando-se um dos rostos mais emblemáticos da liga tanto dentro quanto fora de campo.


Crescimento estrutural: expansão, estádios e academias

Desde sua fundação, a MLS mais do que triplicou o número de equipes participantes. Em 2025, a liga conta com 30 clubes, com a inclusão mais recente do San Diego FC. Há planos de expansão para 32 equipes nos próximos anos, refletindo o crescente interesse pelo futebol em diferentes regiões dos Estados Unidos e do Canadá.

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A liga também investiu fortemente em infraestrutura. Muitos clubes deixaram de jogar em estádios de futebol americano adaptados e passaram a ter suas próprias casas, projetadas especialmente para o “soccer”. Exemplo disso são o Q2 Stadium, do Austin FC, e o BMO Stadium, do LAFC, que oferecem uma experiência imersiva ao torcedor e representam o novo padrão da liga.

Outro foco importante tem sido a formação de atletas. As academias de base se profissionalizaram, e diversos jogadores formados localmente já despontam na seleção dos Estados Unidos e em clubes europeus, como Weston McKennie, Brenden Aaronson, Ricardo Pepi e Gio Reyna. A MLS também criou a MLS NEXT, um sistema nacional de desenvolvimento juvenil, e a MLS NEXT Pro, liga secundária que serve como trampolim para jovens talentos.


Messi e o fenômeno Inter Miami: o novo capítulo do “soccer”

Em julho de 2023, um novo terremoto sacudiu o futebol norte-americano: Lionel Messi, campeão do mundo com a Argentina e heptacampeão da Bola de Ouro, assinava com o Inter Miami. O impacto foi imediato e profundo. O clube, que ocupava as últimas posições da tabela, ganhou visibilidade global. Camisas se esgotaram, os preços dos ingressos dispararam, a audiência da MLS aumentou substancialmente e novos patrocinadores surgiram.

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Messi trouxe consigo antigos companheiros do Barcelona, como Sergio Busquets, Jordi Alba e, posteriormente, Luis Suárez. O Inter Miami virou um símbolo do novo momento da MLS: competitivo, ambicioso e com apelo internacional.

A chegada do astro argentino também fortaleceu a imagem da Apple TV, que assinou um contrato de 10 anos com a MLS para a transmissão exclusiva dos jogos da liga via streaming — movimento que reflete a modernização da forma de consumo do esporte.


Um novo perfil de torcedor e o crescimento da cultura de arquibancada

A MLS conseguiu conquistar um público jovem, urbano e multicultural. Torcedores que cresceram jogando futebol em escolas e parques passaram a acompanhar a liga com entusiasmo. O perfil do fã da MLS é diferente do torcedor médio da NFL ou da MLB: é um público digital, engajado nas redes sociais, conectado às ligas europeias e interessado em questões como inclusão, diversidade e sustentabilidade.

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Clubes como o Portland Timbers, Seattle Sounders, Atlanta United e St. Louis City são exemplos de como é possível criar uma forte cultura local, com torcidas barulhentas, músicas próprias, bandeiras e estádios lotados. O crescimento não se limita ao masculino: a NWSL (National Women’s Soccer League), equivalente feminina, também vem ganhando notoriedade e força nos últimos anos.


Desafios e perspectivas para o futuro

Apesar do crescimento constante, a MLS ainda enfrenta desafios. A comparação com as grandes ligas europeias é inevitável, e há críticas quanto ao nível técnico, ao calendário e à falta de rebaixamento e promoção, característica ausente no modelo fechado adotado pela liga.

No entanto, a realização da Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, representa uma enorme oportunidade para consolidar o futebol como um dos principais esportes do país. A expectativa é de que o torneio impulsione ainda mais o interesse popular, aumente os investimentos em infraestrutura e traga uma nova geração de fãs para o esporte.

A MLS também trabalha para se tornar um destino de elite para jogadores em seus melhores anos, e não apenas uma opção para veteranos. O aumento da contratação de jovens sul-americanos — como Thiago Almada, Facundo Torres e Talles Magno — indica essa mudança de mentalidade. Todos os 3 citados, negociados, posteriormente, com o futebol brasileiro.


Uma liga que chegou para ficar

Trinta anos após seu nascimento conturbado, a Major League Soccer é um caso de sucesso no cenário esportivo global. De liga desacreditada à potência em ascensão, a MLS soube se reinventar, apostou em nomes certos, criou uma identidade própria e, acima de tudo, cultivou uma base fiel de torcedores.

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Com o horizonte repleto de possibilidades — impulsionado pela Copa do Mundo de 2026, pelas novas gerações de talentos e por um mercado cada vez mais sedento por futebol —, a MLS entra em sua quarta década com a confiança de quem venceu os desafios do passado e está pronta para conquistar o futuro.

Confira a entrevista completa do Território MLS com Evander:

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