Uma criança de 4 anos não pode festejar um golo no Dragão? | OneFootball

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·22 de setembro de 2026

Uma criança de 4 anos não pode festejar um golo no Dragão?

Imagem do artigo:Uma criança de 4 anos não pode festejar um golo no Dragão?

Parece que aquilo que aconteceu nos camarotes do Estádio do Dragão pode ser bastante mais grave do que inicialmente foi avançado e mostrado através dos vídeos que circularam nas redes sociais.

E, a confirmar-se tudo aquilo que agora é relatado, espero uma atuação exemplar da APCVD.


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Depois de um clássico já suficientemente quente dentro e fora das quatro linhas, começaram a circular imagens do momento em que a polícia teve de intervir junto à zona dos camarotes do Dragão.

Agora surge uma versão ainda mais grave.

Segundo o relato publicado pela imprensa, tudo terá começado depois de uma menina de apenas quatro anos, adepta do Benfica, ter festejado o golo de Alexander Bah.

Quatro anos.

Não estamos a falar de um adulto que decidiu provocar outros adeptos.

Não estamos sequer a falar de um adolescente.

Estamos a falar de uma criança de quatro anos que foi ver um jogo de futebol e festejou o golo da equipa de que gosta.

Segundo Daniel Magalhães, familiar da menina e ele próprio adepto do FC Porto, a criança acabou envolvida numa situação de enorme hostilidade e ficou em choque com aquilo que aconteceu.

A PSP teve mesmo de intervir naquela zona do estádio para controlar os desacatos.

Se as autoridades confirmarem que houve agressões ou ameaças dirigidas à criança, espero que todos os responsáveis sejam identificados e que recebam sanções que os afastem dos recintos desportivos.

Porque aqui já não estamos a falar de FC Porto ou Benfica.

Estamos a falar dos limites mínimos de comportamento numa sociedade.

Passaram entretanto mais de 24 horas sobre os incidentes e aquilo que gostaria de ter visto do FC Porto era muito simples.

Uma mensagem de condenação.

Uma palavra dirigida à criança e à família.

Uma posição clara de que ninguém pode ser intimidado ou agredido dentro do Estádio do Dragão por festejar um golo de outra equipa.

Em vez disso, continuamos a ouvir falar de alianças entre Benfica e Sporting, de arbitragem e das habituais guerras que alimentam diariamente o futebol português.

Há momentos em que um presidente deve perceber aquilo que realmente importa.

Se uma menina de quatro anos passou por aquilo que é relatado, a primeira preocupação de qualquer clube deveria ser saber como está a criança e garantir que os responsáveis são identificados.

O futebol vem depois.

E deixo uma última palavra para o cartilheiro Tiago Silva.

Na temporada passada levou para um programa vídeos que circulavam nas redes sociais para denunciar que adeptos do FC Porto, incluindo mulheres e crianças, tinham sido obrigados a descer vários pisos às escuras no Estádio da Luz.

Quando foi confrontado com a informação de que os problemas elétricos naquela zona estariam relacionados com atos de vandalismo atribuídos a adeptos portistas, chegou a questionar a versão que lhe estava a ser apresentada.

Pois bem.

Perante uma denúncia desta gravidade envolvendo uma criança de quatro anos no Estádio do Dragão, gostaria de ver exatamente a mesma indignação.

E, desta vez, também gostaria de conhecer aquilo que consta no auto policial.

Não pode existir indignação seletiva quando estão crianças envolvidas.

Há coisas muito mais importantes do que futebol, rivalidades, arbitragens ou resultados.

Uma criança deve poder entrar num estádio com uma camisola do Benfica, do FC Porto, do Sporting ou de qualquer outro clube, festejar um golo e regressar a casa em segurança.

Se nem isto conseguimos garantir, então o problema do futebol português é muito maior do que qualquer erro de arbitragem.

Espero que o Benfica convide a família mesmo que o pai seja de outro clube.

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