Gazeta Esportiva.com
·14 de abril de 2026
Tuma pede licença da presidência do Conselho do Corinthians e chama Stabile de “traidor”

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·14 de abril de 2026

Por Tiago Salazar
O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, pediu licença do cargo por tempo indeterminado nesta segunda-feira. A decisão ocorre após a concessão de uma liminar que suspendeu a Assembleia Geral inicialmente marcada para o próximo dia 18 de abril, que teria como objetivo a votação da proposta de reforma do estatuto do clube.
Com isso, Leonardo Pantaleão assume a função imediatamente, enquanto a Comissão de Ética ficará a cargo de Maria Ângela Ocampos, que, se for declarada impedida, deve deixar o espaço para Denis Piovesan.
Tuma afirmou no pedido de licenciamento que sua permanência na presidência do Conselho vinha sendo utilizada como argumento pelo presidente da diretoria, Osmar Stabile, para inviabilizar a realização da assembleia. Segundo ele, que chamou o presidente de “traidor”, houve uma articulação política para “bloquear a vontade dos associados”.
“Sua mais recente manobra, a ação que veio a público na manhã de hoje – e que, aliás, foi deliberadamente protocolada em sigilo, mesmo que sem qualquer fundamentação que o justifique –, tem como única finalidade impedir, exatamente, a manifestação dos associados. Stabile se utiliza de terceiro para propor a ação, porque tem medo de ser julgado exatamente pelo que é: um traidor. Um traidor de cada voto que recebeu. Um traidor de cada corinthiano que acreditou no seu caráter. Um traidor de quem quer um Corinthians democrático – valor que, por sua vez, nos define como instituição”, diz o documento escrito por Tuma.
A decisão judicial que suspendeu a votação da proposta de reforma do estatuto do Corinthians se deu após uma solicitação do conselheiro Felipe Ezabella, que pertence ao Conselho de Orientação (Cori) do Timão.
“O Sport Club Corinthians Paulista informa a todos os associados que a assembleia anteriormente marcada para o próximo dia 18 foi suspensa por determinação judicial, em razão de medida impetrada por um associado do clube”, comunicou o clube.
De acordo com o relato de Tuma, o pedido inicial não foi acolhido de imediato pelo Judiciário, que entendeu ser necessária a manifestação do próprio Corinthians antes de qualquer decisão. Ainda assim, a diretoria, por meio de seu presidente e do departamento jurídico, antecipou-se e concordou formalmente com o pedido para barrar a assembleia, o que culminou na decisão liminar favorável à suspensão, proferida no dia 10 de abril.
“Não serei instrumento dessa manobra, tampouco permitirei a continuidade dos atos ilegais de constrangimento e assédio a funcionários e funcionárias que realmente trabalham pelo e para o Corinthians, ao contrário dessa gente autoritária e golpista”, diz trecho do comunicado de Tuma.
“Saio temporariamente como um aceno ao bom senso coletivo, para que a reforma do Estatuto possa andar, para que a Assembleia possa ocorrer e para que o clube não continue refém dos que trabalham nos bastidores para adiar mudanças que o Corinthians já não pode mais postergar”, segue a nota.
O desentendimento entre Romeu Tuma Júnior e Osmar Stabile ganhou força em reunião para votação da reforma do estatudo, que terminou em bate-boca no Parque São Jorge, no último dia 9 de março.
Dias depois da confusão, Stabile protocolou um pedido de afastamento cautelar de Romeu Tuma Júnior na Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo, com base nos artigos 27, 28 e 30 do estatuto.
Ainda no último mês, o presidente Osmar Stabile convocou unilateralmente uma reunião extraordinária do Conselho com o intuito de votar o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior, tomando como base o artigo 112, item 6, do estatuto.
Ao todo, 137 conselheiros estiveram presentes no encontro. Foram 115 votos favoráveis ao afastamento de Romeu Tuma Júnior e 15 contra, além de sete abstenções. A decisão, porém, foi contestada por Romeu e Pantaleão, vice-presidente do Conselho e presidente da Comissão de Ética e Disciplina, que não reconheceram o afastamento.
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“Diante dos fatos tornados públicos nesta data, especialmente após a decisão liminar que suspendeu a realização da Assembleia Geral destinada à apreciação da Reforma Estatutária do Sport Club Corinthians Paulista, comunico meu licenciamento, por tempo indeterminado, do cargo de Presidente do Conselho Deliberativo.
Nos últimos dias, ficou evidente a construção de uma operação política destinada a bloquear a vontade dos associados. A minha presença na presidência do Conselho passou a ser usada pelo presidente da Diretoria, Osmar Stabile, como argumento para inviabilizar a votação da reforma no dia 18 de abril (sábado próximo).
Sua mais recente manobra, a ação que veio a público na manhã de hoje – e que, aliás, foi deliberadamente protocolada em sigilo, mesmo que sem qualquer fundamentação que o justifique –, tem como única finalidade impedir, exatamente, a manifestação dos associados. Stábile se utiliza de terceiro para propor a ação, porque tem medo de ser julgado exatamente pelo que é: um traidor. Um traidor de cada voto que recebeu. Um traidor de cada corinthiano que acreditou no seu caráter. Um traidor de quem quer um Corinthians democrático –valor que, por sua vez, nos define como instituição.
A cronologia delineada na decisão liminar revela isso com clareza:
1. O pedido de suspensão da Assembleia não foi acolhido de imediato. O entendimento inicial do Magistrado foi pelo indeferimento fundamentando que era necessário ouvir o Corinthians antes de qualquer decisão. Houve, inclusive, a fixação de prazo para manifestação do clube.
2. O Corinthians, por sua vez, através de seu Presidente e de seu Diretor Jurídico, adiantando deliberadamente o prazo processual, se deu por citado no dia 8 de abril. Na sua manifestação, “concordou” com o pedido inicial para barrar a Assembleia da reforma estatutária.
3. No dia 10 de abril, diante do pedido de Ezabella e da conivência expressa da Diretoria do Corinthians, não restou alternativa ao juiz, se não suspender a Assembleia.
Não é razoável ignorar o significado político dessa sequência. Quando o próprio réu, nesse caso o clube, se antecipa e age em convergência com a tese de quem pretendia paralisar a Assembleia Geral, o resultado se torna previsível.
Não serei instrumento dessa manobra, tampouco permitirei a continuidade dos atos ilegais de constrangimento e assédio a funcionários e funcionárias que realmente trabalham pelo e para o Corinthians, ao contrário dessa gente autoritária e golpista.
Dou este passo para remover da frente qualquer desculpa fabricada em nome de uma disputa de poder que nunca foi sobre a minha pessoa, mas sempre sobre o medo de submeter o futuro do Corinthians à decisão livre da sua base associativa.
Saio da presidência do Conselho Deliberativo temporariamente, como um aceno ao bom senso coletivo, para que a reforma do Estatuto possa andar, para que a Assembleia possa ocorrer e para que o clube não continue refém dos que trabalham nos bastidores para adiar mudanças que o Corinthians já não pode mais postergar.
A partir de agora, todos saberão com mais nitidez quem quer a votação e quem quer impedi-la. Continuarei onde sempre estive: ao lado da democratização do clube, da modernização de sua governança e do direito de o associado decidir, sem sabotagem e sem arranjos, o destino do Corinthians.
Espero e confio na independência e boa-fé dos Associados e Torcedores, que cientes do que está por trás dessa narrativa fraudulenta, dos mesmos de sempre, que detém o “poder” de manobrar o futuro do Corinthians, aos quais não nos submetemos, entendam que é chegada a hora de se expor os fatos e não mais as versões de bastidores que só se prestam aos interesses mesquinhos de grupelhos que aparelham esse Gigante Centenário do Futebol Mundial“.
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